Mário Zanini ( Brasil, 1907-1971)
Óleo sobre tela, 60 x 73 cm
Osman Hamdi Bey (Turquia, 1842 — 1910)
Óleo sobre tela, 90 x 113 cm
Coleção Feyyaz Berker, Turquia
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Osman Hamdi Bey (Istambul, 1842 — Istambul, 24 de fevereiro de 1910) foi um estadista intelectual, connoisseur das artes e um importante pintor realista turco do século XIX. Foi também um grande arqueólogo e é considerado um dos pioneiros na profissão de curador de museus na Turquia. Fundador do Museu Arqueológico de Istambul e da Academia de Belas Artes (Sanayi-i Nefise Mektebi )de Istambul,conhecida hoje como Universidasde Mimar Sinan de Belas Artes. Osman Hamdi Bey foi um dos mais famosos artistas árabes oitocentistas. Três de seus trabalhos – O repouso das ciganas, Soldado do Mar Negro à espera, e Morte de um soldado — foram expostos na Exposição Universal de Paris em 1881. Como diretor do Museum Imperial, em 1882 ele conseguiu desenvolver e redigir novas leis para proteção do patrimônio arqueológico da Turquia.
Estudo da esposa do artista lendo, 1959
Yuri Bogatyrenko ( Ucrânia, 1932)
Aquarela sobre papel, 21 x 29 cm
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Yuri Kirilovich Bogatyrenko ( Ylovaisk, Ucrânia, 1932), Acabou seus estudos em filme em 1957, formando-se pela Instituto de Cinema de Moscou onde foi aluno de F. Bogorodski e de Y. Pimenov. Trabalhou como designer de produção em filmes no Studio de Cinema Odessa onde participou de muitos produções cinematográficas de sucesso na antiga União Soviética.
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Henriqueta Lisboa
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Caminho de formiguinhas,
fiozinho de caminho.
Caminho de lá vai um,
atrás de uma lá vai outra.
Uma, duas argolinhas,
corrente de formiguinhas.
Corrente de formiguinhas,
centenas de pontos pretos,
cabecinhas de alfinete
rezando contas de terço.
Nas costas das formiguinhas
de cinturinhas fininhas
pesam grandes folhas mortas
que oscilam a cada passo.
Nas costas das formiguinhas
que lá vão subindo o morro
igual ao morro da igreja,
folhas mortas são andores
nesta procissão dos Passos.
Em: O mundo da criança: poemas e rimas, vol I, Rio de Janeiro, Delta: s/d.
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Henriqueta Lisboa (MG 1901- MG 1985), poeta mineira. Escritora, ensaísta, tradutora professora de literatura, Com Enternecimento (1929), recebeu o Prêmio Olavo Bilac de Poesia da Academia Brasileira de Letras. Em 1984, recebeu o Prêmio Machado de Assis da Academia Brasileira de Letras pelo conjunto de sua obra.
Obras:
Fogo-fátuo (1925)
Enternecimento (1929)
Velário (1936)
Prisioneira da noite (1941)
O menino poeta (1943)
A face lívida (1945) — à memória de Mário de Andrade, falecido nesse ano
Flor da morte (1949)
Madrinha Lua (1952)
Azul profundo (1955);
Lírica (1958)
Montanha viva (1959)
Além da imagem (1963)
Nova Lírica ((1971)
Belo Horizonte bem querer (1972)
O alvo humano (1973)
Reverberações (1976)
Miradouro e outros poemas (1976)
Celebração dos elementos: água, ar, fogo, terra (1977)
Pousada do ser (1982)
Poesia Geral (1985), reunião de poemas selecionados pela autora do conjunto de toda a obra, publicada uma semana após o seu falecimento
Marc Chagall ( Bielorrússia 1887 — França 1985)
óleo sobre tela 81 x 100 cm
MOMA ( Museu de Arte Moderna) , N ova York
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Para comemorar o Dia de Camões escolhi postar um dos mais belos sonetos em língua portuguêsa. Pelo tema, começo também a celebrar o Dia dos Namorados que aqui no Brasil se comemora no dia 12 de junho. Este é bem conhecido, muitos de nós até sabemos partes sem saber que são versos de Camões. Pois aqui está:
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Luís de Camões
Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer;
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É um não querer mais que bem querer;
É solitário andar por entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É cuidar que se ganha em se perder;
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É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor;
É ter com quem nos mata lealdade.
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Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
Se tão contrário a si é o mesmo Amor?
Maré baixa, praia de Villeria, s/d
Paul-Michel Dupuy ( França 1864-1949)
Óleo sobre tela, 58 x 79 cm
Coleção Particular
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Paul-Michel Dupuy nasceu em Pau (Basses-Pyrenées) em 1869. Foi um pintor frances dedicado às paisagens, à pintura de gênero e ao retrato de belas mulheres e crianças em cenas ensolaradas. Estudou com Bonnat e Maignan e tornou-se membro da Sociedade de Artes Francesas em 1899. Participou do Salon des Artistes Français, ganhando a medalha de ouro em 1901 e 1902. Ainda ganhou muitas outras honrarias através de sua longa carreira, culminando com o Cavaleiro da Legião de Honra em 1833. Muitos de seus trabalhos estão no Museu de Rheims, na França.
O livro do ABC, 1943, ilustrado por Ethel Hays ( EUA 1892-1989).—
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Bastos Tigre
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Um livro: — um lindo brinquedo
Que Bebê fica a mirar:
Cada página é um segredo
A desvendar.
Livro de folhas escritas
E ilustradas — mais de cem!
Quantas histórias bonitas
Ele contém!
Figuras de vivas cores,
Lindamente combinadas:
Casas, bichos, frutas, flores,
Bruxas e fadas…
E a explicação disso tudo
Em grandes letras impressas!
Bebê, radiante no estudo,
Firme, começa!
Essas letras, essas frases
Têm tais sentidos ocultos,
Que entender não são capazes
Doutos adultos.
É preciso ter cinco anos
— E nem todo mundo os tem —
Para poder tais arcanos
Penetrar bem.
Por leitura eu não entendo
O que eu faço e faz qualquer,
As letras do que está lendo
Sem ver sequer.
Bebê cada letra estuda,
Em cada sílaba atenta,
Franzindo a testa sisuda,
Descobre, inventa,
Decifra um novo mistério
A cada voz que enuncia
Que estudo não há mais sério,
De mais valia.
E é de notar-se o ar solene
Com que as silabas lê:
Já não confunde o “m” e o “n”,
O “p” e o “q”…
Ei-lo que as letras combina,
Forma os sons e, num momento,
Vai-lhe a frase, da retina
Ao pensamento.
Maravilha do alfabeto
Que dos arranjos de traços
Faz surgiur a idéia, o objeto!
Novos espaços.
Abre à razão ignorante,
Dá-lhe asas de luz e a eleva,
Radiosa, para o levante,
Longe da treva!
Que humano invento o suplanta?
Só um Deus pudera, em verdade,
Tal grandeza por em tanta
Simplicidade.
Vendo-o tão simples, dir-se-ia
— Do nada tão pouco além…
Que humana sabedoria
Do nada vem…
Quase-nada, gérmen ovo,
Do saber, célula mater,
Sem ele não tem um povo
Alma, caráter…
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Mas Bebê quer tudo feito
Depressa; e anseia por ciência!
(Não é seu menor defeito
O da impaciência).
E, antes que os frutos recolha
Da cultura, ah, quem dissera!
Todo o livro, folha a folha,
Zás, dilacera!
Em: Meu bebê: poesias líricas ( Poemas da primeira infância), 1925. [Prêmio de Poesia da Academia Brasileira de Letras].
O rei ordena aos príncipes que se casem. Desenho infantil.—
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Um rei tinha três filhos, vendo-os em idade de constituírem família, chamou-os e disse-lhes: “Meus filhos, é chegada a idade em que se torna preciso constituir família, atendendo à elevada posição que tendes. Ide, pois, procurar esposas; porém, procedei de modo que eu não tenha que me envergonhar da escolha”.
Os três príncipes saíram do palácio e partiram por diferentes caminhos em demanda de esposa. Os dois mais velhos encontraram logo princesas que os quisessem para maridos e casaram-se. O mais moço, porém, por maiores esforços que empregasse, não encontrou quem julgasse digna de lhe oferecer a mão.
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Ilustração russa, o Príncipe vê uma sapa.—
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Desalentado por não conseguir o que desejava, achava-se uma tarde à beira de uma lagoa, e pegando uma varinha, começou a rabiscar na areia. Impressionou-o, no entanto, estranhamente o fato de que embora quisesse escrever um pensamento qualquer, só conseguia rabiscar na areia a palavra – sapo.
Tudo o que escrevia era sapo, e tendo isto afinal o irritado, exclamou:
–“Ora, saia de lá dessa lagoa uma sapa, que quero me casar com ela!…”
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“Imediatamente saltou uma sapa…” — Ilustração infantil.—
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Imediatamente saltou da lagoa uma sapa, que postando-se em frente do príncipe, lhe disse:
— “Aqui estou, meu adorado noivo”.
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Aqui estou! — ilustração de Yuri Vasnetsov (Russia, 1900 – 1973)—
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O príncipe acompanhou a sapa, que era uma formosíssima princesa encantada, para o fundo da lagoa, onde ficou deslumbrado por encontrar o mais suntuoso dos palácios e as mais maravilhosas riquezas.
Realizado o casamento, o príncipe foi comunicar o ocorrido ao pai, que ficou muito desgostoso por saber que o filho havia se casado com um animal tão asqueroso.
Dias depois, o rei mandou a cada uma das noras uma lindíssima toalha de cambraia pedindo-lhes que as bordassem.
O —
O príncipe apresenta sua esposa ao pai. Ilustração russa.A sapa, logo que recebeu a toalha, chamou uma criada e disse-lhe:
— “Maria Carrucá, monta no pescoço do galo branco, vai à casa das senhoras princesas, e, dize-lhes que mando pedir um pouco de fio de barbante bem grosso, para bordar a toalha do rei”.
Maria Carrucá, assim o fez. As princesas, porém, que eram muito invejosas e estúpidas, responderam-lhe:
–“Vá dizer à senhora princesa D. Sapa que se temos barbante, é para bordar as nossas toalhas”.
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A princesa sapa e o seu príncipe.—
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E assim disseram, melhor fizeram, bordando as toalhas que o rei mandara, com barbante grosso. A sapa, no entanto, bordou a sua com o mais delicado fio de ouro.
— “Ora vejam só, disse o rei, “ a sapa fez um trabalho tão mimoso, e no entanto as princesas estragaram-me as toalhas, com um barbante grosseiro, transformando-as em panos de cozinha”.
Daí a alguns dias o rei mandou a cada uma das noras um cãozinho, para que elas os criassem com todo o desvelo, pois esses animais pertenciam a uma excelente raça de caça.
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Maria Carrucá, xilogravura, autor desconhecido.Apenas a sapa recebeu o cãozinho, disse para a criada:
— “Maria Carrucá, monta no pescoço do galo branco, e vai à casa das senhoras princesas pedir-lhes da minha parte um pouco de cal para dissolver na água, a fim de lavar o cãozinho do rei e umas peles de toucinho para engordá-lo”.
Maria Carrucá foi desempenhar sua comissão, mas as princesas disseram:
— Vá dizer à senhora princesa D. Sapa, que se temos cal é para lavar os cãezinhos que o rei nos mandou, e se temos peles de toucinho é para alimentá-los”.
E assim fizeram de modo que os animais perderam quase todo o pelo, e emagreceram a tal ponto, que quase não podiam suster-se de pé.
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A princesa sapa.—
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A sapa, no entanto, banhava o seu com água perfumada e alimentava-o com pão de ló e outras iguarias delicadas, de modo que e tornou um animal formosíssimo, o que muito admirou o rei, quando mandou buscar todos os três, e viu o deplorável estado em que se achavam os outros, parecendo-lhe incrível que uma triste sapa se avantajasse em tudo a princesas de sangue azul.
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O príncipe e sua esposa com o pai e os irmãos. Ilustração do desenho animado da Princesa Sapa.===
Daí a alguns dias, o rei, desejando conhecer pessoalmente as noras, mandou convidá-las para um baile no palácio.
A sapa, logo que recebeu o convite, voltou-se para a criada e disse-lhe:
— “ Maria Carrucá, monta no pescoço do galo branco, e vai à casa das senhoras princesas pedir-lhes da minha parte, uma navalha para raspar a cabeça a fim de ir ao baile do rei, pois é costume agora na corte, apresentarem-se as damas de cabeça raspada”.
As princesas, porém, que por inveja não queriam que a sapa se apresentasse na moda, mandaram dizer-lhe que, se tinham navalha, era para elas rasparem a cabeça.
E trataram de raspar a cabeça, apresentando-se no palácio como verdadeiras Fúrias, o que muito desgostou o rei.
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A princesa sapa desencanta-se.—
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A sapa, no entanto, desencantou-se, e readquirindo a sua forma de mulher, apresentou-se com elegante toucado, fazendo toda a corte pasmar pela sua extraordinária beleza e pela riqueza do vestuário.
O rei ficou satisfeito com ela, ao passo que só tinha palavras de desdém para as duas invejosas.
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Em: Histórias do Arco da Velha, de Viriato Padilha, Rio de Janeiro, Editora Quaresma: 1947, 12ª edição
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NOTA: Esta história é uma adaptação de um conto folclórico russo muito popular e bastante traduzido e adaptado no século XIX por diversos autores, alemães, franceses, italianos (Ítalo Calvino em seu volume de Contos folclóricos da Itália, tem duas versões dessa história) e portugueses e aqui por Viriato Padilha. A cada tradução alguns detalhes e principalmente as demandas do rei foram adaptadas aos costumes mais familiares dos leitores. Por exemplo na versão russa o príncipe quase acerta a princesa sapa com uma seta enquanto caçava. Note nas ilustrações acima e abaixo que a seta figura quase sempre próximo à sapa.
Mas a popularidade desse conto na Rússia, explica a abundância de ilustrações russas sobre o tema. No século XX, com o domínio da indústria editorial americana e principalmente com o império Disney, este conto, apesar da sua grande lição sobre valores e inveja, foi esquecido, principalmente depois da popularização pelos próprios americanos da história da princesa que se casa com um sapo.
VEJA MAIS ILUSTRAÇÕES — Variantes do mesmo tema depois da nota biográfica abaixo.
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Viriato Padilha ( Aníbal Mascarenhas, MG 1866 – Fortaleza, CE 1924) Pseudônimos: Aníbal Demóstenes, Ticho Brahe de Araújo, Sancho Pança. Contista, poeta, autor de literatura infantil, historiador, professor, tradutor.
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Obras: [lista incompleta]
Histórias do arco da velha, 1897
Os roceiros, 1899
O livro dos fantasmas
OUTRAS ILUSTRAÇÕES:
Ilustração russa, desconheço a autoria.—
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[La Catrina é um personagem folclórico do México]
José Guadalupe Posada (México 1852-1913)
gravura aquarelada
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Walter Nieble de Freitas
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Por causa de um esqueleto
Corri a não poder mais:
Assustado entrei em casa
E contei tudo a meus pais
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“O esqueleto, seu bobinho,
Nunca foi assombração:
É ele um conjunto de ossos
Dispostos em armação.
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Sua função principal
É manter o corpo ereto;
Tem cabeça, tronco e membros
Todo esqueleto completo.
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Preste, pois, muita atenção,
Guarde bem, jamais se esqueça:
Somente de crânio e face
Se constitui a cabeça.
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O tronco tem só três partes,
Vou dizer-lhe quais são elas:
A coluna vertebral,
O esterno e as costelas.
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Os membros são conhecidos:
Os de cima superiores;
E os que servem para andar,
São chamados inferiores”.
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Até agora não compreendo
Como é que fui tolo assim:
Correr de um pobre esqueleto
Tendo outro esqueleto em mim!
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Em Barquinhos de papel: poesias infantis, São Paulo, Editora Difusora Cultural:1961.
Walter Nieble de Freitas ( Itapetininga, SP) Poeta e educador, foi diretor do Grupo Escolar da cidade de São Paulo.
Obras:
Barquinhos de papel, poesia, 1963
Mil quadrinhas escolares, poesia, 1966
Desfile de modas na Bicholândia, 1988
Simplicidade, poesia, s/d
Chico Vagabundo e outras histórias, 1990
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