Sublinhando…

27 11 2015

 

Armand Rassenfosse (Bélgica, 1862-1934)Leitura, c. 1925, ospapelãoLeitura, década 1920

Armand Rassenfosse (Bélgica, 1862-1934)

óleo sobre papelão

 

 

“Vim do nada… sou nada… e para o nada
Um dia volverei quando morrer…
Fui névoa da manhã… fui madrugada,
Meio-dia já fui… entardecer…”

 

Ivete Cunha Ribeiro dos Santos (Brasil, 1887-?) en Certeza, Meus Versos, 1927.

 





Trova humorística do recruta

22 11 2015

 

soldado, 1926, ruth egerIlustração Ruth Eger, 1926.

 

 

Ao recruta João Leal

indaga o cirurgião:

– Onde é que te sentes mal?

Diz ele: – No batalhão!

 

(Severino Uchôa)





Trova das mentiras

19 11 2015

 

mulher de chapéuDesconheço a autoria da ilustração.

 

Do dia a dia na cena

a verdade não prefiras,

que a vida só vale a pena

por suas lindas mentiras.

 

 

(Gilka Machado)

 





Amendoeiras, poesia de J. G. de Araújo Jorge

17 11 2015

 

praça paris, sandra nunesPraça Paris, Rio de Janeiro, 2008

Sandra Nunes (Brasil, contemporânea)

óleo sobre tela,  40 x 90 cm

www.sandranunes.com

 

 

 

Amendoeiras

 

J. G. de Araújo Jorge

 

 

No mês de julho, todo ano, as amendoeiras da minha rua

mudam de roupa.

 

Despojam-se de repente das velhas folhas

enferrujadas

e abrem outras tão verdes como se o criador acabasse de

tocá-las…

 

 

Em: A outra face, J. G. de Araújo Jorge, Rio de Janeiro, Vecchi:1958, 2ª edição, p. 141





Lira Itabirana, poesia Carlos Drummond de Andrade

15 11 2015

 

 

Holmes Neves - Paisagem Mineira - 1984 - O.S.T - a.c.i.e. - 50x61 cm - Medidas com moldura 53,5x64 cmPaisagem mineira, 1984

Holmes Neves (Brasil, 1925)

óleo sobre tela, 50 x 61 cm

 

 

Lira Itabirana

 

 

Carlos Drummmond de Andrade

 

 

I

O Rio? É doce.

A Vale? Amarga.

Ai, antes fosse

Mais leve a carga.

 

II

Entre estatais

E multinacionais,

Quantos ais!

 

III

A dívida interna.

A dívida externa

A dívida eterna.

 

IV

Quantas toneladas exportamos

De ferro?

Quantas lágrimas disfarçamos

Sem berro?

 

(1984)
PS: Agradeço aos leitores que me mandaram esta poesia de Drummond tão preciosa nos dias de hoje.




Azulejo, poesia de Wilson W. Rodrigues

13 11 2015

 

portugak-azulejos-igreja-do-bonfim-in-salvador-Fuga para o Egito, século XVIII

Azulejos portugueses

Igreja de Nosso Senhor do Bonfim, Salvador

 

 

Azulejo

 

Wilson W. Rodrigues

 

 

Roubei azulejo antigo

de um convento na Bahia.

Tirei da vida de Cristo

a figura de Maria,

 

Para botar no oratório

de meu quarto de dormir,

e poder rezar feliz,

e sonhar sempre a sorrir…

 

Não passaram sete luas,

não passaram sete auroras,

o meu azulejo antigo,

devoção de minhas horas,

 

Do oratório foi roubado,

quem foi o ladrão não sei…

Fui rezar lá no convento

e meu azulejo achei…

 

Louvado seja o ladrão

Que fez Maria voltar

para junto de Jesus

no Calvário a caminhar…

 

Votei mais puro pra casa

rezei uma prece aos céus.

Nossa Senhora é mais bela

a chorar junto de Deus.

 

 

Em: Bahia Flor : poemas, Rio de Janeiro, Editora Publicitan:1949, pp: 107-108





Trova do pescador

10 11 2015

 

 

pesca donaldPato Donald vai pescar, ilustração de Walt Disney.

 

Na pesca, era o Chico Armando

o maior…pescava aos feixes…

até que o pesquei…pescando

num Entreposto de Peixes…

 

(João Freire Filho)





Sei um ninho, poema de Miguel Torga

9 11 2015

 

perecastor-coucou-ill-illustrated by Feodor Stepanovich Rojankovsky, Rojan.Ilustração de um dos livros “Père Castor”, com ilustração provável de Feodor Stepanovich Rojankovsky, conhecido como Rojan.

 

 

Sei um ninho

 

Miguel Torga

 

 

Sei um ninho.

E o ninho tem um ovo.

E o ovo, redondinho,

Tem lá dentro um passarinho Novo.

Mas escusam de me atentar:

Nem o tiro, nem o ensino.

 

Quero ser um bom menino

E guardar

Este segredo comigo.

E ter depois um amigo

Que faça o pino

A voar…





Trova das horas contadas

3 11 2015

 

 

moça à noite, Ilustração F Cayley RobinsonMoça à noite, ilustração de F. Cayley Robinson.

 

 

Nos dedos eu conto as horas,

não sei contar diferente,

mas, hoje, sei que demoras

bem mais do que antigamente.

 

(Amália Max)





Caixinha mágica, poesia infantil de Roseana Murray

2 11 2015

 

 

presente jose luis merino, presenteIlustração de José Luís Merino.

 

 

Caixinha mágica

Roseana Murray

 

Fabrico uma caixa mágica
para guardar o que não cabe
em nenhum lugar:
a minha sombra
em dias de muito sol,
o amarelo que sobra
do girassol,
um suspiro de beija-flor,
invisíveis lágrimas de amor.

 

Fabrico a caixa com vento,
palavras e desequilíbrio,
e para fechá-la
com tudo o que leva dentro,
basta uma gota de tempo.

 

O que é que você quer
esconder na minha caixa?

 

Em: Fábrica de poesia, Roseana Murray, São Paulo, Scipione: 2008