Palácio Imperial de Petrópolis, c. 1860
Victor Frond (França, 1821-1881)
litografia policromada, 36 x 48 cm
Palácio Imperial de Petrópolis, c. 1860
Victor Frond (França, 1821-1881)
litografia policromada, 36 x 48 cm
Procurei saber um pouco mais sobre a ilustradora Hilda Dix Sandford, mas nem nos meus livros, nem na internet consegui informações. Isso não impede que eu goste de seus cartões postais com grupos de crianças. Aqui vão alguns para o entretenimento de domingo. Às vezes esses cartões postais estão colocados na internet em ilustrações da Era Eduardiana — que se refere ao período de 1901-1910 na Inglaterra. Mas não tenho como saber se essa informação está correta. A roupa das crianças é definitivamente da época eduardiana.
Yoshiya Takaoka (Japão/Brasil, 1909-1978)
Aquarela sobre papel, 32 x 47 cm
Ilustração de Maurício de Sousa.
Uma entrevista no The Guardian da semana revela que um dos escritores-fantasmas mais bem sucedidos na Inglaterra está lançando um livro onde promete contar detalhes da carreira, no livro Confessions of a Ghost Writer. Andrew Crofts menciona que muitos dos livros que frequentam as listas dos Mais Vendidos em qualquer país são em boa parte escritos por escritores-fantasmas, ou para quem quer usar a expressão inglesa, ghost writer. Também faz revelações sobre os contratos de pagamentos mencionando que um profissional bem sucedido pode esperar até 33% do valor de adiantamento de um livro a ser publicado, mais royalties. Mas que todos os contratos são negociáveis e que em períodos de recessão econômica um escritor pode até aceitar a módica quantia de 10% do adiantamento de um livro,
O livro promete ser interessante porque cada vez mais esses escritores são usados principalmente por indivíduos de sucesso em profissões que nada tem a ver com a escrita e que gostariam de escrever memórias, manuais ou até mesmo livros de autoajuda.
Além disso, ouvi dizer recentemente,que muitos dos autores extremamente populares, de ficção, desses que vendem milhões de exemplares a cada título publicado de uma vez por ano tem verdadeiras “fábricas” de livros, com escritores contratados que produzem as histórias a partir de um roteiro que lhes é entregue. Vou esperar para ler o livro, mas achei essas informações já bastante reveladoras do que pode vir por aí.
Desconheço a autoria da ilustração.
Ciumenta, a pata chorava,
procurando pelas matas,
sabendo que o pato estava
andando com duas patas!
(Aurora Pierre Artese)
Mefistófeles aos 17 anos [lendo poesia], 2007
Hernan Bas (EUA, 1978)
técnica mista sobre tela, 61 x 51 cm
Paul Olson (EUA, contemporâneo)
Aguapés é um romance de leitura fácil, mais ou menos engajante, com uma história de pouco interesse e completamente sem prumo. É chocho. Quem escreveu a sinopse que aparece no site da editora Biblioteca Azul, selo da Editora Globo, não leu o livro que eu li. É a história de um homem e sua família, indiano, radicado em Providence, no estado de Rhode Island (EUA), engenheiro ambiental . Sua vida é tão comum quanto a de qualquer um: sem grandes eventos, sem grandes emoções, exceto pela sua retidão de caráter.
É sim, uma história de dois irmãos próximos, de temperamentos diferentes. Dois irmãos muito diferentes: Udayan é um revolucionário maoísta, ativo em Calcutá, nos anos 60. Subhash seu irmão mais velho nada tem a ver com política, sai da Índia para os EUA. Mas, apesar de vidas diversas, não há um embate, onde temperamentos opostos se confrontem. Subhash, por sair da Índia, parece, no início, se revoltar contra as tradições ancestrais. Enquanto Udayan, ainda morando na casa dos pais, dá a impressão de ser aquele mais perto do ideal familiar. Um dia seus destinos se unem por imprevisto inevitável. A partir daí, Subhash, cuja vida acompanhamos até os 70 anos, se transforma no mantenedor da família, reformulando todos e quaisquer objetivos e gols em sua existência em favor da próxima geração. Seu sacrifício é imenso. Abnegação total. O dever sempre falando mais alto.
Mas a figura central do romance não é nenhum dos irmãos. Eles são a moldura. A força motora é a enigmática esposa de Subhash cujo comportamento inimaginável permeia toda trama. Uma figura sem qualquer carisma que acaba ditando a vida de todos à sua volta.
O período de setenta anos cobertos nesse romance passa superficialmente pelos marcos da época, no ocidente. Uma ou outra menção ao presidente do EUA é o que situa a passagem de tempo. Há muita coisa que não é necessária nessa história e muita coisa que deveria aparecer e não está lá. Todos os personagens, talvez por serem tratados superficialmente, são incompreensíveis e não ganham a simpatia do leitor. Há foco demorado no que não é importante – como o “affair” de Subhash com uma americana – ou o final passado na Irlanda, que me pareceu “product placement” [anúncio] da agência de turismo do país.
Jhumpa Lahiri
Fraco. Não recomendo. Foi a escolha do meu grupo de leitura para este mês em homenagem a autora que participa da FLIP [Festa Literária Internacional de Paraty] agora em julho. Pena.