
Ilustração Ray Prohaska.
Saudade é um sutil recado
que a vida gosta de ler
nos bilhetes que o passado
não se cansa de escrever!…
(Mara Mellini)

Saudade é um sutil recado
que a vida gosta de ler
nos bilhetes que o passado
não se cansa de escrever!…
(Mara Mellini)

Metrô, 1919
Walter Pach ( EUA, 1883-1958)
óleo sobre tela
Saint Louis Art Museum
Ira Etz
Eles se encontravam,
Ocasionalmente
Anônimos.
Pegavam o mesmo ônibus.
No começo,
se olhavam timidamente.
Aos poucos, os olhares
Tornaram-se
Mais expressivos, desejosos.
Não dava para adiar.
Marcaram encontro.
Passaram o Natal juntos.
Se deram de presente
Um ao outro.
Se amaram.
Ele perguntou,
Quer passar sua vida
Sempre assim?
Não!
Em: Ainda, Ira Etz, Editora Sete Letras, Rio de Janeiro:2022, p. 46
Queda das folhas de outono, 1888
Vincent van Gogh (Holanda, 1853-1890)
óleo sobre tela, 73 x 92 cm
Museu Kröller-Müller, Otterlo
As folhas, antes viçosas,
da natureza o pulmão,
inda mostram-se graciosas
mesmo pisadas no chão!
(Francisco José Pessoa)
A galinha está… chocada…
e o galo velho, uma bala,
porque existe na ninhada
um pinto verde… que fala!!!
(Izo Goldman)
Gaúcho da serra
José Lutzenberger (Alemanha-Brasil, 1882- 1951)
aquarela, 19 x 26 cm
Museu de Arte do Rio Grande do Sul
Jorge de Lima
Nem chinas cantando,
nem violas gemendo,
nem ranchos,
nem fachos,
nem fandangos,
nem balaios,
nem violões,
nem habaneras de cordeonas.
— O pampeiro
e as almas penadas das taperas —
e as primeiras estrelas
que vieram assistir a noite escura
despencar de repente
lá do céu
sobre o pampa: pam! pa!
Em: Poesias Completas, Jorge de Lima, vol. IV, Rio de Janeiro, Cia. José Aguilar Editora: 1974. p. 30

Largo_de_Nazareth, Belém, Pará
Joseph Léon Righini ( Itália – Brasil, 1820 -1884)
gravura
Raul Braga
Filha de terra estranha bem distante,
Transplantada a terras brasileiras,
Aqui enfeitas, verde e galante
Na beleza de todas as mangueiras.
Dás folha e sombra e flor alvissareiras
De uma quadra de vida confortante,
És pouso e lar das aves cantadeiras,
pela tardinha em último descante.
Mas, a maldade humana, sem limite,
Ao lenhador vai dando em apetites
Uma insânia de morte carniceira,
Até quando não mais existe um ninho
E, derradeiro, partir o passarinho,
Quando abatida a última mangueira.
Em: A lira na minha terra: poetas antigos e contemporâneos no Pará, Clóvis Meira, Belém: 1993, p. 333
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Nas últimas semanas, março e abril, comecei a sair do meu ninho, voltando para uma vida mais normal. Marquei um encontro com Judy Botler, no dia 25 de março.Nossos livros, Cerejas de Maio de Judy Botler e À meia voz de minha autoria estão na Amazon e em livrarias no Rio de Janeiro. Recebi um volume do livro Cerejas de Maio, para doação à biblioteca da Usina de Arte, em PE para qual o Livro Errante está recolhendo livros novos.
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Sim, tiramos fotos juntos. Mas me dei ao luxo de não gostar de nenhuma das minhas. Ou estava desarrumada, ou mais acabada do que me acho, ou parecia com sono… eliminei TODAS…. Minha página, meu gosto!