Minutos de sabedoria: Washington Irving

26 11 2024

No portão da eternidade, 1890

Vincent van Gogh (Holanda, 1853-1890)

óleo sobre tela, 81 x 65 cm

Kröller-Müller Museum, Otterlo, Holanda

 

“Há algo de sagrado nas lágrimas. Elas não são a marca da fragilidade, mas do poder.  Elas se expressam de maneira mais eloquente do que dez mil línguas.  São as mensageiras da tristeza esmagadora, da profunda contrição e do amor indescritível.”

 

Washington Irving

(EUA, 1783-1859)

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Tradução: Ladyce West

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“There is sacredness in tears. They are not the mark of weakness, but of power. They speak more eloquently than ten thousand tongues. They are the messengers of overwhelming grief, of deep contrition, and of unspeakable love.”

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E veio o domingo…

24 11 2024

A leitora

Catherine Marché (França, contemporânea)

óleo sobre madeira, 53 x 60 cm

 

 

“Carlos, sossegue, o amor é isso que você está vendo: hoje beija, amanhã não beija, depois de amanhã é domingo e segunda-feira ninguém sabe o que será.”

 

Carlos Drummond de Andrade

 





A intrigante primeira frase…

21 11 2024

Jovem leitora

Birgit Stern (Alemanha, 1970)

óleo sobre tela, 100 x 80 cm

 

 

“No verão de 1917, Robert Grainier participou da tentativa de assassinato de um operário chinês flagrado roubando, ou pelo menos acusado disso, no armazém da companhia ferroviária Spokane International, na estreita faixa de terra que forma o cabo da frigideira do mapa de Idaho.”

 

Em: Sonhos de trem, Denis Johnson, tradução de Alexandre Barbosa de Souza, São Paulo, Companhia das Letras: 2012.

 

 





Minuto de sabedoria: Blaise Pascal

15 11 2024

Homem lendo

Joseph Lorusso (EUA, 1964)

óleo sobre placa, 29 x 29 cm

 

O presente inexistente

 

Nunca nos detemos no momento presente. Antecipamos o futuro que nos tarda, como para lhe apressar o curso; ou evocamos o passado que nos foge, como para o deter: tão imprudentes, que andamos errando nos tempos que não são nossos, e não pensamos no único que nos pertence; e tão vãos, que pensamos naqueles que não são nada, e deixamos escapar sem reflexão o único que subsiste. É que o presente, em geral, fere-nos. Escondemo-lo à nossa vista porque nos aflige; e se nos é agradável, lamentamos vê-lo fugir. Tentamos segurá-lo pelo futuro, e pensamos em dispor as coisas que não estão na nossa mão, para um tempo a que não temos garantia alguma de chegar.
Examine cada um os seus pensamentos, e há-de encontrá-los todos ocupados no passado ou no futuro. Quase não pensamos no presente; e, se pensamos, é apenas para à luz dele dispormos o futuro. Nunca o presente é o nosso fim: o passado e o presente são meios, o fim é o futuro. Assim, nunca vivemos, mas esperamos viver; e, preparando-nos sempre para ser felizes, é inevitável que nunca o sejamos.



Blaise Pascal, in “Pensamentos”

 

(Blaise Pascal, 1623-1662)





A leitora, texto de Fernando Paixão

14 11 2024

A estola, 2018

Laurence Bost (França, 1975)

óleo sobre tela, 92 x 73 cm

 

 

A leitora

 

Fernando Paixão

 

É possível vê-la apenas de costas, cabelos e pescoço bem curtos, alongando-se na altura dos ombros para um corpo que excede o encosto da cadeira. Encontra-se bem acomodada, convicta de que é a sua hora de esquecer os outros compromissos, para afinal entregar-se a uma escapada sentenciosa. Enfim está com o livro aberto nas mãos, suspenso perto dos olhos.
Uma das pernas apoia-se furtivamente na cadeira ao lado, mantendo-a numa posição oblíqua o suficiente para dar repouso a todo o corpo. É no interior dessa moldura que
se opera uma atenção voluntariamente levada a outro lugar, conduzida pela trama do texto.
Há ainda o copo de vinho que por vezes a mão leva aos lábios ocultos. Repete devagar o gesto, ao intervalo de duas ou três páginas, maneira furtiva de interromper o fluxo das palavras por um gosto equivalente a lhe correr na boca. Vista de costas, mantém-se como um enigma mascarado, e isso torna mais evidente o quanto esquece de si para seguir o caminho imaginoso.

 

Em: Rosa dos Tempos, Fernando Paixão, São Paulo. Edições Pau Brasil: 1980. 





Palavras para lembrar: Italo Calvino

13 11 2024

Leitura

James MacKeown (Inglaterra, 1961)

óleo sobre tela

 

 

“Um clássico é um livro que nunca terminou de dizer aquilo que tinha para dizer.”

 

Ítalo Calvino

 





Palavras para lembrar: Michel Butor

8 11 2024

Idoso lendo, 2005

Berry Toni (EUA, contemporâneo)

óleo sobre tela, 51 x 41 cm

 

 
 
“Tempos difíceis favorecem a boa literatura, mas tempos difíceis  também dificultam a leitura.”

 

Michel Butor  (1926-2016)





História de tia Bilu, texto de Josué Montello

7 11 2024
Ilustração Veronica V. Jones.

 

 

 

“Eu, desde que me conheço, sempre gostei de ouvir histórias. Tenho mesmo a impressão de que foi para ouvi-las, e para contá-las, que nasci. As histórias, além de darem mais vida ao mundo em que vivemos, nos fazem viver outras emoções e outras experiências, mesmo quando a imaginação do contador de histórias enfeita de fadas e bruxas, os mais belos contos.

Mais tarde, se não era mais menino para ouvir histórias, passei a lê-las nos livros, sabendo que o livro é um companheiro, sempre que o tiramos da estante para que nos diga em silêncio o que  tem para nos contar ou ensinar.”

 

 

Em: O carrasco que era santo: (a mais bela história de tia Bilu), Josué Montello, Rio de Janeiro, Nova Fronteira: 1994. pp. 2-3





Minutos de sabedoria: Baltasar Gracian y Morales

31 10 2024
Imagem gerada por IA.

 

 

“A insensatez sempre se precipita à ação, mas a prudência se introduz com todo o cuidado. A cautela e a perspicácia a precedem, abrindo caminho para que possa avançar com segurança.”

 

Baltasar Gracián y Morales

 

 

Baltasar Gracián y Morales  (1601-1658)





Palavras para lembrar: Marco Túlio Cícero

29 10 2024

Homem escrevendo carta, 1664

Gabriel Metsu (Holanda, 1629-1667)

óleo sobre madeira, 52 x 40 cm

National Gallery da Irlanda, Dublin

 

“Se tens um jardim e uma biblioteca, tens tudo.”

 

Marco Túlio Cícero (106-43 A.C.)