Soneto XXXVIII de Guilherme de Almeida

6 01 2020

 

 

 

Pierre Brissaud (1885-1964 - FrenchIlustração de Pierre Brissaud (França, 1885- 1964)

 

Soneto XXXVIII

 

Guilherme de Almeida

 

Quando a chuva cessava e um vento fino
franzia a tarde tímida e lavada,
eu saía a brincar, pela calçada,
nos meus tempos felizes de menino.

Fazia, de papel, toda uma armada,
e estendendo meu braço pequenino,
eu soltava os barquinhos, sem destino.
ao longo das sarjetas, na enxurrada…

Fiquei moço. E hoje sei, pensando neles,
que não são barcos de ouro os meus ideais:
são de papel, são como aqueles,

perfeitamente, exatamente iguais…
_Que meus barquinhos, lá se foram eles!
Foram-se embora e não voltaram mais!





Mudam-se os Tempos, Mudam-se as Vontades, de Luiz Vaz de Camões

30 12 2019

 

 

 

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Mudam-se os Tempos, Mudam-se as Vontades

 

Luiz Vaz de Camões

 

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,

Muda-se o ser, muda-se a confiança:

Todo o mundo é composto de mudança,

Tomando sempre novas qualidades.

 

Continuamente vemos novidades,

Diferentes em tudo da esperança:

Do mal ficam as mágoas na lembrança,

E do bem (se algum houve) as saudades.

 

O tempo cobre o chão de verde manto,

Que já coberto foi de neve fria,

E em mim converte em choro o doce canto.

 

E afora este mudar-se cada dia,

Outra mudança faz de mor espanto,

Que não se muda já como soía.





Uma educação a longa distância, trecho Paul Auster

29 12 2019

 

 

 

Summer reading, 2011 by Natalia Andreeva born in Novosibirsk, Russia living in Tallahassee (Florida), USALeitura de verão, 2011

Natalia Andreeva (Rússia/ EUA, contemporânea)

 

 

“Nenhum outro menino em seu círculo de conhecidos tinha lido o que ele tinha lido e, como tia Mildred escolhia os livros cuidadosamente para ele, assim como havia escolhido para a irmã, em seu período de confinamento, treze anos antes, Ferguson lia os livros que ela mandava com uma avidez que parecia fome física, pois sua tia compreendia quais livros iam dos seis para os oito anos de idade, dos oito para os dez, dos dez para os doze — e daí até o fim do ensino médio. Contos de fadas, para começar os Irmãos Grimm e os livros muito coloridos compilados pelo escocês Lang, depois os fantásticos e assombrosos romances de Lewis Carroll, George MacDonald e Edithh Nesbit, seguidos pelas versões de mitos gregos e romanos escritas por Bulfinch, uma adaptação infantil de Odisseia, A teia de Charlotte, uma adaptação de As mil e uma noites, remontadas com o título de As sete viagens de Simbad, o Marujo, e mais adiante, uma seleção de seiscentas páginas de As mil e uma noites originais, e no ano seguinte O médico e o monstro, contos de horror e mistério de Poe, O príncipe e o mendigo, Raptado, Um conto de Natal, Tom Sawyer e Um estudo em vermelho, e a reação de Ferguson foi tão forte ao livro de Conan Doyle que o presente que ele ganhou da tia Mildred em seu décimo primeiro aniversário foi uma edição imensamente gorda, abundantemente ilustrada, de Histórias Completas de Sherlock Holmes.

 

Em: 4321, Paul Auster, tradução de Rubens Figueiredo, Cia das Letras: 2018, páginas 109-110





Os grupos de leitura selecionam os melhores do ano!

22 12 2019

 

 

 

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Camille Engel (EUA, contemporânea)

óleo sobre madeira

 

 

Dois grupos de leitura votaram nos livros lidos durante o ano.

 

Ao Pé da Letra

(grupo formado por 16 pessoas, leu 12 livros este ano):

 

1 —  Anna Karenina, Leon Tolstoy

2 —  Eu sei por que o pássaro canta na gaiola, Maya Angelou

3 —  Plataforma, Michel Houellebecq

4 —  Entre cabras e ovelhas, Joanna Cannon

5 —  O coração do tártaro, Rosa Montero

6 —  As fúrias invisíveis do coração, John Boyne

7 —  A senhora das savanas, Hilton Marques

8 —  Minha avó pede desculpas, Fredrik Backman

9 —  Dois irmãos, Milton Hatoum

10 —  Os diários de pedra, Carol Shields

11 — Quarto de despejo: diário de uma favelada, Carolina Maria de Jesus

12 —A uruguaia, Pedro Mairal

 

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Melhor livro do ano

Houve empate no 1º lugar

dois

 

1º lugar — Anna Karenina, Leo Tolstoy, diversas editoras, diversas datas

Leo Tolstoy escreveu Anna Kariênina entre 1873 e 1877, prestes a completar 45 anos. Depois de escrever o romance Guerra e paz , entre 1863 e 1869, dedicara-se aos afazeres agrícolas, além de fundar escolas, elaborar e difundir teorias e técnicas pedagógicas polêmicas e estudar o grego com afinco. Ao mesmo tempo, foi acumulando uma impressionante quantidade de informações sobre o tsar Pedro, o Grande. Seu intuito era escrever um romance sobre a época em que Pedro I foi o imperador da Rússia.

Após tentativas obstinadas, Tolstói desistiu do projeto. Por outro lado, nutria a ideia de fazer um relato sobre uma mulher adúltera, da alta sociedade. Durante um tempo, estes dois temas levaram vidas independentes em seu pensamento. Quando a imaginação os uniu, Anna Kariênina começou a nascer. Em janeiro de 1875, a revista Mensageiro russo publicou os primeiros catorze capítulos de Anna Kariênina.

Tolstói distribuiu ao longo do livro os temas que o inquietavam, discutidos pelos personagens – a guerra da Sérvia, a administração agrícola, o regime da propriedade da terra, a relação com os trabalhadores, a decadência da nobreza, a educação das crianças, o casamento, a religião, o serviço militar compulsório, as teorias de Spencer, Lasalle, Darwin e Schopenhauer. Estruturado em paralelismos, o livro se articula por meio de contrates – a cidade e o campo; as duas capitais da Rússia (Moscou e São Petersburgo); a alta sociedade e a vida dos mujiques; o intelectual e o homem prático, etc.

O tema é descentralizado a cada novo episódio. Os dois principais personagens, Liévin e Anna, só se encontram uma vez, em toda a longa narrativa. Mas nem por isso estão menos ligados, pois a situação de um permanece constantemente referida à situação do outro. Anna viaja a Moscou para tentar salvar o casamento em crise de seu irmão. Consegue ajudá-lo, mas acaba pondo a perder o seu próprio, apaixonando-se por um aristocrático militar por quem larga o marido e o filho pequeno. Liévin, um rico e jovem proprietário de terras rurais, vive às voltas com problemas de conflitos de classe de seus lavradores e questionamentos existenciais profundos.

 

1º lugar — Eu sei por que o pássaro canta na gaiola, Maya Angelou, São Paulo, Editora Astral Cultural: 2018

RACISMO. ABUSO. LIBERTAÇÃO. A vida de Marguerite Ann Johnson foi marcada por essas três palavras. A garota negra, criada no sul por sua avó paterna, carregou consigo um enorme fardo que foi aliviado apenas pela literatura e por tudo aquilo que ela pôde lhe trazer: conforto através das palavras.

Dessa forma, Maya, como era carinhosamente chamada, escreve para exibir sua voz e libertar-se das grades que foram colocadas em sua vida. As lembranças dolorosas e as descobertas de Angelou estão contidas e eternizadas nas páginas desta obra densa e necessária, dando voz aos jovens que um dia foram, assim como ela, fadados a uma vida dura e cheia de preconceitos. Com uma escrita poética e poderosa, a obra toca, emociona e transforma profundamente o espírito e o pensamento de quem a lê.

 

índice

2º lugar — Dois irmãos, Milton Hatoum, mais de uma edição

Dois Irmãos é a história de como se constroem as relações de identidade e diferença numa família em crise. É a história de dois irmãos gêmeos – Yaqub e Omar – e suas relações com a mãe, o pai e a irmã. Moram na mesma casa Domingas, empregada da família, e seu filho. Esse menino – o filho da empregada – narra, trinta anos depois, os dramas que testemunhou calado. Buscando a identidade de seu pai entre os homens da casa, ele tenta reconstruir os cacos do passado, ora como testemunha, ora como quem ouviu e guardou, mudo, as histórias dos outros. Do seu canto, ele vê personagens que se entregam ao incesto, à vingança, à paixão desmesurada. O lugar da família se estende ao espaço de Manaus, o porto à margem do rio Negro: a cidade e o rio, metáforas das ruínas e da passagem do tempo, acompanham o andamento do drama familiar. Prêmio Jabuti 2001 de Melhor Romance.

 

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3º lugar — A uruguaia Pedro Mairal, Editora Todavia: 2018, 128 páginas

A uruguaia apresenta o argentino Pedro Mairal, um dos narradores mais destacados da nova literatura latino-americana. Este romance divertido e apaixonante sobre afetos, crise conjugal, autoengano e busca pela felicidade mostra, através das peripécias sentimentais de um escritor recém-chegado aos quarenta anos, como devemos enfrentar as promessas que fazemos e não cumprimos e as diferenças entre aquilo que somos e o que realmente gostaríamos de ser. Narrado com leveza e brilhantismo trata de temas como amor e culpa, responsabilidade e libertação pessoal, estabelece de uma vez por todas o talento de Pedro Mairal como um dos nomes de destaque de um novo “boom” da literatura latino-americana.

 

Papalivros

(grupo formado por 22 pessoas, leu 12 livros este ano):

 

1 – Kafka à beira-mar, Haruki Murakami

2 – Assombrações, Domenico Starnone

3 – A garota italiana, Lucinda Riley

4 – Uma família como a nossa, Chaia Zisman

5 – As fúrias invisíveis do coração, John Boyne

6 – As redes da ilusão, Amy Tan

7 – Limonov, Emmanuel Carrère

8 – Minha avó pede desculpas, Fredrick Backman

9 – Era no tempo do rei,   Ruy Castro

10 – O diário de Nisha, Veera Hiranandani

11 – O construtor de pontes,  Markus Zusak

12 – A uruguaia, Pedro Mairal

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Melhor livro do ano

 

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1º lugar — A garota italiana, Lucinda Riley,  Arqueiro: 2016, 464 páginas

Uma inesquecível história de amor, traição, paixão, obsessão e música.

Aos onze anos de idade, Rosanna Menici conhece o cantor Roberto Rossini, uma estrela em ascensão no mundo da ópera italiana – e o homem que mudaria sua vida para sempre. Incentivada – e apaixonada – por ele, Rosanna passa a se dedicar ao estudo do canto lírico, torna-se cantora profissional, e logo os dois se encontram nas salas de concerto mais famosas do mundo, dividindo não só o palco como também o mesmo destino.

Com seu talento incomum para descrever ambientes e evocar sensações e sentimentos universais, Lucinda Riley nos leva a acompanhar a trajetória de Rosanna, desde os bairros pobres de Nápoles até os teatros mais glamourosos do planeta, trazendo à tona, com sua prosa inconfundível, as alegrias, tristezas, frustrações, decepções e redenções do amor.

 

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2º lugar — Era no tempo do rei, Ruy Castro, Alfaguara: 2007,  248 páginas

O cenário é o Rio de 1810, dois anos depois da chegada da Família Real portuguesa, com as ruas vivendo uma agitação jamais vista em uma cidade das Américas. Os personagens são nobres e plebeus que existiram de verdade e outros saídos da mais delirante imaginação.

Em Era no tempo do rei, nem tudo o que se lê neste livro aconteceu – mas podia ter acontecido. Afinal, o autor é Ruy Castro. Os heróis de Era no tempo do rei são o príncipe D. Pedro e seu amigo Leonardo, um menino de rua, ambos com 12 anos. Os dois garotos endiabrados tomam a cidade de assalto, envolvendo-se nas mais empolgantes cabriolas.

Na pista deles, estão o temível major Vidigal, a prostituta Bárbara dos Prazeres, a vingativa princesa Carlota Joaquina, o pio padre Perereca, o sinistro inglês Jeremy Blood, granadeiros, ciganos e capoeiras. Como pano de fundo, a luta pelo poder no Brasil, em Portugal e nas colônias espanholas no Prata.

Era no tempo do rei é um romance malandro e picaresco, com tudo que isso significa: erotismo, crítica, sátira, humor e muita ação. É também uma festa de cheiros, comidas, roupas, costumes, palavras e expressões da época.
Nunca a História do Brasil foi tão irresistível.

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3º lugar — A uruguaia, Pedro Mairal, Editora Todavia: 2018, 128 páginas

A uruguaia apresenta o argentino Pedro Mairal, um dos narradores mais destacados da nova literatura latino-americana. Este romance divertido e apaixonante sobre afetos, crise conjugal, autoengano e busca pela felicidade mostra, através das peripécias sentimentais de um escritor recém-chegado aos quarenta anos, como devemos enfrentar as promessas que fazemos e não cumprimos e as diferenças entre aquilo que somos e o que realmente gostaríamos de ser. Narrado com leveza e brilhantismo trata de temas como amor e culpa, responsabilidade e libertação pessoal, estabelece de uma vez por todas o talento de Pedro Mairal como um dos nomes de destaque de um novo “boom” da literatura latino-americana.

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A coincidência de ambos os grupos nomearem o mesmo livro como 3ª melhor leitura no ano, não passou despercebida. Realmente, um livro pequenino, cheio de alusões literárias, de um autor argentino, ainda desconhecido no Brasil, que lê como se fosse um filme daquele país.  Muito bom.

 

 





Trova do sonho de Natal

22 12 2019

 

 

 

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Natal da minha velhice…

não sinto qualquer revolta:

– Papai Noel… ah! quem disse

que, em nós, o sonho não volta?

 

(Pompílio O. Vieira)





Soneto de Natal, Alphonsus de Guimaraens Filho

19 12 2019

 

 

 

3 REIS, baseado em xilogravura

 

 

Soneto de Natal

 

Alphonsus de Guimaraens Filho

 

 

É Natal. Foram tantos os Natais…

Pois que é Natal mais uma vez, apreende

esse cântico longo que se estende

por terras, mares, não termina mais.

 

Natal mais uma vez. Uma vez mais,

o menino que só a estrela entende,

os pais que a treva inquieta, ela, a quem rende

a certeza das coisas abissais.

 

Pois que é Natal, pensemos no menino,

apenas no menino. E o contemplemos

no berço onde ora está, tão pequenino.

 

Já quanto aos pais, a meditar deixemos.

Sabem os pais qual a hora do destino.

Fingindo não saber, sonhando olhemos.

 

Em: Todos os sonetos, Alphonsus de Guimaraens Filho, Rio de Janeiro, Editora Galo Branco: 1996





Natal, por Murilo Mendes

18 12 2019

 

 

 

Lucia de Lima (Brasil, contemp) NatalNatal

Lucia de Lima (Brasil, contemporânea)

acrílica

 

 

“Natal é ver os magos, não reis, que trazem a cultura, a sabedoria, a fascinação do oriente geográfico e do oriente interno de cada um; é ver a riqueza e variedade da terra, a multiplicação compulsória dos pães e dos peixes, a re-unificação da família humana numa assembleia universal, o prazer das futuras viagens, o cérebro eletrônico, a subida aos espaços interestelares; é ver a invisibilidade de Deus, que escapa à televisão.”

 

Em:Chaves para a festa do Natal, Transístor, Murilo Mendes, Rio de Janeiro, Nova Fronteira: 1980, p.410.





Último Natal, poesia de Miguel Torga

16 12 2019

 

 

 

Spiridon Vikatos (Argostoli, 1878 – Atenas, 1960).Árbol de Navidad-Árvore de Natal

Spiridon Vikatos (Grécia, 1878 – 1960)

óleo sobre tela

 

 

Último Natal

 

Miguel Torga

 

Menino Jesus, que nasces

Quando eu morro,

E trazes a paz

Que não levo,

O poema que te devo

Desde que te aninhei

No entendimento,

E nunca te paguei

A contento

Da devoção,

Mal entoado,

 

Aqui te fica mais uma vez

Aos pés,

Como um tição

Apagado,

Sem calor que os aqueça.

Com ele me desobrigo e desengano:

És divino, e eu sou humano,

Não há poesia em mim que te mereça.





Natal, por Murilo Mendes

15 12 2019

 

 

 

Rosina Becker do Vale, NatividadeNatividade com Reis Magos, 1964

Rosina Becker do Valle (Brasil, 1914 – 2000)

guache sobre papel, 36 x 28 cm

 

 

“Natal é ver a festa, a alegria, a visagem do sobrenatural ao alcance de todos, a imediata matéria corporal, máximo emblema, a própria substância de Deus-homem encarnado.  É ver a necessidade do enigma para poder um dia decifrá-lo.”

 

Em: Chaves para a festa do NatalTransístor, Murilo Mendes, Rio de Janeiro, Nova Fronteira: 1980, p.409.





“Não sei”, poesia de Cora Coralina

12 12 2019

 

 

Angelo Simeone, (Itália-Brasil, 1899-1963) Figura feminina, Óleo sobre tela colado sobre eucatex, 60 X 48cmFigura feminina

Angelo Simeone, (Itália-Brasil, 1899-1963)

óleo sobre tela colado sobre eucatex, 60 X 48cm

 

 

Não sei

 

Cora Coralina

 

Não sei se a vida é curta

ou longa para nós,

mas sei que nada

do que vivemos tem sentido,

se não tocarmos o coração das pessoas.

Muitas vezes basta ser:

o colo que acolhe,

o braço que envolve,

a palavra que conforta,

o silêncio que respeita,

a alegria que contagia,

a lágrima que corre,

o olhar que acaricia,

o desejo que sacia,

o amor que promove.

E isso não é coisa de outro mundo,

é o que dá sentido à vida.

É o que faz com que ela não

seja nem curta, nem longa demais,

mas que seja intensa, verdadeira,

pura enquanto durar.

 

Foi esta poesia que abriu, para reflexão, o Encontro de Fim de Ano dos grupos de leitura Papalivros e Ao Pé da Letra, no domingo, dia 8 de dezembro próximo passado.  Agradeço ao Professor Sérgio Gonçalves Mendes [PUC-RJ] a sugestão desta abertura.