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Eu tenho uma vaca leiteira
que dá leite de toda maneira.
A minha vaquinha malhada
dá queijo, manteiga e coalhada.
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Eu tenho uma vaca leiteira
que dá leite de toda maneira.
A minha vaquinha malhada
dá queijo, manteiga e coalhada.
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(Cantiga)
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Fagundes Varela
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Quem és tu, pobre vivente,
Que vagas triste e sozinho,
Que tens os raios da estrela,
E as asas do passarinho?
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A noite é negra; raivosos
Os ventos correm do sul;
Não temes que eles te apaguem
A tua lanterna azul?
—
Quando tu passas, o lago
De estranhos fogos esplende,
Dobra-se a clícia amorosa,
E a fronte mimosa pende.
—
As folhas brilham, lustrosas,
Como espelhos de esmeralda;
Fulge o iris nas torrentes
Da serrania na fralda.
—-
O grilo salta das sarças;
Piam aves nos palmares;
Começa o baile dos silfos
No seio dos nenufares.
—
A tribo das mariposas,
Das mariposas azuis,
Segue teus giros no espaço,
Mimosa gota de luz!
—
São elas flores sem haste;
Tu és estrela sem céu;
Procuram elas as chamas;
Tu amas da sombra o véu!
—
Quem és tu, pobre vivente,
Que vagueias tão sozinho,
Que tens os raios da estrela,
E as asas do passarinho?
—
—-
Vocabulário:
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Clícia — inseto de duas asas
Sarça — matagal
Silfo — gênio das florestas ( mitologia celta)
Nenúfar — planta aquática
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Fagundes Varela
Luís Nicolau Fagundes Varella, (RJ 1841 – RJ 1871) ou Fagundes Varela, poeta brasileiro e um dos patronos na Academia Brasileira de Letras.
Obras:
Vaso com flores, 1988
Fang (China/Brasil, 1931)
gravura, 48 x 58 cm
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Tenho um fraco por esculturas. Num seminário em história da arte, há muitos anos, escrevi um artigo sobre o uso do espaço vazio, do vão, digamos assim, como parte vibrante das esculturas de Henry Moore e Giacometti: no trabalho de ambos e de maneiras diferentes, o que não está presente, o buraco (em Henry Moore) ou o espaço à volta (em Giacometti) tem uma função tão grande, tão intensa que faz parte da escultura que vemos, que analisamos, com o mesmo peso que as formas do bronze que nos fascinam. Este é o vazio positivo, sentido mas não visto, que conta com o ausente, tanto quanto com o que está exposto. Pensei nesse artigo, enquanto lia o romance de Fal Azevedo, Minúsculos assassinatos e alguns copos de leite, Rocco: 2008. Nele, o que não é dito, conta. Fala. Nos move e comove. A eloquência desses pequenos silêncios pode ser vista no minúsculo parágrafo, que cito aqui por inteiro:
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“O gato amarelo veio fumar comigo. Ele morde meu dedão, charmosa tentativa de me convencer de ir até a cozinha. A coisa mais fofa nesse gato é que, quando eu choro, ele apoia a pata no meu rosto. Como agora.”
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O texto segue, com outro assunto, com outro momento.
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Quantas vezes ela precisou chorar para perceber esse comportamento do gato? Por que chorava? O conforto de um gato seria o único conforto dado à autora dessas frases? Não sabemos, não nos é explicado. Passamos rapidamente para o assunto seguinte. A vida é curta. Há muito acontecendo. O peso do passado também assombra. No entanto, o sofrimento implicado pelo texto fala alto. E nos cala. Fal Azevedo trabalha com a elipse, a omissão do sentimento retratado, assim como Henry Moore trabalhava com um buraco no meio do corpo de uma mulher reclinada. Tanto em um como no outro, cabe ao leitor/observador fazer a conexão, participando ativamente do encontro. Envolvendo-se. O resultado sedutor, mostra um texto, que carregado de tristeza, consegue ser leve, irônico e muito, muito agradável.
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Figura reclinada, década de 1980
Henry Moore ( Grã-Bretanha 1898-1976)
Litografia
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Presenciamos nesse romance a chegada de Alma, personagem principal, à segunda metade de sua vida. Aos 44 anos, já viveu muitas vidas e mortes. Homeopaticamente conhecemos um pouco destes eventos através de lembranças doloridas, de cicatrizes mal curadas. Tudo é passado a limpo: as dezenas de passados, as dúzias de vidas. Alma escrupulosamente exorciza seus fantasmas e nos lembra dos nossos. É impossível não ter empatia. É impossível ignorarmos a nós mesmos. O que lhe vem à mente, chega em pequenos parágrafos, camafeus de potencialidades perdidas, nódoas de sofrimento físico e emocional do passado que ajudam a caracterizar o dia a dia de um tempo mais atual, que também presenciamos. Estes são quase entradas em um diário, que têm, como pano de fundo, o passado. O estilo é sucinto. Twitter sucinto. A cada parágrafo um tempo, uma realidade. E sempre, sempre a angústia das vidas vividas. O medo. A dor. A consciência da solidão.
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De grande auxílio é o formato do texto: intercala o tempo mais contemporâneo com as lembranças do passado, em diferentes parágrafos. Cada qual tem sua própria aparência gráfica, o que facilita o entendimento da trama. Este artifício simplifica e esclarece também um quase fluxo de consciência que nos permite conhecer Alma intimamente. Conhecemos os eventos. Imaginamos as emoções.
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Apesar da tristeza latente, das dores auto-geradas e das auto-impostas, das frustrações e sofrimentos dessa mulher, uma artista plástica em busca de uma identidade profissional, esse romance é repleto de otimismo, de gosto pela vida e de humor. Oferece então, ao leitor, uma válvula de escape e um ponto de apoio nas lutas diárias pela sobrevivência física e emocional. Sem ser piegas, sem ser auto-ajuda essa história nos força a refletir sobre a nossa própria existência e nas ramificações dos nossos atos.
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Fal Azevedo
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Eu poderia continuar nesse tópico por muito tempo. De especial ironia são as cenas e os pensamentos na galeria de arte. Tão real… Mas quem não gostaria de ter os amigos de Alma como amigos? E de receber emails tão precisamente relevantes quanto ela? Tão irônicos e concisos? E quem não gostaria de ter como vizinho um Seu Lurdiano, que como um anjo da guarda, alimenta sua amiga com comida do corpo e da alma? Quem não gostaria de um amigo com quem se pode ficar calado por algumas horas na mais perfeita intimidade?
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Mas nenhum desses amigos, nenhum desses emails, se os tivéssemos, nada, conseguiria dar ao leitor o prazer desse texto e os parâmetros para a auto-reflexão que esse livro consegue gerar. Aqui fica a sincera recomendação para a leitura desse pequeno mundo mágico de Alma. Um dos melhores livros que li em 2010 e certamente um dos mais interessantes livros que li de autor brasileiro há muito, muito tempo. Não percam.
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A abelha trabalha sempre,
Não pára, não é vadia;
Faz esse mel tão gostoso
Que toda gente aprecia.
Menino com cachorro, ilustração Mark Arian.—
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Afonso Schmidt
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Numa tarde longa e mansa,
os dois pela estrafa vão:
o cão estima a criança,
e a criança estima o cão.
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Que delicada aliança
dos seres da criação:
uma risonha criança,
um robustíssimo cão.
—
Deus percebeu a lembrança
e sorriu lá na amplidão:
ele gosta da criança,
que trata bem o seu cão.
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Por isso, na tarde mansa,
os dois felizes lá vão:
a delicada criança
e o robustíssimo cão.
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Em: Poesia brasileira para a înfância, Cassiano Nunes e Mário da Silva Brito, São Paulo, Saraiva:1968
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Afonso Schmidt
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Afonso Schmidt (Cubatão, SP 1890 – SP, SP 1964) poeta, romancista, contista, biógrafo, jornalista. Como jornalista trabalhou para A Voz do Povo, em 1920, no Rio de Janeiro. Para Folha da Noite, Diário de Santos e A Tribuna, em Santos. Em São Paulo trabalhou na Folha da Noite e O Estado de S.Paulo. Neste último trabalhou de 1924 até 1963. Recebeu o prêmio da revista O Cruzeiro em 1950 pelo romance Menino Felipe. A União Brasileira de Escritores lhe premiou com o Juca Pato – Intelectual do Ano em 1963. Foi sócio fundador do Sindicato dos Jornalistas do Estado de S. Paulo, membro da Academia Paulista de Letras e do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo.
Obras:
Lírios roxos, 1904
Miniaturas, 1905
Janelas Abertas (poesia), 1911
Lusitânia (ato em verso), 1916
Evangelho dos Livres (panfleto), 1920
Mocidade, 1921
Brutalidade (contos), 1922
Ao relento, 1922
Janelas Abertas (versos) – Edição Aumentada (Menção Honrosa da Academia Brasileira de Letras, 1923
Os Impunes (novelas), 1923
As Levianas (peça em três atos), 1925
O Dragão e as Virgens (romance, 1927
Cânticos Revolucionários (panfletos), 1930
A nova conflagração, 1931
Garoa, 1931
Os Negros (crônicas), 1932
Garoa (poesia), 1932
Poesias, 1934
Carne para Canhão (peça em três atos), 1934
Pirapora (contos), 1934
Curiango (contos), 1935
Zanzalás (uma novela de tempos futuros), 1936
A Vida de Paulo Eiró (biografia), 1940
A Marcha (Romance da Abolição), 1941
O Tesouro de Cananéia (contos), 1941
No Reino do Céu (novela), 1942
A Sombra de Júlio Frank (biografia),1942
A árvore das lágrimas, 1942
Colônia Cecília (Uma aventura anarquista na América), 1942
O Assalto (Romance do ouro e do sal), 1945
Poesias (edição definitiva), 1945.
O Retrato de Valentina (novela), 1947
A Primeira Viagem (viagem), 1947
Menino Felipe (romance), 1950
Saltimbancos (romance), 1950
Aventuras de Indalécio (romance), 1951
Os Boêmios (contos), 1952
Dedo nos Lábios (novelas), 1953
O Gigante Invisível (divulgação), 1953
Carantonhas (novela juvenil), s/d
São Paulo dos Meus Amores (crônicas), 1954
A Marcha (romance da Abolição, história em quadrinhos), 1955
Mistérios de São Paulo (reminiscência), 1955
Bom Tempo (memórias), 1956
A Datilógrafa (romance), 1958
A Locomotiva (romance), 1960
Mirita e o Ladrão (romance), 1960
O Retrato de Valentina (novela), 1961
O Canudo, 1963
O enigma de João Ramalho, 1963
O passarinho verde, s/d
Zamir, s/d
O problema com que todos nós vivemos, 1964
Norman Rockwell ( EUA, 1894-1978)
óleo sobre tela
[Para a revista LOOK de 14-01- 1964]
Old Corner House Collection, Stockbird, Massachusetts
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Na Inglaterra o livro O sol é para todos, [To kill a mocking bird] da escritora Harper Lee, é um dos livros mais populares ficando em quinto lugar na preferência do público, abaixo de Orgulho e preconceito [ Pride and Prejudice] mas acima da Bíblia, um fato intrigante considerando-se que o romance foi publicado há exatamente 50 anos, que se passa no sul dos Estados Unidos na época da Depressão. O enredo se desenrola na cidade fictícia de Maycomb e um dos temas centrais trata da discriminação racial, discriminação de classe e a procura da justiça para um inocente. Levando isso em consideração li o artigo que a BBC publicou ontem, justamente analisando essa popularidade, que não é justificada só por ser um livro adotado em muitas escolas. Ao que tudo indica sua popularidade ultrapassa gerações. Seus fãs tanto os jovens e quanto seus pais, o consideram uma leitura inigualável. Além disso, as bibliotecárias entrevistadas nessa mesma enquete do World Book Day admitiram ser O sol é para todos o livro que mais indicavam.
A narrativa é feita por uma adolescente. Ou talvez, por uma pessoa idosa lembrando-se de sua adolescência. O adolescente como narrador tem um longa e forte tradição na literatura americana, cujo principal propulsor dessa voz foi conquistado por Huckleberry Finn, no livro As aventuras de Huckleberry Finn de Mark Twain. Em O sol é para todos, Scout, é a filha de um advogado que defende um homem negro da acusação de estupro de uma menina branca, e é através de seus olhos que entendemos a sociedade que a cerca. Este é de fato um livro sobre justiça, cheio de esperança, de valores morais universais, que não têm nem idade, nem país de origem. E que todos nós, adultos, jovens ou crianças almejamos. É um livro de alto astral. E é, também, onde aprendemos a tentar ver a realidade através dos olhos de outrem; de andar nos seus passos, de conhecer o seu caminho. São experiências e atitudes universais que nos mostram a nossa própria humanidade.
E você? Já leu O sol é para todos?
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Henriqueta Lisboa
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Caminho de formiguinhas,
fiozinho de caminho.
Caminho de lá vai um,
atrás de uma lá vai outra.
Uma, duas argolinhas,
corrente de formiguinhas.
Corrente de formiguinhas,
centenas de pontos pretos,
cabecinhas de alfinete
rezando contas de terço.
Nas costas das formiguinhas
de cinturinhas fininhas
pesam grandes folhas mortas
que oscilam a cada passo.
Nas costas das formiguinhas
que lá vão subindo o morro
igual ao morro da igreja,
folhas mortas são andores
nesta procissão dos Passos.
Em: O mundo da criança: poemas e rimas, vol I, Rio de Janeiro, Delta: s/d.
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Henriqueta Lisboa (MG 1901- MG 1985), poeta mineira. Escritora, ensaísta, tradutora professora de literatura, Com Enternecimento (1929), recebeu o Prêmio Olavo Bilac de Poesia da Academia Brasileira de Letras. Em 1984, recebeu o Prêmio Machado de Assis da Academia Brasileira de Letras pelo conjunto de sua obra.
Obras:
Fogo-fátuo (1925)
Enternecimento (1929)
Velário (1936)
Prisioneira da noite (1941)
O menino poeta (1943)
A face lívida (1945) — à memória de Mário de Andrade, falecido nesse ano
Flor da morte (1949)
Madrinha Lua (1952)
Azul profundo (1955);
Lírica (1958)
Montanha viva (1959)
Além da imagem (1963)
Nova Lírica ((1971)
Belo Horizonte bem querer (1972)
O alvo humano (1973)
Reverberações (1976)
Miradouro e outros poemas (1976)
Celebração dos elementos: água, ar, fogo, terra (1977)
Pousada do ser (1982)
Poesia Geral (1985), reunião de poemas selecionados pela autora do conjunto de toda a obra, publicada uma semana após o seu falecimento
Marc Chagall ( Bielorrússia 1887 — França 1985)
óleo sobre tela 81 x 100 cm
MOMA ( Museu de Arte Moderna) , N ova York
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Para comemorar o Dia de Camões escolhi postar um dos mais belos sonetos em língua portuguêsa. Pelo tema, começo também a celebrar o Dia dos Namorados que aqui no Brasil se comemora no dia 12 de junho. Este é bem conhecido, muitos de nós até sabemos partes sem saber que são versos de Camões. Pois aqui está:
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Luís de Camões
Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer;
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É um não querer mais que bem querer;
É solitário andar por entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É cuidar que se ganha em se perder;
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É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor;
É ter com quem nos mata lealdade.
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Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
Se tão contrário a si é o mesmo Amor?
O livro do ABC, 1943, ilustrado por Ethel Hays ( EUA 1892-1989).—
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Bastos Tigre
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Um livro: — um lindo brinquedo
Que Bebê fica a mirar:
Cada página é um segredo
A desvendar.
Livro de folhas escritas
E ilustradas — mais de cem!
Quantas histórias bonitas
Ele contém!
Figuras de vivas cores,
Lindamente combinadas:
Casas, bichos, frutas, flores,
Bruxas e fadas…
E a explicação disso tudo
Em grandes letras impressas!
Bebê, radiante no estudo,
Firme, começa!
Essas letras, essas frases
Têm tais sentidos ocultos,
Que entender não são capazes
Doutos adultos.
É preciso ter cinco anos
— E nem todo mundo os tem —
Para poder tais arcanos
Penetrar bem.
Por leitura eu não entendo
O que eu faço e faz qualquer,
As letras do que está lendo
Sem ver sequer.
Bebê cada letra estuda,
Em cada sílaba atenta,
Franzindo a testa sisuda,
Descobre, inventa,
Decifra um novo mistério
A cada voz que enuncia
Que estudo não há mais sério,
De mais valia.
E é de notar-se o ar solene
Com que as silabas lê:
Já não confunde o “m” e o “n”,
O “p” e o “q”…
Ei-lo que as letras combina,
Forma os sons e, num momento,
Vai-lhe a frase, da retina
Ao pensamento.
Maravilha do alfabeto
Que dos arranjos de traços
Faz surgiur a idéia, o objeto!
Novos espaços.
Abre à razão ignorante,
Dá-lhe asas de luz e a eleva,
Radiosa, para o levante,
Longe da treva!
Que humano invento o suplanta?
Só um Deus pudera, em verdade,
Tal grandeza por em tanta
Simplicidade.
Vendo-o tão simples, dir-se-ia
— Do nada tão pouco além…
Que humana sabedoria
Do nada vem…
Quase-nada, gérmen ovo,
Do saber, célula mater,
Sem ele não tem um povo
Alma, caráter…
***
Mas Bebê quer tudo feito
Depressa; e anseia por ciência!
(Não é seu menor defeito
O da impaciência).
E, antes que os frutos recolha
Da cultura, ah, quem dissera!
Todo o livro, folha a folha,
Zás, dilacera!
Em: Meu bebê: poesias líricas ( Poemas da primeira infância), 1925. [Prêmio de Poesia da Academia Brasileira de Letras].
[La Catrina é um personagem folclórico do México]
José Guadalupe Posada (México 1852-1913)
gravura aquarelada
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Walter Nieble de Freitas
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Por causa de um esqueleto
Corri a não poder mais:
Assustado entrei em casa
E contei tudo a meus pais
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“O esqueleto, seu bobinho,
Nunca foi assombração:
É ele um conjunto de ossos
Dispostos em armação.
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Sua função principal
É manter o corpo ereto;
Tem cabeça, tronco e membros
Todo esqueleto completo.
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Preste, pois, muita atenção,
Guarde bem, jamais se esqueça:
Somente de crânio e face
Se constitui a cabeça.
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O tronco tem só três partes,
Vou dizer-lhe quais são elas:
A coluna vertebral,
O esterno e as costelas.
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Os membros são conhecidos:
Os de cima superiores;
E os que servem para andar,
São chamados inferiores”.
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Até agora não compreendo
Como é que fui tolo assim:
Correr de um pobre esqueleto
Tendo outro esqueleto em mim!
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Em Barquinhos de papel: poesias infantis, São Paulo, Editora Difusora Cultural:1961.
Walter Nieble de Freitas ( Itapetininga, SP) Poeta e educador, foi diretor do Grupo Escolar da cidade de São Paulo.
Obras:
Barquinhos de papel, poesia, 1963
Mil quadrinhas escolares, poesia, 1966
Desfile de modas na Bicholândia, 1988
Simplicidade, poesia, s/d
Chico Vagabundo e outras histórias, 1990
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