Tomates, poema de Fabrício Corsaletti

30 10 2024

Tomates no saco plástico, 2009

Renato Meziat (Brasil, 1952)

óleo sobre tela, 60 x 80 cm

 

 

Tomates

 

 Fabrício Corsaletti

 

os tomates

fervendo na panela

meu pai minha mãe

na sala televisão

fiquei olhando

os tomates

estava frio o bafo

quente dos tomates

esquentava as mãos

 

 

saía da panela

já naquele dia

um cheiro

forte de passado





Como preencher o tempo, texto Clive Barker

28 10 2024

Jovem pensativo com crânio, 1898

Paul Cézanne (França, 1839-1906)

óleo sobre tela, 130 x 97 cm

Barnes Foundation

 

 

“O tempo seria precioso, daí em diante. continuaria a passar despercebido, é claro, como sempre, mas Harvey estava determinado a não desperdiçá-lo com suspiros e queixumes. Preencheria cada momento com as estações que encontrara no coração: esperança, como pássaros, nos ramos da Primavera; felicidade como um Sol quente de Verão; magia, como as inesperadas neblinas de Outono. E o melhor de tudo: o amor – amor suficiente para durar mil Natais.” 

 

Clive Barnes (Inglaterra, 1927-2008), The thief of always

 

 

 





Leitura breve…

28 10 2024
LIVRO CURTO QUE FAZ A DIFERENÇA

 

NÃO É UM RIO
Selva Almada
Editora Todavia, 2021
90 páginas

Vêm muitos feriados por aí em Novembro. Que tal dar um impulso nas leituras que são impactantes e adicionam? Fica a dica!





Trova popular, anônima

25 10 2024

Meu pai julga que me tem

fechadinha na varanda.

Coitadinho de meu pai

que bem enganado anda…

 

(Cultura popular)





“Versos de entreter-se”, poesia de Ferreira Gullar

23 10 2024

A vitória, 1939

René Magritte (Bélgica, 1898-1967)

óleo sobre tela, 73 x 54 cm

 

 

Versos de entreter-se

 

Ferreira Gullar

 

À vida falta uma parte

— seria o lado de fora —

pra que se visse passar

ao mesmo tempo que passa

 

e no final fosse apenas

um tempo de que se acorda

não um sono sem resposta.

 

À vida falta uma porta.

 

 

Em: Barulhos, Rio de Janeiro, José Olympio: 1987, p. 58





Leitura breve…

20 10 2024
LIVRO CURTO QUE FAZ A DIFERENÇA

Nadando de volta para casa

Deborah Levy

Editora Rocco: 2014

159 páginas





Dia a dia…

20 10 2024

 

RARO ENCONTRO

Algumas se conhecem há 15+ anos
Outras há pouco menos
Conversamos todos os dias, de tudo: das leituras às flores
Conhecemos umas às outras nas horas boas e não tão boas
Raramente nos encontramos em pessoa
Somos membros de um grupo nacional com sede em Pernambuco
Obra de Regina Porto Valença
Somos entusiastas divulgadoras da leitura
Já contribuímos para a formação de diversas bibliotecas em áreas carentes:  MG, PE, ES, BA entre outros estados.  Aqui está parte das cariocas, representantes do LIVRO ERRANTE

Em encontro há muito tempo prometido.

18/10/2024





Trova das guloseimas

18 10 2024

 

“Coma conosco, querida!”…

Confusa e num gesto tosco,

a moça, olhando a comida:

– Quero provar o “conosco”!

 

(Elisabeth Souza Cruz)





Lágrimas ocultas, poesia de Florbela Espanca

17 10 2024
Leitora, Joanne Grieve

 

 

Lágrimas ocultas

 

Florbela Espanca

 

Se me ponho a cismar em outras eras
Em que ri e cantei, em que era q’rida,
Parece-me que foi noutras esferas,
Parece-me que foi numa outra vida…

E a minha triste boca dolorida
Que dantes tinha o rir das Primaveras,
Esbate as linhas graves e severas
E cai num abandono de esquecida!

E fico, pensativa, olhando o vago…
Toma a brandura plácida dum lago
O meu rosto de monja de marfim…

E as lágrimas que choro, branca e calma,
Ninguém as vê brotar dentro da alma!
Ninguém as vê cair dentro de mim!

 

 

 





Como um dia de primavera: Marc Levy

16 10 2024

O diário de Sarah, c. 2010

Kevin Beilfuss (EUA, 1963)

óleo sobre placa, 31 x 46 cm

 

 

“Há dias iluminados por pequenas coisas, pequeninos nadas que nos tornam incrivelmente felizes; uma tarde a comprar antiguidades, um brinquedo antigo que encontramos no ferro-velho, uma mão que agarra a nossa mão, um telefonema de que não estávamos à espera, uma palavra doce, o filho que nos abraça sem pedir outra coisa senão um momento de amor.
Há dias iluminados por pequenos instantes de graça, um cheiro que nos enche a alma de alegria, um raio de sol que entra pela janela , o barulho de uma chuvada quando ainda estamos na cama, ou a chegada da Primavera e dos seus primeiros rebentos.”

 

Marc Levy, O primeiro dia, tradução de Jorge Bastos