Orlando Teruz ( Brasil 1902-1984)
Óleo sobre madeira, 80 x 100 cm
Coleção Particular
Alfredo Volpi (Itália 1896 — Brasil 1988)
esmalte sobre azulejo, 15 x 15 cm
Coleção Particular
—-
O violeiro, 1899
José Ferraz de Almeida Júnior (Brasil, 1850- 1899)
óleo sobre tela — 141 x 172 cm
Pinacoteca do Estado de São Paulo
—
—
Já era tempo de José Ferraz deAlmeida Júnior ser honrado com uma exposição de seu trabalho na sua cidade natal. Um dos grandes expoentes da arte brasileira do final do século XIX, finalmente vai ser conhecido e se possível reconhecido por seus conterrâneos. O pintor que como muitos de sua época, estudou fora do Brasil, teve a coragem de voltar ao país e procurar, encontrar e desenvolver um vocabulário imagístico próprio, totalmente brasileiro. Suas obras captam uma realidade regional que foi pouco explorada por seus companheiros de profissão na época e que além do valor artístico que demonstram, esses quadros têm o valor de documentos de época, documentos de valores.
Com o tema “Homem e Natureza”, 20 das principais obras do pintor que integram o acervo da Pinacoteca do Estado de São Paulo completam a exposição. “Caipira Picando Fumo“, de 1893, um dos destaques do acervo. A mostra faz parte das comemorações dos 160 anos do nascimento do pintor, além de comemorar os 400 anos da fundação de Itu.
—
—
Paisagem do Sítio Rio das Pedras, 1899
José Ferraz de Almeida Júnior (Brasil, 1850-1899)
óleo sobre tela — 57 x 35 cm
Pinacoteca do Estado de São Paulo
—
—
A curadoria de Ana Paula Nascimento ressalta nessa exposição os quadros que representam a temática de Almeida Júnior, mostrando a preocupação do pintor de valorizar o caipira e sua cultura: “Caipiras Negaceando” (1888), “Cozinha Caipira” (1895) e “O Violeiro” (1899)[ foto acima], demonstram esse cuidado do pintor. Almeida Júnior foi um pintor que viveu exclusivamente de sua arte, assim sendo, grande parte do acervo do pintor é dedicada aos retratos de pessoas ilustres, que fazia por encomenda. [Por exemplo, neste blog, Retrato de D. Joana Cunha] Mas Almeida Júnior também se dedicou ao retrato da natureza à sua volta, pintando com cuidado locais favoritos de seus passeios pelos arredores de Itu: “Cascata do Votorantim” (1843) e “Paisagem do Sítio Rio das Pedras” (1899) [foto acima] são dois exemplos de seu paisagismo nessa exposição.
—–
——
SERVIÇO:
Exposição:
Regimento Deodoro — Antigo Colégio São Luiz
Data: 9 de maio de 2010 a 20 de junho de 2010
Praça Duque de Caxias, 284, Centro
Telefones: (11) 4022-2967 ou (11) 4022-1184
Entrada Franca.
—-
Senhora oriental lendo à luz do luar
Keisai Eisen (Japão, 1790-1848)
xilogravura policromada
—
—-
Keisai Eisen – ( Edo [Tokyo]1790-1848) Nascido na família Ikeda, filho de um calígrafo e poeta, que aparentemente aprendeu com seu pai a maneira de usar o pincel. Já bem jovem foi instruído seu pai demonstrou grande confiança num futuro brilhante para o filho colocando-o para estudar o estilo Kano com o pintor Hakkerisai. Logo depois da morte de seu pai, Eisen procurou um padrinho no pintor Kikugawa Eizan, que era exemplar na pintura das belezas bijin, e com quem Eisen treinou nno estilo ukiyo-e. Em 1820, já se manifesta com estilo próprio. Com Kunisada e Kuiyoshi, Eisen é considerado um dos maiores artistas do estilo ukiyo-e do período “decadente”.
—
Desde os meus primeiros anos de estudo em história da arte, que sei que de vez em quando um eventual médico resolve explicar o que está representado nas telas por doenças ou problemas de saúde dos pintores. Eu me lembro de um famoso médico dizendo que os impressionistas continuaram um estilo que só poderia ter sido iniciado por alguém que precisasse de óculos, porque só olhos míopes viam, assim, tudo um pouco embaçado; lembro-me de um outro querendo explicar as imagens alongadas de El Greco como demonstração de que o pintor sofria de astigmatismo. Mas há muito tempo que não vejo o contrário, um médico que preconiza as doenças sofridas pelos modelos de algumas pinturas famosas. E é exatamente isso que o Dr. Tito Franco [que ironia, uma combinação de dois dos maiores ditadores do século XX!], um médico italiano, resolveu fazer, de acordo com a notícia da agência EFE, que copio e colo aqui, a seguir. Estas descobertas não me convencem, jogo-as para escanteio, como uma curiosidade, mas acredito que haja muita gente interessada no assunto. Aqui está:
—
—
—
—
Um médico italiano diz ter descoberto sinais de diferentes doenças nos personagens retratados em famosas obras de arte como a “Mona Lisa“, de Leonardo da Vinci, ou “As Meninas“, de Velázquez. Em declarações ao jornal britânico The Times, Tito Franco, professor de Anatomia Patológica da Universidade de Palermo, disse que esses sinais de doença vão desde más-formações ósseas até cálculos renais. “Olho a arte com um olhar diferente do de um especialista em arte, como um matemático escuta a música de modo diferente de um crítico musical”, explica Franco, que analisou uma centena de obras, desde esculturas egípcias a produções contemporâneas.
Mona Lisa ou A Gioconda, 1503-1506
Leonardo da Vinci (1452-1519)
óleo sobre madeira 77 x 53 cm
Museu do Louvre, Paris.
—
A “Mona Lisa“, de Leonardo da Vinci, apresenta em torno de seu olho esquerdo, segundo Franco, sintomas de xantelasma, um conjunto de pequenos tumores benignos ou depósito de gordura situados ao redor das pálpebras e que podem indicar níveis elevados de colesterol. Nas mãos da Gioconda parece haver, acrescenta o médico, lipomas subcutâneos, ou seja, tumores benignos compostos por tecido adiposo.
—
As meninas, ou A Família de Filipe IV, 1656
Diego Velazquez ( 1599-1657)
óleo sobre tela, 318 cm x 276cm
Museu do Prado, Madri
—
—
Em “As Meninas“, Franco diz ter descoberto que o personagem principal, a infanta Margarita, parece vítima da chamada síndrome de Albright, doença genética que “inclui puberdade precoce, baixa estatura, doenças ósseas e problemas hormonais“.
—
—
Escola de Atenas, 1511
Rafael Sanzio ( 1483-1520)
Pintura mural, afresco, 500 x 700 cm
Palácio Apostólico, Vaticano
—
—
Em “A Escola de Atenas“, de Rafael, há uma pessoa identificada como o filósofo Heráclito sentada em escadas com os joelhos muito inchados, o que, segundo Franco, “claramente é consequência de um excesso de ácido úrico típico de quem sofre com cálculos renais“.
—
—
Madona do Parto, 1467
Piero della Francesca, ( 1416-1492)
Afresco, 206 x 203 cm
Igreja de Santa Maria a Nomentana, Monterchi
—
—
E a famosa Madonna do Parto, de Piero della Francesca, mostra sintomas de bócio, inchaço da glândula tireóide “típico de pessoas que bebiam água de poço” durante a Idade Média e que sofriam carência de iodo, diz Franco.
—
É pode ser…
—–
NOTA DA PEREGRINA: Na figura de Heráclito, mencionada acima, no afresco de Rafael, A Escola de Atenas, é de conhecimento comum, que a cabeça é feita pelo retrato (rosto) de Michelangelo.
—
–
Fonte: Terra
Aung Kyaw Htet (Burma/Myanmar, 1965)
óleo sobre tela
—-
Aung Kyaw Htet nasceu em Myaungmya em Burma em 1965. Estudou na Escola de Belas Artes de Ragoon. Cresceu num pequeno vilarejo e é um budista devoto, ambas influências perceptíveis na sua pintura. Seus quadros mostram a vida religiosa de homens e mulheres de uma maneira realista de acordo com a práticas em Burma. Hoje, é um dos maiores pintores de seu país tendo muitas de suas obras nos principais museus do país e um grande número de exposições em diversos países.
João Bez Batti (RS, Brasil, contemporâneo)
Presença Invisível
Ao contemplar a obra de João Bez Batti
no Instituto Moreira Sales, RJ, Novembro de 2006
Senti a presença invisível
De mãos grossas, calejadas,
Que acariciaram a pedra,
O basalto negro
Ou vermelho,
Ou até mesmo o mármore.
Constatei mesmerizada
Que trouxeram à superfície
A essência;
Que libertaram, a Michelangelo,
A forma presa no seixo,
O orgânico escondido,
Inerte,
Meio-solto,
Quase-aprisionado.
Mãos que revelaram os escravos encapsulados,
Seres encarcerados no mesozóico,
Como se, conhecendo o desastre de Pompéia
Depois do escarro fulminante do Vesúvio,
Soubessem encontrar:
O cactos florescente, o cágado,
A abóbora moranga.
Caracóis.
E bólidos petrificados.
Estas mãos, que brincam
Sedutoramente
Com o poder divino,
Conhecem o conteúdo,
A alma invisível da pedra.
Descobrem o cascalho gaúcho,
Chocam os grandes ovos de rio,
E parem os seres cativos nas pedras,
Como Eva o tinha sido na costela de Adão.
E o que surpreende: estas mãos,
Que revelam o coração do basalto
Regurgitado pela Terra,
Lixado pelas águas,
Rolado, burilado e aveludado pelo tempo,
São humanas.
Mãos peãs.
Agraciadas pela arte da divinação,
Que brincando de Deus,
Mostram o divino em todos nós.
© Ladyce West, 2006, Rio de Janeiro
Retrato de jovem, ou O estudo, 1769
Jean-Honoré Fragonard (França, 1732-1806)
Óleo sobre tela, 82 x 66 cm
Museu do Louvre, Paris
—
Jean-Honoré Fragonard, (França, 1732-1806), estudou com François Boucher, que o ajudou a desenvolver o estilo predileto da corte francesa. Infelizmente com a Revolução Francesa de 1789, Fragonard perdeu toda sua clientela, toda a nobreza que o apoiava. Juntou todos os seus quadros, saiu de Paris, e voltou para Grasse, sua terra natal, onde foi recebido com carinho. Aos poucos desenvolveu uma clientela mais modesta mas patriótica. Passou para a história mais conhecido por suas cenas românticas, cenas frívolas e felizes, representantes do gosto da corte no século XVIII na França, também chamado de período Rococó. Fragonard foi um excelente pintor, preso numa época de grandes reviravoltas políticas.
Vênus do espelho, 1650 [Também conhecida como Vênus Rockeby]
Diego Velázquez (Espanha 1599-1660)
Óleo sobre tela, 122,5 x 177 cm
National Gallery, Londres.
Vênus ao espelho
[inspirado num quadro de Velazquez]
Raquel Naveira
Nua,
Reclinada sobre musgo de veludo,
Vênus mira-se ao espelho,
Quadro de cristal polido,
Seguro por Cupido.
Adorna os cabelos com violetas singelas,
Morde maçã
E canela,
Acaricia os seios
Que brilham como luas.
Toda ela é úmida:
Anêmona de primavera,
Espuma marinha,
Rosa encharcada;
A umidade é o princípio que gera
E fecunda
Criaturas nacaradas.
Momento de banho,
De repouso,
De idéia clara;
Contemplar-se
É seu gozo.
Tão atraente,
Tão fora de qualquer limite,
Como vencer essa força dissolvente?
Quem não seria seduzido por ela?
Quem quebraria esse espelho ardente?
Que mortal,
Que divindade defenderia a honra
E a arte?
—
Em: Stella Maia e outros poemas, Campo Grande, MS; Editora UCDB:2001
Raquel Naveira (Campo Grande, MS 1957) Poetisa, ensaísta, graduada em Letras e Direito, professora no Curso de Letras da Universidade Católica Dom Bosco de Campo Grande (MS), mestranda em Comunicação e Letras, na Universidade Presbiteriana Mackienzie (SP), e empresária de turismo (Pousada Dom Aquino, em Campo Grande – MS), Raquel Naveira destaca-se por seu talento e engajamento nas atividades culturais do centro-oeste brasileiro. A escritora tem recebido reconhecimento nacional através de inúmeras premiações e várias indicações para prêmios. Em sua obra, são constantes a religiosidade, o misticismo e os temas épicos.
Obra:
Via Sacra, poesia, 1989
Fonte luminosa, poesia, 1990
Nunca Te-vi, poesia, 1991
Fiandeira, ensaios, 1992
Guerra entre irmãos, poesia, 1993
Canção dos mistérios, poesia, 1994
Sob os cedros do Senhor, poesia, 1994
Abadia, poesia, 1995
Mulher Samaritana, 1996
Maria Madalena, prosa poética, 1996
Caraguatá, poesia, 1996
Pele de jambo, infanto-juvenil, 1996
O arado e a estrela, poesia, 1997
Intimidades transvistas, 1997
Rute e a sogra Noemi, prosa poética, 1998
A casa da Tecla, poesia, 1998
Senhora, poesia, 1999
Stella Maia e outros poemas, 2001
Casa e castelo, poesia, 2002
Maria Egipcíaca, poesia, 2002
Tecelã de tramas: ensaios sobre interdisciplinaridade, ensaios, 2004
Portão de ferro, poesia, 2006
Literatura e Drogas e outros ensaios, crítica literária, 2007
Jane Tanner ( Austrália 1946)
Técnica mista
—
Barbara Jane Tanner ( Austrália, 1946) Assina Jane Tanner, é uma ilustradora de livros infantis. Fez a faculdade na National Gallery School de Melbourne, formando-se em pintura e gravura. Por muitos anos trabalhou como pintota. Quando surgiu a oportunidade de ilustrar livros para crianças descobriu uma área de interesse e em 1989 foi reconhecida com o Prêmio de Ilustração do Livro do Ano [Children’s Book of the Year Award], patrocinado pelo Conselho de Livros Infantis da Austrália. O prêmio foi dado pelas ilustrações de Drac e o Gremlin, de autoria de Allan Baillie. Daí por diante foram muitos os prêmios que recebeu por suas ilustrações. Ainda trabalha até hoje com ilustrações para livros infantis na sua cidade natal de Melbourne.