Divertimento, poesia de Henriqueta Lisboa

17 09 2012

Ilustração Elizabeth Webbe, 1963.

Divertimento

Henriqueta Lisboa

O esperto esquilo

ganha um coco.

Tem olhos intranquilos

de louco.

Os dentes finos

mostra. E em pouco

os dentes finca

na polpa.

Assim, com perfeito estilo,

sob estridentes

dentes,

o coco, em segundos, fica

oco.

Em: Nova Lírica: poemas selecionados, Henriqueta Lisboa, Belo Horizonte, Imprensa Oficial: 1971





A raposa furta e a onça paga, fábula brasileira, texto de Câmara Cascudo

5 03 2012

Ilustração de uma outra fábula da coletânea de Perry.

A raposa furta e a onça paga

A raposa viu que vinha vindo um cavalo carregado com cabaças cheias de mel de abelhas.  Mais que depressa deitou-se no meio da estrada, fingindo-se de morta.  O tangerino parou e achou o bicho muito bonito.  Não tendo tempo de esfolar, para aproveitar o pelo, sacudiu a raposa no meio da carga e seguiu viagem.  Vai a raposa e se farta de mel, pulando depois para o chão e ganhou o mato.  O homem ficou furioso mas não viu mais nem a sombra da raposa.

Dias depois a raposa encontrou a onça que a achou gorda e lustrosa.  Perguntou se ela descobrira algum galinheiro.

— Qual galinheiro, camarada onça, minha gordura é de mel de abelha que dá força e coragem.

— Onde você encontrou tanto mel?

— Ora, nas cargas dos camboeiros que passam pela estrada.

— Quer me levar, camarada raposa?

— Com todo gosto.  Vamos indo…

Levou a onça para a estrada, depois de muita volta, e ensinou a conversa.  A onça deitou-se e ficou estirada, dura, fazendo que estava morta.  Quando o comboeiro avistou aquele bichão estendido na areia, ficou com os cabelos em pé e puxou logo pela sua garrucha.  Não vendo a onça bulir, aproximou-se, cutucou-a com o cabo do chicote e gritou para os companheiros:

— Eh lá!  Uma onça morta!  Vamos tirar o couro.

Meteram a faca com vontade na onça que, meio esfolada, ganhou os matos, doida de raiva com a arteirice da raposa.

Em: Contos tradicionais do Brasil (folclore), Luís da Câmara Cascudo, Rio de Janeiro, Edições de Ouro: 1967

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Como Câmara Cascudo lembra essa fábula é muito conhecida na Europa, tanto na península ibérica como no norte da Europa, como na Rússia.  A versão mais popular no entanto é da raposa e do lobo.  A raposa faz o mesmo, finge-se de morta e é jogada numa carroça de peixes.  Farta-se com os peixes…  Daí por diante segue exatamente igual só que no lugar da onça brasileira, temos o lobo, que imita as ações da raposa e se dá mal.





A onça e o bode, fábula brasileira, texto de Luís da Câmara Cascudo

3 02 2012

Ilustração M&V Editores

A onça e o bode

O Bode foi ao mato procurar lugar para fazer uma casa.  Achou um sítio bom.  Roçou-o e foi-se embora.  A Onça que tivera a mesma ideia, chegando ao mato e encontrando o lugar já limpo, ficou radiante.  Cortou as madeiras e deixou-as no ponto.  O Bode, deparando a madeira já pronta, aproveitou-se, erguendo a casinha.  A Onça voltou e tapou-a de taipa.  Foi buscar seus móveis e quando regressou encontrou o Bode instalado.  Verificando que o trabalho tinha sido de ambos, decidiram morar juntos.

Viviam desconfiados, um do outro.  Cada um teria sua semana para caçar.  Foi a Onça e trouxe um cabrito, enchendo o Bode de pavor.  Quando chegou a vez deste, viu uma onça abatida por uns caçadores e a carregou até a casa, deixando-a no terreiro.  A Onça vendo a companheira morta, ficou espantada:

— Amigo Bode, como foi que você matou essa onça?

— Ora, ora… Matando!… Respondeu o Bode cheio de empáfia.  Porém, insistindo sempre a Onça em perguntar-lhe como havia matado a companheira, disse o Bode:

— Eu enfiei este anel de contas no dedo, apontei-lhe o dedo e ela caiu morta.

A Onça ficou toda arrepiada, olhando o Bode pelo canto do olho.  Depois de algum tempo, disse o Bode:

— Amiga Onça, eu lhe aponto o dedo…

A Onça pulou para o meio da sala gritando:

— Amigo Bode, deixe de brinquedo…

Tornou o Bode a dizer que lhe apontava o dedo, pulando a Onça para o meio do terreiro.  Repetiu o Bode a ameaça e a onça desembandeirou pelo mato a dentro, numa carreira danada, enquanto ouviu a voz do Bode:

— Amiga Onça, eu lhe aponto o dedo…

Nunca mais a Onça voltou.  O Bode ficou, então, sozinho na sua casa, vivendo de papo para o ar, bem descansado.

Em: Contos tradicionais do Brasil (folclore), Luís da Câmara Cascudo, Rio de Janeiro, Edições de Ouro: 1967

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Este conto foi arrebanhado por Câmara Cascudo do volume de J da Silva Campos, Contos e fábulas populares da Bahia, em Folk-Lore no Brasil, Ed. Basílio de Magalhães, Rio de Janeiro, 1928.

Câmara Cascudo lembra que esta variante do conto, [popular no Brasil inteiro, com versões também de origem indígena], “tem reminescência africana, resquício religioso dos negros do Congo Zambese“, da região Bantu.





A raposa e o timbu, fábula brasileira, texto de Luís Câmara Cascudo

3 01 2012

Ilustração de Pat Hutchins

A raposa e o timbu

A raposa convidou o timbu para visitarem um galinheiro bem provido. A raposa iria às galinhas e o timbu aos ovos e pintos.  Entraram por um buraco que mal permitia a passagem.  Começaram a fartar.  A raposa prudente, apenas satisfez o apetite.  O timbu, voraz, empanturrou-se, ficando com a barriga inchada.  De súbito ouviram os passos do dono da casa.  A raposa passou como um raio pelo buraco e sumiu-se no mato.  O timbu meteu-se a tentar mas ficou engalhado pelo meio do corpo, ganindo como um desesperado. O homem chegou, viu o estrago e disparou a espingarda no timbu, que morreu por ser guloso.

Em: Contos tradicionais do Brasil (folclore), Luís da Câmara Cascudo, Rio de Janeiro, Edições de Ouro: 1967

Esse conto foi originalmente coletado pelo autor no Rio Grande do Norte.  É possível que leitores de outros pontos do Brasil não estejam familiarizados com o timbu.  A grande área geográfica brasileira permite que esse animal receba diferentes nomes, em outras regiões: sariguê, gambá, ticaca, mucura, cassaco, entre outros.





Foto de cuco roubando ovo de rouxinol vence competição

1 11 2011

A rara imagem de um cuco que havia acabado de roubar um ovo do ninho de um rouxinol foi a vencedora. Foto: GDT EWPY 2011/BBC Brasil

A rara imagem de um cuco que havia acabado de roubar um ovo do ninho de um rouxinol foi a vencedora
Foto: GDT EWPY 2011/BBC Brasil

A rara imagem de um cuco que havia acabado de roubar um ovo do ninho de um rouxinol foi a fotografia vencedora do GDT European Wildlife Photographer of the Year 2011. Segundo os organizadores do concurso, a fotografia vencedora mostra um comportamento interessante com altíssimo nível estético.

Com décadas de experiência fotografando e filmando cucos, o autor da foto vencedora, Oldřich Mikulica, da República Tcheca, se diz fascinado pelas aves. “Por 25 anos, durante a época de procriação, eu vou até os lagos perto de minha casa para observar os cucos e rouxinóis“, diz ele.

O cuco remove um ovo do ninho do rouxinol e coloca um de seus próprios ovos no lugar, já que ambos são quase idênticos. Especialistas explicam que como o cuco tem pouco tempo de gestação nasce antes dos outros passarinhos e, para ganhar espaço, joga os ovos do rouxinol para fora do ninho.

Os rouxinóis continuam a alimentar o cuco sem perceber a diferença. Ao chegar à maturidade, o cuco abandona o ninho. De acordo com Mikulica, é praticamente impossível que ele consiga registrar imagem semelhante novamente. A fotografia do cuco derrotou quase 14 mil imagens feitas por concorrentes de 39 países.

O fotógrafo Oldřich Mikulica

Fonte: Terra





Quadrinha do burro, no dia de São Francisco de Assis

4 10 2011

Ilustração de autor desconhecido.

Ao burro, nossa homenagem

Pelo seu grande valor.

Ajuda o homem no campo,

É forte e trabalhador.

(Walter Nieble de Freitas)





Filhotes fofos — antílope

1 10 2011

(Phil Noble/Reuters)

Um bebê antílope toma uma mamadeira, no zoológico de Chester ao norte da Inglaterra.  Este é um tipo mais raro de antilopes, um dos menores antílopes do mundo.





Filhote fofo — leão branco

26 09 2011

Foto: AFP

Em Hamburgo, na Alemanha, o circo Krone apresentou um filhote de leão branco que nasceu no fim de agosto dentro do circo. Um nascimento deste tipo é raro e ocorreu enquanto as autoridades alemãs debatem a proibição de animais selvagens em circos.  Os leões brancos são muito raros e não existem mais em habitat natural, apenas em cativeiro. De acordo com a WWF, a subespécie não é albina e sim derivada de uma mutação genética rara do leão africano, que faz com que os animais sejam dessa cor.





Filhotes Fofos: Antílope bongô

29 01 2011

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Apresentando:  Isabelle, recém-nascida filhote bongô, uma espécie africana de antílopes, calmamente refestelada ao lado de sua mamãe no Franklin Park Zoológico, na cidade de Boston, nos Estados Unidos.

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O galo, poesia infantil de Francisca Júlia

9 01 2011

Galo, ilustração de Artus Scheiner (1863-1938)

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O galo 

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                                                                                                                                          Francisca Júlia

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Passo lento, olhar profundo,

Valente, brioso e grave,

O galo é a mais linda ave

Dentre todas que há no mundo.

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Um pé adiante, outro atrás,

Bico aberto, o galo canta;

Tem a glória na garganta

E nas esporas que traz.

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O galo é sempre o primeiro

A anunciar a s auroras.

Repara bem: tem esporas

E é por isso cavaleiro.

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Coroa tem e de lei,

Coroa em forma de crista

Que ganhou numa conquista:

Por isso julga-se rei.

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Pendentes até o peito,

Vermelhas, grandes e belas,

Tem barbas que são barbelas

Que lhe dão muito respeito.

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Com que delicado amor

Ele defende e acarinha

Ora o pinto, ora a galinha

Com seu gesto protetor!

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De cabeça levantada,

Altivo sobre o poleiro,

Ele é o rei do galinheiro

E o cantor da madrugada.

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Vivem todos sob a lei

E ordens que o galo decreta:

Soldado, músico e poeta,

Pastor, cavaleiro e rei!

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Francisca Júlia da Silva Munster (SP 1871 – SP 1920)  Poetisa brasileira.  Começou a  colaborar na imprensa paulistana e carioca aos 20 anos. Na revista  A Semana, alcança rápido prestígio literário.  Casou-se em 1909, recolhendo-se à vida particular e praticamente abandonando a atividade literária.

Obras:

1895 – Mármores

1899 – Livro da Infância

1903 – Esfinges

1908 – A Feitiçaria Sob o Ponto de Vista Científico (discurso)

1912 – Alma Infantil (com Júlio César da Silva)

1921 – Esfinges – 2º ed. (ampliada)