Ilustração, Walter Crane.
—
–
Se Deus atendesse, um dia,
minha prece ingênua e doce,
quem fosse mãe não morria,
por mais velhinha que fosse.
–
–
(Archimino Lapagesse)
—
–
Se Deus atendesse, um dia,
minha prece ingênua e doce,
quem fosse mãe não morria,
por mais velhinha que fosse.
–
–
(Archimino Lapagesse)
Ilustração, mãe e filho, Frederick Richardson, 1975.—
—
Tudo o que fui e que sou
devo ao seu zelo e carinho.
— Mãezinha, você plantou
roseiras no meu caminho!
—
—
( Pedro Peixoto de Aguiar)
—
—
Mãe – não há outro nome
Mais doce, meigo e gentil;
No entanto posso escrevê-lo
Só com três letras e um til.
Mãe e filho, gravura do século XVIII.—
—
—
—
Maria Pagano de Botana
—
—
O que mais do que tudo em ti me encanta,
É ver que em ti mais que a beleza existe
Essa doce bondade, pura e santa,
Que em proteger-me contra o mal insiste.
—
—
Sinto, quando a tristeza me quebranta,
E a dor me vem ferir de espinho em riste,
Que a tua voz, dentro em minh’alma canta
E o meu olhar se torna menos triste.
—
—
Glória a ti, pelo espírito sereno,
Que os meus lábios, docemente, afastas
Da vida rude o trágico veneno…
—
—
Ó alma pura, feita de ais e preces,
Que, em tuas horas límpidas e castas,
Minhas horas amargas adormeces!
—
—
Maria Pagano de Botana ( Pederneiras, SP, 1909) [ Baronesa de Santa Inês] Poeta, cronista, professora, jornalista . Pseudônimos: Marlon, Maria do Rosário.
—
Obras:
Do sonho à realidade, crônicas, 1945
Canteiro humilde, pensamentos, 1948
Amor fonte de vida, poesia, 1950
Luzes e imagens, 1972, biografia romanceada

Flor de maio. Foto: Ladyce West
Eu e a flor de maio temos uma longa história… Na verdade, só eu tenho uma longa história com a flor de maio. Mas, quando morei nos Estados Unidos, este tipo de cactus foi uma das minhas maneiras de manter um pouquinho do ar tropical na minha casa.

Estas cor de damasco estavam em completo explendor! Foto: Ladyce West
Lá esses cactus são conhecidos como Christmas Cactus, ou seja, Cactus de Natal. Por quê? Porque só florescem quando os dias têm poucas horas de luz. Aqui no Brasil, isso acontece, agora, de maio a julho. No hemisfério norte, os dias curtinhos são próximos do Natal.

Ontem só vimos flores brancas, damasco e magenta. Foto: Ladyce West
Mas conheço lá do norte, outras cores, inclusive uma tonalinade magenta escura, belíssima! Tive essas plantas tanto da cor de damasco, como fúcsia. Por lá elas foram muito fáceis de serem mantidas, crescerem e florirem sem grandes desastres. Ficavam dentro de casa de outubro a abril, com pouca água. Mas numa casa aquecida por volta de 25 graus. Depois em abril, quando deixava de ser frio, elas iam todas para o pátio, crescer com o calor do verão da Carolina do Norte, que é muito, muito quente. Só fertilizava 2 vezes por ano: abril e outubro. Em abril, para crescerem felizes. Em outubro, para darem muitas flores. E não devem apanhar sol.

Flores delicadas, foto: Ladyce West
Minha mãe sempre gostou muito destas flores. E quando o Jardim Botânico do Rio de Janeiro fazia as exposições da Flor de Maio, minha mãe era uma assídua visitante. Mas de nós duas, eu tenho a melhor mão para plantas. Com exceção das violetas, que minha mãe sempre conseguiu manter felizes e floridas, e que eu, por razões que desconheço, nunca consegui muito com elas.

Sábado, quando estive no Jardim Botânico, para o evento: Flor de Maio Exposição e Venda não resisti e trouxe para casa dois exemplares deste cactus tropical, que não gosta de sol. Ontem replantei-as. Uma delas está na foto acima. Há horas em que a gente sente que quer “ter” alguma coisa. Ultimamente a fotografia tem me ajudado em não querer “ter”. A imagem do objeto desejado é suficiente. Mas não resisti. Afinal, era véspera do dia das mães, e ela, se estivesse por aqui, teria gostado de ver estas belas flores.
Não deixe de visitar o Jardim Botânico do Rio de Janeiro é um grande e belo passeio.

Mãe e filho, gravura de revista publicada 1885, Dinamarca.
Mãe é palavra que encerra
a força do verbo amar,
que nenhum poder da Terra
já conseguiu suplantar.
(Lucina Long)

Ama de leite, ilustração de Ivan Wasth Rodrigues (Brasil 1927-2008), para Casa Grande e Senzala em quadrinhos.
Ricordanza della mia gioventú
Augusto dos Anjos
A minha ama-de-leite Guilhermina
Furtava as moedas que o Doutor me dava.
Sinhá-Mocinha, minha mãe, ralhava…
Via naquilo a minha própria ruína!
Minha ama, então, hipócrita, afetava
Susceptibilidades de menina:
” — Não, não fora ela –” E maldizia a sina,
Que ela absolutamente não furtava.
Vejo, entretanto, agora, em minha cama,
Que a mim somente cabe o furto feito…
Tu só furtaste a moeda, o oiro que brilha…
Furtaste a moeda só, mas eu, minha ama,
Eu furtei mais, porque furtei o peito
Que dava leite para tua filha!
Augusto de Carvalho Rodrigues dos Anjos (PB, 1884 — MG, 1914) foi um advogado e poeta brasileiro, identificado muitas vezes como simbolista ou parnasiano. Mas muitos críticos, como o poeta Ferreira Gullar, concordam em situá-lo como pré-moderno. É conhecido como um dos poetas mais críticos do seu tempo, e até hoje sua obra é admirada tanto por leigos como por críticos literários.

(Ermírio Barreto Coutinho da Silveira)

Ilustração: Maurício de Sousa
Mãe
Sérgio Caparelli
De patins, de bicicleta,
de carro, moto, avião
nas asas da borboleta
e nos olhos do gavião
de barco, de velocípedes
a cavalo num trovão
nas cores do arco-íris
no rugido de um leão
na graça de um golfinho
e no germinar do grão
teu nome eu trago, mãe,
na palma da minha mão
Em: Poesia fora da estante, ed. Vera Aguiar, Porto Alegre, Editora Projeto: 2007, 13ª edição.