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Mickey quer ser pintor, ilustração de Walt Disney.
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O bom pintor, quando pinta
para dar vida à aquarela,
põe mais amor do que tinta
no sentimento da tela.
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(José Lucas de Barros)
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Mickey quer ser pintor, ilustração de Walt Disney.–
O bom pintor, quando pinta
para dar vida à aquarela,
põe mais amor do que tinta
no sentimento da tela.
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(José Lucas de Barros)
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Cecília Meireles
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Quem me compra um jardim com flores?
Borboletas de muitas cores,
lavadeiras e passarinhos,
ovos verdes e azuis nos ninhos?
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Quem me compra este caracol?
Quem me compra um raio de sol?
Um lagarto entre o muro e a hera,
uma estátua da Primavera?
–
Quem me compra este formigueiro?
E este sapo, que é jardineiro?
E a cigarra e a sua canção?
E o grilinho dentro do chão?
–
(Este é o meu leilão.)
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Pássaros na cidade, ilustração de Alice Martin.–
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Reynaldo Valinho Alvarez
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Amo tanto esses pássaros da rua,
que vivem como vivo na fumaça,
protagonistas da paisagem baça.
Respiram, como eu próprio, esta mistura,
feita do que há de pior nas criaturas.
No ar, há certo escândalo na graça
com que apesar de tudo, ainda cantam.
O pássaro que passa ara seu vôo
com precisão estética e ultrapassa
o meu próprio desejo de ser livre.
Que preço tem a liberdade? Certo,
o bem-te-vi da esquina, empoleirado
numa antena prosaica, sabe mais
do que posso saber, já que não vôo.
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Em: Galope do Tempo, Reynaldo Valinho Alvarez, Rio de Janeiro, Tempo Brasileiro: 1997, p. 79.
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Pescadores, ilustração Walt Disney.–
Do peixe, como eu dizia,
sem pretensão de iludi-los,
somente a fotografia
pesava mais de oito quilos!
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(José Machado Borges)
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Luísa Ducla Soares
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Cai a chuva, ploc, ploc
corre a chuva ploc, ploc
como um cavalo a galope.
Enche a rua, plás, plás
esconde a lua, plás, plás
e leva as folhas atrás.
Risca os vidros, truz, truz
molha os gatos, truz, truz
e até apaga a luz.
Parte as flores, plim, plim
maça a gente plim, plim
parece não ter mais fim.
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Em: A Gata Tareca e Outros Poemas Levados da Breca, Luísa Ducla Soares, Teorema: 1990
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Cartão postal, com ilustração de Margret Boriss.–
Carteiro, ao fazer a entrega
das cartas, de porta em porta,
o pranto e o riso carrega
nos segredos que transporta.
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(Jacy Pacheco)
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Casamento, ilustração Arthur Sarnoff.–
Deu-lhe o sogro uma gravata…
– E a sua emoção foi tanta
que casou antes da data,
sentindo um nó na garganta!…
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(Manuel de Oliveira Costa)
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Caquis e uvas, s/d
Jean Xanthakos (Brasil, 1936 (?))
óleo sobre madeira
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Ah! Os caquis,
esses tomates inflados.
Os caquis,
esses pneus assanhados,
risonhos, safados,
que nos convidam a morder
sua carne aguada, açucarada.
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Os caquis,
vítimas da nossa voracidade.
Os caquis,
que se abrem à primeira dentada,
docemente, docilmente,
feito fêmea dominada.
–
Ah! Os caquis já vão-se embora.
Despeço-me deles agora.
Mas não faz mal,
estou satisfeita,
esperando a próxima colheita.
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Em: Respostas ao criador das frutas, Sônia Carneiro Leão, Recife, Editora da autora: 2010
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Sônia Carneiro Leão nasceu no Rio de Janeiro, mas reside em Recife. Psicanalista, escritora, poetisa, contista e tradutora.
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Pato Donald se lembra dos últimos Carnavais, ilustração Walt Disney.–
O Carnaval já vai alto,
com desfiles no sereno…
Minha alma rola no asfalto,
sambando atrás do moreno.
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(Ilza Tostes)
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Ilustração de Isabelle Arsenault.–
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Il est perdu jadis.
Mais il est vivant encore.
Maintenant et toujours.
SAINT-JOHN PERSE
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João Manuel Simões
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São dois meninos.
Coexistem em mim
constantemente:
o adulto terrestre
e o jovem alado,
seu mestre.
Inquilinos,
até o fim,
um dos quartos da mente,
outro do corpo cansado.
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Em: Poemas da infância: antologia poética, João Manuel Simões, Curitiba, HDV:1989