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Leitura na praia
Aline Jansma (Holanda, 1965)
óleo sobre madeira, 22 x 22 cm
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Visita à vovó, ilustração Marie Cramer.–
Fizemos na vida ingrata
do nosso amor um tesouro:
os filhos nos deram prata!
Os netos nos deram ouro!
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(José Maria Machado de Araujo)
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Ilustração de 1890, gravura.
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Vovô Inácio e Julinho passaram a manhã inteira no fundo do quintal. Sabe o que estavam fazendo? Apanhando minhocas para pescar. Estes pequenos animais são ótimas iscas para peixe. O terreno era mole e úmido, de modo que o menino e o avô conseguiram reunir grande quantidade de bichinhos.
Julinho arregalou os olhos quando vovô Inácio lhe disse que a minhoca era um animal invertebrado. Nunca tinha ouvido essa palavra. Por isso, não conhecia a sua significação. O bom velhinho então explicou ao neto:
— Chamam-se animais vertebrados, os que têm um esqueleto formado de ossos. No esqueleto existe uma coluna formada de pequenos ossos chamados vértebras. Daí serem chamados de vertebrados os animais que possuem esqueleto. E os que não o têm denominam-se invertebrados.
— Quais são os animais vertebrados?
— O boi, o cavalo, a galinha, o sapo, os peixes. Com os ossos desses animais fabricam-se pentes, botões, cabos de escovas, de facas e muitos objetos úteis.
— E quais são os animais invertebrados?
— A borboleta, a formiga a abelha, a mosca, a barata e milhares de outros animais.
Ouvindo isso, o menino começou a apertar, com força, os próprios braços, pernas e tronco.
— Que é isso, Julinho? Perguntou o avô, intrigado.
— Não é nada, vovô. Estou vendo se tenho esqueleto. Graças a Deus, sou um vertebrado!
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Em: Criança Brasileira, Theobaldo Miranda Santos, 3º livro de leitura, edição especial para o Estado de Minas Gerais, Rio de Janeiro Editora Agir: 1952.
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Menino lendo na cama
Anni Matsick ( EUA, contemporânea)
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Sam Levenson
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Pedro Bandeira
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Sei que o mundo é mais que a casa,
Mais que a rua, mais que a escola,
Mais que a mãe e mais que o pai.
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Vai além do horizonte,
Que eu desenhei no caderno,
Como linha reta e preta,
Que separa azul de verde.
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Sei que é muito, sei que é grande,
Sei que é cheio, sei que é vasto.
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Me disseram que é uma bola,
Que flutua pelo espaço,
Atirada pelo espaço,
Atirada pelo chute
De um gigante poderoso;
Vai direto para um gol,
Que ninguém sabe onde é.
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Mas para mim o que mais conta
É este mundo que eu conheço
E que cabe direitinho
Bem debaixo do meu pé.
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Em: Cavalgando o arco-íris, Pedro Bandeira, São Paulo, Moderna:1984.
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Este vídeo vai postado aqui para o entretenimento de todos e em especial dos meus alunos no curso de História da Arte Moderna, em curso.
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Correspondência dividida, s/d
Piero Antonio Rotari ( Itália, 1707-1762)
óleo sobre tela, 88 x 75 cm
Galeria Tretyakov, Moscou
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Piero Antonio Rotari nasceu em Verona em 1707. Estudou com Antonio Balestra. Passou longos períodos em Veneza, Roma e Nápoles onde estudou pintura com os melhores mestres, antes de retornar a Verona. Respeitado retratista foi convocado pela aristocracia de Dresden, Viena e Munique. Faleceu em 1762, em São Petersburgo onde residia temporariamente para retratar a família real russa.
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Efeitos na paisagem, 2000
Yara Tupinambá (Brasil, 1932)
óleo sobre tela, 60 x 80 cm
Coleção Particular
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Eduardo Prado
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Nos sertões de Minas Gerais e da Bahia, na região em que se juntam os territórios destas duas antigas províncias, nos meses da seca, que ali vai de abril a novembro, a paisagem é uma verdadeira surpresa para o europeu acostumado à ideia convencional da natureza entre os trópicos.
A sombria e verde alfombra das florestas misteriosas, enredadas de liames enlaçantes, esmaltada das cores das orquídeas fantásticas, as inclinadas palmeiras por onde trepam macacos, o fundo ora escuro, ora violentamente iluminado de clareiras, onde luzentes parecem boiar, no seu voo pesado e lento, as grande borboletas azuis…toda esta paisagem tropical, que os viajantes pintam e que a cenografia vulgariza, tudo isso é desconhecido naqueles centros do planalto brasileiro que ficam à direita do rio São Francisco. Os trópicos nem sempre são tropicais.
O viajante corta pela estrada dura e pedregosa, que em longuíssimas curvas, ou em retas infinitas, atravessa os tabuleiros intermináveis, em que a vegetação escura, meio seca, espinhosa se enreda numa compacta massa, ou rareada, que alcança os joelhos e os peitos das mulas. Os pequenos espinheiros, as mimosas e as acácias rasteiras, que parecem, às vezes, pinheiros de Liliput, à beira da estrada, são enovelados de penugens brancas, que lembram a neve e a geada. É o algodão, arrancado, em fiapos, às cargas pesadas de algodão em rama, que por ali transportam, em tropas, as mulas tangidas, em lotes, pelos tropeiros e precedidas da mula madrinha, que ajaezada de vermelho e tintinabulante de guizos e sinetas à cabeçada, avança lentamente, marcando o compasso à marcha da caravana.
Por centenas de léguas pode o viajante, no sertão, seguir o caminho das tropas que traficam entre Bahia e Minas; como os grãos de milho do conto do pequeno polegar, os novelinhos de algodão, presos às plantas do cempo e dos cerrados, podem indicar o rumo do caminhante.
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Em: Criança Brasileira, admissão e 5ª série, Theobaldo Miranda Santos, Rio de Janeiro, Editora Agir: 1949.
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Eduardo Paulo da Silva Prado (São Paulo, 27 de fevereiro de 1860 — São Paulo, 30 de agosto de 1901) foi um advogado, jornalista e escritor brasileiro, colaborador do Correio Paulistano, membro fundador da Academia Brasileira de Letras e um dos mais importantes analistas da vida política do Brasil.
Obras:
Viagens, 1886-1902
Os fastos da ditadura militar no Brasil, 1890
Anulação das liberdades públicas, 1892
A ilusão americana, 1893
III centenário de Anchieta, 1900
Coletâneas, 1904-1906
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A casa alheia varrendo
antes de limpar a sua
– é o que o homem está fazendo,
tão preocupado com a Lua.
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(Ney Damasceno)
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Moça lendo, 1970
Will Barnet (EUA, 1911)
serigrafia
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William Feather