Ilustração Tom Lowell.
Depois da falsa meiguice
e dos falsos beijos seus,
“Adeus”; de graça, ela disse,
e eu disse: – Graças a Deus!
(Hegel Pontes)
Ilustração Tom Lowell.
Depois da falsa meiguice
e dos falsos beijos seus,
“Adeus”; de graça, ela disse,
e eu disse: – Graças a Deus!
(Hegel Pontes)
Maria Sherbinina(Rússia, 1965)
óleo sobre tela, 72 x 80 cm
Francis Carco
Ilustração na Revista Collier’s de 1951.
Embora dela me esquive,
a saudade, tão ladina,
tem manhas de detetive,
e me espreita … em cada esquina…
(Élbea Priscila de Sousa e Silva)
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Ilustração de Maud Tousey Fangel.
Paulo Setúbal
Um bebê… Ai que ventura
Do nosso peito extravasa!
Há um mês que é a nossa loucura,
Que é a joia da nossa casa.
Mimo não há, sem enleio,
Que mais alinde as vivendas,
Do que um bercinho bem cheio
De laçarotes e rendas.
E nesse ninho de luxo,
— Com dois berloques e um guiso,
Ver um petiz, bem gorducho,
Que nos envia um sorriso.
Ah! Nada eu sei de mais preço,
Nem nada mais inocente,
Do que um sorriso travesso
Numa boquinha sem dente!
E ao ver-te, entre o fofo arranjo
Do teu bercinho tão doce,
Eu sinto bem que és um anjo
Que Deus ao mundo nos trouxe…
E assim, bebê cor de leite,
Com olhos da cor do mar,
Tu és o único enfeite
Do nosso lar!
Em: Alma cabocla, poesias de Paulo Setúbal, Paulo Setúbal, São Paulo, Ed. Carlos Pereira:s/d, 5ª edição [ Primeira edição foi em 1920]p. 179-180.
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Arie Azene (Israel, 1934)
óleo sobre tela
Nagai Kafu
Nagai Kafu (1879-1959)Salvar
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Gabriele Münter (Alemanha, 1877-1962)
óleo sobre tela,
Com a recomendação do livro de Eizabeth Strout, veio o aviso: “a literatura mais realista de hoje“. Realismo é uma dessas coisas que depende de quem vê. A mim, logo lembra o século XIX, Flaubert, Eça, Aluísio, Dreiser. Mas se esse é o realismo do nosso tempo, estamos fritos. Porque é ralo. Falta amor da autora aos personagens; talvez por isso sejam unidimensionais.
Quando no início do século passado o fluxo de consciência virou moda literária, passamos a fazer sentido de pensamentos independentes, sem óbvio nexo, que não obedecem a uma ordem, como os pequenos parágrafos, ímpares e desconexos, que o leitor encontra em Meu nome é Lucy Barton. Parecem notas de viagem. Pode até ser de uma viagem interna, pelo mundo dos sentimentos enrustidos, mas só esboçados. Elizabeth Strout tem um estilo radicalmente simplificado, minimalista na linguagem, e abusa da repetição de algumas expressões, para aparentemente promover uma pausa.
Lucy Barton precisa ficar internada em um hospital por algumas semanas. Sua mãe que não a vê há muito tempo vem lhe fazer companhia. Lucy nutre uma ingênua esperança de se sentir amada, tentativa que se frustra. No ir e vir do tempo temos memórias relâmpagos da infância, da vida em família de Lucy, assim como dos apertos por que passou numa vida em que a miséria batia à porta todos os dias. Esse sofrimento, no entanto, é contado de maneira tão distante e tão entrecortado por outras lembranças que não há identificação do leitor ou da narradora com a vida passada.
Elizabeth Strout
Fica claro que Lucy não consegue se relacionar com os familiares mais próximos, e não apresenta qualquer habilidade para conectar-se com sua mãe. Difícil imaginar que a aprovação da mãe seja tão importante para ela, já que a distância entre as duas era tudo o que sempre conheceram. No todo, somos apresentados a uma família complexa, onde os membros têm dificuldade de lidar com sentimentos. São pessoas que não conseguem amar em plenitude e não se sentem amados.
O enredo de Meu nome é Lucy Barton é auto reflexivo. Lucy Barton ensaia ser escritora, ter seu manuscrito publicado. Para isso procura se aperfeiçoar seguindo os ensinamentos de uma escritora famosa de quem gosta: Sarah Payne. O manuscrito que ela dá a Sarah para ler parece ser exatamente o livro que nós leitores estamos lendo. E é Sarah Payne, quem, portanto, define para o leitor a essência da história que ele está lendo: “É a história de uma mãe que ama a filha. De forma imperfeita. Porque todos nós amamos de forma imperfeita.“[87] Lucy procura achar respostas na imagem do espelho. Ou seria Elizabeth Strout quem procura? Será que como num espelho tudo não passa de uma reflexão do que está deixado para trás? Acho que Elizabeth Strout teve uma ideia interessante, mas que ainda não foi dessa vez que conseguiu executá-la com maestria. E questiono o rótulo de realismo.
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O navio cheio de bananas
Lêdo Ivo
Paisagem; maresia
azul e bananais!
No porão do navio,
o ouro dos litorais.
Fruto de um paraíso
de mormaço, num alvo
formigueiro de sal
entre negros trapiches.
O horizonte derrama
cal entre as bananeiras.
São roupas de operários,
Cantos de lavadeiras.
Como as bananas verdes
à luz do carbureto
logo ficam maduras
quaradas pelo sol
de uma falsa estação,
assim este cargueiro
esplende, no terral,
seu cacheado tesouro.
E o panorama é de ouro.
E o dia sabe a sal.
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Ilustração Blanche Wright.
Quem espera, sempre alcança…
Alcançarás, tu, que és forte:
na vida – eterna esperança…
sossego – depois da morte..
(Maria Thereza de Andrade Cunha)
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Nicolae Tonitza (Romênia, 1886-1940)
óleo sobre cartão
Hanif Kereishi
Hanif KureishiSalvar
Pato Donald pede um café © Walt DisneyRibeiro Couto
Sabor de antigamente, sabor de família
Café que foi torrado em casa,
Que foi feito no fogão de casa com lenha do mato de casa.
Café para as visitas de cerimônia,
Café para as visitas de intimidade,
Café para os desconhecidos, para os que pedem pousada, para toda gente.
Café para de manhã, para de tardinha, para de noite,
Café para todas as horas do riso ou da pena,
Café para as mãos leais e os corações abertos,
Café da franqueza inefável,
Riqueza de todos os lares pobres,
Na luz hospitaleira do Brasil.
Em: Poemas para a Infância: antologia escolar, editado por Henriqueta Lisboa, s/d, São Paulo: Edições de Ouro, p. 50
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