Bairro, poesia de Domingos Pellegrini

6 11 2013

Casas, s/d

Maria Ávila ( Brasil, contemporânea)

óleo sobre tela, 55 x 46 cm

www.mariaavila.com

Bairro

Domingos Pellegrini

Os cheiros que te assaltam suavemente

floradas de quintais e de jardins

de murta na calçada ou alecrim

ou santa-bárbara a chover sementes

A fragância envolvente  do jasmim

esse cheiro de chuva já no vento

e nos escuros entre vaga-lumes

o perfume moleque dos capins

Um fedor de lixeira de repente

aqui carroças com cheiro de estrume

ali cheiro de graxa e de trabalho

E duma casa pobre mas decente

aquele cheiro que o bairro resume

bife fritando com cebola e alho

Em: Gaiola aberta: 1964-2004, Domingos Pellegrini, Rio de Janeiro, Bertrand Brasil: 2005





Domingo, um passeio no campo!

3 11 2013

Claudio Tozzi, Paisagem, sd, ast, 120x120Paisagem, s/d

Cláudio Tozzi (Brasil, 1944)

acrílica sobre tela, 120 x 120cm





Flores para um sábado perfeito!

2 11 2013

GILBERTO TROMPOWSKY(1912 - 1982)Natureza Morta, 1976,oseNatureza Morta, 1976

Gilberto Trompowsky (Brasil, 1912- 1982)

óleo sobre eucatex





Hoje é dia de feira: frutas e legumes frescos

30 10 2013

CARLOS OSWALD (1882 – 1971) Natureza Morta – Óleo s tela – 56 x 70 cmNatureza morta, s/d

Carlos Oswald (Brasil, 1882-1971)

óleo sobre tela, 56 x 70 cm





Uma manhã, texto de Pardal Mallet

28 10 2013

ELISEU VISCONTI, LEITURA OST, 1917, 56X46 COL PARTLeitura, 1917

Eliseu Visconti (Itália, 1866 – Brasil,1944)

óleo sobre tela, 56 x 46 cm

Coleção Particular

“Como no relógio da parede soassem quatro horas, Nenê, num movimento de desânimo, deixou escorregar-lhe pelo corpo abaixo o jornal que estava a ler distraidamente. Algum pensamento triste acabrunhava-a. Tanto que por sob as madeixas sedosas da franja adivinham-se umas rugazinhas pequeninas a franzir-lhe a testa, aproximando-lhe os sobrolhos levemente arqueados. Veio-lhe um gesto grande de inquietação e com o pezinho delicado batia febrilmente no assoalho. Depois o braço torneado e alvadio, nas curvaturas graciosas fortemente desenhado pela manga estreita do casaco, apoiou-se ao encosto da cadeira de balanço para suster mais comodamente a cabeça gentil dos traços finos numa pureza ideal de Juno. E dali seus olhos verde-azulados — imensos lagos de ternura a desafiar os pescadores do amor, volveram-se languidamente, absortos na contemplação daquele quadro holandês todo feito com a mansuetude da vida caseira.

A luz viva de um sol, que ao termo da viagem galopava ligeiro com pressas de pernoitar na grande hospedaria do ocaso, entrava francamente pelas janelas abertas clareando aquele salão de gosto antigo, de uma grande prodigalidade de madeiras severas e embaciadas, sem o falso brilho dos vernizes. No fundo escuro paredes forradas em imitação de grandes panos de carvalho embutidos em largos caixilhos de mogno; e a harmonizar-se com elas uma pesada mobília Luís XIV de altos espaldares cheios de obras de entalhe. Apenas como nota vibrante e alegre — o refrangir dos cristais e dos serviços de eletro-prata a rebrilhar no grande armário envidraçado; e no centro da casa a mesa elástica já convenientemente preparada para o jantar com a toalha alvejante e o branco luzidio dos pratos dentre os quais se erguia, a tocar quase no lustre bronzeado, a fruteira de bacará — pirâmide alaranjada que se terminava floridamente num grande ramo de crótons.

No meio deste espetáculo, como a imagem da vida, sonolenta nas paixões, petrificada em sua impassibilidade, o vulto nobre e altivo de d. Augusta. Sentada junto à janela oposta, em uma cadeira baixa a contrastar com a uniformidade da mobília, tendo junto a si uma pequena mesa de costura sobre a qual repousava uma cestinha de vime, entretinha-se em alinhavar umas camisinhas de criança que ia jogando no chão à medida que as aprontava. Suas mãos longas e delicadas de aristocrata moviam-se em grande volubilidade. E por sobre tudo isto a sua cabeça de velha que atravessou uma existência calma, nua de desgostos, conservando a sua pele acetinada, tendo apenas branqueado os cabelos ao suceder dos anos.

Uns cabelos formosos e bastos que penteava em grandes bandos por cima das orelhas às quais se suspendiam uns compridos brincos de charão.

E Nenê esquecia-se do tempo. Achava aquilo tão bonito. Vinha-lhe uma sensação boa de felicidade a beijar-lhe o colo quase nu sob o rendilhado do casaco. Encolhe-se toda na cadeira num gesto elegante de gata friorenta e deixou que o seu olhar boiasse a flux do lago de mansidões. Para que incomodar-se? Ela sentia-se tão bem naquele descanso do organismo inteiro. Demais não estava com fome. Não valia a pena inquietar-se por tão pouco. O jantar podia muito bem ser demorado um bocadinho. E deixou que a embalasse o oscilar da cadeira, seu pezinho delicado surgindo de entre as saias a desenhar-lhe os contornos sensuais da perna”

[Prim-

Em: O Hóspede, Pardal Mallet, Rio de Janeiro:1887, primeiro capítulo, EM DOMÍNIO PÚBLICO





Domingo, um passeio no campo!

27 10 2013

HEITOR DE PINHO - (1897 - 1968)Paisagem - óleo sobre eucatex - 34 x 41 cmPaisagem, s/d

Heitor de Pinho (Brasil, 1897-1968)

óleo sobre eucatex  34 x 41 cm





Flores para um sábado perfeito!

26 10 2013

clovis Graciano (1907-1988) Vasodeflores, 1940,oscce,38x26

Vaso com flores, 1940

Clóvis Graciano (Brasil, 1907-1988)

óleo sobre cartão colado em eucatex, 38 x 26 cm





Hoje é dia de feira: frutas e legumes frescos

23 10 2013

QUIRINO CAMPOFIORITO (1902-1993)Laranjas na beira da praia,ost colado no eucatex, 25 X 33. Assinado e datado (1985)Maçãs à beira da praia, 1985

Quirino Campofiorito (Brasil, 1902-1993)

óleo sobre tela colado em eucatex, 25 x 33 cm





A lágrima, poesia de Carmen Freire, Baronesa de Mamanguape

21 10 2013

Antônio Rocco,Pensativa,ost,. 50 x 60 cmPensativa

Antônio Rocco (Itália, 1880 – Brasil, 1944)

óleo sobre tela, 50 x 60 cm

A lágrima

Carmen Freire

Nascida na ternura ou na tristeza

Límpida gota dos orvalhos d’alma

Tu, lágrima saudosa, muda e calma,

Que força enorme tens nessa fraqueza?

Possuis mais que o poder da realeza,

Quando és filha da dor que o pranto acalma,

E, qual gota de orvalho em verde palma

À pálpebra chorosa ficas presa!

Estrela da saudade, flor de neve,

Que o vento da tristeza faz  brotar,

Amo o teu brilho nessa luz tão breve

De breve globo teu… imenso mar

Cujos fundos arcanos não se atreve

Nem se atreveu ninguém jamais sondar!

Em: Poetas cariocas em 400 anos, selecionados por Frederico Trotta, Rio de Janeiro, Editora Vecchi: 1965, pp. 176-177 —

Carmen Freire, Baronesa de Mamanguape, nasceu no Rio de Janeiro em 1855. “De família de poucos recursos, aos 13 anos torna-se Baronesa de Mamanguape, pelo casamento com o senador e latifundiário Barão Flávio Clementino da Silva Freire. Faleceu em 1891, quase ao mesmo tempo que o marido, depois de uma rápida enfermidade.

“Espírito de grande versatilidade e atraída pela literatura e artes, Carmen Freire se notabilizou pelas famosas tertúlias poéticas, realizadas em seu palacete, com a presença de literatos do tempo: Olavo Bilac, Guimarães Passos, Paula Ney, Coelho Neto, Aluísio Azevedo, Pardal Mallet, Rodolfo Amoedo...”  [para mais informações veja: Dicionário crítico de escritoras brasileiras 1711-2001, Nelly Novaes Coelho, São Paulo, Editora Escrituras: 2002]

Obras:

Visões e sombras, 1897, poesia (póstuma)





Flores para um sábado perfeito!

19 10 2013

AUGUSTO HERKENNHOFF,Vaso de Flores,ost,60 x 80 cmVaso de flores

Augusto Herkenhoff (Brasil, 1965)

óleo sobre tela, 60 x 80 cm