Ilustração anônima: mãe e filhos, 1900 do livro de histórias de Peter Pan.
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Meus filhos! … Minha alegria!
Dentro da minha pobreza,
nunca pensei ter um dia
tão opulenta riqueza!
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(Lilinha Fernandes)
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Meus filhos! … Minha alegria!
Dentro da minha pobreza,
nunca pensei ter um dia
tão opulenta riqueza!
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(Lilinha Fernandes)
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– Bastos Tigre
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De todos os animais
merecem nossa afeição
estes três, mais que os demais:
– o boi, o cavalo, o cão.
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O boi, os seus músculos de aço
ao nosso serviço entrega
e, com a canga no cachaço,
pesadas cargas carrega.
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E depois dá-nos a vida
que à nossa vida é sustento:
a carne assada ou cozida,
o ensopado suculento.
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Vale o seu corpo um tesouro,
dele nada se rejeita:
chifres, cauda, ossos e couro,
tudo, tudo se aproveita.
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O cavalo é o companheiro
que nos carrega no lombo
(a quem não for bom cavaleiro,
cuidado, que leva tombo!)
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Conhece caminho e atalho
e, seja a passo ou a correr,
nosso amigo é no trabalho
quanto amigo é no prazer.
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A morte, somente, encerra
seu labor nobre e eficaz;
com os homens morre na guerra,
morre, a servi-los, na paz.
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É o terceiro amigo, o amigo
que nos tem mais afeição;
no momento do perigo
nos vem socorrer: — é o cão.
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Quer de noite, quer de dia,
podemos nele confiaar;
da nossa casa é vigia,
é o guarda do nosso lar.
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“Caniche”, dos pequeninos,
que graça o cãozinho tem!
Quando brinca com os meninos
ele é um menino também.
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Seja humilde, ou cão de raça,
cão de cego, ou de pastor,
são -bernardo ou cão de caça,
ou de ratos caçador.
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Os seus dias se consomem
num labor sincero e leal!
Salve, excelso amigo do homem,
que és quase um ser racional!
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Que se ame, pois, e bendiga
do fundo do coração,
a nobre trindade amiga:
o boi, o cavalo e o cão.
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Em: O mundo da criança: poemas e rimas, vol I, Rio de Janeiro, Editora Delta: 1972.
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Manuel Bastos Tigre (PE 1882 – RJ 1957) — foi um bibliotecário, jornalista, poeta, compositor, humorista e destacado publicitário brasileiro.
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Obras:
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Saguão da Posteridade, 1902.
Versos Perversos, 1905.
O Maxixe, 1906.
Moinhos de Vento, 1913.
O Rapadura, 1915.
Grão de Bico, 1915.
Bolhas de Sabão, 1919.
Arlequim, 1922.
Fonte da Carioca, 1922.
Ver e Amar, 1922.
Penso, logo… eis isto, 1923.
A Ceia dos Coronéis, 1924.
Meu bebê, 1924.
Poemas da Primeira Infância, 1925.
Brinquedos de Natal, 1925.
Chantez Clair, 1926.
Zig-Zag, 1926.
Carnaval: poemas em louvor ao Momo, 1932.
Poesias Humorísticas, 1933.
Entardecer, 1935.
As Parábolas de Cristo, 1937.
Getúlio Vargas, 1937.
Uma Coisa e Outra, 1937.
Li-Vi-Ouvi, 1938.
Senhorita Vitamina, 1942.
Recitália, 1943.
Martins Fontes, 1943.
Aconteceu ou Podia ter Acontecido, 1944.
Cancionário, 1946.
Conceitos e Preceitos, 1946.
Musa Gaiata, 1949.
Sol de Inverno, 1955
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Teus olhos, duas continhas,
douradas, suavemente;
duas pérolas, miudinhas,
neste rostinho luzente.
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(Antônio Bispo dos Santos)
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Maria Thereza de Andrade Cunha
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Fecho os olhos e a vejo que, ondulante
Como um salgueiro ao vento, fina e leve,
Lá se vai! Deixa apenas, flutuante,
A lembrança de um véu de “tule” e neve…
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Demorou-se tão pouco! Um curto instante!
Um curto instante, tão fugaz, tão breve!
Quem sabe, além, num palco mais distante,
Outro poema de ritmos descreve?
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Mas fica eternamente nos meus sonhos;
Vejo-a de olhos brilhantes e risonhos
Que nas asas do vento a cena corta.
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Impalpável… Comparo-a à luz e à espuma,
E a julgo, vendo-a leve como pluma,
A alma, talvez, de uma falena morta!
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Em: É primavera… escuta., Maria Thereza de Andrade Cunha, Rio de Janeiro, 1949.
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Maria Thereza de Andrade Cunha (RJ, RJ, 1927) Professora, poeta e trovadora.
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Ora é canto, ora é lamento,
canção de amor em surdina,
esse sussurro de vento
nas ramas da casuarina.
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( José Lucas Filho)
Ilustração de Meredith Johnson—
Zilda Maria Vasconcellos
Bem na pontinha dos pés,
sobre a erva do caminho,
com os sapatos na mão,
fui caminhando sozinho.
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Belo dia de verão!
Tudo parado, quietinho…
perfumes para todo lado,
e um gostoso calorzinho.
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O sol bateu em meu rosto
e a leve aragem do vento.
Fui caminhando com gosto
num passo lento, bem lento.
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Demorei a encontrar
as minhas vespas amigas,
as cigarras a cantar,
as diligentes formigas.
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Então, no grande silêncio,
uma formiga ouvi:
Precisamos trabalhar,
O outono está quase aí.
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Já vão-se abrir as escolas,
Irás estudar também.
Adeus, meu bom amiguinho,
até o verão que vem!
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Em: O mundo da criança, vol. 1: poemas e rimas, Rio de Janeiro, Editora Delta: 1971
Ilustração, Walt Disney.
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Se tens à frente uma estrada,
não passes por um atalho,
que a vida só é gozada
à custa de muito trabalho.
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(Luiz Evandro Innocêncio)
Ilustração, Maurício de Sousa.
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Faustino Nascimento
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De uma clareira à borda da floresta,
Que o sol transforma em rútila vinheta,
Toda de azul, como quem vai à festa,
Passa, bailando, a linda borboleta.
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Uma ninfa, talvez, fugindo à sesta,
Em busca de algum Pan, deusa faceta,
Toda beleza e graça manifesta,
Voejando, entre uma rosa e uma violeta.
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Não tenta conquistar as altitudes,
Transpor abismos e vencer taludes,
Pois nasceu borboleta e não condor…
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É que ela busca apenas a quem ama,
E despreza a riqueza, a glória e a fama,
Pois tem tudo na terra, tendo o amor…
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Em: Antologia Poética, Faustino Nascimento, Rio de Janeiro, Freitas Bastos: 1960, p.103.
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Antônio Faustino Nascimento (Missão Velha, CE, 1901-) advogado, magistrado, escritor, poeta, ensaísta, jornalista, tradutor. Em Fortaleza, fundou a revista Argus.
Obras
Juvenília, poesia, 1927
As Cosmogonias, ensaio, 1929
Paisagens sonoras, poesia, 1937
Ritmos do novo continente, poesia, 1939, 1943
Elogio do amor e da ilusão, poesia, 1941
Cantos da paz e da guerra, poesia, 1943
O refúgio sublime, poesia, 1945
Exortação, soneto em cinco idiomas, 1949
O sonho do fauno, poesia, 1950
Cântico ao nordeste, poesia, 1954
Caminhos do Infinito, poesia, 1956
A fonte de Afrodite, poesia, 1958
A Alvorada, cântico a Brasília, 1958
Antologia poética, 1960
A vida, o amor e a ilusão, poesia, 1962
A terra de Israel, ensaios, 1967
Oriente e ocidente, história, 1973
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A teia se expande e estica
porque a aranha o fio tece.
O milagre não se explica
e simplesmente acontece.
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(José Augusto Fernandes)
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Reynaldo Valinho Alvarez
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Abro a janela e solto-me no espaço.
A vida é um pátio aberto em plena escola,
para onde eu vou, com pasta e com sacola,
toda manhã, de sol ou de mormaço.
Queria ser igual ao Homem-Aço,
para voar mais alto do que a mola
que tenho no meu peito ou do que a bola
que impulsiono a correr e sem cansaço.
Na linha das montanhas, me liberto
e eis que percorro todo o espaço aberto,
como no pátio alegre do recreio.
Sou mais que o Super-Homem, pois não tenho
os limites quadrados do desenho,
para conter meu vôo e meu anseio.
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Em: Galope do Tempo, Rio de Janeiro, Tempo Brasileiro: 1997, p. 83.
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Reynaldo Valinho Alvarez (RJ, RJ, 1931) Formado em Letras Clássicas, Direito, Economia e Administração. Prêmios da Academia Brasileira de Letras, do Instituto Nacional do Livro, a Fundação Biblioteca Nacional, a Fundação Cultural do Distrito Federal, a União Brasileira de Escritores, a Câmara Brasileira do Livro, a Fundação Catarinense de Cultura, o Conselho Estadual de Cultura do Rio de Janeiro, entre outros.
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Algumas Obras:
Cidade em grito, 1973
Roteiro solidão, 1979
Canto em si e outros cantos, poesia, 1979
As aventuras de Princês, o príncipe sem medo, infanto-juvenil, 1979, 1982
O Solitário gesto de viver, poesia, 1980, 2000
Solo e subsolo, poesia, 1981
O sol nas entranhas, poesia, 1982
Quem sabe o sim sabe o não, 1982
Monteiro Lobato: escritor e pedagogo, 1982
Calatrava, 1983
Gabrilofe, 1984
Pássaro sem asas, memória do abismo, romance, 1984
O grande guru, 1986
Ladrão que rouba ladrão, 1987, 2002
Um índio caiu do céu, infanto-juvenil, 1988
O dia em que os bichos votaram, 1989, 2004
A incrível peleja do pinto calçudo, 1990, 1996, 2000
O A-Bê-Cê da Nanica, 1994, 2003
O continente e a ilha, poesia, 1995
Chutando estrelas, 1995
Eu digo Rio e sorrio, 1997
Guerra dos humildes, 1997
Galope do tempo, poesia, 1997
A faca pelo fio, poesia, 1999
Das rias ao mar oceano, 2000
O tempo e a pedra, poesia, 2002
Lavradio, 2004
O vôo de Cauã, 2004
Corta a noite um gemido, poesia, 2007
Janeiros com rios, poesia, s/d