Houve pânico na cidade — Revolução de 1932

12 10 2008

Soldados paulistas, Foto Claro Johnson
Soldados paulistas, Foto Claro Johnson

 

2 de outubro de 1932

 

 

Houve pânico na cidade.  Os autos trabalharam  toda a noite anterior e a madrugada de hoje.  Caminhões não cessavam de correr à noite e de madrugada.  Constava que a linha de resistência das tropas ia ser no rio Itapetininga, a 1 légua desta cidade.  Falava-se que as tropas paulistas continuariam o ataque até o extermínio.  A prefeitura põe à disposição dos habitantes  trens da Sorocabana.  Houve evasão de quase metade da população, durante a noite anterior, a madrugada e todo o dia dois.

 

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Levei a família à Sorocaba, onde ficará até cessar o movimento.  

 

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Trem blindado, 1932, Canhão Schneider 150mm, Araçu, SorocabanaTrem blindado, 1932, Canhão Schneider 150mm, Araçu, Sorocabana

Transcrição do Diário de Gessner Pompílio Pompêo de Barros (MT 1896 – RJ 1960), Itapetininga, SP, página 150 em referência à Revolução Constitucionalista de 1932.

 

Ruas da cidade de São Paulo durante a Revolução Constitucionalista de 1932.





Descontentamento com o armistício? Revolução 1932

9 10 2008

RanchoRancho

1° de outubro de 1932

 

 

Formou-se, ao que parece, uma corrente dos que não querem a paz, talvez receosos que essa paz seja algo deprimente para São Paulo.  Nota-se descontentamento para com a proposta de armistício do General Klinger, por parte de alguns oficiais inferiores, os quais estão dispostos a prosseguir a luta.

 

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A cidade está tranqüila se bem  que paira certo ar de descontentamento entre os paulistas, receosos do acordo e da paz ferirem o brio paulista.

 

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Transcrição do Diário de Gessner Pompílio Pompêo de Barros (MT 1896 – RJ 1960), Itapetininga, SP, página 149 em referência à Revolução Constitucionalista de 1932.

 

 

Tropas legalistas em São Paulo

Tropas legalistas em São Paulo





A cidade amanheceu radiante. Revolução de 1932

6 10 2008

 

 

 

 

 

30 de setembro de 1932

 

A cidade amanheceu radiante: os boatos de pacificação se alastraram desde as 7 horas da manhã.  Em verdade, porém, o que há é um armistício para entendimentos entre São Paulo e a Ditadura, o qual será levado a efeito ainda hoje ou amanhã.  Jornais publicam hoje haver sido assinado o armistício e terem entrado em confabulações para a par os representantes de São Paulo e da Ditadura.  

 

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Transcrição do Diário de Gessner Pompílio Pompêo de Barros (MT 1896 – RJ 1960), Itapetininga, SP, página 149 em referência à Revolução Constitucionalista de 1932.

 

 





Metralharam o avião da ditadura. Revolução de 1932

4 10 2008

 

Ataque à fortaleza.  1932Ataque à fortaleza. 1932

 

29 de setembro de 1932

 

 

Nos dias anteriores houve relativa calma.  Alguns boatos somente.  Fala-se que esteve iminente a ocupação de Campinas pelas tropas federais e que as trincheiras que guarneciam aquela cidade eram nos arrabaldes, tanto que as tropas iam de bonde para o front!  Hoje corre com insistência o boato da ocupação pelas forças federais da cidade de Ribeirão Preto o que causou certo abatimento entre a população paulista.  Fala-se que o combate do setor na frente de Campinas é decisivo.  Voou sobre esta cidade um avião da ditadura.  Metralharam-no e fugiu sem ter bombardeado.

 

 

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Transcrição do Diário de Gessner Pompílio Pompêo de Barros (MT 1896 – RJ 1960), Itapetininga, SP, página 148 em referência à Revolução Constitucionalista de 1932.

 

Tunel da Mantiqueira, 1932.





Boatos sobre sublevação de tropas. Revolução de 1932

2 10 2008

25 de setembro de 1932

 

 

Chegam tropas do norte para reforço da frente sul.  A cidade está cheia de soldados.  Há treinos de exercícios de lança-minas e bombardas.   Dizem que foram para o fronte dois caminhões blindados.  Boatos de sublevação de tropas na cidade do Rio Grande e de entendimentos entre o Sr. J. Neves e tropas do sul, na frente sul de São Paulo.

 

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Transcrição do Diário de Gessner Pompílio Pompêo de Barros (MT 1896 – RJ 1960), Itapetininga, SP, página 148 em referência à Revolução Constitucionalista de 1932.

 





Em Palmeiras, uma esposa casadoura! Revolução de 1932

27 09 2008

Militares em Santos

Militares em Santos

24 de setembro de 1932

 

 

Um soldado voluntário, caipira, reclama hoje, lamuriento falta de noticias de sua esposa em Palmeiras.  E explicava:

 

“ Na outra revolução ( a de outubro de 1930) que durou só vinte dias, ela não recebia também minhas cartas e como contasse que eu fora morto em combate, em Itararé, minha mulher, quando eu voltei, já estava de casamento tratado com outro!”

 

E, desta vez, com certeza, o lamuriento voluntário, após 74 dias de ausência, tinha, e com carradas de razão, o pensamento voltado para Palmeiras, onde se achava a sua casadoura esposa!!

 

 

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Revista O Cruzeiro

Revista O Cruzeiro

 

Transcrição do Diário de Gessner Pompílio Pompêo de Barros (MT 1896 – RJ 1960), Itapetininga, SP, página 147 em referência à Revolução Constitucionalista de 1932.

 

Militares de Caçapava, na Revolução de 1932

Militares de Caçapava, na Revolução de 1932

 





Hoje houve vários peixes! Revolução de 1932

25 09 2008
Tropas no Instituto Biológico, Revolução de 1932

Tropas no Instituto Biológico, Revolução de 1932

 

23 de setembro de 1932

 

Circulam muitos boatos favoráveis a São Paulo.  Boatos preparados pela imprensa!  A imprensa também propala boatos, para manter alto o moral das tropas!  O boato entre os soldados, na sua gíria, chama-se peixe!  Talvez por causa dos poissons d’avril.  Hoje houve vários peixes.  O João Alberto demitiu-se da polícia do Rio.  O Olegário Maciel está de relações tensas com Getúlio Vargas, etc.

 

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Bombardeio em Passa Quatro, Minas Gerais, Revolução 1932

Bombardeio em Passa Quatro, Minas Gerais, Revolução 1932

 

Transcrição do Diário de Gessner Pompílio Pompêo de Barros (MT 1896 – RJ 1960), Itapetininga, SP, página 147 em referência à Revolução Constitucionalista de 1932.

 

Jornal A Gazeta

Jornal A Gazeta





O Brasil não conhecia ainda uma guerra moderna… Revolução de 1932

24 09 2008

 

Grupo de combate, trincheira de Santos, 1932

Grupo de combate, trincheira de Santos, 1932

 

23 de setembro de 1932

 

 

Os aguerridos paulistas estão impressionados da própria guerra civil.  É que o Brasil não conhecia ainda uma guerra moderna e demorada, de trincheira, enfrentando um inimigo igualmente forte, disposto e aparelhado para os embates.

 

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Um [ilegível] da policia paulista se queixou hoje alarmado, da perturbação da ordem em Pirassununga.  E, eu presenciei a viva contestação de uma moça, que, em termos algo enérgicos mas corteses verberou o procedimento do soldado alarmista.

 

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Um padre, de batinas pretas e um gorro de soldado com as bandeiras paulista e nacional, ostentando um revolver à cinta, disse hoje, a um oficial, que seguia como capelão, ao lado do batalhão da Justiça.  E interrogado pelo oficial, se ele padre, seguia para São Paulo, respondeu irado:

Está louco!?  Vou é para a frente!

 

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A Cavalaria

A cavalaria

Transcrição do Diário de Gessner Pompílio Pompêo de Barros (MT 1896 – RJ 1960), Itapetininga, SP, página 146 em referência à Revolução Constitucionalista de 1932.

 

Canhões





Se fossem mulheres será que a história as trataria com tanta gentileza?

16 09 2008

 

No dia 11 de setembro o jornal americano Wall Street Journal publicou uma resenha de Philip Terzian do livro The Irregulars, escrito por Jennet Conant e acabado de ser lançado, pela editora Simon & Schuster.   

 

O livro relata uma curiosa arma usada por Winston Churchill durante a Segunda Guerra Mundial, mas antes do ataque de Pearl Harbor.  Isto quer dizer, antes da entrada oficial dos Estados Unidos na guerra.   O famoso primeiro ministro inglês, preocupado em aliciar a ajuda americana, em convencer os americanos a se envolverem mais com a guerra que já consumia as forças britânicas, decidiu mandar para Washington DC um grupo de jovens rapazes finamente educados para que se inserissem na sociedade americana e seduzissem com  seu charme e suas boas maneiras os poderes americanos para que a Grã Bretanha viesse a ganhar a guerra européia.  

 

O grupo destes rapazes, levava o jocoso nome de “ The Baker Street Irregulars” numa direta referência ao endereço do famoso detetive de ficção Sherlock Holmes, criado por Sir Arthur Conan Doyle, estavam dois jovens que mais tarde seriam conhecidos escritores de âmbito mundial:  Roald Dahl e Ian Fleming.   Mas a intenção era de espionagem e advocacia da causa britânica.  

 

Como ainda não li o livro não posso julgá-lo.  Muito menos posso fazer  juízo sobre os que pensaram em tal plano de espionagem.   Mas houve duas observações que ficaram me perseguindo depois de ler a matéria:

 

1 – Não é curioso que tanto Roald Dahl como Ian Fleming, que ainda não tinham escrito uma palavra, que ainda não haviam publicado seus livros, ambos viessem a contar com as habilidades de espionagem e decodificação de textos nas suas ficções?  Ian Fleming como todos se lembram é o autor de talvez o mais famoso espião da segunda metade do século XX:  James Bons, Agente 007.  Enquanto que Roald Dahl mais conhecido por sua literatura infantil quando escreveu para adultos produziu textos repletos de suspense.  Alguns de suas histórias chegaram até a serem filmadas por Alfred Hitchcock, para o seu programa semanal de televisão  Alfred Hitchocok Apresenta.  

 

2 – Será que se as pessoas escolhidas para fazer espionagem tivessem sido jovens mulheres britânicas, de boas famílias, com boa escolarização, que tivessem tido ordens de se infiltrar na sociedade local, de uma Washington DC ainda bem provinciana e seduzir e convencer senadores, jornalistas e outros personagens de relativa importância,  a história, ou seja, a narrativa deste acontecimento, deste plano governamental inglês teria sido contado com a boa vontade, com a curiosidade e o tom divertido que ao que indica a narrativa de The Irregulars tem?  Tivessem elas se inserido na sociedade local, imiscuindo-se nos quartos e leitos da capital americana, como ao que tudo indica The Irregulars fizeram, será que elas seriam, mesmo hoje, tratadas com a simpatia com que estes jovens parecem ser tratados?  

 





Escasseiam armas para os soldados paulistas. Revolução 1932

12 09 2008

 Os defensores da cosntituição.

 Os defensores da constituição.

 

10 de setembro de 1932

 

 

Voou sobre a cidade um avião da ditadura.  Mas não bombardeou.   Voaram depois aviões paulistas.

 

 

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Equipe da Cruz Vermelha, Itapira.

Equipe da Cruz Vermelha, Itapira.

 

11 de setembro de 1932

 

Dia calmo, sem grandes boatos.  Apenas grande número se nota de soldados que descansam.  Parece que há entre as tropas paulistas falta de armas e munições, agora em numero maior.  É difícil ver-se um fuzil metralhadora, e, mesmo os fuzis mauser, arma ordinária no exército, escasseiam.   Incrementam-se os batalhões de bombardas, lança-chamas e lança-minas.  Há grande quantidade de munições, no que se diz, para essas armas.

 

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Tropas Federais Gaúchas.

Tropas Federais Gaúchas.

 

 

 

Transcrição do Diário de Gessner Pompílio Pompêo de Barros (MT 1896 – RJ 1960), Itapetininga, SP, página 143-144 em referência à Revolução Constitucionalista de 1932.

 

 

 

 

 

 

Trincheira com tropas da ditadura, em Itapira.

Trincheira com tropas da ditadura, em Itapira.