Um interior em Chelsea, 1914
Philip Connard (Inglaterra, 1875-1958)
óleo sobre tela, 101 x 75 cm
Galeria Oldham, Reino Unido
Um interior em Chelsea, 1914
Philip Connard (Inglaterra, 1875-1958)
óleo sobre tela, 101 x 75 cm
Galeria Oldham, Reino Unido
Jarra com rosas sobre a mesa, década de 1960
Manoel Santiago (Brasil, 1897-1987)
óleo sobre tela, 46 X 39 cm
Vaso com flores, 1994
Henrique Oliveira (Brasil, 1973)
óleo sobre tela, 46 x 33 cm
Os teus olhos, pretos, pretos,
são como a noite cerrada…
Mesmo pretos, como são,
sem eles, não vejo nada.
(Trova anônima)
A vaca que escapou, 1885
Julien Dupré (França, 1851-1910)
óleo sobre tela, 100 x 139 cm
Museu D’Orsay, Paris
“…e a criança vagabundeava pela aldeia. Ele acompanhava os lavradores e espantava, atirando torrões, os corvos que alçavam voo. Comia amoras ao longo das valetas, guardava os perus com uma vara, revolvia o feno na ceifa, corria pelos bosques, jogava amarelinha no pórtico da igreja nos dias de chuva e, nas grandes festas, suplicava ao sacristão que lhe deixasse bater os sinos, para se dependurar com todo o corpo à grande corda e sentir-se levar por ela no balanço.
Assim, ele cresceu como um carvalho.”
Em: Madame Bovary, Gustave Flaubert, Tradução de Mário Laranjeira: Penguin Classicos

Tenho muitas leituras em meio de caminho, livros que estou lendo simultaneamente. Mas esse comecei hoje de manhã. Não é grande vantagem que um livro de 94 páginas tenha sido lido em um dia. Mas eu o recebi quando cheguei em casa de Rio das Ostras e hoje abri para ver exatamente o que era. Não resisti. Li inteirinho.
Gosto de Somerset Maugham, um autor que conheci lendo Servidão Humana, livro um pouco maduro para os meus primeiros anos na adolescência quando estava febril para ler os grandes autores. Era um volume emprestado da Biblioteca da Gávea, que eu frequentava assiduamente desde criança.
Os livros e você: clássicos da literatura que podem ampliar a sua visão de mundo, é um grupo de três ensaios que Maugham escreveu para a revista americana Saturday Evening Post. Eles foram coletados e publicado na Inglaterra em 1940. Essa tradução é a primeira no Brasil, feita por Pablo Guimarães, publicada em Piraquara, Editora Vimara: 2024.
Fim de ano, para quem lê, é sempre recheado de listas de livros que ainda não lemos, que queremos ler. E esse livro me pareceu perfeito para que eu selecionasse algo que escapasse dos batidos e lidos russos, e clássicos mais modernos. Sendo um escritor inglês a maioria dos livros mencionados como sugestão para leitura são ingleses. Mas há também russos, franceses e até alemães.
A parte mais charmosa do livro são os comentários que Maugham faz, alguns bastante cortantes, sobre obras constantemente citadas como imperdíveis. Mais que isso, no entanto, é sua postura que, para o leitor comum, livros devem ser sempre agradáveis de ler. Se não o forem, deixe de lado.
Consegui deliciosas citações sobre leituras, que eventualmente, aos poucos colocarei aqui no blog, como costumo fazer. Somerset Maugham faleceu em 1965. Suas sugestões não incluem os escritores mais recentes, nem mesmo muitos dos que já eram conhecidos na primeira metade do século XX. Listas sempre refletem o leitor que as fez. A leitura desse livro foi uma conversa com um dos mais interessantes autores ingleses da primeira metade do século passado.
NOTA: este blog não está associado a qualquer editora ou livraria, não recebe livros nem qualquer incentivo para a promoção de livros.
PS: Sim, anotei alguns nomes. E estarei procurando por suas obras.
Marinha, 1946
Yvonne Visconti Cavalleiro (Brasil, 1901-1965)
óleo sobre tela, 34 x 50 cm
Canção de Lulu Santos ‧ 1983
Letra de Nelson Motta
Nada do que foi será
De novo do jeito que já foi um dia
Tudo passa, tudo sempre passará
A vida vem em ondas
Como um mar
Num indo e vindo infinito
Tudo que se vê não é
Igual ao que a gente viu há um segundo
Tudo muda o tempo todo no mundo
Não adianta fugir
Nem mentir
Pra si mesmo agora
Há tanta vida lá fora
Aqui dentro sempre
Como uma onda no mar
Como uma onda no mar
Como uma onda no mar
Como uma onda no
Nada do que foi será
(De novo do jeito que já foi um dia)
(Tudo passa, tudo sempre passará)
Tudo que se vê não é
Igual ao que a gente viu há um segundo
Tudo muda o tempo todo no mundo
(Não adianta fugir
Nem mentir
Pra si mesmo agora
Há tanta vida lá fora
Aqui dentro sempre
Como uma onda no mar
Como uma onda no mar
Como uma onda no mar
Como uma onda no mar)
-*-*-*-
Por uma dessas circunstâncias da web essa música apareceu para mim diversas vezes nos últimos dias. Achei apropriada para o começo de um novo ano. É uma música filosófica. Perfeita para pensarmos sobre a passagem do tempo e memória. E nesses dias aprendi algo que não sabia. Foi numa postagem no Instagram de Fabricio Mazocco (@enigmasdorock), que soube que Nelson Motta havia se inspirado em dois livros: A arte cavalheiresca do arqueiro Zen, de Eugen Herrigel e Buda, de Jorge Luis Borges. Mais ainda, que ele usou um verso de Vinícius de Moraes, A vida vem em ondas como o mar, como uma homenagem ao poeta, que havia acabado de falecer, e que retirou do poema O Dia da Criação. Só boas referências tinham que suscitar a belíssima letra dessa canção.
Vinícius de Moraes

Japan House, São Paulo, SP. Foto: Ladyce West
Estou de volta. Não, não me mudei para São Paulo, apesar dela ser uma das minhas cidades favoritas no mundo! Está atrás de Londres, é verdade, mas é muito boa!
Dadas as frustrações com obras aqui em casa, ainda não acabadas, resolvi chutar o balde e fui para Rio das Ostras na costa fluminense, passar alguns dias, repensar a vida, o blog, a escrita, a poesia, tudo. Tive tempo para pensar. Fora a pele queimada, mesmo na sombra e com protetor solar, que não estava planejada, tudo foi excelente. Depois de 17 anos completos de blog, este foi o primeiro longo período sem postagens. Eu me devia. Pelo menos corpo e alma pensam assim.
É claro que desejo a todos vocês sábias decisões para o ano que se inicia. Que seus sonhos e decisões sejam compatíveis com a realidade, para que no próximo dezembro a lista de realizações, ou conquistas, seja bem maior do que os projetos abandonados ao longo do ano.
Agradeço também aos inúmeros seguidores que me desejaram um Feliz Ano Novo, às centenas de pessoas que comentaram nesse dezembro sobre postagens antigas, e sobretudo aos milhares de assinantes e visitantes desse nosso cantinho de arte, literatura e outras coisas mais.
Este fim de ano está mais caótico do que eu poderia imaginar. A essa altura vocês já devem ter notado alguma irregularidade nas minha postagens. Sim, elas não estão normais, nem tão regulares. Mas dentro em breve devem voltar a um ritmo mais ou menos normal. Seria um absurdo eu listar tudo o que deu errado. Ninguém acreditaria. Mas aos poucos, dia a dia, estou conseguindo vencer essa nuvem de pequenas e grandes frustrações, a maioria das quais ninguém é realmente culpado. Eu disse maioria das quais.
Na segunda metade de outubro comecei a dar uma repaginada aqui em casa. Mandei pintar alguns cantos, reorganizei móveis, troquei de fontes de luz e me entusiasmei, porque tive confirmado um almoço que darei para amigas escritoras, agora no final de semana, dia 20, aqui em casa;
Como estava tudo indo de vento em popa, eu me entusiasmei e decidi, com aquela famosa expressão que meus amigos portugueses adoram, bem eu decidi que: já agora, iria também fazer o mesmo no meu escritório. Poderia pintar de novas cores as paredes, remanejar alguns móveis, organizar estantes, selecionar livros. E me joguei de corpo e alma ao trabalho. Nesse meio tempo meus objetos decidiram me dizer que precisavam de assistência: perdi o som no meu computador. todas as minhas lives tiveram que ser via telefone… HORRÍVEL! O ventilador de teto da sala parou e dias depois caiu antes mesmo do novo ventilador chegar. E assim, uma sucessão de pequenos acidentes se perfilou no meu dia a dia.
Nesse meio tempo o apartamento acima do meu, que estava em reforma desde agosto, estava a ponto de ser habitado. E… os pedreiros fecharam as paredes escondendo, sem querer, um vazamento substancial. O que na minha vida já andava caótico, de repente em coisa de quatro dias passou de água no chão de um banheiro, para um balde d’água cheio a cada quarenta e cinco minutos, em um dos banheiros, com água vinda do teto. Todos os três foram afetados, porque afinal todos pertencem à mesma coluna. Mas o hall interior também teve água descendo pelos spots. Não era problema da coluna. Era dentro da parede novinha do apartamento de cima. Levamos alguns dias para descobrir e desde 12 de novembro até dia 15 de dezembro algumas coisas aconteceram enquanto esperávamos as paredes secarem: mofo, mofo e mofo e massa dos tetos caindo, tetos rebaixados esburacados, portas empenadas. E consegui desenvolver uma tremenda alergia. Um desastre muito maior do que se pode imaginar. Tem sido difícil. Objetos elétricos não funcionam. Novas tomadas precisaram ser colocadas. E hoje finalmente a pintura começou. Vão terminar tudo sexta-feira, véspera do meu almoço. O que vou servir? Ainda não sei. Mas contratei duas pessoas que começam a me ajudar a partir de amanhã. Só os livros de volta nas estantes é que precisam ser recolocados só por mim. Mas essas duas pessoas, profissionais de limpeza e organização irão tomar as rédeas da casa. Porque, francamente. estou exausta.
As bruxas se esqueceram de voltar para casa depois do dia 31 de outubro. Mas o bem sempre vence… elas estão armando suas vassouras para decolar. Voltarei a postar regularmente. Só não posso prometer quando. Mas estou por aqui. Viva. Sobrevivente. Ainda nos falamos antes dos feriados.