Imagem de leitura — Asta Nörregaard

18 07 2010

Jovem lendo, 1889

Asta  Nörregaard (Noruega 1853-1933)

Óleo sobre tela   50 x 25 cm

Coleção Particular

Asta  Eline Jakobine Nörregaard nasceu na Noruega em 1853.  Pintora de gênero e retratista.  Foi aluna de Knud Bergslien em Christiania de 1872 a 1875, mais tarde estudou com Eilif Peterssen em Munique.  Foi para Paris em 1879 onde permaneceu até 1885.  Lá estudou com Léon Bonnat, Jean-Léon Gerome e Jules-Bastien Lepaje.   Começou a pintar retratos em 1870.  Tema pelo qual se tornou mais conhecida.  Está incluída entre as pintoras mulheres de maior importância naquele país ao lado de Harriet Backer, Kitty Kielland, Ida Lorentzen, Signe  Scheel, Hanneline Røgeberg e Marianne Heske. Foi a pintora [mulher] que primeiro recebeu uma grande comissão oficial: a execução do altar para a Igreja de Gjövik em 1882.   Faleceu em 1933.





Se ela soubesse ler, poema de Agenor Silveira

17 07 2010
Cartão postal, anúncio inglês para uma marca de chá.

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Se ela soubesse ler

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                                                 Agenor Silveira

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Se ela soubesse ler — que bom seria!

                Que bom!  com que prazer

E comoção meus madrigais leria,

                Se ela soubesse ler!

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Se soubesse escrever – oh!  que alegria

                Não havia de ser!

Que páginas de amor me escreveria

                Se soubesse escrever!

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Mas quantas outras, quantas, não podia

De estranha procedência receber!

E então – que horror!  Que grande horror seria,

Podia a todas elas responder,

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Permita o justo céu que a desalmada,

Que assim me soube o coração prender,

Aprenda a amar-me apenas, e mais nada,

Porque mais nada lhe convém saber…

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Agenor Silveira ( São Paulo, SP 1880 )– contista, poeta, filólogo, diplomado em direito, jornalista e advogado.

Obras: 

Quatro contos: Moeda antiga, 1912

Versos de bom e mau humor, 1919

Rimas, 1919

Colocação de Pronomes, 1920

Ouro de 24, 1927





Bolero de Ravel, numa versão diferente, vale a pena checar!

16 07 2010




Clara Hoyt, um perfil de mulher: a prosa deliciosa de Louis Auchincloss

15 07 2010

Coquetel, ilustração de 1944, assinada Eric.

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Em janeiro deste ano a nota de falecimento de Louis Auchincloss não chegou a fazer manchetes no Brasil, onde o autor é pouco conhecido. Mas, para mim e milhares de outros fãs do escritor americano, ficou o vazio de se saber que não mais poderíamos contar com a sutileza, a crítica elegante e mordaz, assim como a prosa límpida que preenchia, sempre sem exageros, as páginas de seus romances: ia embora  um dos grandes e mais tenazes observadores da sociedade americana, um autor que reinou  ímpar por grande parte  do século XX. 

Foi com a intenção de despedida, com o aceno do adeus, que me dediquei à leitura de um dos pouquíssimos livros do autor, dentre suas mais de 50 publicações, traduzidos e publicados no Brasil:  A infinita variedade dessa mulher, São Paulo, Editora A Girafa: 2004.  O romance se passa entre 1937 e 1963 – trinta e poucos anos que remodelaram o mundo, as economias americana e mundial; período em que a vitória das forças aliadas na guerra leva os Estados Unidos a um papel ainda mais central no mundo ocidental, como potência econômica, militar e cultural.   Mas ainda que este seja o horizonte em que a vida de Clarabel Hoyt – principal personagem do romance – se aprume, ainda que esta seja a paisagem contra a qual as oportunidades que lhe aparecem são possíveis, o retrato que estudamos nas 280 páginas do livro é aquele de uma mulher em busca de sua razão de vida.

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Louis Auchincloss foi o autor que, no século XX, melhor retratou a sociedade rica e poderosa dos Estados Unidos, o grupo social que age nos bastidores da política americana.  É daí que invariavelmente políticos de qualquer partido são escolhidos,  vice-presidentes ou executivos de grandes corporações.  Esse é o grupo social que frequenta as escolas particulares aos moldes ingleses, as universidades de maior prestígio [Ivy League Schools], os clubes fechadíssimos na cidade e no campo. Seus membros são dificilmente visíveis em lugares públicos e nunca chamam atenção para si mesmos.  Este é o grupo que age há séculos, como eminência parda do poder, num país que se diz uma gigantesca sociedade de classe média.  Sem entender que é desse grupo social que vêm as grandes reformas políticas, sociais e econômicas daquela sociedade — de direita ou de esquerda — é não compreender completamente as forças econômicas e sociais que fazem o país tão dinâmico.    Direto em estilo e refinado na linguagem, como Henry James o era, Auchincloss lembra, no retrato da sociedade nova-iorquina de poder, a herança cultural recebida por aquele autor.  E nesse simples retrato de mulher essa semelhança com o seu antecessor não deixa de ser lembrada.

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Louis Auchincloss

 

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Perfis de mulher estão entre os assuntos mais revisitados na obra de Auchincloss, ao retratar a nata da sociedade nova-iorquina.  E Clara Longcope Hoyt Tyler é mais uma delas.  No início do romance, vemos uma jovem frequentando as melhores escolas, e demonstrando mais personalidade do que suas colegas.  Ao se apaixonar  por um rapaz sem a ambição necessária ao sucesso, segue os conselhos de sua mãe, uma mulher bem-nascida mas frustrada com o resultado do casamento que fizera —  e não se casa com ele.   Nossa simpatia começa com Clara.  Mas, aos poucos, à medida que ela dá largas a sua ambição, vamos nos distanciando dessa mulher.  Nós e o escritor, que através de uma narrativa de grande destreza se encarrega de nos separar gradativamente da heroína.  Até a mãe de Clara, que no início nos parece fria e calculista, de quem resguardamos nossos corações, aos poucos vai também desacreditando dos meneios de sua filha para chegar onde quer.  Clara é o retrato da mulher fria e calculista, que se atreve a usar de sua influência como mulher e intelectual para chegar ao poder.  Com ela Auchincloss faz um excelente retrato das atitudes femininas de meio-século, distintas nas décadas de antes e depois da guerra: nos anos 40 fica claro que as mulheres tinham de usar seus atrativos femininos para atingir ao seu potencial intelectual.  Já depois da guerra a atitude passa a ser diferente, e como Clara descobre é necessário jogar de igual para igual com os homens para conseguir o que deseja. —-

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A leitura desse romance é rápida; sua narrativa é cristalina, amplamente dignificada com a tradução de Sérgio Viotti.  A poderosa e pequena sociedade fechada nova-iorquina é sutilmente retratada.  E a manipulação para chegar ao poder precisamente crível.  Leia.  É uma ótima maneira de preencher um final de semana de inverno.





Ugarítico, a lingua semítica decifrada por computadores

12 07 2010

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Em 2002 Andrew Robinson publicou o livro  Lost Languages  [Línguas Perdidas].  Ele é o editor  literário de ensino superior do suplemento do jornal inglês London Times e na época do lançamento de seu livro, disse que decifrar uma língua arqueológica exigiria uma combinação de lógica e intuição, uma sensibilidade que acreditava computadores não poderiam possuir.

Essa observação não caiu em ouvidos moucos.  Para Regina Barlizay o duelo de conhecimentos acabara de ter uma luva lançada, um desafio a que ela, como professora adjunta de computação no  MIT e do Laboratório de Inteligência artificial, não poderia deixar de responder.  Seu aluno Bem Snyder  e o estudante  Kevin Knight, da Universidade da Southern Califórnia, , decidiram que as coisas não poderiam ficar assim. Os três Juntaram forças e foram  à luta.  O resultado do trabalho em conjunto será mostrado mês que vem.  A intenção do grupo é mostrar na reunião anual da Associação de Lingüística Computacional em Uppsala,  na Suécia, um novo sistema de informática, que em questão de horas, decifrou grande parte da antiga língua semítica ugarítico, que permanecia até hoje um quebra-cabeças sem solução. 

A língua semítica foi submetida ao programa que decifrou  grande parte do extinto idioma ugarítico, descoberto a partir de escritos encontrados na cidade perdida de Ugarit, na Síria, cujas ruínas foram achadas em 1928.  Além disso, o programa poderá ajudar também a decifrar algumas das outras oito línguas semíticas que permanecem misteriosas até o dia de hoje. 

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Para duplicar a “intuição” que Robinson disse fugir à capacidade dos computadores,  o programa dos pesquisadores fez várias suposições.  A primeira é que a linguagem a ser decifrada está intimamente relacionada à alguma outra linguagem:  no caso do ugarítico, os investigadores escolheram o hebraico.    A segunda é que existe uma maneira sistemática de se mapear o alfabeto de uma língua levando em conta o alfabeto da outra.  E, além disso, que os símbolos correlacionados aparecem com uma freqüência semelhante em ambas as línguas.

O ugarítico era uma língua semítica escrita em alfabeto cuneiforme com 27 consoantes e três vogais. Os escritos encontrados foram importantes para estudiosos do Velho Testamento, por auxiliar a esclarecer textos hebraicos e revelar como o judaísmo utilizava frases comuns, expressões literárias e frases empregadas pelas culturas gentis que o cercavam.

O programa, além de ajudar a decifrar línguas antigas que continuam resistindo aos esforços de especialistas, poderá expandir o número de idiomas que sistemas automatizados de tradução, como o Google Tradutor, são capazes de manejar.    Ele também fez asserções no nível semântico, no sentido de que as línguas relacionadas teriam pelo menos alguns cognatos, isto é, palavras com raízes comuns.    Por meio de um modelo probabilístico usado em pesquisas em inteligência artificial, os pesquisadores determinaram nos mapeamentos os radicais semelhantes e conjuntos de sufixos e prefixos consistentes, entre outras relações entre palavras das duas línguas.

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O ugarítico já havia sido decifrado. Se não tivesse sido, os autores do estudo não teriam como avaliar a performance do sistema que desenvolveram.

O sistema repetiu as análises dos dados resultantes centenas de vezes. E, a cada vez, os acertos eram mais frequentes, pois estávamos chegando mais perto de uma solução consistente. Finalmente, chegamos a um ponto no qual a alteração do mapeamento das similaridades não aumentava mais a consistência dos resultados”, disse Ben Snyder.

Das 30 letras do alfabeto extinto, o sistema foi capaz de mapear corretamente 29 com seus correspondentes em hebraico. Cerca de um terço das palavras em ugarítico tem cognato em hebraico e, desse total, o sistema identificou corretamente 60%.   “Das palavras identificadas incorretamente, na maior parte das vezes o erro foi por apenas uma palavra. Ou seja, o sistema deu palpites bem razoáveis”, disse Snyder.

Apesar dos índices de acerto, os pesquisadores destacam que o sistema não é suficientemente bem resolvido para substituir os tradutores humanos. Mas, segundo eles, é uma ferramenta poderosa cujo desenvolvimento poderá ajudar no processo de decifração de línguas desconhecidas e de tradução mais eficiente dos idiomas conhecidos. 

O ugarítico já havia sido decifrado. Se não tivesse sido, os autores do estudo não teriam como avaliar a performance do sistema que desenvolveram.

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O sistema repetiu as análises dos dados resultantes centenas de vezes. E, a cada vez, os acertos eram mais frequentes, pois estávamos chegando mais perto de uma solução consistente. Finalmente, chegamos a um ponto no qual a alteração do mapeamento das similaridades não aumentava mais a consistência dos resultados”, disse Ben Snyder.

 

Das 30 letras do alfabeto extinto, o sistema foi capaz de mapear corretamente 29 com seus correspondentes em hebraico. Cerca de um terço das palavras em ugarítico tem cognato em hebraico e, desse total, o sistema identificou corretamente 60%.   “Das palavras identificadas incorretamente, na maior parte das vezes o erro foi por apenas uma palavra. Ou seja, o sistema deu palpites bem razoáveis”, disse Snyder.

 

Apesar dos índices de acerto, os pesquisadores destacam que o sistema não é suficientemente bem resolvido para substituir os tradutores humanos. Mas, segundo eles, é uma ferramenta poderosa cujo desenvolvimento poderá ajudar no processo de decifração de línguas desconhecidas e de tradução mais eficiente dos idiomas conhecidos.

 





Hoje é dia de futebol mundial: a arte de Henri Rousseau

11 07 2010

Jogadores de futebol, 1908

Henri Roussseau, Le Douanier ( França, 1844-1910)

Óleo sobre tela, 100 x 80 cm

Museu Guggenheim, Nova York, EUA





Hoje é dia de futebol mundial: a arte de Gordon France

10 07 2010

Roubo de bola, s/d

Gordon France ( EUA, contemporâneo)

Aquarela,  30 x 50 cm





Imagem de leitura — Simon Glücklich

10 07 2010

Aprendendo a ler, 1889

Simon Glücklich ( Alemanha, 1863-1943)

óleo sobre tela, 79 x 97 cm

Coleção Particular

Simon Glücklich nasceu em 1863, na Alemanha.  Estudou pintura de gênero e paisagem com Leopold Karl Müller na Academia de Viena, entre os anos de 1880-90.  Logo depois partiu para a Itália, numa viagem de estudos.   Em 1890, de voltou à Alemanha, estabelecendo seu ateliê de pintura em Munique.  Sua produção artística foi dedicada principalmente à pintura de gênero, paisagem e retratos. Morreu em 1943.





Está na hora de debater o esporte como meio de educação

9 07 2010

Flamenguistas, s/d

José Sabóia (Bahia, 1949)

Óleo sobre tela, 30 x 30 cm

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Muito se fala no Brasil sobre os valores que os esportes desenvolvem nos que os praticam.  Dia sim, dia não  anunciamos nas televisões, na propaganda, nos jornais, em todos os meios de comunicação, direta ou indiretamente, que a participação em esportes, principalmente aqueles de equipe, ajuda ao desenvolvimento  de caráter nas crianças e adolescentes.  Centenas de projetos de ONGS e de governos municipais ou estaduais se dedicam a envolver crianças principalmente das camadas sociais menos privilegiadas para que  o esporte  – qualquer um deles — sirva de meio de educação, de sobrevivência, de alavanca social para o indivíduo e sua  família.  Acaba sendo uma religião, em que o esporte é visto como grande transformador social.  E como uma religião a crença nele parece inquestionável.  Como pano de fundo  milhares de crianças em semelhantes circunstâncias são levadas a sonhar com destino parecido aos dos grandes desportistas, descobertos na pobreza, educados nas escolinhas desportivas e feitos ricaços antes de completarem 25 anos.

Essa linha de pensamento que eleva o esporte a um sistema educacional, praticamente ao par com a tradicional educação escolar e desenvolvimento intelectual, tem suas raízes no  início do século XIX, mais precisamente na Inglaterra, onde e quando se desenvolveu a maioria dos esportes que fazem parte do nosso dia a dia.   Todo tipo de crença sobre os valores esportivos alardeados naquela época, enraizados nos conceitos da antiga Grécia — mente sã em corpo são — foram abraçados sem oposição, repetidos sem reflexão, como papagaios que somos das idéias alheias. Esses preceitos nos disseram que os esportes ajudavam na auto–confiança do indivíduo, incentivavam o jogo limpo e  o respeito por regras.  Que com eles aprendemos a ser generosos na vitória, a termos compaixão por quem perde  e sobretudo aprendemos a  saber perder quando o  adversário se mostra melhor, mais capaz, mais habilidoso.

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Jogando futebol, 1977

Benê Olivier ( Brasil, 1944)

óleo sobre placa, 36 x 22 cm

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No entanto, temos tido provas, com uma regularidade desconcertante,  de que há uma super valorização do esporte como meio de educação no Brasil.  Sozinho ele não cria um indivíduo honesto, de bom caráter.  Sozinho ele não cria uma pessoa que respeita as leis, as regras sociais.  Sozinho o esporte não ensina a compaixão, nem a dignidade na perda ou na vitória.  Sozinho ele se mostra vazio.   

Um dos grandes treinadores de basquete dos Estados Unidos,  John Wooden ( 1910-2010) ficou conhecido pela frase:  “Os esportes não formam o caráter.  Eles o revelam”.   [“Sports do not build character. They reveal it.” ].   Acredito na sua percepção.  E, por isso mesmo, está na hora de debatermos o que deve estar incluído na formação de um desportista – de qualquer esporte – o que deve estar incluído nas famosas escolinhas de clubes  atléticos.  Há de haver um currículo mais estrito sobre a responsabilidade social e cívica do indivíduo.  Há de haver  uma maior participação, obrigatória, da família do jovem em questão, talvez até a educação de seus membros e certamente um acompanhamento psicológico.  Esta é a  hora de revermos esses conceitos que super valorizam os esportes.  Os esportes não são os redentores sociais que imaginamos serem.  Os redentores somos nós.





Filhotes fofos: jaguatirica

9 07 2010

Ramon é a jaguatirica brasileira nascida no Zoológico Franklin Park em Boston, no estado de  Massachusetts, EUA.