Eugênio Latour (Brasil, 1874-1972)
óleo sobre tela, 65 x 54 cm
Gabriella Picatto (Itália,contemporânea)
Aquarela, 30 x 40 cm
Grandes começos na literatura, escolha da escritora Ana Maria Machado:
“Alguém deve ter dito mentiras sobre Joseph K., pois, sem ter feito nada de errado, certa manhã ele foi preso.”
Franz Kafka, O Processo
Em: Iscas de leitura, Ana Maria Machado, coluna publicada no jornal O Globo de sábado, 27 de dezembro de 2014, 1º caderno, página 16.
Adeus, cartão postal francês.
Meu lenço, na despedida,
tu não viste em movimento:
— Lenço molhado, querida,
não pode agitar-se ao vento.
(Carlos Guimarães)
1ª Aula — uma vista de como o mercado da arte evoluiu, desde o tempo das oferendas nos templos ao sofisticado século XX.
2ª Aula — Uma explanação de como funciona o mercado nos dias atuais, a arte como commodity até 2012. Dados depois dessa data são escassos.
Ladyce West é uma historiadora da arte, formada pela Universidade de Maryland. Foi diretora de uma galeria de arte non-profit para artistas em ascendência até abrir sua própria galeria de arte e antiguidades, Gessner Art & Antiques, nos EUA, que manteve por 15 anos antes de retornar ao Brasil.
Mary Cassatt (EUA, 1844-1926)
óleo sobre tela, 81 x 64 cm
Crystal Bridges Museum of American Art
Grandes começos na literatura, escolha da escritora Ana Maria Machado:
“Em meus anos mais jovens e mais vulneráveis, meu pai me deu um conselho que, desde então, tenho feito virar e revirar em minha mente. ‘Sempre que tiver vontade de criticar alguém‘, disse, ‘lembre-se de que nem todo mundo teve a vantagens que você teve‘”.
Scott Fitzgerald, O grande Gatsby.
Em: Iscas de leitura, Ana Maria Machado, coluna publicada no jornal O Globo de sábado, 27 de dezembro de 2014, 1º caderno, página 16.
David Blaine Clemons (EUA, contemporâneo)
caseína sobre papel, 46 x 33 cm
1ª Aula — uma vista de como o mercado da arte evoluiu, desde o tempo das oferendas nos templos ao sofisticado século XX.
2ª Aula — Uma explanação de como funciona o mercado nos dias atuais, a arte como commodity até 2012. Dados depois dessa data são escassos.
Ladyce West é uma historiadora da arte, formada pela Universidade de Maryland. Foi diretora de uma galeria de arte non-profit para artistas em ascendência até abrir sua própria galeria de arte e antiguidades, Gessner Art & Antiques, nos EUA, que manteve por 15 anos antes de retornar ao Brasil.
Armínio Pascual (Brasil, 1920-2006)
óleo sobre tela, 30 x 40 cm
Menotti del Picchia
Jantei outro dia com Vila-Lobos. Recordamos muita coisa da luta comum. Lembramos do chinelo que lhe ornava o pé esquerdo, quando dentro de uma impecável casaca. O grande Vila regia a orquestra do Municipal, numa das famosas noitadas da Semana de Arte Moderna de 1922.
— Eles pensaram que casaca de chinelo era parte da indumentária futurista. Acharam original. O que eu tinha era uma unha encravada…
Rimos. Lembramos da então tão jovem e tão linda Yvonne Daumerie no palco vestida de libélula, asas enristadas nas espáduas, chorando, apavorada, fugindo das vaias com que uma plateia ululante e desesperada coroara nosso heroísmo afrontando-a com a impertinência de um programa polêmico e agressivo feito, então, do que se consideravam “as loucuras de Mário de Andrade, Oswald, Ronald, Graça Aranha” e dos demais revolucionários.
— Vá dançar, Yvonne.
A graciosa bailarina dançou, uma dança clássica. Foi ovacionada. A ojeriza da platéia era conosco, não com Yvonne, Guiomar Novais, nem com o próprio Vila-Lobos. O formidável criador das Bacchianas bebia seu vinho e comia com apetite. As memórias vinham em fila: casa de D. Olívia, as viagens de concertos culturais, as primeiras concentrações corais. Os companheiros mortos e vivos: Mário, Oswald, Ronald, Brecheret…
— Você sabe que não foi a Semana de Arte Moderna que me lançou. Eu já era revolucionário na música muito antes.
Vila Lobos faz questão de fixar bem que ele não é resultante do movimento. Ele começou sozinho a sua revolução musical. Vila Lobos, porém, ignora, que nós todos, os autores da “Semana”, não fomos feitos por ela. Nós é que a fizemos. Anos antes já sonhávamos com a nossa revolução. Que eram o Moisés, o Juca Mulato senão rebeldias e discordâncias do ritmo mental dominante? Moisés é de 1917. Em 1921, com Osvaldo, dirigíamos a revista Papel e Tinta, onde exaltávamos a pioneira Malfatti, o rebelde criador de Paulicéia Desvairada. A “Semana” foi apenas uma data como 7 de setembro a eclosão de um movimento de independência nacional que vinha de longe. A “Semana” foi um encontro de valores e não um ponto de partida. Foi a oficialização da rebeldia criando uma data histórica. Vila Lobos pode ficar tranquilo; a “Semana” não disputará sua originalidade pioneira, apenas a registrará com o seu comparecimento tão pitoresco na ribalta do nosso Municipal, cabeleira agitada, chinelo no pé, marcadamente modernista.
Fomos, depois, ouvir, as últimas criações do mestre. Seu apartamento é um museu fotográfico dos maiores vultos contemporâneo, todos eles depondo, em dedicatórias consagradoras, sobre o gênio do maior compositor patrício.
— Isto que é, Vila?
Homenagens. Homenagens de governos, de corporações artísticas, de sociedades de concertos. Nem sei o que o Vila poderá fazer de tanta glória. O mundo inteiro é hoje sua plateia. Lá está a saudação de Stravinsky. Lá está o abraço de Stokowski. Lá está o agradecimento de Casals.
— Você lembra quando compôs o Trenzinho do caipira?
Passa pelos olhos de Vila Lobos uma rajada de melancolia. Há quantos anos? Mocidade, divina mocidade, única coisa boa da vida! Foi em São Paulo, dentro de um trem da Paulista, numa excursão artística pelo Interior na qual o compositor genial tocava violoncelo, D. Antonieta Rudge, o piano.
Nessa hora, porém, a vitrola sonorizava uma das Bacchianas que eu não conhecia, recentemente gravada nos Estados Unidos. Era o Vila Lobos romântico – romântico mas moderníssimo – o melhor Vila Lobos. E eu entrei em êxtase. Por vários minutos fiquei, pairando no Paraíso.
Em: Entardecer, Menotti del Picchia, São Paulo, MPM propaganda: 1978, p. 107.
Décio Rodrigues Villares (Brasil , 1851-1931)
óleo sobre tela
Museu Nacional de Belas Artes, RJ
Há uma propaganda de carro na televisão no momento lembrando que devemos ter orgulho do nosso nome, que ele nos faz únicos! Será? Será que é sempre assim? Lembrei-me desse trecho das memórias de Pedro Nava.
“A irmã mais moça de meu pai recebera, em lembrança de certa tia e madrinha de meu avô paterno, nome absolutamente igual ao desta antepassada: Maria Euquéria Nava. Além disso, quando ela nasceu, era tão mofina e miúda que o tio Itriclio, ao vê-la no primeiro banho, dissera logo que aquilo não era gente. Isto é um belisco… E a menina, além de Euquéria, teve de arcar com o apelido que pegara e Belisco ficou sendo. O Euquéria, ela rifou ao assinar o registro de casamento. O Belisco, depois, quando, com muita paciência e muito jeito, ela conseguiu modificá-lo no Bibi com que morreu. Tia Bibi. Delicada, reservada, discreta criatura. ”
Em: Baú de Ossos: memórias, Pedro Nava, Rio de Janeiro, Sabiá: 1972, p. 338.
Tenho alguns casos na família semelhantes a esse. E você?