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Formatura, ilustração de R. John Holmgren (1897-1963).
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Qual imagem, na redoma,
que sem a fé jamais cura,
de nada vale um diploma
sem o primor da cultura.
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(Alberto Fernando Bastos)
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Qual imagem, na redoma,
que sem a fé jamais cura,
de nada vale um diploma
sem o primor da cultura.
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(Alberto Fernando Bastos)
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A vida é barco sem remos
em mar sombrio a vagar.
Vamos nele e não sabemos
a que porto vamos dar.
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(Álvaro Faria)
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Adoração ao Menino Jesus, 1500
Ambrigui Bergognone (Itália, 1453-1523)
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Olavo Bilac
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Jesus nasceu. Na abóbada infinita
Soam cânticos vivos de alegria;
E toda a vida universal palpita
Dentro daquela pobre estrebaria…
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Não houve sedas, nem cetins, nem rendas
No berço humilde em que nasceu Jesus…
Mas os pobres trouxeram oferendas
Para quem tinha de morrer na Cruz.
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Sobre a palha, risonho, e iluminado
Pelo luar dos olhos de Maria,
Vede o Menino-Jesus, que está cercado
Dos animais da pobre estrebaria.
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Não nasceu entre pompas reluzentes;
Na humildade e na paz deste lugar,
Assim que abriu os olhos inocentes
Foi para os pobres seu primeiro olhar.
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No entanto, os reis da terra, pecadores,
Seguindo a estrela que ao presepe os guia,
Vem cobrir de perfumes e de flores
O chão daquela pobre estrebaria.
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Sobem hinos de amor ao céu profundo;
Homens, Jesus nasceu! Natal! Natal!
Sobre esta palha está quem salva o mundo,
Quem ama os fracos, quem perdoa o Mal!
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Natal! Natal! Em toda a Natureza
Há sorrisos e cantos, neste dia…
Salve Deus da Humildade e da Pobreza
Nascido numa pobre estrebaria.
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Em: Terra Bandeirante, 4º ano — pequena antologia sobre a terra, o homem e a cultura do estado de São Paulo, Theobaldo Miranda Santos, Rio de Janeiro, Agir:1954
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Vocabulário:
abóbada — teto arqueado
infinita — sem fim
oferendas — presentes
palpita — agita-se
pompa — luxo, riqueza
reluzente — brilhante
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Olavo Brás Martins dos Guimarães Bilac (RJ 1865 — RJ 1918 ) Príncipe dos Poetas Brasileiros – Jornalista, cronista, poeta parnasiano, contista, conferencista, autor de livros didáticos. Escreveu também tanto na época do império como nos primeiros anos da República, textos humorísticos, satíricos que em muito já representavam a visão irreverente, carioca, do mundo. Sua colaboração foi assinada sob diversos pseudônimos, entre eles: Fantásio, Puck, Flamínio, Belial, Tartarin-Le Songeur, Otávio Vilar, etc., e muitas vezes sob seu próprio nome. Membro fundador da Academia Brasileira de Letras. Criou a cadeira 15, cujo patrono é Gonçalves Dias. Sem sombra de duvidas, o maior poeta parnasiano brasileiro.
Obras:
Poesias (1888 )
Crônicas e novelas (1894)
Crítica e fantasia (1904)
Conferências literárias (1906)
Dicionário de rimas (1913)
Tratado de versificação (1910)
Ironia e piedade, crônicas (1916)
Tarde (1919); poesia, org. de Alceu Amoroso Lima (1957) e obras didáticas
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O suspiro é na verdade
um mensageiro cansado
que vai cheio de saudade
correndo atrás do passado.
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(Antônio Bittencourt)
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Liberdade é conviver
com sua própria razão,
sem a ninguém ofender,
nem magoar o coração.
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(Durval Lobo)
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Meu beijo é bem diferente
dos beijos que os outros dão:
eles beijam, simplesmente,
eu… beijo, com o coração.
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(Rômulo Cavalcante Mota)
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Opalescência, s/d
Lynn Renée Sanguedolce (EUA, 1959)
óleo sobre tela, 100 x 75cm
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Almeida Garret
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Minha Júlia, um conselho de amigo;
Deixa em branco este livro gentil:
Uma só das memórias da vida
Vale a pena guardar, entre mil.
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E essa n’alma em silêncio gravada
Pelas mãos do mistério há-de ser;
Que não tem língua humana palavras,
Não tem letra que a possa escrever.
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Por mais belo e variado que seja
De uma vida o tecido matiz ,
Um só fio da tela bordada,
Um só fio há-de ser o feliz.
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Tudo o mais é ilusão, é mentira,
Brilho falso que um tempo seduz,
Que se apaga, que morre, que é nada
Quando o sol verdadeiro reluz.
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De que serve guardar monumentos
Dos enganos que a esp’rança forjou?
Vãos reflexos de um sol que tardava
Ou vãs sombras de um sol que passou!
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Crê-me, Júlia: mil vezes na vida
Eu co’a minha ventura sonhei;
E uma só, dentre tantas, o juro,
Uma só com verdade a encontrei.
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Essa entrou-me pela alma tão firme,
Tão segura por dentro a fechou,
Que o passado fugiu da memória,
Do porvir nem desejo ficou.
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Toma pois, Júlia bela, o conselho:
Deixa em branco este livro gentil,
Que as memórias da vida são nada,
E uma só se conserva entre mil.
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Em: Folhas Caídas, Almeida Garrett, Porto, Editorial Domingos Barreira: s/d
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Pequeno encanto
Donald Zolan (EUA, contemporâneo)
óleo sobre tela
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Bastos Tigre
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Por sobre as ramas da árvore coleia
A lagarta. E a colear, viscosa e lenta,
O seu aspecto as vistas afugenta
E de tocá-la a gente se arreceia.
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Verde-negra, amarela, azul, cinzenta,
Quando o sol as folhagens incendeia,
Sobe a aquecer-se, e à luz solar, aumenta
O asco de vê-la repulsiva e feia.
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Mas eis que a encerra do casulo a tumba;
Não penseis que, de todo, ela sucumba
No seu sepulcro eternamente presa.
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Qual, do corpo, alma livre, desprendida,
É borboleta: evola-se a outra vida,
Voando feliz, na glória da beleza.
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Em: Antologia Poética, Bastos Tigre, volume I, Rio de Janeiro, Ed. Francisco Alves:1982
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Cochicho, ilustração Anni Matsick.–
Falar mal da vida alheia
é coisa que não convém;
quem tem telhado de vidro
não fustiga o de ninguém…
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(Alberto Isaías Ramires)
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Mauro Mota
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A caixa de letras.
Minha filha brinca.
Espalha-as na mesa,
compõe as palavras,
pessoas e coisas,
plantas e animais,
deslizam na mesa
consoantes, vogais.
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A caixa de letras
de matéria plástica,
brancas, amarelas,
vermelhas e pretas.
Minha filha brinca,
os nomes desfaz,
faz os objetos,
as letras empilha,
no mundo alfabético,
consoantes, vogais.
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Do O faz a cara
limpa da boneca
com os olhos bulindo
dos pontos dos i i .
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Do Q faz a rosa
suspensa no talo.
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Lápis e papel,
mas o poema informe.
As letras, as letras
brancas e amarelas,
vermelhas e pretas.
Que faço com elas?
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Em: Antologia Poética, Mauro Mota, Rio de Janeiro, Editora Leitura:1968
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Mauro Ramos da Mota e Albuquerque (Nazaré da Mata, 16 de agosto de 1911 — Recife, 22 de novembro de 1984) foi um jornalista, professor, poeta, cronista, ensaísta e memorialista brasileiro.
Obras:
Elegias (1952)
A tecelã (1956)
Os epitáfios (1959)
Capitão de Fandango (1960, crônica)
O galo e o cata-vento, (1962)
Canto ao meio (1964)
O Pátio vermelho: crônica de uma pensão de estudantes (1968, crônica)
Poemas inéditos (1970)
Itinerário (1975)
Pernambucânia ou cantos da comarca e da memória (1979)
Pernambucânia dois (1980)
Mauro Mota, poesia (2001)
Antologia poética, 1968
Antologia em verso e prosa, 1982.