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Pato Donald decide ser pintor, ilustraçãao Walt Disney.
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A inspiração se assemelha
à luz da graça divina.
O artista toca a centelha
e a si mesmo ilumina.
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(Álvaro Faria)
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Pato Donald decide ser pintor, ilustraçãao Walt Disney.–
A inspiração se assemelha
à luz da graça divina.
O artista toca a centelha
e a si mesmo ilumina.
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(Álvaro Faria)
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Érico Santos (Brasil, 1952)
óleo sobre tela, 40 x 50 cm
Acervo pessoal do artista
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Raquel Naveira
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Língua Portuguesa,
Tuas regras são as cordas da minha harpa,
Duras e firmes,
Que procuro dedilhar
Desde a infância.
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Que prazer reconhecer tuas notas graves e agudas!
Ata-me nos teus laços afinados,
Na tua lei tensa
E criarei poemas
Como pássaros.
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Que delícia o esforço de cortar,
Esticar,
Retesar!
Livra-me da frouxidão,
Da lassidão de cometer pecados
Contra ti.
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Língua Portuguesa,
Tuas regras são as cordas de minha harpa,
Torna meu canto angélico,
Feito de forma e beleza,
Oferenda consagrada a ti,
Ao Tejo,
Às espumas do mar.
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Em: Casa e Castelo, Raquel Naveira, São Paulo, Escrituras: 2002, p.71
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Armínio Pascual (Brasil, 1920-2006)
óleo sobre madeira, 49 x 64 cm
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“Como lagarta sonolenta o trem vinha de Mato Grosso. Corumbá , Campo Grande, Três Lagoas. O sol estava a pino. O trem em linha sinuosa como uma serpente. Não tinha pressa de chegar. O sol entrava ora de um lado, ora de outro, queimando, torrando. Que linha… A gente pensava que ia parar numa cidade e o trem se afastava, depois vinha novamente. E o sol torrando aquela gente. Não podiam fechar as janelas por causa do calor, abafado. “É antigamente os engenheiros ganhavam por quilômetro construído, quanto mais comprida a linha, mais ganhavam, então faziam a linha cheia de curvas…” Alguém falou. Os vagões atulhados de gente sonolenta que tentava dormir, que esticava as pernas, tirava os sapatos, virava a cabeça. Gente branca, gente amarela, gente preta. Profusão de malas, trouxas e pés. Cheiro de suor, chulé, budum, morrinha. Miséria.
Uma família de gente loira. Quanta criança! Deve ter vindo do Báltico tentar a sorte na América, mas, está voltando pobre. Filhos, trouxas e ossos marcando sob a pele. A cada tranco do vagão um olho se abre e volta a fechar-se vencido. A perna estica, a cabeça se ajeita na trouxa imunda. A criança do colo geme. Sonolenta, a mãe abre o corpete, dá-lhe o seio murcho e volta ao sono, incapaz… Nos solavancos, de sono ou fraqueza o menino solta o bico que a mãe lhe pusera na boca. O seio enorme, pendurado, balança, balança no ritmo inconsciente do vagão. Passa o chefe-do-trem apregoando as estações. Passam jovens soldados que vão buscar água no vagão de primeira. O seio está balançando, balançando…mas ninguém olha para ele com olhar profano.
E o trem prossegue nas curvas que não acabam mais com apitos que não têm sentido. O sol queimando, queimando, só curvas e cafezais, roças e mais roças.
Uma moça dorme com os pés no banco da frente. O cabelo em desalinho é como uma cortina a defender a beleza mal formada. A mala de papelão, toda esfolada, amarrada com corda para não estourar. Por que deixou sua terra natal? Seria da Bolívia ou do Paraguai? Fugiria da miséria ou da maldade da gente que não lhe perdoou ter amado um dia? Talvez procurasse a cidade, onde a vida é mais fácil, mais fácil esconder e esquecer…
Outro é mascateador. É o único que fala, que fala do seu bairro distante. É de Vila Maria, e com orgulho repete o nome. Tem malas e pacotes além do número permitido. Espalha-as pelo vagão. O chefe passa, percebe a fraude e finge não entender. Deixa o mascate mascatear…”
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Em: Café amargo, Geraldo Brandão, São Paulo, Brasiliense: 1968, pp,225-6
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Passarinho no ninho, ilustração de Andrew Loomis. [Dionne quintupletos]–
Com singela perfeição
um pequeno passarinho
faz uma linda mansão
da construção do seu ninho.
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(Eva Garcia)
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“Você sabia… [Have you heard…?]” ilustração Arthur Sarnoff.–
Quem à língua não põe freio,
depois não deve estranhar
a desgraça que lhe veio,
porque se pôs a falar.
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(Trova popular espanhola)
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Ilustração Gaston Maréchaux, 1918.–
É Inverno … mas, que importa ?
Estou sempre à tua espera.
Quando chegas e abro a porta,
entra junto a Primavera…
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(Déspina Athanásio Perusso)
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Eliseu Visconti (Itália, 1866 — Brasil, 1892)
óleo sobre madeira, 21 x 13 cm
Coleção Particular
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“Compreendeu que saber viver é um dom, uma sabedoria; saber dar valor a fatos que à primeira vista parecem insignificantes, mas que no fundo são de grande valia é uma virtude. Lembrava os conselhos do pai: “quando você estiver triste, seja qual for o motivo, pense nas coisas piores que poderiam ter acontecido e não aconteceram. Pense naqueles que estão sofrendo muito mais que você, nos doentes incuráveis, nos aleijados, nos infelizes e nos indigentes.”
Rira desses conselhos, achara o pai simples, quase pueril, quando dizia: “Procure dar valor às coisas simples da vida, aos pequenos prazeres que estão ao seu alcance; uma hora de boa leitura, uma refeição agradável, uma linda música. Cultive as boas amizades, lembre-se de que a amizade sincera é um bem precioso. Lembre-se de que uma hora de solidão faz bem a quem tem o espírito inquieto, perturbado; lembre-se de que tudo há de vir a tempo, não corra ao encontro de nada, não force os fatos, pode sofrer desilusões. Filha, se toda gente soubesse dar valor a pequenos fatos, a vida seria um paraíso.”
Errara. Não cultivara a flor do espírito. Só dera valor aos grandes bens materiais que o dinheiro pode comprar e desdenhara os bens espirituais. E agora que perdera a fortuna…tinha a impressão de que nada mais ficara, perdera tudo… Poderia ter possuído ambos e agora no fim reter alguma coisa… Não. Não tinha amizades, nem o amor dos filhos. Tinha Dorita, apenas Dorita… Não… Não perdera tudo. A esse pensamento, seu rosto contraiu-se num sorriso quase alegre; ficara aquele anel de valor inestimável, e apertava-o nervosamente contra o peito.
Sorriu ao sentir junto ao corpo o saquinho de pano que fizera naquela tarde para guardar a pedra resplandescente.”
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Em: Os Rodriguez, Sra. Leandro Dupré [Maria José Dupré], São Paulo, Editora Saraiva: 1958; 6ª edição, pp,220-221.
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Ilustração inspirada no trabalho de Marcus Gheeraerts, o velho (Bélgica, c. 1520- c. 1590)–
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Monteiro Lobato
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Simão, o macaco, e Bichano, o gato, moram juntos na mesma casa. E pintam o sete. Um furta coisas, remexe gavetas, esconde tesourinhas, atormenta o papagaio; outra arranha os tapetes, esfiapa as almofadas e bebe o leite das crianças.
Mas, apesar de amigos e sócios, o macaco sabe agir com tal maromba que é quem sai ganhando sempre.
Foi assim no caso das castanhas.
A cozinheira pusera a assar nas brasas umas castanhas e fora à horta colher temperos. Vendo a cozinha vazia, os dois malandros se aproximaram. Disse o macaco:
— Amigo Bichano, você que tem uma pata jeitosa, tire as castanhas do fogo.
O gato não se fez insistir e com muita arte começou a tirar as castanhas.
— Pronto, uma…
— Agora aquela lá… Isso. Agora aquela gorducha… Isso. E mais a da esquerda, que estalou…
O gato as tirava, mas quem as comia, gulosamente, piscando o olho, era o macaco…
De repente, eis que surge a cozinheira, furiosa, de vara na mão.
— Espere aí, diabada!…
Os dois gatunos sumiram-se aos pinotes.
— Boa peça, hem? — disse o macaco lá longe.
O gato suspirou:
— Para você, que comeu as castanhas. Para mim foi péssima, pois arrisquei o pelo e fiquei em jejum, sem saber que gosto tem uma castanha assada…
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Em: Fábulas, Monteiro Lobato, São Paulo, Ed. Brasiliense:1966, 20ª edição, pp 97-98.
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José Bento Monteiro Lobato, (Taubaté, SP, 1882 – 1948). Escritor, contista; dedicou-se à literatura infantil. Foi um dos fundadores da Companhia Editora Nacional. Chamava-se José Renato Monteiro Lobato e alterou o nome posteriormente para José Bento.
Obras:
A Barca de Gleyre, 1944
A Caçada da Onça, 1924
A ceia dos acusados, 1936
A Chave do Tamanho, 1942
A Correspondência entre Monteiro Lobato e Lima Barreto, 1955
A Epopéia Americana, 1940
A Menina do Narizinho Arrebitado, 1924
Alice no País do Espelho, 1933
América, 1932
Aritmética da Emília, 1935
As caçadas de Pedrinho, 1933
Aventuras de Hans Staden, 1927
Caçada da Onça, 1925
Cidades Mortas, 1919
Contos Leves, 1935
Contos Pesados, 1940
Conversa entre Amigos, 1986
D. Quixote das crianças, 1936
Emília no País da Gramática, 1934
Escândalo do Petróleo, 1936
Fábulas, 1922
Fábulas de Narizinho, 1923
Ferro, 1931
Filosofia da vida, 1937
Formação da mentalidade, 1940
Geografia de Dona Benta, 1935
História da civilização, 1946
História da filosofia, 1935
História da literatura mundial, 1941
História das Invenções, 1935
História do Mundo para crianças, 1933
Histórias de Tia Nastácia, 1937
How Henry Ford is Regarded in Brazil, 1926
Idéias de Jeca Tatu, 1919
Jeca-Tatuzinho, 1925
Lucia, ou a Menina de Narizinho Arrebitado, 1921
Memórias de Emília, 1936
Mister Slang e o Brasil, 1927
Mundo da Lua, 1923
Na Antevéspera, 1933
Narizinho Arrebitado, 1923
Negrinha, 1920
Novas Reinações de Narizinho, 1933
O Choque das Raças ou O Presidente Negro, 1926
O Garimpeiro do Rio das Garças, 1930
O livro da jangal, 1941
O Macaco que Se Fez Homem, 1923
O Marquês de Rabicó, 1922
O Minotauro, 1939
O pequeno César, 1935
O Picapau Amarelo, 1939
O pó de pirlimpimpim, 1931
O Poço do Visconde, 1937
O presidente negro, 1926
O Saci, 1918
Onda Verde, 1923
Os Doze Trabalhos de Hércules, 1944
Os grandes pensadores, 1939
Os Negros, 1924
Prefácios e Entrevistas, 1946
Problema Vital, 1918
Reforma da Natureza, 1941
Reinações de Narizinho, 1931
Serões de Dona Benta, 1937
Urupês, 1918
Viagem ao Céu, 1932
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Esta fábula de Monteiro Lobato é uma das centenas de variações feitas através dos séculos da fábulas de Esopo, escritor grego, que viveu no século VI AC. Suas fábulas foram reunidas e atribuídas a ele, por Demétrius em 325 AC. Desde então tornaram-se clássicos da cultura ocidental e muitos escritores como Monteiro Lobato, re-escreveram e ficaram famosos por recriarem estas histórias, o que mostra a universalidade dos textos, das emoções descritas e da moral neles exemplificada. Entre os mais famosos escritores que recriaram as Fábulas de Esopo estão Fedro e La Fontaine.
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Luís Pimentel
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A vida dá muitas voltas
e volta sempre ao começo.
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Nos mostrando em cada volta
seus passos e seus tropeços.
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A vida é maré revolta.
A morte é que vem de berço.
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Em: O calcanhar de Aquiles, Luís Pimentel, Rio de Janeiro, Bertrand Brasil: 2004
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Casarios e igreja, s/d
Durval Pereira ( Brasil, 1917-1984)
óleo sobre tela 50 x 65 cm
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Domingos Pellegrini
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Os galos disputando a alvorada
o retorno dos pés para as sandálias
o espelho que me olha e sempre cala
a pia minha mais gentil criada
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Fogão com seu milagre que não falha
armário com modéstia tão calada
perto da geladeira dedicada
a resmungar tanto quanto trabalha
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O céu a me espiar pelas janelas
novidades florindo no jardim
formigas a cuidar da vida delas
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Sangrando sol varrendo as amarguras
sem pesadelos nem sonhos enfim
cada manhã me pare e inaugura
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Em: Gaiola aberta: 1964-2004, Domingos Pellegrini, Rio de Janeiro, Bertrand Brasil: 2005