A enxadinha
Faria Neto
Minha enxadinha
trabalha bem;
corta matinhos
num vai-e-vem.
Minha enxadinha
vai descansar
para amanhã
recomeçar.
Adeus, rocinha!
Adeus, trabalho!
A vós, plantinhas
o doce orvalho.
Faria Neto
Minha enxadinha
trabalha bem;
corta matinhos
num vai-e-vem.
Minha enxadinha
vai descansar
para amanhã
recomeçar.
Adeus, rocinha!
Adeus, trabalho!
A vós, plantinhas
o doce orvalho.
Não sei se vá ou se fique,
Não sei se fique ou se vá,
Indo lá não fico aqui,
Ficando aqui não vou lá.
(Clevane Pessoa de Araújo Lopes)
Composição, 1957
Antônio Bandeira (Brasil, 1922 – 1967)
óleo sobre tela, 90 x 90 cm
W. H. Auden
Stop all the clocks, cut off the telephone,
prevent the dog from barking with a juicy bone,
silence the pianos and, with muffled drums,
bring out the coffin, let the mourners come.
Let airplanes circle moaning overhead
scribbling on the sky the message: he’s dead.
Put crepe-bows round the white necks of the public doves,
let the traffic policemen wear black cotton gloves.
He was my North, my South, my East and West,
my working week, my Sunday rest,
my noon, my midnight, my talk, my song.
I thought that love would last forever; I was wrong.
The stars are not wanted now, put out every one.
Pack up the moon, dismantle the sun.
Pull away the ocean and sweep up the wood.
For nothing now can ever come to any good.
Em: Tell me the truth about love: ten poems, W. H. Auden, Vintage: 1994
TRADUÇÂO I
Parem já os relógios, corte-se o telefone,
dê-se um bom osso ao cão para que ele não rosne,
emudeçam pianos, com rufos abafados
transportem o caixão, venham enlutados.
Descrevam aviões em círculos no céu
a garatuja de um lamento: Ele Morreu.
no alvo colo das pombas ponham crepes de viúvas,
polícias-sinaleiros tinjam de preto as luvas.
Era-me Norte e Sul, Leste e Oeste, o emprego
dos dias da semana, Domingo de sossego,
meio-dia, meia-noite, era-me voz, canção;
julguei o amor pra sempre: mas não tinha razão.
Não quero agora estrelas: vão todos lá para fora;
enevoe-se a lua e vá-se o sol agora;
esvaziem-se os mares e varra-se a floresta.
Nada mais vale a pena agora do que resta.
tradução de Vasco Graça Moura
TRADUÇÂO II
Parem todos os relógios, que os telefones emudeçam.
Para calar o cachorro, um bom osso lhe ofereçam.
Silenciem os pianos, e em surdina os tambores
Acompanhem o féretro. Venham os pranteadores.
Que aviões a sobrevoar em círculos lamurientos
Rabisquem no céu o Anúncio de Seu Falecimento.
Que nas praças as pombas usem coleiras de crepe, em luto,
E os guardas de trânsito calcem luvas negras em tributo.
Ele foi meu norte, meu sul, meu nascente, meu poente.
Foi o labor da minha semana, meu domingo indolente.
Foi meu dia, minha noite, meu falar e meu cantar.
Julguei ser o amor infindo. Como pude assim errar?
Já não me importam as estrelas: fique o céu todo apagado.
Empacotem e embrulhem a lua; seja o sol desmantelado.
Esvaziem os oceanos, do mundo sejam as florestas varridas.
Porque agora, para mim, nada resta de bom nesta vida.
tradução de Humberto Kawai
Vendo num retrato antigo
meu rosto arteiro e bem liso,
concluo: rugas, amigo,
é quanto custa o juízo.
(Maurício Cardoso Faria)
Foste embora e por maldade
deixaste a troco de nada,
rastros da tua saudade
em cada curva da estrada!…
(Marilúcia Resende)
Visitas, meu camarada,
sempre dão prazer à vida:
não sendo quando à chegada,
será, por certo, à saída…
(Pedro Uzzo)
Perdoa se fui ousado…
Não estou arrependido!
Quem ama, não tem pecado,
pecado… é o tempo perdido!
(Alba Helena Corrêa)
Mui decentes eu não acho
teus vestidos minha prima:
são altos demais em baixo,
são baixos demais em cima!
(Belmiro Braga)