Uma vez tu me beijaste
e eu fiquei pobrezinha,
porque num beijo levaste
todos os beijos que eu tinha.
(Alda Pereira Pinto)
Uma vez tu me beijaste
e eu fiquei pobrezinha,
porque num beijo levaste
todos os beijos que eu tinha.
(Alda Pereira Pinto)
Pausa
Iman Maleki (Irã, 1976)
óleo sobre tela
Shakespeare é o poeta mais lido de todos os tempos. Isso não deve ser novidade para ninguém. Mas você sabe quais são os poetas em segundo e terceiro lugares na popularidade? O segundo poeta mais lido no mundo é o sábio taoista Lao Tzu. Em terceiro lugar fica o poeta libanês que adotou a cidadania americana, Kahlil Gibran.
Que seria deste mundo,
não fosse o livro existir?
Seria treva o passado,
um sol sem brilho o porvir.
(Elpídio Reis)
O vento, com pé macio,
passou pelo meu jardim,
e como guri vadio,
nas minhas rosas deu fim.
(Carlos Ribeiro Rocha)
Reynaldo Valinho Alvarez
um domingo uma tarde um menino na rua
e à frente como um sol uma bola de cor
enquanto acima o sol real se espreguiçando
cai sobre o tempo morno e absorto do passado
em lentas gotas rubras num solene rio
um domingo uma tarde uma árvore frondosa
irrompendo na rua como um cone verde
enquanto as aves chamam o parceiro ausente
e os muros alvacentos gritam sob a luz
o prazer de brilhar na mornidão tranquila.
como pedir ao tempo
escasso e errante pingo
que fixe para sempre
a tarde de domingo?
Em: A faca pelo fio: poemas reunidos, Reynaldo Valinho Alvarez, Rio de Janeiro, Imago: 1999, p.12
Assisto à copa e me zango
vendo a cena inusitada:
Uma só nota do tango
vence as onze da lambada!
(Pedro Ornellas)

Luz na mata
Alexandre Reider (Brasil, 1973)
óleo sobre tela
Olegário Mariano
As vozes que nos vêm da natureza
Traduzem sempre um mútuo sentimento.
Cantam as frondes pela voz do vento,
Pelo manancial canta a represa.
Pelas estrelas canta o firmamento
Nas suas grandes noites de beleza.
Cada nota a outra nota vive presa,
É um pensamento de outro pensamento.
Pelas folhas murmura a voz da estrada,
Pelos salgueiros canta a água parada
E o amigo sol, apenas se levanta,
Jogando o manto de ouro ao céu deserto,
Chama as cigarras todas para perto,
Que é na voz das cigarras que ele canta.
Em: Toda uma vida de poesia — poesias completas, Olegário Mariano, Rio de Janeiro, José Olympio: 1957, volume 1 (1911-1931), p. 158.
Albércio Vieira Machado
Pela cauda preso ao galho,
ele faz o seu trabalho:
com as mãos faz o “diabo!”
Porém, nós, que não o fazemos,
com inveja, então dizemos:
— Quanta falta faz um rabo!
Em: Poetas do Brasil, organização Aparício Fernandes, 4º volume, Rio de Janeiro, Folha Carioca: 1979, p. 31
As perucas diferentes,
que a vaidade lhe requer,
dão-me adultérios frequentes
com minha própria mulher!
(Antonio Carlos Teixeira Pinto)
Na infância, festa de cores,
tudo era encanto e magia
e eu via muito mais flores
além das tantas que havia.
(Pedro Ornellas)