Imagem de leitura — Antônio Abellan

22 02 2012

Leitores de jornal, s/d

Antonio Abellan ( Espanha, 1964)

www.antonioabellan.com

Antônio Abellan nasceu em Cartagena, na Espanha em 1964.  Graduou-se pela Escola de Belas Artes, da Faculdade de San Carlos, em Valencia.  É um pintor figurativo cujos temas frequentemente incluem a vida na cidade, a vida das pessoas que nela moram, seus hábitos, costumes, prazeres e desejos.





Imagem de leitura — Fábio Hurtado

12 02 2012

Dormindo

Fábio Hurtado (Espanha, 1960)

óleo sobre tela

www.fabiohurtado.com

Fábio Hurtado nasceu em Madri, na Espanha em 1960.  É pintor e fotógrafo. Dedica-se à pintura num estilo que se assemelha ao inicio da era Art Déco, das décadas de 1920 e 1930, amplamente influenciado pela fotografia e pelo cinema.  Formou-se pela Escola de Belas Artes de Madri e em 1982 abriu seu próprio ateliê.





Fevereiro, já se ouve o rufar dos tambores (III)

3 02 2012

Carnaval em Roma, s/d

José Benlliure y Gil (Espanha, 1858 – 1937)

óleo sobre tela, 60 x 100 cm

Christie’s, New York, Outubro 2011

DETALHE DA TELA ACIMA





Imagem de leitura — Carlos Alvarez de las Heras

9 01 2012

Mulher lendo, s/d

Carlos Alvarez de las Heras (Espanha, 1982)

www.alvarezdelasheras.com

Carlos Alvarez las Heras nasceu em Léon, na Espanha, em 1982.  É um pintor autodidata, que começou a pintar sob a orientação de Benito Escarpizo.  Em 2001, fez sua primeira exposição.  Formado pela Universidade de Cunef – Complutense – vive e trabalha em Madri desde o ano 2000.  É pintor e escultor Em 2005 recebet a medalha de mérito artistic do College of Spain, em Paris.





Imagem de leitura — Victòria Tubau

3 12 2011

Homem lendo, s/d

Victòria Tubau ( Espanha, 1959)

óleo

www.victoriatubau.com

Vicòria Tubau nasceu na Catalunha na Espanha, em 1959.  É pintora, e também trabalha nas artes gráficas como ilustradora.  Para mais informações visite o seu portal.





Como você encara a noite?

24 11 2011

O pesadelo, 1781

Henry Fuseli (Suiça, 1741-1825)

óleo sobre tela, 102 x 126 cm

Instituto de Belas Artes de Detroit, EUA

“A humanidade se divide entre os que se acalmam ao ir para a cama à noite e os que ficam aflitos na hora de dormir.  Os primeiros concebem os seus leitos como ninhos protetores, enquanto os outros sentem que o abandono do cochilo é um perigo.  Para uns, o momento de se deitar pressupõe a suspensão das preocupações; em outros, ao contrário, as trevas provocam o despertar de maus pensamentos, e, se dependesse deles, dormiriam de dia, como os vampiros.  Você já sentiu o terror das noites, a angústia dos pesadelos, a escuridão sussurrando com hálito frio em sua nuca que, mesmo sem saber quanto tempo resta, você não passa de um condenado à morte?  E, no entanto, na manhã seguinte, a vida volta a explodir com sua alegre mentira de eternidade”.

Parágrafo de abertura do livro Instruções para Salvar o Mundo, de Rosa Montero, Rio de Janeiro, Nova Fronteira: 2011.





Imagem de leitura — Pablo Picasso

8 11 2011

Homem lendo jornal, 1914

Pablo Picasso ( Espanha, 1881-1973)

desenho, guache e grafite sobre papel, 16 x 13 cm

Museu Nacional Picasso, Paris

Pablo Picasso nasceu em Málaga na Espanha em 1881.  Foi um dos grandes mestres da arte do século XX.  Sua vontade de experimentar de testar seus limites o fizeram um dos mais interessantes artistas visuais de todos os tempos.   Foi um dos “pais” do Cubismo,  pintor, gravador, desenhista, ceramista, escultor,  Faleceu em Mougins, na França em 1973.





Imagem de leitura — José Villegas Cordero

22 10 2011

Retrato de Miss Elliott, 1892

José Villegas Cordero (Espanha, 1844-1921)

Óleo sobre tela, 101 x 127cm

Coleção Particular

 –

José Villegas Cordero nasceu em Sevilha em 1844.  Começou a aprender pintura bem cedo com o pintor José Maria Romero.  Estudou com ele até ingressar na Escola de Belas Artes de onde se forma. Em 1867 começaram diversos períodos de viagens: Madri, Marrocos, Roma, retornando à Espanha, voltando ao norte da África, à Itália até 1877, quando passou a residir por longos períodos em Veneza.  Em 1898 tornou-se diretor da Academia Espanhola de Belas Artes em Roma e em 1901 diretor do Museu do Prado em Madri, onde viveu até falecer em 1921.





Imagem de leitura — Ricardo Cejudo Nogales

11 10 2011

Lendo, s/d

Ricardo Cejudo Nogales ( Espanha, 1952)

óleo sobre tela

Ricardo Cejudo Nogales nasceu na cidade de Puertollano na Espanha, em 1952.  Sua primeira infância foi passada ali, até que a família se mudou para Valência.   Auto-didata, o pintor estudou as técnicas dos velhos mestres nos museus.  Pintor de gênero, interessado nas cenas do dia a dia, paisagens e retratos.





A solução de Rosa Montero: consideração para com o nosso semelhante, em Instruções para salvar o mundo

14 09 2011

A bebedora de absinto, 1901

Pablo Picasso (Espanha, 1881-1973)

Óleo sobre tela,

Hermitage, São Petersburgo, Rússia

Meu primeiro contato com Rosa Montero foi através do fantástico História do rei transparente [Ediouro: 2006], que devorei em dois dias.  Amei!  Mais tarde, vim a ler A louca da casa, [Ediouro: 2004],  Histórias de mulheres [Agir: 2008], A filha do canibal [Ediouro:2007] e agora, este mês, Instruções para salvar o mundo [Record: 2010].  O que surpreende nessa escritora espanhola é o camaleonismo, ou melhor, como cada um de seus livros parece ter um estilo diverso, um narrador diferente, um tema inesperado.  O que os une, a todos, é uma voz narrativa que carrega o leitor por tortuosos e imaginativos caminhos.  Essa também é a característica de Instruções para salvar o mundo.

Quatro personagens principais preenchem o espaço desse romance.   Três são o centro do drama:  Matias, um taxista viúvo, que agoniza diariamente pela perda de sua esposa para o câncer;  Daniel um médico frustrado,  mais ambicioso do que sua capacidade de  dedicação profissional e com a satisfação na vida pessoal inexistente  e Fatma,  natural de Serra Leone, belíssima mulher e prostituta.   Eles parecem ter pouco em comum, mas invadem o nosso mundo imaginário quando suas vidas se mostram interligadas, apesar de extremamente solitárias.  Em contraponto, quase que preenchendo o papel que seria do coro numa tragédia grega, temos Cérebro, cognome de uma ex-professora universitária, uma cientista, cuja linha de pensamento nos mostra o caminho de Rosa Montero.  Cérebro não só é minha personagem favorita pela clareza de seu raciocínio, como é também quem dá a dimensão da tragédia que testemunhamos.  Aos poucos, e graças à força narrativa da autora, esses dois homens e duas mulheres nos envolvem e participamos silenciosamente da absoluta solidão em que vivem,  presenciamos o desespero calado que os corrói.   A falta de perspectiva de uma vida melhor parece inviável para cada um.  E sufoca.

Os personagens vivem num caos emocional que praticamente os deixa anestesiados para a vida cotidiana.  Ou, porque não conseguem perceber nada além do vazio interno que os preenche,  ou porque se dopam, ou se retiram do momento atual, do presente,  para algum lugar  íntimo, interior, onde podem sobreviver as penas de um cotidiano irreparável, como acontece com Fatma.  O mundo externo, fora dessas emoções contidas e reprimidas, está também presente no caos das mudanças climáticas que os rodeiam, refletido no calor fora de época da cidade.  Todos quatro são cidadãos de uma gigante metrópole, igual a dezenas de outras, parecidas com aquelas em que vivemos.  E, como muitos desses cidadãos, como habitantes dessas zonas urbanas, eles passam a vida paralisados nas suas angústias, entorpecidos nas suas emoções.

Rosa Montero

A solução de Rosa Montero para saciar esse desespero interno de cada um é a bondade.  A bondade com o nosso semelhante, o desprendimento.  Talvez uma solução por demais ingênua e idealista para essa leitora.  Algo de irreal, de conto de fadas nessa solução me dá pausa.  Sinto-me crítica.  Talvez eu mesma já esteja, como os personagens da trama, cáustica, amarga, incrédula para considerar tal sugestão com o peso que uma autora como Rosa Montero merece.   Este é o grande senão que tenho com o romance.   As questões sobre o que está acontecendo com a humanidade, o que está acontecendo com o lugar em que vivemos que inevitavelmente temos que levar em conta ao longo da leitura de Instruções para salvar o mundo não só são difíceis de responder, mas também impossíveis de serem solucionadas por ato tão simples e pequeno, quanto esse romance.    Mas fica aqui a minha admiração por quem tem a coragem de levantar essas questões.

Aqui, uma entrevista da autora em espanhol, legendada: