Ingenuidade, poesia de Olavo Nunes

24 07 2014

 

colheita de frutas 3

 

Ingenuidade

 

Olavo Nunes

 

Brincam alegres, faceiros,
Pelos jardins, descuidosos,
Os dois priminhos formosos,
Trocando ditos brejeiros.

Depois estacam ligeiros
A contemplar desejosos
Os belos frutos cheirosos
Dos pendentes cajueiros.

Diz ele maliciosamente,
Por entre um riso de gozo:
Trepa, priminha… e os colhe…

– E ela, ingênua, as faces ternas,
Prende o vestido entre as pernas
E diz, subindo: – Não olhe…

 

 

Em: A lira na minha terra: poetas antigos e contemporâneos no Pará, Clóvis Meira, Belém: 1993, p. 315

 

 

Francisco Olavo Guimarães Nunes, pseudônimos: José-Boêmio, José do Egito, Carlos Heitor, Carlos Augusto. Promotor público e poeta. Nasceu no Pará em 1871, faleceu em 1942.

 

Obras:

Musa Vadia, poesia, 1929

Sua obra ainda se encontra esparsa pelas muitas publicações para as quais foi contribuinte.





Trova da saudade

23 07 2014

 

 

 

varanda,FruitGardenAndHome1924-06Capa da revista Fruit, Garden & Home, junho de 1924 [EUA].

 

Mandei a ilusão embora.

A saudade quis entrar.

Há tanto espaço lá fora

mas ela insiste em ficar.

 

(Zeni de Barros Lana)

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Trova do uniforme

20 07 2014

 

 

???????????????????????????????Irmão Metralha consulta um atlas à procura do tesouro do tio Patinhas, ilustração Walt Disney.

 

Que elegante está você!

Este pijama é perfeito!

Só não entendo porque

tantos números no peito!???

 

 

(José Ouverney)





Quadrinha do meu pai

13 07 2014

 

pai lendo

 

Pai querido, o imagino

com sua mão calejada,

lá no Infinito, um menino,

reflorindo a minha estrada! …

 

 

(Adelir Machado)





Canção de junto do berço, poesia de Mário Quintana

11 07 2014

 

 

bebe dormindo, Frances Tipton Hunter (1896 – 1957, American)Bebê dormindo, ilustração Frances Tipton Hunter (EUA, 1896 – 1957)

 

 

 

Canção de junto do berço

Mário Quintana

 

Não te movas, dorme, dorme

O teu soninho tranquilo.

Não te movas (diz-lhe a Noite)

Que inda está cantando um grilo…

 

Abre os teus olhinhos de ouro

(o Dia lhe diz baixinho).

É tempo de levantares

Que já canta um passarinho…

 

Sozinho, que pode um grilo

Quando já tudo é revoada?

E o Dia rouba o menino

No manto da madrugada…

 

 

Em: Poesia fora da estante, Vera Aguiar, Simone Assumpção e  Sissa Jacoby, 13ª edição, Porto Alegre, Projeto: 2007, p.19

 

 





Quadrinha do navio

3 07 2014

navio no mar, 1935,anton otto fischerIlustração, navio no mar, 1935, Anton Otto Fischer.

Navio, leve-me longe…

Leve-me às brumas do além.

Por lá, meu amor se esconde,

sem ter quem lhe queira bem.

(Nair Starling)

 

 

 

 





A mochila, poesia de Reynaldo Valinho Alvarez

30 06 2014

 

 

elizabeth beckerIlustração de Elizabeth Becker.

 

 

A mochila

Reynaldo Valinho Alvarez

 

Carrego na mochila, entre outros trastes,

três ou quatro verdades importantes.

O resto é de mentiras. São contrastes

que entrego às outras partes contrastantes.

A lira não me vale. São desastres

o que encontro nos outros caminhantes.

Na terra devastada, erguem-se as hastes

das lanças e dos canos fumegantes.

A mochila me pesa. As três verdades

ou quatro, já não sei, não pesam tanto,

mude-se o tempo e mudem-se as vontades.

O que me dói ou pesa, ou o que é um espanto

é que um modesto grama de inverdades

valha um tonel de torpe desengano.

 

 

Em: Galope do tempo, Reynaldo Valinho Alvarez, Rio de Janeiro, Tempo Brasileiro: 1997, p. 55





Milagres, poesia de Domingos Pellegrini

27 06 2014

Natureza morta, 2008

Florêncio [Carlos José dos Santos] (Brasil, 1947)

óleo sobre tela, 60 x 80 cm

Milagres

Domingos Pellegrini

O milagre da uva

virar vinho

e o vinho virar

vinagre

O milagre da flor

virar semente

e a semente virar

uma baita árvore

O milagre das pedras

sua lenta vida

rocha virando areia

E o milagre dos astros

o universo tecido

de órbitas e estrelas.

Em: Gaiola aberta: 1964-2004, Domingos Pellegrini, Rio de Janeiro, Bertrand Brasil: 2005





Trova sobre a riqueza

26 06 2014

???????????????????????????????Ilustração de Walt Disney.

Rico e pobre, companheiro,

sempre fui, conforme explico:

sempre pobre de dinheiro,

de esperança — sempre rico.

(José Nogueira da Costa)

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Trova do livro da vida

23 06 2014

 

 

???????????????????????????????Cebolinha e Cascão esperam sua hora no consultório médico lendo gibis, ilustração Maurício de Sousa.

 

 

Se o livro a ler nos convida,

devemos reconhecer:

— no livro aberto da vida

é que se aprende a viver.

 

 

(Álvaro Faria)

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