Maggie Siner (EUA, contemporânea)
óleo sobre tela, 55 x 70 cm
Paisagem de Itariri, litoral paulista, década 1990
Gilberto Geraldo [dos Santos Gomes] (Brasil, 1955)
óleo sobre tela, 73 x 91 cm
Arrumadeira lendo na biblioteca
Edouard John Mentha (Suíça, 1858-1915)
óleo sobre tela
“…Uma parede inteira era coberta por uma grande estante, em que várias prateleiras eram dedicadas a livros de arte — alguns recentes, outros muito antigos, que Laure deveria ter obtido ao longo dos anos. Arquitetura, pintura — douração, claro — , mas também catálogos de leilões. Uma prateleira terminava em vários livros de Sophie Calle, entre os quais uma de suas obras-primas poéticas: Suite vénitienne. Em 1980, Sophie havia decidido, numa pura iniciativa artística, seguir homens — ao acaso, na rua, e sem que eles soubessem. À maneira de um detetive particular, desses longos passeios trazia fotos em preto e branco de homens, de costas, em diferentes lugares. Desconhecidos que ela havia seguido durante tardes inteiras. Certo dia em que ela havia notado uma nova presa, esta lhe escapou e desapareceu na multidão. À noite, o homem lhe foi apresentado durante um jantar mundano. Ele lhe disse que dentro em pouco partiria para Veneza. Secretamente Sophie Calle decidiu recomeçar — segui-lo incógnita até as ruelas e os canais de Veneza. Dessa expedição, trouxe um diário de bordo de setenta e nove páginas e cento e cinco fotos em preto e branco, posfaciados por Jean Baudrillard. A investigação havia terminado quando o homem a reconhecera e lhe dirigira a palavra. O melhor, não totalmente, já que ela conseguiu voltar à Gare de Paris alguns minutos antes dele e fazer uma última foto. No entanto, a tensão da busca e a magia tinham se evaporado no momento do encontro. O retorno à realidade havia anunciado o fim da história.
Laure possuía a edição original — dificílima de encontrar e também caríssima. Em outra prateleira exibiam-se os romances. Laurent encontrou ali muitos Modianos, tanto de bolso quanto brochura, só para verificar tirou vários, e constatou que nenhum tinha dedicatória. Havia também livros policiais, ingleses, suecos, irlandeses. Romances de Amélie Nothomb, vários Stendhal, dois Houellebecq, três Echenoz, dois Chardonne, quatro Marcel Aymé, Apollinaire inteiro, Nadja, de Breton, em edição antiga. O príncipe, de Maquiavel, em livro de bolso, e ainda uns Le Clézio, uns dez Simenon, três Murakami, mangás Jiro Taniguchi. A ordem era totalmente aleatória, Poésies de Jean Cocteau era vizinho de Saga, de Tonino Benacquista, que, por sua vez se encontrava junto de O banheiro, de Jean-Phillipe Toussaint, cuja capa ladeava um grosso volume em couro marron lavrado a ouro. Laurent tirou este último da prateleira.”
Em: A caderneta vermelha, Antoine Laurain, tradução de Joana Angélica D’Avila Melo, Rio de Janeiro, Alfaguara:2016, p. 85-6.
Sem título [Flowers in the house, Flores em casa]
Feng Chiang-Jiang (China, 1943)
Tinta e cor sobre papel
A Bibliothèque Méjanes, em Aix-en-Provence, na França permitiu a digitalização em 2010 de um livro em seu acervo catalogando diversas tonalidades de cores para a arte da pintura em aquarela, com suas respectivas receitas. O trabalho de encadernação manual, em folhas de pergaminho é do holandês A. Boogert e levou o título em francês, Traité des couleurs servant à la peinture à l’eau, ou seja, Tratado das cores para a pintura em aquarela. Datado de 1692, com mais de 700 páginas o livro, um único exemplar, foi compilado para o ensino da pintura, se ocupa de detalhar todas as cores encontradas no universo. Ao que tudo indica este parece ser o primeiro catálogo de cores jamais feito. Essa obra foi publicada no blog sobre obras medievais, do historiador Erik Kwakkel, em 2014 e desde então foi republicado e feito de conhecimento do público.
Edith Ailsa Craig lendo na cama com seu gato, 1943
Clare Atwood (GB, 1866–1962)
óleo sobre tela
National Trust, Smallhythe Place