
Natal da minha velhice…
não sinto qualquer revolta:
– Papai Noel… ah! quem disse
que, em nós, o sonho não volta?
(Pompílio O. Vieira)

Natal da minha velhice…
não sinto qualquer revolta:
– Papai Noel… ah! quem disse
que, em nós, o sonho não volta?
(Pompílio O. Vieira)
Vaso com flores
Cláudio Arena (Brasil, 1945)
óleo sobre tela, 18 x 24 cm
Marie-Henri Beyle, conhecido como Stendhal, 1840
Olof Johan Södermark (Suécia, 1790 — 1848)
óleo sobre tela, 62 x 50 cmv
Museu de Versailles

Alphonsus de Guimaraens Filho
É Natal. Foram tantos os Natais…
Pois que é Natal mais uma vez, apreende
esse cântico longo que se estende
por terras, mares, não termina mais.
Natal mais uma vez. Uma vez mais,
o menino que só a estrela entende,
os pais que a treva inquieta, ela, a quem rende
a certeza das coisas abissais.
Pois que é Natal, pensemos no menino,
apenas no menino. E o contemplemos
no berço onde ora está, tão pequenino.
Já quanto aos pais, a meditar deixemos.
Sabem os pais qual a hora do destino.
Fingindo não saber, sonhando olhemos.
Em: Todos os sonetos, Alphonsus de Guimaraens Filho, Rio de Janeiro, Editora Galo Branco: 1996
Hábitos de leitura
Michael Steirnagle (EUA, contemporâneo)
óleo sobre tela, 75 x 100 cm
Natal
Lucia de Lima (Brasil, contemporânea)
acrílica
“Natal é ver os magos, não reis, que trazem a cultura, a sabedoria, a fascinação do oriente geográfico e do oriente interno de cada um; é ver a riqueza e variedade da terra, a multiplicação compulsória dos pães e dos peixes, a re-unificação da família humana numa assembleia universal, o prazer das futuras viagens, o cérebro eletrônico, a subida aos espaços interestelares; é ver a invisibilidade de Deus, que escapa à televisão.”
Em:Chaves para a festa do Natal, Transístor, Murilo Mendes, Rio de Janeiro, Nova Fronteira: 1980, p.410.
Mexericas, 1998
Florêncio [José Carlos dos Santos] (Brasil, 1947)
óleo sobre tela
Autorretrato com cachimbo, 1886
Vincent van Gogh (Holanda, 1853 –1890)
óleo sobre tela, 46 x 38cm
Museu Van Gogh, Amesterdã
Árvore de Natal
Spiridon Vikatos (Grécia, 1878 – 1960)
óleo sobre tela
Miguel Torga
Menino Jesus, que nasces
Quando eu morro,
E trazes a paz
Que não levo,
O poema que te devo
Desde que te aninhei
No entendimento,
E nunca te paguei
A contento
Da devoção,
Mal entoado,
Aqui te fica mais uma vez
Aos pés,
Como um tição
Apagado,
Sem calor que os aqueça.
Com ele me desobrigo e desengano:
És divino, e eu sou humano,
Não há poesia em mim que te mereça.
A hora da lição, Pauli Ebner (Áustria, 1873 — 1949), Cartão Postal.