Começaram hoje os encontros para leitura em grupo da obra de Marcel Proust Em busca do tempo perdido. Abrimos a leitura com o primeiro livro: No caminho de Swann. São sete volumes! Cobrimos as primeiras 15 páginas. Ou melhor chegamos à página 19. Estamos usando a tradução de Mário Quintana. E indo a fundo, parando para conhecer as referências que desconhecemos. Chegamos à conclusão que as sete pessoas (só cinco puderam participar hoje) ficarão amigas para o resto da vida. Porque nos encontraremos centenas de vezes para cobrir essa leitura. Mas que assim seja. Foi muito agradável. O entusiasmo foi grande. Somos de todo Brasil, estados do Maranhão, Pernambuco, Rio de Janeiro e Paraná.
Dia a dia…
16 10 2024Comentários : Leave a Comment »
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Resenha: Todas as manhãs do mundo, Pascal Quignard
15 10 2024A lição de música, 1717
Atribuído a Jean-Antoine Watteau (França, 1684-1721)
óleo sobre tela
Wallace Collection, Londres
Este pequeno livro é um dos poucos traduzidos no Brasil do premiado autor francês, Pascal Quignard. Todas as manhãs do mundo, tradução de Yolanda Vilela [editora Zain:2023] não chega a ter cem páginas, em edição cujas dimensões parecem aquelas de um livro de bolso. Seu texto mesmo pequeno no original, já foi transformado em um filme de Alain Corneau, de bastante sucesso com adaptação do próprio autor do romance, em 1991, ano de sua publicação na França. Por isso mesmo, hoje ele é a obra mais popular de Quignard.
Trata-se da biografia, fictícia, de um verdadeiro músico francês, do século XVII, Jean de Sainte-Colombe, cujos poucos detalhes conhecidos de sua existência se resumem a pequenos apontamentos de Marin Marais, este sim, músico mais conhecido da época.
Sainte-Colombe foi um dos primeiros e grandes compositores de peças para a viola da gamba, instrumento que começava a se popularizar no século XVII na Europa. Na Inglaterra essa viola consiste em geral de seis cordas, enquanto na França ela é mais usada com sete cordas, como aparece no livro e como Sainte Colombe a usou. No entanto quer com seis ou sete cordas, ambos instrumentos são tocados com arco.
De acordo com o posfácio, sabe-se muito pouco da vida de Sainte-Colombe: tinha duas filhas, muitos alunos e era um mestre da composição para a viola da gamba que tocava em um trio com suas duas filhas. Tudo que sabemos vem das anotações do músico Marin Marais, que havia sido seu aluno e que eventualmente foi músico na corte de Luís XIV.
A história nos apresenta Sainte-Colombe conhecido professor fazendo apresentações no interior da França, viúvo, não tem qualquer interesse pela vida na corte, porque não acredita que lá estariam os verdadeiros amantes da música. Dedicadíssimo à sua arte, ele amarga, inconsolável, a perda da esposa que tanto amava, morta em 1650. Ensina as duas filhas a tocarem a viola da gamba e se apresenta com elas em trio que ficou conhecido pelos apreciadores da arte. Nas quase cem páginas em que o seguimos, selecionando alunos, sendo convidado a tocar em Paris e percebemos a dicotomia para ele, entre o silêncio e a música. Sainte-Colombe, impaciente e dado ataques de cólera, goza da inabilidade de se expressar, exceto pelas composições que produz. Desse modo,é um exemplo de sua própria definição do que é música: “A música existe simplesmente para dizer o que a palavra não pode dizer.” [85]
Pascal Quignard
Além de escritor Pascal Guignard é um talentoso violoncelista fundador do Festival de Ópera e de Teatro Barroco de Versalhes. Tal dedicação à musica traz grande riqueza à sua escrita. Não são poucas as descrições na história relacionadas aos sons que rodeiam os quatro personagens principais: Sainte-Colombe, suas duas filhas e Marin Marais. Ao ler este texto, pare e preste atenção. Outra faceta a notar é a descrição dos locais e hábitos da época.
Foram 98 páginas de deleite. Leitura deliciosa, perfeita para uma tarde chuvosa ou um fim de semana preguiçoso. Recomendo sem restrições
NOTA: este blog não está associado a qualquer editora ou livraria, não recebe livros nem incentivos para a promoção de livros.
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Primavera: Machado de Assis
14 10 2024Paisagem
Vicente Leite (Brasil, 1900 -1941)
óleo sobre madeira, 28 x 22 cm
“Nos climas ásperos, a árvore que o inverno despiu, é novamente enfolhada pela primavera, essa eterna florista que aprendeu não sei onde e não esquece o que lhe ensinaram”.
Machado de Assis
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Cigana, poesia de Armando Vieira da Silva
11 10 2024Ilustração de Miriam S. Hurford, para capa de Woman’s World, Setembro, 1931.
Cigana
Armando Vieira da Silva (1887-1940)
“Era uma vez uma cigana”… um dia,
Laura pediu-lhe que lhe lesse a sina,
E ela, a cigana, de contente ria,
Ante a mãozinha delicada e fina.
Fita-lhe o olhar e, débil e franzina,
Linha por linha, atentamente lia;
Um futuro de rosas à menina,
Tudo o que Laura desejar podia.
E disse aos pais: “Três vezes, meus senhores,
Aquele ipê se cobrirá de flores,
Para a menina se cobrir de um véu”.
Laura riu-se e corou. E um ano corre,
Outro mais, e um terceiro… a Laura morre…
— Foi, com certeza, se casar ano céu!…
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Era culpa delas…, texto de Selva Almada
9 10 2024Mulheres na praia
Sofia Dyminski (Rússia-Brasil, 1918-2011)
óleo sobre tela, 60 x 70 cm
“Elas chamavam por ele da calçada, duas das cinco irmãs, todas iguais, os cabelos compridos, altas e magras como garças. As vozes iguais, nem ele sabia distinguir.”
Em: Não é um rio, Selva Almada, Editora Todavia:2021
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Trova do esquecimento
8 10 2024
No trabalho em que me escudo,
lutando para viver,
tenho tempo para tudo,
menos para te esquecer.
(Lilinha Fernandes)
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Trova das rosas e espinhos
2 10 2024Ilustração, Harry Sundblom.
Enquanto eu tirava espinhos
das rosas que te ofertava,
deixavas nos meus caminhos
os espinhos que eu tirava…
(Izo Goldman)
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Feira, poema de Tasso da Silveira
30 09 2024Feira, 1988
Hector Carybe (Argentina-Brasil, 1911-1947)
gravura, 35 x 50 cm
Feira
Tasso da Silveira
Nos tabuleiros retangulares
as hortaliças úmidas
acabaram de nascer neste instante:
ainda palpitam do milagre da criação.
E ao seu mágico influxo
a multidão, em torno,
vibra numa alegria iluminada.
Vibra numa alegria
radiosa e plena,
como devem ter sido
as alegrias inaugurais
das primeiras manhãs do mundo.
Em: As imagens acesas: poemas 1924- 27, Tasso da Silveira, Rio de Janeiro, Annuario do Brasil:1928
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