5 de junho, Dia Mundial do Meio Ambiente!

5 06 2010

Chico Bento, ilustração de Maurício de Sousa.

 

Chico Bento está fazendo o que pode para melhorar o meio ambiente.
 
E você? 

 

Que contribuição você pode dar?

 





2º Concurso de Artes Visuais Mostra PUC – RIO

4 06 2010
Pateta quer ser um pintor famoso, ilustração Walt Disney.

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2º Concurso de Artes Visuais

Mostra PUC-Rio

Tema:

Baía de Guanabara, desafios e possibilidades.

 

Inscrições: de 4 de maio a 25 de junho.

Clique no link abaixo para inscrições:

MINHA ALMA PINTA
 

Boa sorte!





O esqueleto, poesia infantil de Walter Nieble de Freitas

3 06 2010

La Catrina, s/d

[La Catrina é um personagem folclórico do México]

 José Guadalupe Posada (México 1852-1913)

gravura aquarelada

O esqueleto

                                                      Walter Nieble de Freitas

Por causa de um esqueleto

Corri a não poder mais:

Assustado entrei em casa

E contei tudo a meus pais

“O esqueleto, seu bobinho,

Nunca foi assombração:

É ele um conjunto de ossos

Dispostos em armação.

Sua função principal

É manter o corpo ereto;

Tem cabeça, tronco e membros

Todo esqueleto completo.

Preste, pois, muita atenção,

Guarde bem, jamais se esqueça:

Somente de crânio e face

Se constitui a cabeça.

O tronco tem só três partes,

Vou dizer-lhe quais são elas:

A coluna vertebral,

O esterno e as costelas.

Os membros são conhecidos:

Os de cima superiores;

E os que servem para andar,

São chamados inferiores”.

Até agora não compreendo

Como é que fui tolo assim:

Correr de um pobre esqueleto

Tendo outro esqueleto em mim!

 Em Barquinhos de papel: poesias infantis, São Paulo, Editora Difusora Cultural:1961.

 

 

 

Walter Nieble de Freitas ( Itapetininga, SP)  Poeta e educador, foi diretor do Grupo Escolar da cidade de São Paulo.

Obras:

Barquinhos de papel, poesia, 1963

Mil quadrinhas escolares, poesia, 1966

Desfile de modas na Bicholândia, 1988

Simplicidade, poesia, s/d

Chico Vagabundo e outras histórias, 1990

O esqueleto humano





Imagem de leitura — Alfredo Valenzuela Puelma

3 06 2010

A lição de geografia, 1883

Alfredo Valenzuela Puelma ( Chile, 1856 – França, 1909)

Óleo sobre tela

Alfredo Valenzuela Puelma, nasceu em Valparaíso, no Chile em 1856.  Demonstrou desde cedo habilidade como artista e estudou na Academia de Pintura de Santiago, sob a orientação de Ernesto Kirchbach e de Giovanni Mochi.  Entre 1881 e 1885 esteve na Europa graças à uma bolsa de estudos.  Voltou ao Chile onde trabalhou com o pintor Pedro Lira, mas logo voltou a Paris onde trabalhou com Paul Laurens.  Foi o primeiro pintor chileno a trabalhar com nus.  Especializado em retratos e na figura humana, Valenzuela Puelma também se dedicou à pintura religiosa e de gênero, nesta última muitas de suas obras mostram o gosto da época  pelo exótico com cenas repletas de um orientalismo sedutor.  Morreu na França em 1909.





Theo Jansen — o escultor amigo do vento

2 06 2010

 

Animaris Rhinoceros Transport é uma espécie de animal com um corpo formado por um esqueleto de aço e pele de poliéster.  Sua aparência é arenosa, como se fosse coberto de areia.  Pesa 2 toneladas e 4,70 m de altura.  É a sua altura que permite que a força do vento o coloque em movimento.  Este animal é parte do projeto Strandbeest que o escultor holandês Theo Jansen começou em 1990.   Parte do projeto é uma loja-on-line onde Jansen vende vídeos e manuais de instrução.

Theo Jansen nasceu em Haia, na Holanda, em 1948.  Escultor-engenheiro, um artista do meio-ambiente, Jansen pensa o espaço de uma forma diferente da tradicional.  Ficou conhecido por criar esta “realidade paralela”  este mundo cinético, habitado por animais e plantas que são maravilhosos projetos de engenharia e se movem com a graça do vento ou à água.   Para ele a diferença entre a engenharia e a arte está mesmo é na cabeça de quem vê.  Talvez a coisa mais impressionante de seus trabalhos seja a delicadeza do movimento dessas criaturas gigantescas:  monstros benevolentes e dóceis.





E afinal, qual é mesmo a sua grande ideia?

2 06 2010

 

Pato Donald tem uma ideia brilhante!  Ilustração Walt Disney.

 

Foi Platão quem primeiro fez a analogia entre a luz e uma idéia.  Desde então idéias podem ser más, boas, mas sempre eletrizantes nas mãos dos artista gráficos.  Estes sim são sempre brilhantes!

 A associação da luz com uma nova idéia, auxiliando a solução de um problema tem-nos fascinado desde a antiguidade e acompanhado até os dias de hoje.   Parece que agora estamos um passo adiante:  o psicólogo social Michael Slepian, trabalhando na Universidade Tufts, nos EUA, publicou no Journal of Experimental Social Psychology os resultados de sua pesquisa que avaliava se a presença de uma lâmpada, isso mesmo, da lâmpada em si, aquele objeto pelo qual passa a eletricidade, poderia ter um papel significativo como auxiliar de novas idéias. 

Cascão tem uma ideia simples.  Ilustração Maurício de Sousa.

E não é que pode?   

Parece que as lâmpadas podem de fato ajudar uma pessoa a ter uma intuição na resolução de um problema.  Uma lâmpada agiria como um estímulo à imaginação.   Apesar de a intuição ser um fenômeno bastante conhecido e muito estudado, ainda é uma capacidade humana completamente misteriosa para os cientistas.  E o que Michael Slepian apurou é que a “idéia da lâmpada” trabalha no nosso inconsciente de tal maneira que realmente associamos o objeto à clareza de pensamento.  Ela nos dá uma maior tendência de descobrir novos ângulos de um problema, de resolver uma questão de maneira mais criativa.  A pesquisa tenta documentar os sinais sutis que podem influenciar o nosso comportamento.  [Para maiores detalhes sobre a pesquisa de Michael Slepian, por favor clique  AQUI e AQUI.]

 Não me cabe julgar os méritos de sua pesquisa.  Mas reconheço que a imagem de uma lâmpada está a tal ponto associada ao surgimento de uma idéia que expressões inteiras podem ser substituídas pela lâmpada ou por sua imagem modificada.  E é uma comunicação popular e eficiente.  Tão emblemática quanto,  nos últimos 40 anos, o coração vermelho veio a ser para o verbo amar: por exemplo, a expressão “ eu amo ler”, pode ser também escrita: eu + [imagem de um coração]+ ler, sem qualquer perda de significado.

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Aqui, então um  grupo de imagens que poderiam levar o nome:  arte gráfica da idéia brilhante. 

Professor Pardal e seu auxiliar Lampadinha, ilustração Walt Disney.

Mesmo sem idéias, o Professor Pardal é acompanhado por sua lampadinha que continua a trabalhar.  Foi justamente com o Professor Pardal que conheci a primeira associação de lâmpada com idéia, e para mim, a conexão entre esses dois é tão perfeita que o inventor Pardal não existe no meu imaginário seu seu ajudante Lampadinha. 

Zé Carioca tem uma idéia luminosa!  Ilustração Walt Disney.

Quem percebeu que a ideia luminosa de Zé Carioca é representada por uma lâmpada na forma de pena?  Ela poderia fazilmente, se colorida de verde, se inserir no seu topete. É ou não brilhante?

O Palhacinho Alegria, Ilustração Editora Abril.

O palhacinho Alegria só poderia ter uma idéia engraçada, e ela vem de chapéu de palhaço igual ao dono!

Pato Donald, ilustração de Walt Disney.

O Pato Donald deveria ser brasileiro, porque certamente não desiste nunca.  E  continua a ter idéias duplamente valiosas, apesar de nós sabermos, de antemão, os resultados da maioria dos seus empreendimentos!

Do Contra tem uma idéia característica.  Ilustração Maurício de Sousa.

Uma ideia contrária só poderia ser expressada dessa maneira, é ou não é?  Brilhante!

Chico Bento, ilustração Maurício de Sousa.

Chico Bento tem uma ideia antiga.  Uma ideia de outros tempos…  Talvez uma idéia interiorana, caipira? 

Piteco tem uma ideia, ilustração Maurício de Sousa.

Piteco, o homem das cavernas tem uma ideia de  acordo com os seus tempos, nem poderia ser diferente.  Será que elas seriam tão brilhantes quanto as de raio laser?

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Ilustração Maurício de Sousa.

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E os animais pensam da mesma forma que nós….  Mas isso nós já sabíamos!

A verdade é que nenhuma dessas imagens poderia ter sido entendida por nós se a representação de uma ideia ( brilhante ou não) já não estivesse bem enraizada no nosso inconsciente.  A imagem, então, de uma lâmpada, funciona como um ideograma, em que diferentes contextos mudam de acordo com as diferenças no mesmo tema.  A lâmpada, o faixo de luz, está tão enraizada no nosso inconsciente que pensamentos mais complexos ainda do que uma imagem de uma história em quadrinhos estão nos dias de hoje sendo transmitidas com uma simplicidade invejável:

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Uma idéia rentável, vendável, lucrativa…

Uma idéia de destaque, única entre outras…

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Uma nova idéia…

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Uma ideia verde, uma ideia ecológica …

E afinal, qual é mesmo a sua grande ideia? 




Filhotes fofos: suricates

31 05 2010
Foto: Reuters

Dois filhotes de suricates são vistos no zoo de Chester, norte da Inglaterra. Os animais, com três semanas de idade, foram apresentados ao público pela primeira vez.





Os óculos da vovó, poema infantil de Dom Marcos Barbosa

28 05 2010

Os óculos da vovó

 

Dom Marcos Barbosa

— Como acabar meu tricô,

como assistir à novela,

se esses óculos benditos

me somem sem mais aquela?

 —

Vovó, procurando os óculos,

vai do quarto para a sala

e de novo volta ao quarto,

sem ninguém para ajudá-la.

 —

E até parece que os netos

estão a se divertir,

pois mesmo seu predileto

faz força para não rir.

— 

Deve saber onde estão,

porque lhe diz o malvado:

– Já está ficando quente

seu chicotinho queimado!

 —

E o diz quando está no quarto

ou à sala torna a voltar.

– Mas como pode uma coisa

em dois lugares estar?

 —

Em sinal de desespero

leva então as mãos à testa:

ali estão os seus óculos

e tudo vira uma festa.

Dom Marcos Barbosa [nome civil:  Lauro de Araújo Barbosa]  (MG 1915 – RJ, 1997) Sacerdote, monge beneditino,poeta e tradutor.  Membro da Academia Brasileira de Letras.

 Obras:

Teatro, 1947

Livro do peregrino, XXXVI Congresso Eucarístico Internacional, 1955

A noite será como o dia: autos de Natal, 1959

O livro da família cristã, 1960,

Poemas do Reino de Deus, 1961

Mãe nossa, que estais no céu, s.d.

Para a noite de Natal: poemas, autos e diálogos, 1963

Para preparar e celebrar a Páscoa: autos, diálogos e fogo cênico, 1964

Eis que vem o Senhor, 1967

O livro de Tobias, 1968

Oratório e vitral de São Cristóvão, 1969

Manifestações de autonomia literária: A Escola Mineira e outros movimentos. In: História da Cultura Brasileira, 2 vols., 1973-76

Um menino nos foi dado, org. de Lúcia Benedetti. In: Teatro infantil, 1974

A arte sacra, 1976

Nossos amigos, os Santos, 1985

Congonhas, Bíblia de cedro e de pedra, e co-autoria com Hugo Leal, 1987

Um encontro com Deus: Teologia para leigos, 1991

As vinte e seis andorinhas, 1991

Poemas para crianças e alguns adultos, 1994





Imagem de leitura — Mathias Stomer

27 05 2010

Jovem rapaz lendo à luz de vela, s/d

Mathias Stomer ( Holanda c. 1600- c. 1650)

Óleo sobre tela, 175 x 172 cm

Museu Nacional de Estocolmo,  Suécia.

Mathias Stomer, também conhecido com Stom ou Stomma ( Amsterdam c. 1600 – Sicilia depois de 1650) foi um pintor holandes, com formação artística no atelier  do pintor Gerard van Honthorst, que trabahava no estilo caravagista.  Seguiu os passos dos  pintores maneiristas Simon Vouet e Abraham Bloemart.  Mas sua grande dívida estilística vem de Dirck van Baburen e de Hendrick ter Brugghen.   Encontra-se em Roma em 1630, ainda que não se saiba ao certo a data de sua chegada à Itália.  De 1633 a 1639 trabalha em Nápoles e em seus arredores.   Depois se instala na Sicília, onde permanece até a morte.  Lá  é bastante  influenciado por alguns dos mestres da pintura italiana meridional e se  torna  ainda mais adepto dos grandes mestres nos contrates de luz e sombra, estilo que domina com grande mestria.





Pobreza de espírito e de informações nas nossas capas de livros!

26 05 2010

O campo de Santana no Rio de Janeiro, 1818

Franz Joseph Frühbeck (Áustria 1795 — data de morte incerta, depois de 1830)

Gravura aquarelada

Há algum tempo quero escrever sobre as capas de livros publicados no Brasil.  Em primeiro lugar, gostaria de saber, porque é difícil encontrarmos o crédito [o nome do artista gráfico que fez a capa de um livro] das capas de livros por estas bandas?  Aliás, esta falta de informação não é de hoje: mesmo livros dos anos 40, 50, 60 do século passado que encontramos em sebos e que eram habitualmente ilustrados, muitas vezes  não têm a menção do autor (ou autores) das ilustrações.  Uma falta na ficha bibliográfica da obra.   Uma vergonha para a história da ilustração no Brasil, uma vergonha para editores que se diziam sérios.  Porque mesmo que as ilustrações usadas fossem compradas lá fora, deveríamos ter tido o direito, o acesso à informação de pelo menos os nomes dos ilustradores.

O livro ponto zero desta postagem foi lido em 2008, o charmoso Era no tempo do rei, de Ruy Castro, Alfaguara:2007, sucesso de vendas e, hoje, sucesso de dramaturgia depois de ter sido adaptado para o teatro.   Este foi um dos livros que o meu grupo de leitura mensal trouxe para discussão em março de 2008.  Entre as muitas observações que fizemos – que nos levaram de volta a deliciosos aspectos do Rio de Janeiro de 200 anos atrás — houve também a reclamação, entre nós, da falta de relação entre a capa e seu conteúdo.  Desde então tenho prestado mais atenção às capas dos livros que leio. 

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Era no tempo do rei se passa no Rio de Janeiro, logo depois da chegada da família real ao Brasil.  Num artigo do jornal O Globo, de 17 de novembro de 2007, Suzana Velasco lembra que  “ A primeira imagem que Ruy Castro pensou para o romance Era no tempo do rei foi a dos meninos Pedro e Leonardo fugindo pelos Arcos da Carioca”.  Como a jornalista sublinha a ambientação desse romance é no Rio de Janeiro colonial.  E aí olhamos para capa do livro e o que vemos?  Será que vemos uma paisagem do Rio de Janeiro colonial, dentre as tantas a que temos acesso através dos pintores viajantes de diferentes países?  Não.  Será que temos um desenho moderno de uma representação do Rio de Janeiro com os arcos monumentais dominando a paisagem de então?  Não.  Será que teríamos uma ilustração de dois meninos perambulando pelas ruas de um Rio de Janeiro colonial, feita por algum ilustrador nosso, de hoje?  Não

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O ferrolho, 1778

Jean Honoré Fragonard ( França, 1732 – 1822)

Óleo sobre tela, 73 x 93 cm

Museu do Louvre, Paris

O que temos em mãos é um quadro francês, do século XVIII, pintura de gênero, de uma suposta aventura amorosa, picante.   Nem preciso dizer que a Alfaguara,  selo da Editora Objetiva, do Grupo Santillana, não se deu ao trabalho de identificar para o leitor curioso – como a maioria das editoras estrangeiras o fazem no verso da página de rosto —  que a capa do livro era um detalhe de uma obra de Fragonard que se encontra no Louvre.   Ironicamente no portal da Editora Objetiva encontramos o seguinte texto:  A Objetiva se consolidou ao longo dos anos 90, como uma das editoras de referência no segmento de livros de interesse geral. Publica escritores de qualidade, como Luis Fernando Verissimo, Tony Judt, Arnaldo Jabor e Harold Bloom, entre tantos outros, assim como o Dicionário Houaiss, o mais completo da língua portuguesa. Atua em vários segmentos e especialmente em história, biografia, política, comportamento, humor, reportagem, ensaio e referência.  Referência?   Onde estava a referência ao quadro em questão?

Este assunto rodopiou na minha cabeça por muito tempo: tenho muitas perguntas que não cessam sobre a falta do costume de informações corretas no Brasil e, até certo ponto, a falta de cuidado com o livro, com o leitor, com a curiosidade alheia, o que é certamente o papel de uma editora.  Mas há três semanas, por outros motivos, me encontrei com o livro Don Juan acorrentado, da escritora carioca Wanda Fabian, publicado oito anos antes de Era no tempo do rei, pela Editora Lacerda:1999, leia-se Nova Aguilar, que é parte da Nova Fronteira.   E pasmem: tem a mesma capa de Era no tempo do rei.  O mesmo detalhe, o mesmo corte de imagem!

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Agora a pergunta que não cala:  só este quadro de Fragonard tem permissão de ser usado por editoras brasileiras para livros de ficção histórica?  É claro que não.  Por que então este favoritismo?  Eu poderia assumir que é pura preguiça, acomodação, falta de respeito ao leitor, falta de conhecimento do mercado editorial…  Mas, lá atrás, no fundo das minhas desconfianças, há uma voz gritando:  tem a ver com direitos autorais.  Tem a ver com imagem em domínio público.  Mas será que O ferrolho, de Fragonard, é o único quadro conhecido pelos editores?  Será que é a única imagem em domínio público?  Talvez tenha a ver com a divisão de marketing dessas editoras?  Será que ambas as editoras contrataram a mesma companhia de marketing?  Ou foi o  mesmo estagiário?  A pessoa de uma só obra de arte?  Como se justifica isso?  Quem pode me responder?