Cláudio Barake (Brasil, 1966)
acrílica sobre tela, 59 x 59 cm
Há muito tempo faço postagens neste blog sobre Cartões de Natal. Por muitos anos, na minha adolescência e jovem adulta, fui uma ávida colecionadora de cartões postais e acabei colecionando também cartões de Natal, ainda que com menor interesse.
Mais tarde, como historiadora da arte, tendo interesse principalmente em iconografia, comecei a prestar mais atenção aos símbolos do Natal. Todos eles acabaram sendo fascinantes para mim.
Postagens no blog em anos passados mostram algumas das minhas “preocupações”, ou seja algumas das observações que a coleção de imagens acaba levantando. Fiz postagens sobre o telefone e Papai Noel, sobre o carro de Papai Noel, sobre o Guarda-chuva de Natal, sobre sinos, anjos, os variados meios de transporte. Tudo está aqui postado unicamente nos meses de dezembro dos sete anos de blog.
Hoje, com a internet, é mais fácil descobrirmos cartões que não conhecíamos. É mais rápida a comparação entre cartões de diversos países e por isso mesmo nossas perguntas também são melhor posicionadas.
No Brasil a maioria dos cartões de Natal teve seu desenho feito no exterior. Era mais barato para as editoras, para as companhias de papelaria. Compravam os desenhos já feitos nos países desenvolvidos e não precisavam contratar um artista gráfico para fazer uma cena natalina.
As imagens estrangeiras vindas da Europa e dos Estados Unidos eram colocadas próximas a mensagens em português, em geral padronizadas como “Feliz Natal e um Próspero Ano Novo.”
Uma consequência dessas escolhas nacionais é que perdemos a oportunidade divulgar entre os brasileiros e outros algumas de nossas vitórias. O exemplo que me vem à mente é justamente a propagação do avião como meio de transporte.
Tanto europeus quanto americanos num instante começaram a colocar Papai Noel viajando de avião. Avião como meio de transporte foi explorado em todas as décadas do século XX em cartões de Natal. Não só no ocidente. Mesmo a Rússia, na época do governo comunista, usou dessa imagem.
E nós, na terra de Santos Dumont, simplesmente ignoramos a possibilidade de fazer conhecido e brasileiros e estrangeiros um feito de tanta importância para a humanidade como esse de um conterrâneo nosso.
Como a seleção de cartões de Natal mostrada aqui, há uma variedade enorme de imagens de Papai Noel, que sempre procura estar à frente das mais variadas tecnologias da época.
E nem postei aqui alguns em que Papai Noel chega de zepelim. …
Ruth Motta Grande (Brasil,? -?)
óleo sobre tela, 36 x 41 cm
“No quintal, no lugar onde Félix Ventura enterrou o corpo estreito de Edmundo Barata dos Reis, floresce agora a rubra glória de uma buganvília. Cresceu depressa. Cobre já uma boa parte do muro. Debruça-se sobre o passeio, lá fora, numa exaltação — ou numa denúncia — à qual ninguém presta atenção.”
Em: O vendedor de passados, José Eduardo Agualusa, Rio de Janeiro, Gryphus: 2004.
Ilustração Homem no parque, de Édouard Halouze, 1920.
Armindo Rodrigues
Nem mal, nem bem,
nem sim, nem não,
nada por obrigação
me convém.
Só quero querer
o de que na verdade
eu próprio tiver
vontade.
Em: Voz arremessada no caminho; poemas, Armindo Rodrigues, Lisboa: 1943, p. 15
Restaurante-jardim, 1912
Augusto Macke (Alemanha, 1887-1914)
Óleo sobre tela, 81 x 105 cm
Kunstmuseum Berna, Suíça
A Passagem pelo Noroeste, 1874
John Everett Millais (GB, 1829 – 1896)
óleo sobre tela, 176 x 222 cm
Tate Gallery, Londres
Cartão postal, virada do século XX.
Bernardino Lopes
Andorinha que fizeste
Ninho em minh’alma, uma tarde,
E que andas no azul celeste
Cantando e fazendo alarde;
Que, em horas de forte calma,
Bebeste das crenças minhas,
Fazendo assim de minh’alma
Ribeirão das andorinhas;
Dize lá: por que não voltas
Ao teu recôndito abrigo,
Peregrina de asas soltas
Que pelas nuvens eu sigo?
Por que vives pelos ares,
Oh! alma de pirilampo!
Quando há frutos nos pomares
E tanta flor pelo campo?
Foge do pranto e do frio,
As leves penas abrindo…
Olha o teu ninho vazio,
Sonho emplumado, e vem vindo…
Vem, recortando os espaços,
Num saudoso devaneio,
Cair tremente em meus braços,
Dormir tranquila em meu seio!
Ah! já não vens, de asa espalma,
Saciar-te em mim, como vinhas…
Era então esta minh’alma
Ribeirão das andorinhas!
(Val de Lírios, Laemmert & Cia., Rio de Janeiro, 1900, pág. 119-121)
Em: Antologia dos Poetas Brasileiros da Fase Parnasiana, ed. Manoel Bandeira, 3ª edição, Rio de Janeiro, Departamento da Imprensa Nacional: 1951. pp: 132-133.
Ilustração John La Gatta, 1940.
Fico em teus braços… depois
rogo a Deus mais uma vez
que o segredo de nós dois
fique só entre nós três.
(Cezário Brandi Filho)