Viagem ao céu de Monteiro Lobato foi seu primeiro amor literário?

22 07 2014

 

 

 

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O painel Ler, levar a ler, defender o direito de ler literatura, da Feira de Livros de Santa Teresa [FLIST] de 2014, aqui no Rio de Janeiro, foi uma fonte de pequenos testemunhos sobre o início da leitura para várias pessoas que hoje atuam no  Movimento por um Brasil Literário. Luciana Sandroni, autora de livros infantis, definiu o exato  momento em que começou a se apaixonar pela leitura, através do livro de Monteiro Lobato, Viagem ao Céu.

Sua lembrança desse momento está deliciosamente contada no artigo do link acima e aconselho você a se deleitar com a narrativa dos momentos mágicos na ilha de Itacuruçá, aqui no estado do Rio de Janeiro, em noites de férias, em um local onde não havia luz elétrica.  O texto além de mostrar o fascínio da autora pela obra de Lobato, serve para demonstrar a importância da leitura feita por um adulto para as crianças.

 

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Parte do meu gosto pelo testemunho de Luciana Sandroni vem de um paralelo pessoal sobre a importância desse livro. Quando o li, eu, que já era uma leitora assídua, estava familiarizada com pelo menos dois livros de Monteiro Lobato: O Sítio do Pica-pau Amarelo, minha apresentação ao autor e Reinações de Narizinho, leitura seguinte.  Não me lembro da ordem em que me envolvi com o resto da coleção que, nem preciso dizer, devorei na primeira, na segunda e em todas as outras leituras dos livros que mais me encantaram. História do Mundo para Crianças foi o último da série que li.  E o de que menos gostei foi A Chave do Tamanho. Mas me lembro da leitura de Viagem ao Céu porque ao terminá-la  decidi que seria astrônoma quando crescesse.

Meu pai, um cientista, não poderia ter ficado mais feliz, e acreditando nessa minha intenção, deu incentivos para que eu me aprofundasse na matéria. Ser a filha mais velha causa essa atenção toda, principalmente quando ela parece querer seguir os passos do pai.  Ganhei um pequeno mapa das estrelas e, debruçados no janelão do apartamento onde morávamos,  papai me ajudava a identificar as estrelas.  Naquela época nosso bairro tinha mais casas do que edifícios altos e pouca iluminação de rua, o que facilitava na procura por estrelas cadentes que quando achadas eram acompanhadas do inevitável recitar de um desejo, bem à moda do programa de televisão de Walt Disney.  De astrônoma, uns anos depois, passei a querer ser engenheira naval.  E não me lembro o motivo que me levou a isso, acho que não veio de nenhum livro lido. Papai ainda estava feliz com essa escolha, que todos sabemos, não vingou.

E vocês?  Algum livro de Monteiro Lobato que tenha marcado a sua infância?





Imagem de leitura — Cliff Rowe

21 07 2014

 

 

Cliff Rowe (1904-1989) «Street Scene Kentish Town » 1931Cena de rua no condado de Kent, c. 1931

Cliff Rowe (Inglaterra, 1904-1989)

óleo sobre placa, 61 x 91 cm

Tate Gallery, Londres





Celebração de S. Pedro em relato em 1855 de James C. Fletcher

21 07 2014

 

 

Calmon Barreto de Sá Carvalho (1909-1994) 2Tropeiros, 1970

Calmon Barreto de Sá Carvalho (Brasil, 1909-1994)

óleo sobre tela

Museu de Araxá, MG

 

 

“Nosso local de descanso seria a importante cidade de Campinas …,  a mais de cem milhas no interior. Quando nos aproximávamos dessa cidade, fui surpreendido pela beleza e fertilidade da região circundante. As grandes e antigas montanhas haviam sido deixadas muito para trás de nós, e em redor, até onde pude ver, estendiam-se extensas planícies, ou antes, prados ondulosos, com quase todos os acres ocupados. Havia muitas plantações de café superiormente cultivadas, entre cujo verde-escuro podia-se avistar aqui e ali as grandes residências caiadas de branco dos proprietários das terras. Foi na tarde de 28 de junho que chegamos aos arredores de Campinas. A radiosa beleza da noite tropical tornava-se ainda maior pela iluminação da cidade, pelas imensas fogueiras espalhadas pela planície, e brilhantes fogos de artifício lançados de todas as ruas e todas as plantações circundantes. Os clarões e o barulho eram tais, que sem qualquer esforço de imaginação, ter-se-ia acreditado estar perto de alguma cidade sitiada, durante um violento bombardeio. Era a “véspera de S. Pedro”; e todo homem que tinha um Pedro ligado a seu nome, sentia-se na obrigação de acender uma imensa fogueira diante de sua porta, e soltar uma porção de foguetes, além de descarregar inúmeras pistolas, mosquetes, e morteiros. Sob semelhante tormenta, entramos em Campinas.”

 

Texto de James C. Fletcher e de Daniel P. Kidder, de sua viagem ao Brasil em 1855, publicado no Brasil e em São Paulo, em 1941, com o título de O Brasil e os Brasileiros: esboço histórico e descritivo, pela Cia Editora Nacional com tradução de Elias Dolianiti, encontrado em:

 

O Planalto e os Cafezais: São Paulo, Ernani Silva Bruno, e Diaulas Riedel, São Paulo, Cultrix: 1959, pp. 91-92





Domingo, um passeio no campo!

20 07 2014

 

 

PARREIRAS, Antônio (1860 - 1937) Paisagem com lago, o.s.t. - 42 x 34 cm. Assinado e datado 1892Paisagem com lago, 1892

Antônio Parreiras (Brasil, 1860-1937)

óleo sobre tela,  42 x 34cm





Trova do uniforme

20 07 2014

 

 

???????????????????????????????Irmão Metralha consulta um atlas à procura do tesouro do tio Patinhas, ilustração Walt Disney.

 

Que elegante está você!

Este pijama é perfeito!

Só não entendo porque

tantos números no peito!???

 

 

(José Ouverney)





Flores para um sábado perfeito!

19 07 2014

 

 

boner%20-%20f23Ronaldo Boner Junior, ost, hortensiasHortênsias

Ronaldo Boner Júnior (Brasil, 1974)

óleo sobre tela





Minutos de sabedoria: António Pinto Ribeiro

19 07 2014

 

 

ai Suijyo, 2010, acrilica, possibilidades infinitasBiblioteca com céu estrelado, 2010

Ai Suijyo (Japão, contemporâneo)

acrílica

Otaku Mode

 

 

“Um intelectual europeu da minha geração leu os franceses, os ingleses e os americanos. Um africano ou mexicano intelectual leu todos esses e ainda aquilo que eles próprios produziram em seus países. Então, há uma mais-valia em relação à tradição europeia.”

 

 

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 António Pinto Ribeiro





Imagem de leitura — C. Michael Dudash

19 07 2014

 

 

C. Michael DudashO estúdio de Valerie

C. Michael Dudash (EUA, 1952)

óleo sobre tela, 75 x 108 cm

www.cmdudash.com





Rio de Janeiro a caminho dos 450 anos!

18 07 2014

 

 

MANOEL SANTIAGO - (Brasil,1897 - 1987)Praia de Botafogo - óleo sobre madeira - 24 x 35 cm - 1966 - Rio de JaneiroPraia de Botafogo, RJ, 1966

Manoel Santiago (Brasil, 1897-1987)

óleo sobre madeira, 24 x 35 cm





Irmãos…

17 07 2014

 

 

Zinaida Serebryakova,Garotos, 1919Garotos, 1919

Zinaida Serebriakova (Ucrânia, 1884-1967)

óleo sobre tela

 

Dizem que não há dor maior do que a da morte de um filho. Deve ser verdade. Mas a dor de quem perde um irmão é muito grande também, porque irmãos são as nossas referências de vida. Em circunstâncias normais eles foram os cúmplices de travessuras. Além disso eles nos mostram as variadas interpretações da mesma educação, do mesmo lar, dos mesmos pais. Muitos são nossos melhores amigos, aqueles que defendemos dos outros, que aprendemos a proteger. Irmãos são aqueles com quem conseguimos nos comunicar sem trocar palavras; com quem dividimos memórias da infância; percepções sobre outros, parentes, vizinhos, amigos. São aqueles com quem implicamos e que amamos profundamente. Eles são a nossa introdução à diversidade, a opiniões, gostos, maneiras de viver diferentes das nossas.  São os únicos que se dão ao direito de nos criticar e que, por mal ou bem, ouvimos. Irmãos são aqueles que são sempre chamados pelo nome do outro, quando os pais se confundem; são também aqueles a quem nomeamos quando algo mal feito foi descoberto: “Foi o … [fulano], não fui eu…” Irmãos são aqueles seres com quem sempre podemos ser crianças, descer às familiares brincadeiras, as mais primárias, sem perdermos o respeito, mesmo depois de adultos. São em muitos casos as pessoas em quem mais confiamos, para quem fazemos sacrifícios muitas vezes heroicos, cujas mortes ou desaparecimentos mais nos ferem.

Esta semana meu cunhado faleceu. Ele era o único irmão, o mais velho, de meu marido. Tendo perdido meu irmão caçula há 11 anos, sei bem o deserto referencial que envolverá meu cara metade. Não importa a diferença de idades, não importa posturas políticas opostas, diferentes gostos no esporte, nos amigos, na maneira de viver, de rir, de chorar, do prazer no trabalho às escolhas amorosas. Não importa se um é conservador e o outro liberal, se um é religioso e o outro é ateu, a perda é muito maior do que se imagina. A cortina cai em um mundo inteiro de referências que formam a essência da nossa identidade. Ninguém mais poderá sorrir com olhos, silenciosamente, em uma reunião familiar quando alguém lembrar das piadas do tio caduca ou das manias do pai que reaparecem nos netos. Foram-se os momentos de reconhecimento da mãe refletida no irmão ou os relâmpagos de compreensão a nível mais profundo do que os amigos podem desconfiar. Acabou-se o conforto de que só os que se conhecem a vida inteira conseguem usufruir. Não haverá mais o cúmplice, o parceiro, o amigo. Conheço bem esse deserto. Por todas essas perdas sinto por meu marido. Sinto muito.

Esse relacionamento entre irmãos, descrito acima, pode não existir. Não é a realidade para todas as famílias. Cada um de nós conhece alguém que não se dá com seus irmãos. Sabemos de brigas, de traição, ciúmes e inveja entre membros da mesma família. A história mais antiga da natureza humana, Caim e Abel, exemplifica essa situação. Mas não é a norma, nem é inevitável. Ainda bem que meu marido e seu irmão puderam usufruir de um relacionamento equilibrado, de respeito mútuo, verdadeiramente fraterno. O falecimento de um deixa um vácuo imenso na vida do outro. Só o tempo acalmará a dor da perda.

©Ladyce West, Rio de Janeiro: 2014