Adalgisa Nery, 1930
Ismael Nery (Brasil, 1900-1934)
[Marido da escritora]
óleo sobre tela
Flores para Guignard, 2020
Cláudio Valério Teixeira (Brasil, 1949-2021)
aquarela sobre papel
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Flores abstratas, 1961
Genaro de Carvalho (Brasil, 1926-1971)
óleo sobre cartão, 81 x 60 cm
Triste Notícia, 1905
Antônio Parreiras (Brasil, 1860-1937)
óleo sobre tela, 50 x 73 cm
Quando vi esta imagem, à primeira vista me pareceu que a senhora retratada lia em um dispositivo digital. Mas como? Não era uma cena das últimas duas décadas! Observando com maior cuidado, percebi tratar-se de papel timbrado de preto a toda volta, retirado do envelope próximo também assim tarjado. E, de repente, me encontro de volta à minha infância. Memórias muito antigas de outro hábito desaparecido.
Eu era criança quando vi pela primeira vez um envelope como este, trazendo em seu recheio nota semelhante. Vinha de Mato Grosso, terra da família paterna de minha mãe. De lá, eu conhecia quatro pessoas: vovô Gessner e alguns de meus tios avós: a meia irmã Eneyde (Nedi), o marido Luiz, que moravam aqui no Rio de Janeiro, com quem tive muito contato, mesmo depois de adulta, eles eram figurinhas conhecidas e queridas por demais. Eu adorava as histórias de titio Luiz sobre caçadas em Mato Grosso. Também conheci a irmã mais velha de vovô em uma visita ao Rio de Janeiro. Chamava-se titia Evange, apelido familiar de Evangelina.
Não sei se o falecimento dela foi telegrafado para meus pais. Talvez telegrafado para vovô. Mas a notícia de seu falecimento certamente chegou através de uma nota tarjada de preto, como esta do quadro de Antônio Parreiras de 1905.
Ainda vi na casa de meus pais, algumas, poucas, notificações de falecimento desta maneira. Mas ao que eu saiba, este hábito já era um tanto arcaico na segunda metade do século XX.
O luto mudou muito. Mas isso é papo para outra ocasião.
©Ladyce West, Abril de 2023, Rio de Janeiro

No vale Vegelegen, 1952
Edward Roworth (Inglaterra, 1880 – 1964)
óleo sobre tela, 50 x 75 cm
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ao vento de outono
a sineta de ferro
subitamente toca!
Dakotsu Lida

Largo_de_Nazareth, Belém, Pará
Joseph Léon Righini ( Itália – Brasil, 1820 -1884)
gravura
Raul Braga
Filha de terra estranha bem distante,
Transplantada a terras brasileiras,
Aqui enfeitas, verde e galante
Na beleza de todas as mangueiras.
Dás folha e sombra e flor alvissareiras
De uma quadra de vida confortante,
És pouso e lar das aves cantadeiras,
pela tardinha em último descante.
Mas, a maldade humana, sem limite,
Ao lenhador vai dando em apetites
Uma insânia de morte carniceira,
Até quando não mais existe um ninho
E, derradeiro, partir o passarinho,
Quando abatida a última mangueira.
Em: A lira na minha terra: poetas antigos e contemporâneos no Pará, Clóvis Meira, Belém: 1993, p. 333
Natureza morta, 1955
Carlos da Silva Prado (Brasil, 1908 -1992)
óleo sobre cartão, 33 x 24 cm
Coleção Particular
Natureza Morta: frutos sobre a mesa, 1939
Eugênio Latour (Brasil, 1874 – 1942)
óleo sobre tela colada em madeira, 18 x 14cm