Curiosidade literária

8 01 2024

Charles Dickens e a pequena Nell (personagem de A velha loja de curiosidades), 1890

Francis Edwin Ewell (EUA, 1859-1934)

Bronze

Parque Clark, Filadélfia, EUA

 

 

 

O afamado escritor inglês Charles Dickens colocou em seu testamento que não queria nenhuma estátua de si mesmo, nenhum monumento.  Ele detestava esse tipo de honraria. E no entanto, no momento existem três bronzes que retratam o escritor. Há um na Pensilvânia (EUA), um em Sidney (Austrália) e o mais recente, na sua própria cidade natal, na Inglaterra: Portsmouth.

No monumento na Filadélfia ele está retratado com Nell, talvez a personagem mais querida de todas as obras de Dickens.  A maioria de suas obras foi publicada em série nos jornais (assim como muitas obras do século XIX aqui no Brasil, também, de autores brasileiros).  Nell era tão querida que, quando os navios chegaram à Nova York trazendo os últimos capítulos de A velha loja de curiosidades, uma multidão de seis mil pessoas chegou às docas, para perguntar aos viajantes ou marinheiros se a Pequena Nell morria no final do livro, tal era sua popularidade no Novo Mundo.

Interessante saber também que Charles Dickens detestava Filadélfia não tendo nada de bom a dizer sobre a cidade.  No entanto, este monumento, hoje é um dos perfis do bairro onde está, que todos os anos, produz uma festa para Dickens comemorando seu aniversário (7 de fevereiro) quando sua estátua e a de Nell são coroadas com guirlandas de flores e há leituras por horas de suas obras assim como muita música e dança.   Não adiantou nada ele não gostar de Filadélfia,  eles nem se incomodaram com isso.





Inverno: Charles Dickens

19 08 2023

 

 

“Foi o melhor dos tempos, foi o pior dos tempos. Foi a idade da sabedoria, foi a idade da tolice. Foi a época da fé, foi a época da incredulidade. Foi a estação da luz, foi a estação das trevas. Foi a primavera da esperança, foi o inverno do desespero. Tínhamos tudo diante de nós, não havia nada antes de nós. Todos íamos direto para o céu, todos íamos direto para o outro lado.”

 

Charles Dickens

 





Curiosidade Literária

7 08 2023

Charles Dickens foi um dos grandes fenômenos da literatura inglesa.  Poucos sabem, no entanto, que nos dias de hoje talvez ele fosse considerado com um leve caso de TOC, transtorno obsessivo compulsivo.  Porque seu comportamento quanto à arrumação de mobiliário era fora da norma.

Dickens se recusava a escrever em qualquer cômodo se mesas e cadeiras não estivessem organizadas de maneira específica. Se, porventura, ele estivesse visitando uma pessoa amiga, ou passando alguns dias em um hotel, providenciava, de imediato, que tudo naquele quarto fosse re-arrumado a seu gosto.  Não bastasse isso, ele também era obsessivo com sua própria aparência, escovando seus cabelos dezenas de vezes em um dia, mesmo depois que começou a perdê-los.  Era capaz de passar o pente nos cabelos, mesmo durante um jantar formal, se sentisse que havia uma mecha fora do lugar.

Além disso Dickens era muito supersticioso.  Tocava três vezes em tudo, para dar sorte, considerava sexta-feira seu dia de sorte e curiosamente, sempre saía de Londres, no dia em que o último capítulo de seus livros publicados em série nos jornais, saía impresso e distribuído a seus leitores.

E, ainda sem explicação: Dickens insistia em dormir com sua cabeça de frente para o Polo Norte.

 

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Texto traduzido do livro:

Secret Lives of Great Authors: What Your Teachers Never Told You about Famous Novelists, Poets, and Playwrights, de Robert Schnakenberg, Kindle Edition, 2008





O escritor no museu: Charles Dickens

18 03 2019

 

 

 

Portrait_of_Charles_John_Huffman_Dickens

Charles Dickens, 1843

Margaret Gillies (Inglaterra, 1803-1887)

Aquarela e guache sobre marfim

 





Brigas e amizades… quem entende?

19 02 2015

 

amizade, tom & jerryTom e Jerry na praia, disputas e perseguições de lado.

 

Bom ver brigas resolvidas. A vida é curta. Ninguém ganha com desentendimentos. Mas brigas que levam anos são mais difíceis de resolver. O rancor cria raízes. Por isso é surpreendente que uma das mais famosas brigas literárias do século XX tenha chegado ao final este mês: Paul Theroux e V. S. Naipaul, voltaram a se falar.

V. S. Naipaul tinha como “discípulo” Paul Theroux.  Os dois eram muito amigos. Até o dia em que Naipaul decidiu vender alguns presentes que Theroux havia lhe dado…

Pronto.  Briga feita. Por anos não se falaram.  Quase duas décadas!

O gesto de reconciliação veio de Theroux, a parte que havia se sentido ferida. Talvez, aos 73 anos de idade, ele tenha aprendido a perdoar. Mas, contrário à sabedoria popular, nem sempre a sensatez é resultado da idade. Paul Theroux, que não é bobo, deve ter reconhecido que  presentes são dados para que o recipiente faça o que quiser com eles.  Ou não seriam presentes, seriam empréstimos…

O momento da reconciliação foi público, durante o Festival Literário de Jaipur na Índia. Em uma palestra, Paul Theroux elogiou o livro de Naipaul, Uma casa para o Sr. Biswas, comparando o recipiente do Nobel de Literatura em 2001, com o autor britânico do século XIX, Charles Dickens.  V. S. Naipaul, que estava na plateia, mostrou, aos 82 anos de idade, como havia sido importante a amizade deles e como a briga o havia afetado. Teve um momento de catarse, chorando abertamente ao ouvir os elogios de seu antigo discípulo. Um momento de dar engasgo na garganta…

Boas novas!

 

Fonte: The Telegraph