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Falta de educação, cartão postal de Margret Boriss.
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Não tenho medo, em verdade,
do corisco ou do trovão;
bem mais forte é a tempestade
que trago no coração! …
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(Eva Reis)
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Falta de educação, cartão postal de Margret Boriss.–
Não tenho medo, em verdade,
do corisco ou do trovão;
bem mais forte é a tempestade
que trago no coração! …
–
(Eva Reis)
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Ilustração para o Festival de San Remo, de Walter Molino, Corriere della Sera, Fevereiro 1961.–
Marcados por desenganos,
na busca de um céu aberto,
meus olhos são quais ciganos,
nunca têm destino certo.
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(Ilza Tostes)
Henriqueta Lisboa
Andorinha no fio
escutou um segredo.
Foi à torre da igreja,
cochichou com o sino.
E o sino bem alto:
delém-dem
delém-dem
delém-dem
dem-dem!
Toda a cidade
ficou sabendo.
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Rolo sai no dia dos namorados, ilustração de Maurício de Sousa.–
“Meu bem” — frasinha sem cor
que, assim, nada significa.
Nos lábios do meu amor,
que amor de frasinha fica!
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(Eno Teodoro Wanke)
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Adeus, ilustração de A. E. Marty.–
Saudade… sombra, fantasma!
Coisa que bem não se explica:
— Algo de nós que alguém leva.
— Algo de alguém que nos fica!
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(Soares da Cunha)
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Chuva, ilustração Taro Semba.–
Chuva fina, eu te bendigo;
com teu jeito de tristeza,
és a alegria do trigo,
que põe fartura na mesa.
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(Jaci Pacheco)
Pedro Weingärtner (Brasil, 1853 – 1929)
óleo sobre tela
Coleção Particular
“Os dançantes continuavam no compasso marcial da polaca, executando variadas figuras, ora desenhando meias-luas, ora separando-se em alas, marchando frente a frente, ora fazendo evoluções de homens e mulheres, separados, para se reunirem depois de diferentes voltas. Os movimentos eram tardos e pesados; dentro de sapatos grossos e ferrados, batendo fortemente os pés no assoalho, arrastando-se com esforço, faziam um barulho seco, enorme, que dominava as vozes dos instrumentos. Quando a contradança parava, os pares voltavam-se num mesmo instante como por uma combinação mágica, e todos livres se moviam vagarosamente, procurando os bancos encostados às paredes das salas ou aos cantos das janelas. Muitos saíam até ao terreiro, para se refrescar; namorados passeavam ali no escuro, abraçados; velhos fumavam o seu cachimbo, resmungando conversas preguiçosas, até que de novo a música dava o sinal e todos voltavam à sala, em ordem, sem o menor embaraço, passando a dançar automaticamente, de charuto ou cachimbo ao queixo e chapéus na cabeça, enquanto as mulheres amarravam lenços ao pescoço, por causa do suor que lhes escorria da fronte.”
Em: Canaã, Graça Aranha, 1902, em domínio público.
Ilustração, desconheço a autoria.
– “Não há mãe melhor que a minha”
diz a filha à mamãezinha.
E a mãe, sorrindo: – “Filhinha,
melhor que a tua era a minha”…
(Lia Pederneiras de Faria)
Ilustração de Frederick Richardson, 1975.
Tão pequenino e, no entanto,
traduz o amor mais profundo;
que nome existe, mais santo,
do que o teu, mãe, neste mundo?
(Cecília Cerqueira Cavalcanti)
Ilustração de Frank Xavier Leyendecker.
Maria Thereza de Andrade Silva
Veio da noite, em voo palpitante,
Perder-se na quietude desta sala.
Num bailado letal e delirante,
Cresta na luz as asas cor de opala.
Voa; já nada enxerga o olhar faiscante.
Ama a luz, e essa luz há de queimá-la.
E, enquanto houver calor, estranha amante,
É cega e embriagada está… Deixá-la!…
Mas brandamente a luz se extingue, e morre…
— Que novo ardor as asas lhe percorre,
Para que dance ainda, alucinada!
Deixá-la. É cega! Que lhe importa a chama?
Inda sente o calor perdido, e ama,
E voa em torno à lâmpada apagada!
Em: É primavera … escuta. de Maria Thereza de Andrade Silva, Rio de Janeiro:1949, p. 93