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Bons amigos, ilustração de Ann Anderson.
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Amigo, bênção divina…
Mão que alivia e afaga,
voz que critica e ensina,
chama que nunca se apaga.
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(Carvalho Branco)
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Bons amigos, ilustração de Ann Anderson.–
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Amigo, bênção divina…
Mão que alivia e afaga,
voz que critica e ensina,
chama que nunca se apaga.
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(Carvalho Branco)
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Segundo Projeto para a Biblioteca do Rei, 1785
Etienne-Louis Boullée (França, 1728-1799)
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TEXTO REPRODUZIDO DO JORNAL O GLOBO: 2/06/2012
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Criado em 2009, o blog Livro de Humanas reunia mais de 2 mil títulos acadêmicos para download gratuito. O site foi retirado do ar no fim de maio, devido a uma ação judicial movida pela Associação Brasileira de Direitos Reprográficos (ABDR), entidade que representa dezenas de editoras do país. No texto abaixo, escritores e acadêmicos defendem o blog.
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*Por Alexandre Nodari, Eduardo Sterzi, Eduardo Viveiros de Castro, Idelber Avelar, Pablo Ortellado, Ricardo Lísias e Veronica Stigger
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A liberdade de expressão moderna é indissociável da invenção da imprensa, ou seja, da possibilidade de reproduzir mecanicamente discursos e imagens, fazendo-os circular e durar para além daquele que os concebeu. A própria formação da esfera pública, bem como do ambiente de debate científico e universitário, está umbilicalmente conectada à generalização do acesso aos bens culturais. Sem a disseminação da diversidade e do confronto de opiniões e de teorias, a liberdade de expressão perde seu sopro vital e se torna mero diálogo de surdos, quando não monólogo dos poderosos.
A internet eleva ao máximo o potencial democrático da circulação do pensamento. E coloca, no centro do debate contemporâneo, o conflito entre uma visão formal-patrimonialista e outra material-comunitária da liberdade de expressão. Tal cisão, bem real, pareceria manifestar-se no conflito entre direitos autorais e direito de acesso. Estes não são, porém, necessariamente antagônicos, pois o prestígio moral e econômico de um autor ou de uma obra está, em última análise, ligado à sua visibilidade. São incontáveis os exemplos de escritores e editoras que não só se tornaram mais conhecidos, como tiveram um incremento na venda de suas obras depois que estas apareceram para download. O público que baixa livros é o mesmo que os compra.
Assim, o verdadeiro conflito não é entre proprietários e piratas, mas entre monopolistas e difusionistas. A concepção monopolista-formal dos direitos autorais está embasada na ideia de que aquilo que confere valor à obra é a sua raridade, o seu difícil acesso; já a difusionista-democrática se ampara na inseparabilidade de publicidade e valor. A internet favorece a segunda concepção, uma vez que a existência física do objeto cultural que sustentava a primeira vai sendo substituída por sua transformação em entidade puramente informacional. Desse modo, também se produz uma transformação da natureza das bibliotecas. As novas bibliotecas virtuais se baseiam no armazenamento e na disseminação tais como as antigas bibliotecas materiais, mas oferecem uma mudança decisiva porque a estocagem depende da distribuição e não o contrário: é a difusão que garante o armazenamento descentralizado dos arquivos.
É uma biblioteca sem fins lucrativos e construída nesses moldes modernos e democráticos que se acha sob ameaça devido ao processo movido pela Associação Brasileira de Direitos Reprográficos (ABDR), sob o pretexto de infringir direitos autorais. O alto preço dos livros, o desaparelhamento das bibliotecas públicas e o encarecimento do xerox levaram um estudante universitário a disponibilizar online textos esgotados ou de difícil acesso para seus colegas. A iniciativa cresceu, atraiu a atenção de estudantes e professores de todo o país e se tornou a mais conhecida biblioteca virtual brasileira de textos acadêmicos, ganhando prestígio comparável ao site “Derrida en castellano”, que sofreu processo semelhante e foi absolvido nas cortes argentinas, como esperamos que o “livrosdehumanas.org” o será pela Justiça brasileira.
Os defensores da concepção patrimonialista dos direitos autorais costumam pintar cenários catastróficos em que a circulação irrestrita de obras gera esterilidade criativa. No entanto, ignoram, ou fingem ignorar, que os textos nascem sempre de outros textos e que o autor é, antes de tudo, um leitor. Hoje, lamentamos a destruição das grandes bibliotecas do passado, como a de Alexandria, e das riquezas que elas protegiam. Poupemo-nos de chorar um dia pela aniquilação das bibliotecas virtuais e pela cultura que elas podiam ter gerado.
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*Alexandre Nodari é doutor em Teoria Literária pela UFSC e editor da Cultura e Barbárie; Eduardo Sterzi é escritor e professor de Teoria Literária na Unicamp; Eduardo Viveiros de Castro é antropólogo e professor do Museu Nacional/UFRJ; Idelber Avelar é crítico literário e professor da Tulane University (Nova Orleans, EUA); Pablo Ortellado é professor de Gestão de Políticas Públicas e de Estudos Culturais na USP, coordenador do Grupo de Pesquisa em Políticas Públicas para o Acesso à Informação (Gpopai); Ricardo Lísias é escritor, autor de “O céu dos suicidas”, entre outros; Veronica Stigger é escritora, professora de História da Arte na FAAP, coordenadora do curso de Criação Literária da Academia Internacional de Cinema (AIC).
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Sem cobrar qualquer metragem,
pela sombra ou pelos ninhos,
a árvore dá hospedagem
aos homens e aos passarinhos…
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(Ademar Macedo)
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Dos meus tempos mais risonhos
descubro, agora, os segredos:
– cabia um mundo de sonhos
no meu mundo de brinquedos!
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(João Freire Filho)
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Senhora lendo, 1916
Maurice Marinot (França, 1882-1960)
óleo sobre tela
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Charles de Montesquieu
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Caminhei por longa estrada
em busca de um pouso amigo.
Descobri na caminhada:
descanso é ter paz consigo.
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(Miguel J. Malty)
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Sonhando acordada, s/d
Janos László Aldor (Hungria, 1895-1944)
óleo sobre tela, 64 x 98 cm
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Janos László Aldor nasceu em Nagyimánd,na Hungria em 1895. Em 1919 concluiu o curso de arquitetura, mas como pintor foi autodidata. A partir de 1914 começou a expor seus quadros regularmente. Ficou conhecido pelos retratos de mulheres. Faleceu em 1944.
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Há nos destinos humanos
diferenças capitais.
Se muito sofre quem ama
quem não ama sofre mais.
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(Osório Dutra)
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Berna lendo, 1997
Frank Leenhouts (Holanda, 1955)
óleo sobre tela, 60 x 50 cm
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Dawn Adams
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O tropeiro na escadinha de São Chico de Baixo, década de 1980
Alberto Braga (Brasil, ?-?)
óleo sobre tela, 50 x 40 cm
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B. Lopes
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Recordo: um lago verde e uma igrejinha,
Um sino, um rio, um pontilhão, e um carro
De três juntas bovinas que ia e vinha
Rinchando alegre, carregando barro.
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Havia a escola, que era azul e tinha
Um mestre mau, de assustador pigarro…
(Meu Deus! que é isto? que emoção a minha
Quando essas cousas tão singelas narro?)
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Seu Alexandre um bom velhinho rico
Que hospedara a Princesa; o tico-tico
Que me acordava de manhã, e a serra…
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Com o seu nome de amor Boa Esperança,
Eis tudo quanto guardo na lembrança
Da minha pobre e pequenina terra!
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Em: Poesia Brasileira para a Infância, Cassiano Nunes e Mário da Silva Brito, São Paulo, Saraiva:1968.
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Bernardino da Costa Lopes, pseudônimo B. Lopes (Rio Bonito, RJ, 1859 — RJ,1916) foi um poeta brasileiro de diferentes tendências literárias na passagem do século XIX ao XX. Nasceu em Boa Esperança, município de Rio Bonito, na província do Rio de Janeiro a 19 de janeiro de 1859. Vindo de família pobre, iniciou sua vida como caixeiro e após muitos sacrifícios conseguiu estudar no campo das humanidades. No Rio de Janeiro tomou a profissão de jornalista. Foi funcionário do Correio Geral. Membro da boemia intelectual carioca foi um poeta de transição do fim do romantismo. Ficou muito conhecido pelos seus sonetos parnasianos. Tem grande afinidade com os simbolistas.
Obras:
Cromos (1881) – 2ª Edição 1896
Pizzicatos – “Comédia Elegante” (1886)
D. Carmen, (1894)
Brasões (1895)
Sinhá Flor (1899)
Val de Lírios (1900)
Helenos (1901)
Plumário (1905)
Poesias Completas (1945)