Ilustração,Walt Disney Studio.
Como o sino que não soa,
como a lâmpada sem luz,
de que vale uma pessoa
que nada de útil produz?
(J. B. Mello e Souza)
Como o sino que não soa,
como a lâmpada sem luz,
de que vale uma pessoa
que nada de útil produz?
(J. B. Mello e Souza)
A morte não é tristeza,
é fim… É destinação…
Tristeza é ficar na vida
depois que os sonhos se vão…
(Adelmar Tavares)
Cleonice Rainho
Nosso jardim é uma festa
de borboletas:
pequenas e grandes,
listradas,
amarelas e pretas
e uma pintadinha
que é uma graça.
Mas a azul, azulzinha,
a preferida,
é como se fosse
minha filhinha:
vi-a nascer da lagarta,
virou crisálida,
depois borboleta.
Quando voou
pela primeira vez
bati palmas: Vivô!!!
Voa e volta leve,
azul, azulzinha
e pousa num cacho
de rosas brancas
sua casinha.
Às vezes se ajeita,
mansinha,
tomando a forma
de um coração.
Seu corpo sedoso,
macio,
parece vestido
com pano do céu.
Alberto Caeiro
Passa uma borboleta por diante de mim
E pela primeira vez no Universo eu reparo
Que as borboletas não têm cor nem movimento,
Assim como as flores não têm perfume nem cor.
A cor é que tem cor nas asas da borboleta,
No movimento da borboleta o movimento é que se move,
O perfume é que tem perfume no perfume da flor.
A borboleta é apenas borboleta
E a flor é apenas flor.
Em: O Guardador de Rebanhos, Fernando Pessoa, [Poemas de Alberto Caeiro], 10ª edição, Lisboa, Ática:1993, p. 64
Carnaval: dança e alegrias,
que têm o dom surpreendente
de sepultar, por três dias,
todas as mágoas da gente!
(P. de Petrus)
Assustado, constatou,
após dias de folia,
que a bruxa de quem gostou
não usava fantasia.
(Maria Bicalho Brandt)
Para que um carnaval
com três dias de folia,
pois se a vida é afinal,
grande baile à fantasia?
(Renato Vieira da Silva)

Sem resposta que conforte,
dúvida imensa me corta:
Qual o segredo da morte?
Fim? Partida? Porto? Porta?
(Alonso Rocha)
Mulher lendo
Mordecai Lavanon (Romênia-Israel, 1901-1968)
óleo sobre tela, 71 x 59 cm
Adalgisa Nery
Abro os olhos, não vi nada
Fecho os olhos, já vi tudo.
O meu mundo é muito grande
E tudo que penso acontece.
Aquela nuvem lá em cima?
Eu estou lá,
Ela sou eu.
Ontem com aquele calor
Eu subi, me condensei
E, se o calor aumentar, choverá e cairei.
Abro os olhos, vejo um mar,
Fecho os olhos e já sei.
Aquela alga boiando, à procura de uma pedra?
Eu estou lá,
Ela sou eu.
Cansei do fundo do mar, subi, me desamparei.
Quando a maré baixar, na areia secarei,
Mais tarde em pó tomarei.
Abro os olhos novamente
E vejo a grande montanha,
Fecho os olhos e comento:
Aquela pedra dormindo, parada dentro do tempo,
Recebendo sol e chuva, desmanchando-se ao vento?
Eu estou lá,
Ela sou eu.
Poemas, Adalgisa Nery, Rio de Janeiro, Imprensa Nacional:1960
Clarabela ensina Horácio a pintar, ilustração Walt Disney.
Ama a tua arte. Por ela
faze o bem: ama e perdoa.
A bondade é sempre bela,
a beleza é sempre boa.
(Bastos Tigre)