Na boca do povo: escolha de provérbios populares

8 05 2025
 
“Gato em jornada, ratos em patuscada.”




O escritor no museu: Thomas Mann

8 05 2025

Thomas Mann

Auguste Vanderkelen (Bélgica, 1915 – 1991)

guache sobre papel, 12 x 8 cm





Monóculos, texto de Marcel Proust

8 05 2025

O homem com monóculo, 1918

Amedeo Modigliani (Itália, 1884-1920)

óleo sobre tela, 45 x 29 cm

Coleção Particular

 

O monóculo do marquês de Forestelle era minúsculo, não tinha aro e, obrigando a uma crispação incessante e dolorosa o olho onde se incrustava como uma cartilagem supérflua cuja presença é inexplicável e a matéria rara, dava ao rosto do marquês uma delicadeza melancólica e fazia com que as mulheres o julgassem capaz de grandes penas de amor. Mas o do sr. de Saint-Candé, cercado de um gigantesco anel, como Saturno, era o centro de gravidade de um rosto que se ordenava a todo instante em relação a ele, cujo nariz fremente e rubro e o lábio carnudo e sarcástico procuravam, com os seus trejeitos, pôr-se à altura dos mutáveis reflexos de espírito com que fulgurava o disco de vidro, e era preferido aos mais belos olhares do mundo por mulheres esnobes e depravadas, a quem fazia sonhar com encantos artificiais e refinadas volúpias; enquanto, atrás do seu monóculo, o sr. de Palancy que, com a sua grossa cabeça de carpa, de olhos redondos, se deslocava lentamente no meio da festa, descerrando de instante a instante as mandíbulas como para procurar orientação, tinha o ar de apenas transportar consigo um fragmento acidental, e talvez puramente simbólico, do vidro do seu aquário, parte destinada a figurar o todo, que lembrou a Swann, grande admirador dos Vícios e das Virtudes de Giotto em Pádua, aquele Injusto ao lado do qual um ramo folhudo evoca as florestas onde se oculta o seu covil. 

 

Em: No caminho de Swann, volume I da obra Em busca do tempo perdido, Marcel Proust, tradução de Mário Quintana.





Relatividade, Einstein

7 05 2025
Retrato de John Harrison. conhecido por seu trabalho em cronômetros.

 

 

“Quando um homem se senta ao lado de uma mulher bonita por uma hora parece que passou um minuto. Mas se ele se sentar em cima de um fogão quente por um minuto parece que passou mais de uma hora. Isso é relatividade”

 

Albert Einstein





Poesia infantil, O menino azul, Cecília Meireles

7 05 2025

O cavalo e o burro, 1912

Franz Marc (Alemanha, 1880-1916)

guache sobre papel, 38 x 31 cm

 

 

 

O Menino Azul

 

Cecília Meireles

 

O menino quer um burrinho

para passear.

Um burrinho manso,

que não corra nem pule,

mas que saiba conversar.

 

O menino quer um burrinho

que saiba dizer

o nome dos rios,

das montanhas, das flores,

– de tudo o que aparecer.

 

O menino quer um burrinho

que saiba inventar histórias bonitas

com pessoas e bichos

e com barquinhos no mar.

 

E os dois sairão pelo mundo

que é como um jardim

apenas mais largo

e talvez mais comprido

e que não tenha fim.

 

(Quem souber de um burrinho desses,

pode escrever

para a Ruas das Casas,

Número das Portas,

ao Menino Azul que não sabe ler.)





Voltamos à física!

7 05 2025

 

 

Há uns cinco anos, mais ou menos, fui convidada a participar de um grupo de leituras em conjunto.  Eu nunca havia feito isso e curiosa, disse sim.  Foi ótimo.  O grupo, dirigido pela artista plástica, pianista e psicóloga Rose Nobre é composto de 6 a 8 pessoas.  O número depende do livro escolhido.  E todas as terças-feiras, à noite, nos encontramos para ler pela internet.  Cada qual lê um pedaço em voz alta, mais ou menos por uma hora ou por um capítulo ou ainda, parando quando é possível fazer uma pausa. 

O grupo já se encontrava antes da minha chegada. Comecei a jornada na parte final de O caminho do artista,  Julia Cameron.  Passamos para dois livros de Yuval Noah Harari, fomos aprender um tantinho de física com Marcelo Gleiser, passamos para história do Brasil com Jorge Caldeira, e voltamos à física, semana passada com o livro de Carlo Rovelli, A ordem do tempo.

Todos esses livros foram impressionantes no que entregaram, desde incentivo a criatividade, como expansão do conhecimento científico.  As profissões representadas nesses oito leitores pertencem às artes ou psicologia, história e há também uma médica no grupo. Aos poucos vamos nos conhecendo.  Cada qual contribui com seus dois centavos de conhecimento, nos minutos finais, em que conversamos sobre o que lemos.  Não dura mais que hora e quinze.  Bem investido esse tempo. Cobrimos obras que seriam difíceis de ler sós.  Se você não pode estar lá nas terças-feiras, seu trabalho é ler até onde chegamos e se juntar aos leitores na próxima terça-feira.

Este não é um convite para participar. Não tenho autoridade para isso.  Mas recomendo o formato.  Se você tem amigos que gostariam de ler algo fora do que é familiar, essa é ótima maneira de se atualizar.  Hoje em dia, por causa dessas leituras, vou com gosto para os documentários por exemplo, de física quântica no YouTube.  Boa maneira de fazer uma atualização no conhecimento.

Livros lidos:

O caminho do artista, Júlia Cameron

Sapiens, Yuval Noah Harari

21 lições para o século 21, Yuval Noah Harari

A dança do universo, Marcelo Gleiser

A história da riqueza no Brasil, Jorge Caldeira

Lendo:

A ordem do tempo, Carlo Rovelli

Você já leu algum desses livros?  O que achou? 




Hoje é dia de feira: frutas e legumes frescos!

7 05 2025

Natureza morta, frutas, 1994

Claudio Faccioli (Brasil, 1955)

acrílica sobre tela, 80 x 100 cm

 

 

 

Natureza morta, 1980.

Humberto da Costa (Brasil,1941)

óleo sobre tela, 37 x 45 cm





Todo mundo lê!

6 05 2025
Ilustração de Ricardo Levins Morales (USA)




Soneto de Antero de Quental: Mãe

6 05 2025

Mater

Sérgio Martinolli  (Itália-Brasil, 1938) 

óleo sobre tela, 80 x 60 cm

 

Soneto

 

Antero de Quental

(1842-1891)

 

Mãe — que adormente este viver dorido,
E me vele esta noite de tal frio,
E com as mãos piedosas ate o fio
Do meu pobre existir, meio partido…

Que me leve consigo, adormecido,
Ao passar pelo sítio mais sombrio…
Me banhe e lave a alma lá no rio
Da clara luz do seu olhar querido…

Eu dava o meu orgulho de homem — dava
Minha estéril ciência, sem receio,
E em débil criancinha me tornava,

Descuidada, feliz, dócil também,
Se eu pudesse dormir sobre o teu seio,
Se tu fosses, querida, a minha mãe!





Nossas cidades: Ubatuba

6 05 2025

Praça principal, Ubatuba, 1919

Benedito Calixto (Brasil, 1853-1927)

óleo sobre tela,, 30 x 40 cm