Imagem de leitura — Charles A Buchel

28 05 2012

Ursula Bloom num passeio a Walton-on-the-Naze, 1932

Charles A Buchel (Alemanha, 1872 – Inglaterra, 1950)

óleo sobre tela

Charles August  Buchel nasceu em Mainz, na Alemanha em 1872, mas emigrou para a Inglaterra ainda criança. Estudou arte na Royal Academy Schools. Trabalhou por muito tempo como artistia gráfico, desenhando programas teatrais, cartazes publicitários, programas de teatro.  Também se dedicou às ilustrações para revistas de teatro.  Por ter trabalhado junto ao teatro acabou sendo conhecido como o retratista do mundo teatral de sua época.  Ursula Bloom, retratada acima era uma conhecida novelista. Talvez tenha sido responsável pela primeira representação gráfica de Peter Pan, em um cartaz para a peça teatral em 1904.   Faleceu em 1950.





Quadrinha dos erros de português

28 05 2012

Pato Donald lê carta, ilustração Walt Disney.

As suas cartas, Senhora,

releio-as de quando em vez,

mas nelas só vejo agora

os erros de português…

(Paulo Emílio Pinto)





Uma encontro com Chaia Zisman

28 05 2012

Hilary at Kalkan, 2010

Austen Pinkerton (Inglaterra, contemporâneo)

Acrílica sobre tela, 30 x 40 cm

Em um apartamento do Rio de Janeiro com vista para um dos pontos mais conhecidos pelos turistas, a Praça General Osório em Ipanema, a escritora Chaia Zisman recebeu o nosso grupo de leitura [Papa-livros] para um bate-papo numa tarde ensolarada de maio.  Esta foi uma ocasião especial.  Não é sempre que temos a oportunidade de nos encontrar, face a face, pergunta a pergunta, com alguém cujo livro lemos e discutimos nos nossos encontros.  O Espelho de Chaia Zisman havia sido a nossa leitura de abril deste ano, e por causa do contexto histórico esse romance  havia atiçado a nossa curiosidade sobre a pesquisa feita pela escritora. A parte passada no primeiro século depois do descobrimento havia nos levado a uma longa conversa sobre a escassez de informações sobre a época e queríamos conhecer mais da escritora que nos familiarizara com os primórdios da nossa história.

A medida que conversamos com  a escritora  descobrimos que sua habilidade literária corre paralela à expressão artística através das artes plásticas.  Em ambas sua sensibilidade é notável.  Formada em Direito pela Faculdade Nacional do Rio de Janeiro, Chaia Zisman depois de anos de prática desistiu da carreira de advogada em parte porque sua veia artística não podia mais ser calada, não podia mais ser contida.  Dedicou-se às artes tendo frequentado o Instituto de Artes Visuais do Parque Lage,  aqui no Rio de Janeiro.  Seus quadros a óleo na sala de estar do apartamento dão testemunho à habilidade da pintora de veia expressionista, senhora de uma palheta vibrante e alegre.  Mas, surpreendentes foram suas xilogravuras policromadas que alargam, dão espaço, empurram os limites da gravura em madeira, frequentemente caracterizados por tonalidades de grande contraste.  As gravuras de Chaia Zisman  têm nuances de cor e de traçado, de grande sofisticação e beleza.

No entanto, a vida interferiu.  Chaia precisou se desfazer do espaço que dedicara ao seu ateliê, enquanto demandas familiares requisitaram sua total atenção por um longo período.   Como passatempo, nessa época, resolveu escrever alguns causos de família, agrupados numa publicação privada para dar de presente a todos.  Foram 100 cópias.  Só.  Mas uma acabou nas mãos de um editor, que reconhecendo o valor de uma narrativa bem feita, tornou esse passatempo no primeiro livro da escritora. Lá se foram mais 3.000 cópias.  Iniciava-se assim, auspiciosamente, a escritora de O Espelho.

A saga da família do judeu português Emanuel Oliveira ,que começa na Europa antes do Brasil ser descoberto, mas continua aqui no Brasil pelas  gerações seguintes até o século XX, é narrada com riqueza de detalhes e  grande dinâmica.  O romance, publicado em 2006, foi até o momento, a última aventura literária da escritora carioca, que consultou de tudo um pouco, de publicações estrangeiras a teses de doutoramento para poder situar o mais corretamente possível seus personagens em situações verossímeis sem trair os fatos históricos. O fio condutor dessa  aventura, que compreende cinco séculos, são os espelhos ricamente adornados, verdadeiras joias trabalhadas com pedras preciosas que Emanuel dá às suas três filhas.  Acompanhamos os destinos desses espelhos e quando chegamos à costa brasileira, começarmos a refletir sobre as fortes raízes de origem cristã-nova e judaica da cultura brasileira.

Chaia Zisman

Quando perguntada sobre seu próximo romance, Chaia Zisman nos disse que “ele está pronto, no computador, mas ainda não sei se irei publicá-lo”.  O segredo é a alma do negócio em qualquer lugar do mundo, por isso esperamos que o novo romance chegue às livrarias em breve.  Fãs da ficção de Chaia Zisman aqui no Brasil e no exterior nós sabemos que existem às centenas.  A própria autora se surpreendeu com a boa recepção que teve nas universidades americanas.  Agora só nos resta esperar.  Enquanto o fazemos podemos nos entreter e aprender muito também com seus outros romances históricos: Além do Tempo de 1997 ou Estórias que fazem história, de 1993, que como sua mais recente obra também vêm repletos de vinhetas retratando não só o comportamento social de uma época como verdadeiros sketches psicológicos de personagens, ricos o suficiente para dar asas à imaginação de quem os lê, como se fossem sementes de futuros contos ou histórias.

A gentileza e tranquilidade com que Chaia Zisman nos recebeu, acompanhada de sua cadelinha Vida,  nos deixou gratos.  E a maneira singela como nos contou de sua vida como artista plástica e escritora serviram para mostrar que de fato a escritora demonstra no seus dia a dia as raízes profundas da tradição oral de contar histórias da qual a cultura judaica tanto precisou se valer para manter a identidade cultural através dos séculos.  Essa habilidade com a palavra continua viva, com passagens bastante interessantes.  Lembram-nos que é sempre um prazer conversar com pessoa tão versada.  Na saída desejamos que esse tenha sido apenas um até logo, e não um adeus; que voltaremos em breve para conversar sobre seu novo romance.





Palavras para lembrar — Ralph Waldo Emerson

28 05 2012

Paige lê Peter Pan, s/d

Janet Hill (EUA, contemporânea)

óleo sobre tela, 22 x 30 cm

www.janethillstudio.com

“A Natureza e os livros pertencem aos olhos de quem os vê.”


Ralph Waldo Emerson
 





Quadrinha dos passarinhos cantando

27 05 2012

Capa da Revista House & Garden, de outubro de 1924.

Como é belo ver a planta

que abre flores nos caminhos,

nas horas em que Deus canta

pela voz dos passarinhos!

 –

(José Lucas de Barros)





Imagem de leitura — Di -Li Feng

27 05 2012

Moça lendo, 2000

Di-Li Feng (China, 1958)

óleo sobre tela

Di Li Feng nasceu  num pequeno vilarejo, em 1958, na China.  Formou-se pela Academia Chinesa Central de Belas Artes, a maior instituição artística na China, onde fez pós-graduação em 1990. Hoje é professor na  Academia de Belas Artes de Lu Xun na China, depois de ter lecionado em várias universidades americanas.





Quadrinha da família

26 05 2012

Família, ilustração de Arthur Sanoff.

Numa estrada colorida,
ou na trilha empoeirada,
se a família segue unida,
é suave a caminhada.


(Istela Marina)





Instrumentos musicais de 43.000 mil anos!

26 05 2012

Clarabela e Pateta tentam a vida como músicos, ilustração de Walt Disney.

Novas descobertas na Gruta Geißenklösterle ao sudoeste da Alemanha documentam a chegada antecipada dos humanos modernos e aparecimento precoce de arte e música. Pesquisadores das universidades de Oxford (Reino Unido) e de Tübingen (Alemanha) descobriram os instrumentos musicais mais antigos até agora conhecidos. As novas datas foram ajustadas pela melhora dos métodos, que eliminou a contaminação e  sinalizou para a data de 42.000 a 43.000 anos, o início da Época Aurignacense, a primeira cultura a produzir uma ampla gama de arte figurativa, música e outras inovações importantes. O espectro completo de essas inovações foi estabelecido na região, o mais tardar 40 000 anos atrás.

Estas são as datas mais antigas de radiocarbono de depósitos aurignacianos, anteriores mesmo a datação aurignaciana na Itália, França, Inglaterra e outras regiões da Europa.  Estes resultados são consistentes com a hipótese do Corredor Danúbio, que sugere que os humanos modernos migraram para a Europa e rapidamente acompanharam o curso do rio Danúbio.

Flauta de 42.000 anos.  Foto: Universidade de Tübingen, Alemanha.

Esses resultados são coerentes com uma hipótese feita anos atrás de que o rio Danúbio foi um corredor-chave no movimento de humanos e nas inovações tecnológicas na Europa central entre 40 mil e 45 mil anos atrás“, diz o professor Nick Conard, de Tübingen, que participa das escavações. Anteriormente pensava-se que os humanos só haviam chegada ao alto Danúbio entre 40 mil e 39 mil anos atrás.

A Caverna Geißenklösterle é uma das várias cavernas na Suábia que têm produzido importantes exemplos de ornamentos pessoais, arte figurativa, imagens místicas e instrumentos musicais. . Se as muitas inovações documentadas na Suábia foram estimuladas pelo estresse climático, pela concorrência entre os seres humanos modernos e Neandertais ou por outras dinâmicas socioculturais continua a ser um dos focos centrais para a pesquisa dos arqueólogos.  É essencial  que se possa entender melhor o que acontecia na época para estabelecer uma cronologia mais precisa que explique a expansão dos humanos modernos na Europa, os processos que levaram a uma ampla gama de inovações culturais, incluindo o advento da arte figurativa e música, além da extinção dos Neandertais.

Flauta [dois ângulos] de marfim de presa de mamute, encontrada na Gruta Geißenklösterle.

Entre os objetos dessas inovações culturais estão as flautas de osso ou marfim de presas de mamutes. Essas flautas primitivas foram encontradas  exatamente nessa  região que se acredita ser a primeira ocupada por humanos modernos na Europa.

FONTES: SCIENCE DAILY, TERRA

 





O mesmo, poema de Fagundes Varela

26 05 2012

Leitora, 1913

Giuseppe Mascarini (Itália, 1877-1954)

óleo sobre tela

O mesmo

Fagundes Varela

Desde a quadra mais antiga

De que rezam pergaminhos,

Cantam a mesma cantiga

Na floresta os passarinhos.

Têm o mesmo aroma as flores,

Mesma verdura as campinas,

A brisa os mesmos rumores,

Mesma leveza as neblinas.

Tem o sol as mesmas luzes,

Tem o mar as mesmas vagas,

O deserto as mesmas urzes,

A mesma dureza as fragas.

Os mesmos tolos o mundo,

A mulher o mesmo riso,

O sepulcro o mesmo fundo,

Os homens o mesmo siso.

E neste insípido giro,

Neste voo sempre a esmo,

Vale a pena, em seu retiro,

Cantar o poeta, mesmo?

Em:Poesias Completas de Fagundes Varela, Rio de Janeiro, Ediouro:1965. Este poema foi originalmente publicado em Cantos do Ermo e da Cidade, 1869.

Luís Nicolau Fagundes Varella, (RJ 1841 – RJ 1871) ou Fagundes Varela, poeta brasileiro e um dos patronos na Academia Brasileira de Letras.

Obras:

  • Noturnas – 1861
  • Vozes da América – 1864
  • Pendão Auri-verde – poemas patrióticos, acerca da Questão Christie.
  • Cantos e Fantasias – 1865
  • Cantos Meridionais – 1869
  • Cantos do Ermo e da Cidade – 1869
  • Anchieta ou O Evangelho nas Selvas – 1875 (publicação póstuma)
  • Diário de Lázaro – 1880




Palavras para lembrar — Arthur Schopenhauer

25 05 2012

Sem título, 1896

Paul Charles Chocarne Moreau (França, 1855-1931)

óleo sobre tela

“Ler é equivalente a pensar com a cabeça de outrem no lugar da sua própria”.

Arthur Schopenhauer