O amor: passagem de Érico Veríssimo em homenagem a Santo Antônio

13 06 2024

Cena galante no parque

Franz Xaver Simm (Áustria, 1853-1918)

óleo sobre painel de madeira,  32 x 24 cm

 

 

 

“Eugênio pensava ainda em Margaret. Aquele amor secreto era a melhor coisa de sua vida. Tinha um gosto de romance, um romance que ele escrevia com a imaginação, com o desejo, já que a vida se recusava a dar-lhe um romance de verdade. No silêncio de certa noite, em que o luar lhe entrava pela janela do quarto, ele pensou em Margaret, estendido na cama, de olhos fechados. Imaginou mais um encontro noturno, debaixo das árvores do jardim. (Nessas conversas ele perdia a timidez, era como se a luz da lua conseguisse limpar-lhe o rosto das espinhas e a alma dos pecados, era como se o luar fizesse até o milagre de lhe dar uma voz agradável, parelha e máscula.) Os dois ficaram a contemplar-se em silêncio. Os cabelos dela pareciam de prata. Os dele, de bronze. Um organista misterioso tocava músicas muito doces na capela. Margaret contou-lhe histórias do tempo em que sua família morava na China, onde seu pai fora missionário. Em troca, ele lhe descreveu sonhos, planos de vida.”

 

 

Em: Olhai os lírios do campo, Érico Veríssimo, Rio de Janeiro, Cia das Letras: 2005, versão eletrônica.





Outono: Elizabeth Coatsworth

10 06 2024

As belezas de Beacon Hill

Mary Ann Laing (Canadá, 1953)

óleo sobre tela, 45 x 45 cm

“A mágica do outono tomou conta do campo; agora que o sol não está amadurecendo nada,  ele brilha pelo prazer do momento dourado; para satisfação do Éden; para agradar a lua, pelo que sei.”

 

Elizabeth Coatsworth

 

Tradução: Ladyce West

 

 

 

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“The magic of autumn has seized the countryside; now that the sun isn’t ripening anything it shines for the sake of the golden age; for the sake of Eden; to please the moon for all I know.”
 
― Elizabeth Coatsworth, Personal Geography: Almost an Autobiography





Minutos de sabedoria: Marguerite Yourcenar

25 04 2024

No café

Monica Castanys (Espanha, 1973)

óleo sobre tela

 

 

 

 

“Quando se gosta da vida, gosta-se do passado, porque ele é o presente tal como sobreviveu na memória humana.”

 

Marguerite Yourcenar

 

 

 

 

Marguerite Yourcenar (1903-1987)




Outono: Elizabeth George Speare

17 04 2024

Paisagem com homem e arado, 1889

Vincent van Gogh  (Holanda, 1853-1890)

óleo sobre tela, 33 x 41 cm

Hermitage, Rússia

 

 

 

 

“Depois dos dias grandiosos de setembro, o sol de outubro encheu o mundo com calor ameno… A árvore de bordo frente à entrada queimava como uma gigantesca tocha vermelha.  Os carvalhos ao longo da estrada brilhavam em amarelo e bronze. Os campos se estendiam como um tapete de joias, esmeralda e topázio e granada.  Para qualquer lado que ela fosse a cor gritava e cantava à sua volta… Em outubro qualquer evento inesperado é possível.”

 

Elizabeth George Speare, The Witch of Blackbird Pond  — tradução deste trecho: Ladyce West

 

 

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“After the keen still days of September, the October sun filled the world with mellow warmth…The maple tree in front of the doorstep burned like a gigantic red torch. The oaks along the roadway glowed yellow and bronze. The fields stretched like a carpet of jewels, emerald and topaz and garnet. Everywhere she walked the color shouted and sang around her…In October any wonderful unexpected thing might be possible.”
― Elizabeth George Speare, The Witch of Blackbird Pond




Sublinhando…

1 04 2024

Leitura no sofá, 2019

Alfonso Cuñado (Espanha, 1953)

óleo sobre tela, 50 x 50 cm

 

 

 

“Os livros nascem de um gérmen ínfimo, de um ovinho minúsculo, uma frase, uma imagem, uma intuição; e crescem como zigotos, organicamente, célula a célula, diferenciando-se em tecidos e em estruturas cada vez mais complexas até se transformarem numa criatura completa e geralmente inesperada.”

 

Rosa Montero

 

 

 

Em: A ridícula ideia de nunca mais te ver, Rosa Montero, tradução de Mariana Sanchez, São Paulo,Todavia: 2019.





Sublinhando…

26 03 2024

Lendo na sacada

Bruce Yardley (Inglaterra, 1962)

óleo sobre tela

 

 

“Viajar em si mesmo o tempo inteiro, achando que vai encontrar alguma coisa em si mesmo, que vai resolver tudo, é uma ilusão.”

 

 

 Luiz Felipe Pondé

Em: Diálogos sobre a natureza humana: Perfectibilidade e Imperfectibilidade, Luiz Felipe Pondé, edição kindle.





Sublinhando…

28 01 2024

Tarde preguiçosa

B. Cagri (EUA, contemporanea),

óleo sobre tela

 

 

“Desde pequeno, sempre matei o tempo em bibliotecas. Quando uma criança não tem vontade de voltar para casa, encontra poucos lugares para ir. Lanchonetes e cinemas são locais proibidos para um moleque desacompanhado. Resta-lhe apenas a biblioteca. Você não paga para entrar e ninguém reclama pelo fato de estar sozinho. Pode se sentar numa cadeira e ler todos os livros que quiser. Depois de voltar da escola, eu costumava ir a uma biblioteca municipal existente perto de casa. Era lá que eu passava sozinho muitas horas por dia, mesmo nos feriados. Lendas, romances, biografias ou história, eu devorava tudo que me caía nas mãos. Depois de ler quase todas as histórias infantis, transferi a atenção para as demais seções e passei a ler as obras destinadas aos adultos. Lia todos os livros até a última página, mesmo quando não os entendia direito.”

 

 

Em: Kafka à beira-mar, Haruki Murakami, tradução de Leiko Gotoda, Rio de Janeiro, Editora Objetiva: 2008, p. 45





Sublinhando…

21 12 2023

Menina lendo, 1954

Tatiana Jablonska (Ucrânia, 1917-2005)

[Tatiana Yablonskaya]

óleo sobre tela

 

 

 

“Todas as memórias do que passei na vida estão isoladas e seladas junto à minha língua materna, de forma inseparável. Quanto mais teimoso o isolamento, mais vívidas se tornam as memórias inesperadas. E o peso delas se torna ainda mais opressor. Assim, no verão passado parecia que, na verdade, o lugar para onde eu estava fugindo não era outra cidade, mas sim o interior de mim mesma.”

 

 

 

Em: O livro branco, Han Kang, tradução de Natália T. M. Okabayashi, São Paulo, Todavia: 2023, p. 21





Palavras para lembrar: Jules Renard

5 12 2023

O divã, 1905

Blaise Vlaho Bukovac (Croácia, 1855-1922)

óleo sobre tela

 

 

 
“Escrever é uma maneira de falar sem ser interrompido.”

 

Jules Renard (1864-1910)





Sublinhando…

27 11 2023

Lendo no jardim, década de 1930

Bessie Davidson (Austrália, 1879-1965)

óleo sobre placa de madeira, 94 x 114 cm

Coleção Max Tegel, New South Wales

 

 

 

 “Até os trinta e cinco anos de idade, minha experiência de cama foi equivalente à de qualquer uma de minhas amigas; com essa idade, eu também já havia passado por dois casamentos e dois divórcios. Cada um dos casamentos durou dois anos e meio, e cada um deles foi contratado por uma mulher que eu não conhecia (eu) com um homem que eu também não conhecia (o bonequinho em cima do bolo de casamento).”

 

 
 
 
Em: Uma mulher singular: memórias, Vivian Gornick, tradução Heloísa Jahn, São Paulo, Todavia: 2023, p.30