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Ilustração de Walt Disney.
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Rico e pobre, companheiro,
sempre fui, conforme explico:
sempre pobre de dinheiro,
de esperança — sempre rico.
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(José Nogueira da Costa)
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Ilustração de Walt Disney.–
Rico e pobre, companheiro,
sempre fui, conforme explico:
sempre pobre de dinheiro,
de esperança — sempre rico.
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(José Nogueira da Costa)
Cebolinha e Cascão esperam sua hora no consultório médico lendo gibis, ilustração Maurício de Sousa.
Se o livro a ler nos convida,
devemos reconhecer:
— no livro aberto da vida
é que se aprende a viver.
(Álvaro Faria)
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Cartão postal com pedinte em porta de igreja, cerca 1900. Alemanha.–
Pobres, de bolsos vazios,
não é a vós que eu lamento!
Lastimo os pobres de espírito,
vazios de pensamento…
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(Manuel de Araújo Peres)
Edmond Charles Tarbell (EUA, 1862-1938)
óleo sobre tela, 31 x 27 cm
Tema: Tudo que eu gostaria de ter dito
Faz hoje um ano.
Só agora sei o que deveria ter dito.
Por que sempre se pensa melhor
Quando as emoções já se abrandaram?
De que adianta agora saber a resposta perfeita?
De que adianta escrever todas as razões,
As pontuações? As causas e condições?
Se o tempo já passou, se a vida já mudou,
e o passado não volta mais?
Visão perfeita é sempre a do espelho retrovisor,
mas não andamos para trás, a não ser na sexta dimensão.
Assim, escrevo aqui tudo o que deveria ter dito, há um ano,
Pego um fósforo e torno em cinzas a mágoa pelo que não fiz.
É tempo de recomeçar.
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©Ladyce West, Rio de Janeiro, 2014
Rosângela Marassi (Brasil, contemporânea)
Óleo sobre tela
Não me venha falar de tristeza
quando fala do sertão do Cariri.
Se você diz que a paisagem é cinza
é porque não conhece o sertão
patriótico na paisagem:
alegre, em flor, verde e amarelo.
É porque nunca viu o sertão de setembro;
o sertão dos ipês de puro ouro
salpicando felicidade na estação que se inicia.
Esses ipês renovam as esperanças no futuro
e alimentam a chama do amor à terra.
Quando vir as cores do sertão florado
Entenderá porque a bandeira do país
tremula no horizonte, lembrando o Cariri.
© Ladyce West, Rio de Janeiro, 2014
Carol Kossak (Brasil, 1895-1976)
óleo sobre tela, 38 x 46 cm
Tema: O mar
Respeito o mar, sua força, sua paixão.
É profundo, imoderado, impetuoso e potente.
Cruel, enérgico, aniquilador e intenso.
Mar sereno não existe. É uma máscara.
Por trás da superfície calma há uma pujança brutal.
Ele hipnotiza e seduz. Mas é um mau amante.
É agressivo, destruidor, cruel. Feroz.
É o que há de mais selvagem em minha vida.
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Suas ondas acarinham a areia para seduzir.
“Molhe os pés, que belos tornozelos”, parece dizer.
“Venho beijar-te; não me canso de beijar-te.”
E no descuido, genioso e irritadiço, encapelado e bravio
Ele te leva, te ingere, te traga.
Ele te engole, te sorve, te consome e devora.
O mar, imenso, azul, verde, cinzento, faminto, enigmático e feroz
É o que há de mais selvagem em minha vida.
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©Ladyce West, Rio de Janeiro, 2014.
Tema de hoje: Velhice
A velhice me disse
Que iria chegar.
Achei cretinice
Cabelos grisalhos
Meu pai já os tinha
Sem mesmo trintar.
A velhice me disse
Que se aproximava.
Que grande tolice!
Óculos de perto
eu já os usava
em criança, é certo.
A velhice me disse
Que batia à porta,
Que grande chatice!
Doíam-me as juntas?
E os calos nos pés?
Por que me pergunta?
A velhice me disse
Que já me pegara
Mas que rabugice!
Abriu minha porta
Fechou-me a aorta
E deu-me por morta.
©Ladyce West,Rio Janeiro,2014
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Onde está indo, minha linda menina? — ilustração de Walter Crane.–
Marcados por desenganos,
na busca de um céu aberto,
meus olhos são quais ciganos,
nunca têm destino certo.
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(Ilza Tostes)
O corredor de velocípede. Autor desconhecido, possivelmente russo.
Tema: infância
Com um chapéu de jornal
Em seu triciclo vermelho
Miguel comemora o Natal
Se esquecendo do conselho
De João, irmão mais velho:
“Preste muita atenção!
Há problemas no jardim,
Perto da antiga paineira
Tem desnível quase certo,
Um descuido e um belo tombo
Acabam com a brincadeira”.
Miguel não se preocupa
Pedala entregue ao seu sonho,
Corpo e alma em disparada,
Reproduzem a corrida
Que na sua imaginação
Lembra a da televisão.
Passeia pelo jardim
Faz curvas de um lado a outro,
Veloz, parece ter asas.
De repente, eis que surge,
O buraco da paineira.
Invés de se desviar,
Cuidadoso como urge,
Miguel se imagina voar
Acelera e sem olhar
Vai ao chão, ponta-cabeça.
Foi um “Deus nos acuda!”
A família surpreendida
Pelos gritos da criançada,
Veio correndo de casa.
Estatelado no chão
Mais surpreso que ferido
Miguel sem perder o estilo
Ainda contou vantagem!
O corte no joelho direito
Precisou de intervenção
Foram três pontos pequenos
E uma grande bandagem,
Que Miguel logo tornou
Em medalha de coragem!
©Ladyce West, Rio de Janeiro, 2014
A carta de amor
Mark Spain (Inglaterra, 1962)
óleo
Tema: Azul
Silvia Nice
Eu sei de cor
Mar, luar, firmamento,
presentes já no paraíso,
cor primária e cor-pigmento
Adão e Eva já sabiam disso?
É cor de menino, é a cor de planetas,
está na bandeira, mas uso em caneta
é bebê, é petróleo, é turquesa, é marinho,
é safira, é viagra, é até ararinha
Se nos olhos, beleza
No sangue, nobreza
Dos quadrinhos pras lentes
é a cor mais quente
Na TV fez sucesso
mas já deu, tô de boa,
meu humor se perdeu
naquela tal Lagoa
Figurando no cine
pintou os sets
quis se destacar
com legenda, foi Jasmine
coloriu a Smurfette
e em 3D foi Avatar
Escravos libertos do plantio do algodão
aliviavam a dor de seus corpos nus
clamavam com a voz do coração
o olhar divino cantando Blues
Estimula mesmo a criatividade
olha só o pinguinho de tinta
no papel da Aquarela
Mas não posso negar a verdade
das sete cores do arco
eu prefiro a amarela.
Nathalya Delgado
Cores se igualam a amores.
Cores se incluem a lugares.
Cores se espalham pelos mares.
Cores que alegram os lares.
Uma cor decora meus amores.
Uma cor se integra aos meus lugares
Uma cor encanta os meus mares.
Uma cor se destaca nos meus lares.