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Teus olhos, duas continhas,
douradas, suavemente;
duas pérolas, miudinhas,
neste rostinho luzente.
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(Antônio Bispo dos Santos)
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Teus olhos, duas continhas,
douradas, suavemente;
duas pérolas, miudinhas,
neste rostinho luzente.
—
(Antônio Bispo dos Santos)
Ilustração, Walt Disney.
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Se tens à frente uma estrada,
não passes por um atalho,
que a vida só é gozada
à custa de muito trabalho.
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(Luiz Evandro Innocêncio)
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A teia se expande e estica
porque a aranha o fio tece.
O milagre não se explica
e simplesmente acontece.
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(José Augusto Fernandes)
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Reynaldo Valinho Alvarez
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Abro a janela e solto-me no espaço.
A vida é um pátio aberto em plena escola,
para onde eu vou, com pasta e com sacola,
toda manhã, de sol ou de mormaço.
Queria ser igual ao Homem-Aço,
para voar mais alto do que a mola
que tenho no meu peito ou do que a bola
que impulsiono a correr e sem cansaço.
Na linha das montanhas, me liberto
e eis que percorro todo o espaço aberto,
como no pátio alegre do recreio.
Sou mais que o Super-Homem, pois não tenho
os limites quadrados do desenho,
para conter meu vôo e meu anseio.
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Em: Galope do Tempo, Rio de Janeiro, Tempo Brasileiro: 1997, p. 83.
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Reynaldo Valinho Alvarez (RJ, RJ, 1931) Formado em Letras Clássicas, Direito, Economia e Administração. Prêmios da Academia Brasileira de Letras, do Instituto Nacional do Livro, a Fundação Biblioteca Nacional, a Fundação Cultural do Distrito Federal, a União Brasileira de Escritores, a Câmara Brasileira do Livro, a Fundação Catarinense de Cultura, o Conselho Estadual de Cultura do Rio de Janeiro, entre outros.
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Algumas Obras:
Cidade em grito, 1973
Roteiro solidão, 1979
Canto em si e outros cantos, poesia, 1979
As aventuras de Princês, o príncipe sem medo, infanto-juvenil, 1979, 1982
O Solitário gesto de viver, poesia, 1980, 2000
Solo e subsolo, poesia, 1981
O sol nas entranhas, poesia, 1982
Quem sabe o sim sabe o não, 1982
Monteiro Lobato: escritor e pedagogo, 1982
Calatrava, 1983
Gabrilofe, 1984
Pássaro sem asas, memória do abismo, romance, 1984
O grande guru, 1986
Ladrão que rouba ladrão, 1987, 2002
Um índio caiu do céu, infanto-juvenil, 1988
O dia em que os bichos votaram, 1989, 2004
A incrível peleja do pinto calçudo, 1990, 1996, 2000
O A-Bê-Cê da Nanica, 1994, 2003
O continente e a ilha, poesia, 1995
Chutando estrelas, 1995
Eu digo Rio e sorrio, 1997
Guerra dos humildes, 1997
Galope do tempo, poesia, 1997
A faca pelo fio, poesia, 1999
Das rias ao mar oceano, 2000
O tempo e a pedra, poesia, 2002
Lavradio, 2004
O vôo de Cauã, 2004
Corta a noite um gemido, poesia, 2007
Janeiros com rios, poesia, s/d
Canato ( SP, Brasil, 1985)
Óleo sobre tela, 80 x 100 cm
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A cantiga da mucama,
que embalava o sinhozinho,
tinha mimo de quem ama,
de quem sofre tinha espinho.
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(Margarida Ottoni)
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Não creio ser necessário
explicar meu ideal…
— Por que é que canta o canário?
— Por que é que voa o pardal?
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( Moysés Augusto Torres)
Ilustração, Maurício de Sousa.
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Por que será que, na vida,
por que será, meu senhor,
não foi criada a medida
capaz de medir o amor?
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(Luiz Evandro Innocêncio)
Carlos Chiacchio
Desce a canoa de fio
Pela corrente do rio.
Vem arisca, vem frecheira,
Carregada até a beira.
Fruta, ou peixe, da vazante
Ouve-se o búzio distante.
E o povo corre ao mercado.
Na praia, o remo cravado,
Começa a voz das barganhas.
E, logo, em pilha as piranhas.
Vivos, saltando, ao punhados,
Curimatans e dourados.
Matrinchans, madins, a rodo.
Pocomons, frescos, do lodo.
Numa algazarra de festa
Joga-se n’água o que resta.
Volta a canoa de fio
Contra a corrente do rio.
Volta leve, vai suave,
Peneirando como uma ave.
É uma diaba a canoa…
Pulando de popa a proa.
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Em: Poesia Brasileira para a Infância, Cassiano Nunes e Maria da Silva Brito, São Paulo, Saraiva:1968, pp 8-9
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Carlos Chiacchio ( Januária, MG, 4 de julho de 1884 – Salvador, BA, 1947) jornalista, orador, poeta, cronista, crítico literário, membro do IGH-BA, Academia de Letras da Bahia. Nasceu na antiga cidade de Januária, situada entre a Serra da Tapiraçaba e o Rio São Francisco, em Minas Gerais. Filho de Jacome Chiacchio e de D. Patrícia de M. Chiacchio. Estudou como interno no colégio Spencer em Salvador, quando mostrou ter vocação literária. Em Salvador, cidade onde mais tarde também se formou em medicina, fez parte da Nova Cruzada, associação cultural fundada em 1901 e extinta em 1916. Foi proprietário de farmácia, funcionário da Estrada de Ferro, e médico de bordo. Por fim, fixou-se mesmo em Salvador, onde ficou até o fim de sua vida. Foi o chefe e animador do grupo modernista na Bahia, em 1928, em torno da revista Arco & Flecha (1928-1929). Foi um dos mais típicos e valorosos intelectuais de província, e muito trabalhou para a difusão da cultura na Bahia, algumas vezes até sacrificando seus interesses pessoais. Sua produção extensa, dela salientando-se, contudo, um livro de poemas Infância e Biocrítica.
Obras:
A Dor, 1910
A Margem de uma polêmica, 1914
Biocrítica, 1941
Canto de marcha, 1942
Cronologia de Rui, 1949
Euclides da Cunha, 1940
Infância, poesia, 1938
Modernistas e Ultramodernistas, 1951
Os grifos, 1923
Paginário de Roberto Correia, 1945
Presciliano Silva, 1927
Primavera, 1910, 1941
Ilustração, Maurício de Sousa.
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Cada um tem sua sorte
pelo destino traçado,
mas não há ninguém tão forte
que nunca tenha chorado.
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(Rômulo Cavalcante Mota)
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Olhos negros, cismadores…
Olhos de intenso brilhar.
Olhos que falam de amores
e vivem sempre a sonhar.
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(Therezinha Radetic)