Canato ( SP, Brasil, 1985)
Óleo sobre tela, 80 x 100 cm
—
A cantiga da mucama,
que embalava o sinhozinho,
tinha mimo de quem ama,
de quem sofre tinha espinho.
—
(Margarida Ottoni)
Canato ( SP, Brasil, 1985)
Óleo sobre tela, 80 x 100 cm
—
A cantiga da mucama,
que embalava o sinhozinho,
tinha mimo de quem ama,
de quem sofre tinha espinho.
—
(Margarida Ottoni)
—
Não creio ser necessário
explicar meu ideal…
— Por que é que canta o canário?
— Por que é que voa o pardal?
—
( Moysés Augusto Torres)
Ilustração, Maurício de Sousa.
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Por que será que, na vida,
por que será, meu senhor,
não foi criada a medida
capaz de medir o amor?
—
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(Luiz Evandro Innocêncio)
Carlos Chiacchio
Desce a canoa de fio
Pela corrente do rio.
Vem arisca, vem frecheira,
Carregada até a beira.
Fruta, ou peixe, da vazante
Ouve-se o búzio distante.
E o povo corre ao mercado.
Na praia, o remo cravado,
Começa a voz das barganhas.
E, logo, em pilha as piranhas.
Vivos, saltando, ao punhados,
Curimatans e dourados.
Matrinchans, madins, a rodo.
Pocomons, frescos, do lodo.
Numa algazarra de festa
Joga-se n’água o que resta.
Volta a canoa de fio
Contra a corrente do rio.
Volta leve, vai suave,
Peneirando como uma ave.
É uma diaba a canoa…
Pulando de popa a proa.
—
Em: Poesia Brasileira para a Infância, Cassiano Nunes e Maria da Silva Brito, São Paulo, Saraiva:1968, pp 8-9
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Carlos Chiacchio ( Januária, MG, 4 de julho de 1884 – Salvador, BA, 1947) jornalista, orador, poeta, cronista, crítico literário, membro do IGH-BA, Academia de Letras da Bahia. Nasceu na antiga cidade de Januária, situada entre a Serra da Tapiraçaba e o Rio São Francisco, em Minas Gerais. Filho de Jacome Chiacchio e de D. Patrícia de M. Chiacchio. Estudou como interno no colégio Spencer em Salvador, quando mostrou ter vocação literária. Em Salvador, cidade onde mais tarde também se formou em medicina, fez parte da Nova Cruzada, associação cultural fundada em 1901 e extinta em 1916. Foi proprietário de farmácia, funcionário da Estrada de Ferro, e médico de bordo. Por fim, fixou-se mesmo em Salvador, onde ficou até o fim de sua vida. Foi o chefe e animador do grupo modernista na Bahia, em 1928, em torno da revista Arco & Flecha (1928-1929). Foi um dos mais típicos e valorosos intelectuais de província, e muito trabalhou para a difusão da cultura na Bahia, algumas vezes até sacrificando seus interesses pessoais. Sua produção extensa, dela salientando-se, contudo, um livro de poemas Infância e Biocrítica.
Obras:
A Dor, 1910
A Margem de uma polêmica, 1914
Biocrítica, 1941
Canto de marcha, 1942
Cronologia de Rui, 1949
Euclides da Cunha, 1940
Infância, poesia, 1938
Modernistas e Ultramodernistas, 1951
Os grifos, 1923
Paginário de Roberto Correia, 1945
Presciliano Silva, 1927
Primavera, 1910, 1941
Ilustração, Maurício de Sousa.
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Cada um tem sua sorte
pelo destino traçado,
mas não há ninguém tão forte
que nunca tenha chorado.
—
(Rômulo Cavalcante Mota)
—
Olhos negros, cismadores…
Olhos de intenso brilhar.
Olhos que falam de amores
e vivem sempre a sonhar.
—
(Therezinha Radetic)
Cartão Postal, Europa oriental, década de 1950.
José Albano
Bom Jesus, amador das almas puras,
Bom Jesus, amador das almas mansas,
De ti vêm as serenas esperanças,
De ti vêm as angélicas doçuras.
—
Em toda parte vejo que procuras
O pecador ingrato e não descansas,
Para lhe dar as bem-aventuranças
Que os espíritos gozam nas alturas.
—-
A mim, pois, que de mágoa desatino
E, noite e dia, em lágrimas me banho,
Vem abrandar o meu cruel destino.
—-
E, terminado este degredo estranho,
Tem compaixão de mim, Pastor Divino,
Que não falte uma ovelha ao teu rebanho!
—
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José de Abreu Albano (Brasil, CE, 1882 — França, 1923). Católico fervoroso, eruditíssimo, de temperamento explosivo e comportamento extraordinário. Pouco publicou em vida, e sua obra, pequenina no tamanho, mas grandíssima no valor, permaneceria desconhecida do grande público, não fosse a edição de sua obra pelo poeta Manuel Bandeira em 1948.
Obras:
Rimas de José Albano: Redondilhas (1912),
Rimas de José Albano – Alegoria (1912)
Rimas de José Albano – Cançam a Camoens (1912)
Ode à Língua Portuguesa (1912)
Comédia Angelica de José Albano (1918),
Four sonets by José Albano, with Portuguese prose-translation (1918)
Antologia Poética de José Albano (1918)
Feliz Natal, cartão de Natal, França, 1910-1915.
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(J. G. de Araújo Jorge)
Auta de Sousa
É meia noite … O sino alvissareiro,
Lá da igrejinha branca pendurado,
Como num sonho místico e fagueiro,
Vem relembrar o tempo do passado.
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Ó velho sino, ó bronze abençoado,
Na alegria e na mágoa companheiro!
Tu me recordas o sorrir primeiro
De menino Jesus imaculado.
—–
E enquanto escuto a tua voz dolente,
Meu ser que geme dolorosamente
Da desventura, aos gélidos açoites …
—-
Bebe em teus sons tanta alegria, tanta!
Sino que lembras uma noite santa,
Noite bendita mais que as outras noites!
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Auta de Souza (Macaíba, 12 de setembro de 1876 — Natal, 7 de fevereiro de 1901) foi uma poetisa brasileira. Considerada a a maior poetisa mística do Brasil.
Obras:
Horto, 1900
Adoração dos Reis Magos.
Cartão Postal da Polônia, sem data.
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(Antônio Vogel Spanemberg)