–
–
Professor Pardal tenta ser artista, ilustração Walt Disney.
–
Artista, não se envaideça;
tudo na vida é fugaz…
Se a glória sobe à cabeça,
muita amargura nos traz!
–
(Armando Aranda)
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Professor Pardal tenta ser artista, ilustração Walt Disney.–
Artista, não se envaideça;
tudo na vida é fugaz…
Se a glória sobe à cabeça,
muita amargura nos traz!
–
(Armando Aranda)
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Mosquito, ilustração Maurício de Sousa.–
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Cecília Meireles
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O mosquito pernilongo
trança as pernas, faz um M,
depois treme, treme, treme,
faz um O bastante oblongo,
faz um S.
–
O mosquito sobe e desce.
Com artes que ninguém vê,
faz um Q,
faz um U, e faz um I.
–
Este mosquito esquisito
cruza as patas, faz um T.
E aí,
se arredonda e faz outro O,
mais bonito.
–
Oh!
Já não é analfabeto,
esse inseto,
pois sabe escrever seu nome.
–
Mas depois vai procurar
alguém que possa picar,
pois escrever cansa,
não é, criança?
–
E ele está com muita fome.
–
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Em: Ou isto ou aquilo, Cecília Meireles, Rio de Janeiro, Nova Fronteira: 2002.
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Cecília Benevides de Carvalho Meireles (RJ 1901 – RJ 1964) poeta brasileira, professora e jornalista brasileira.
Obras:
Espectros, 1919
Criança, meu amor, 1923
Nunca mais…, 1924
Poema dos Poemas, 1923
Baladas para El-Rei, 1925
O Espírito Vitorioso, 1935
Viagem, 1939
Vaga Música, 1942
Poetas Novos de Portugal, 1944
Mar Absoluto, 1945
Rute e Alberto, 1945
Rui — Pequena História de uma Grande Vida, 1948
Retrato Natural, 1949
Problemas de Literatura Infantil, 1950
Amor em Leonoreta, 1952
12 Noturnos de Holanda e o Aeronauta, 1952
Romanceiro da Inconfidência, 1953
Poemas Escritos na Índia, 1953
Batuque, 1953
Pequeno Oratório de Santa Clara, 1955
Pistóia, Cemitério Militar Brasileiro, 1955
Panorama Folclórico de Açores, 1955
Canções, 1956
Giroflê, Giroflá, 1956
Romance de Santa Cecília, 1957
A Bíblia na Literatura Brasileira, 1957
A Rosa, 1957
Obra Poética,1958
Metal Rosicler, 1960
Antologia Poética, 1963
História de bem-te-vis, 1963
Solombra, 1963
Ou Isto ou Aquilo, 1964
Escolha o Seu Sonho, 1964
Crônica Trovada da Cidade de San Sebastian do Rio de Janeiro, 1965
O Menino Atrasado, 1966
Poésie (versão francesa), 1967
Obra em Prosa – 6 Volumes – Rio de Janeiro, 1998
Inscrição na areia
Doze noturnos de holanda e o aeronauta 1952
Motivo
Canção
1º motivo da rosa
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Manoel Pereira Reis Júnior
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Aranha:
ela tece o aranhol
com fios de prata
que tem no novelo do palpo…
–
Ela se emaranha toda
na volúpia de tecer um tapete
de filigranas de luz para dormir…
–
Dorme e sonha . . .
na faina de viver fiando
a vida inteira…
–
E a aranha, bailarina sonâmbula,
fiandeira da prata que produz,
descreve em todos os lugares
a giratória, girante das giradas,
que são fios de prata que reluz.
–
Reviravolteia, sobe, desce,
na augústia de dar a forma
ao fio que ela tece. . .
–
– Aranha! que sorte bonita é a tua,
de construir um aranhol,
que a noite se tinge de lua,
e de dia se veste de sol! …
–
–
Manoel Pereira Reis Júnior ( Catu, BA, 1911 — RJ, RJ 1975) Poeta biógrafo, professor, jornalista, historiador, prêmi ABL (1944 e 1973).
Obras
As Últimas do outono, 1973
Canções do infinito, 1943
Cantigas da mata, 1936
Delírio de Pã, 1938
Epopéia heróica, 1941
Iocaloa, 1932
Maria da Graça, 1931
Ronda luminosa, 1934
Teia de aranha, 1930
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Pirilampo, ilustração Jeniffer Emery, EUA.–
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Brilhante de asas — o vagalume,
Dentro da noite escura e feia,
Para a beleza do negrume,
Ele a si próprio se incendeia.
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(Sabino de Campos)
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Ilustração Jones Holmgreen, capa da revista Homes & Garden , Setembro 1938.–
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Roseana Murray
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A arquiteta gostaria
de projetar mil casas
por dia,
aéreas, subterrâneas,
casas de vidro e de paina,
redondas, de esvoaçantes
telhados.
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Em frente à prancheta
a arquiteta sonha
o justo sonho
de todo mundo ter
onde morar.
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Em: A bailarina e outros poemas, Roseana Murray, São Paulo, Editora FTD: 2001.
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Roseana Murray nasceu no Rio de Janeiro em 1950. Graduou-se em Literatura e Língua Francesa em 1973 (Universidade de Nancy/ Aliança Francesa).
Obras:
Poesia para crianças e jovens
Fábrica de Poesia, ed. Scipionne, 2008
Poemas e Comidinhas, com o Chef André Murray, ed. Paulus, S.P, 2008
Residência no Ar, ed. Paulus, 2007
No Cais do primeiro Amor, ed. Larousse, 2007
Desertos, ed. Objetiva, 2006. ( Finalista do Prêmio Jabuti ) – Altamente Recomedável FNLIJ, 2006
O traço e a traça ed. Scpionne, 2006.
O xale azul da sereia, ed. Larrousse, 2006.
O que cabe no bolso? ed. DCL, 2006.
Paisagens, ed. Lê, 2006.
Pêra, uva ou maçã ed. Scipione, 2005. (Catálogo de Bolonha 2006 e Acervo Básico, F.N.L.I.J).
Rios da Alegria, ed. Moderna, 2005. (Altamente Recomendável, F.N.L.I.J).
Poemas de Céu ed. Miguilim, 2005. (Antigo “Lições de Astronomia”).
Maria Fumaça Cheia de Graça, ed. Larousse, 2005.
Duas Amigas, ed. Paulus, 2005 (reedição).
Lua Cheia Amarela, ed. Dimensão 2004.
Caixinha de Música, ed. Manati, 2004. (Catálogo de Bolonha 2005)
Um Gato Marinheiro, ed. DCL, 2004.
Todas as Cores Dentro do Branco, ed. Nova Fronteira, 2004.
Recados do Corpo e da Alma, ed. FTD, 2003. (Altamente Recomendável F.N.L.I.J)
Luna, Merlin e Outros Habitantes, ed. Miguilim/ Ibeppe, 2002. (Altamente Recomendável, F.N.L.I.J. )
Jardins, ed. Manati, 2001. (Prêmio Academia Brasileira de Letras de Literatura Infantil 2002. )
Caminhos da Magia, ed. DCL, 2001.
Manual da Delicadeza, ed. FTD, 2001.
O Silêncio dos Descobrimentos, com Elvira Vigna, ed. Paulus, 2000.
Receitas de Olhar, ed. F.T.D, 1997, ( Prêmio O Melhor de Poesia, F.N.L.I.J. )
Carona no Jipe, ed. Memórias Futuras, 1994 e ed. Salamandra, 2006
No final do Arco-Íris, ed. José Olímpio, 1994.
O Mar e os Sonhos, ed. Miguilim,1996, (Altamente Recomendável para a Criança, F.N.L.I.J. )
Paisagens, ed. Lê, 1996.
Felicidade, ed. F.T.D, 1995, (Altamente Recomendável para a Criança, F.N.L.I.J. )
De que riem os palhaços ed. Memórias Futuras, 1995. Esgotado
Tantos Medos e Outras Coragens, ed. F.T.D, 1994 ( Prêmio O Melhor de Poesia F.N.L.I.J e Lista de Honra do I.B.B.Y. ) Reedição com novas ilustrações em 2007
Qual a Palavra? ed. Nova Fronteira, 1994.
Casas, ed. Formato, 1994. Editado no México, ed. Alfaguara
Dia e Noite, ed. Memórias Futuras, 1994. Esgotado
Artes e Ofícios, ed. F.T.D, 1990, (Prêmio A.P.C.A. e Altamente Recomendável para a Criança, F.N.L.I.J. ) Reedição com novas ilustrações em 2007
Falando de Pássaros e Gatos, editora Paulus, 1987.
Fruta no Ponto, ed. F.T.D, 1986. (Prêmio O Melhor de Poesia. F.N.L.I.J.
Fardo de Carinho, ed. Murinho, 1980 e ed. Lê, 1985.
O Circo, ed. Miguilim/ Ibeppe, 1985.
Lições de Astronomia, ed. Memórias Futuras, 1985. Esgotado
Classificados Poéticos, ed. Miguilim/ Ibeppe, 1984, (Altamente Recomendável para a Criança, F.N.L.I.J, e finalista do Prêmio Bienal. )
No Mundo da Lua, ed. Miguilim/ Ibeppe, 1983.
Contos para crianças e jovens
Território de Sonhos, ed. Rocco, Altamente Recomendável FNLIJ, 2006.
Sete Sonhos e um Amigo, ed. FTD, 2004.
Pequenos Contos de Leves Assombros, ed. Quinteto, 2003.
Um Avô e seu Neto, ed. Moderna, 2000.
Terremoto Furacão ed. Paulus, 2000.
Um cachorro para Maya, ed Salamandra, 2000.
Uma História de Fadas e Elfos, ed. Miguilim / Ibeppe, 1998, (Acervo Básico da F.N.L.I.J – criança ).
Três Velhinhas tão velhinhas, ed. Miguilim / Ibeppe, 1996
O Fio da Meada, ed. Memórias Futuras, 1994. Ed. Paulus, 2002
Retratos, ed. Miguilim/ Ibeppe, 1990, Altamente Recomendável para a Criança, F.N.L.I.J. )
O Buraco no Céu ed. Memórias Futuras, 1989.
Poesia
Variações sobre Silêncio e Cordas, com desenhos de Elvira Vigna. E-BOOK, edição artesanal Maurício Rosa, Visconde de Mauá, maio de 2008.
Poesia essencial, ed. Manati, 2002.
15 poemas no livro Um Deus para Dois Mil, de Juan Arias, ed. Vozes (em seis línguas) 1999.
Caravana, inédito, vencedor do Concurso Cidade de Belo Horizonte, 1994.
Pássaros do Absurdo, ed. Tchê ,1990, vencedor do Concurso da Associação Gaúcha de Escritores.
Paredes Vazadas, ed. Memórias Futuras, 1988. Esgotado
Viagens , ed. memórias Futuras, 1984.
Revista Poesia Sempre.
Revista Microfisuras, Espanha
Correspondência
Porta a porta, com Suzana Vargas, ed. Saraiva, 1998, ?Acervo Básico da F.N.L.I.J – jovem).
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Não te enganes com carinhos,
que a natureza é ardilosa,
pois não foi dotar de espinhos
a frágil e meiga rosa?
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(Hélio Nunes da Costa)
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A colheita da estação,
junto aos vastos parreirais,
traz a marca e o coração
dos mais nobres ancestrais.
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(Amália Marie Gerda Bornhein)
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Ilustração Margret Boriss.–
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Elias José
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Banana-prata,
banana-ouro,
banana-d’água,
banana-baiana
banana-nanica
banana-são-tomé.
–
O menino bananeiro
e os seus melhores amigos,
dois burrinhos vagarosos,
vão chegando à cidade.
–
Queria vender bananas
muitas bananas,
gostosas e diferentes,
para todas as casas
da velha cidadezinha.
–
Queria voltar pra casa
com os cestos vazios
e os bolsos bem cheios
de notas e moedas.
–
Coisa melhor do mundo
é poder ajudar à mãe…
–
Só que na cidade tão pequena,
há tantas bananeiras nos quintais!…
–
Os cestos não vão se esvaziar.
e nos bolsos haverá poucas moedas…
–
— Melhor assim do que nada! –
diz o menino bananeiro
aos seus burrinhos magricelas.
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Em: Mágica terra brasileira, Elias José, São Paulo, Saraiva:2006
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Elias José – (MG 1936 – MG 2008 ) escritor de literatura infantil e juvenil, contista, poeta, romancista e professor.
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Cartão de Natal, EUA, sem data.–
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Eis como o escritor católico, Sr. Ângelo Antônio Dallegrave, descreve a cena memorável:
“Melchior, venerável por sua velhice, ofereceu o ouro, reconhecendo Jesus como seu único Soberano e Senhor; Gaspar que segundo a tradição era o mais jovem, apresentou ao Menino incenso, porque viu na criança o Verbo Eterno que se fez homem e habitou entre nós; Baltasar ofertou-lhe mirra, porque, reconhecendo no Divino Infante, o Eterno, sabia igualmente, que Jesus viera ao Mundo, se fizera homem, nosso irmão pela carne, menos no pecado, para por nós morrer.”
Em torno da figuras tradicionais dos Reis Magos e dos presentes por eles oferecidos ao Menino, tecem os escritores cristãos as mais incríveis fantasias. Vamos transcrever pequeno trecho do historiador, Sr. Hermes Vieira:
“Representando a cultura máxima do tempo dos Reis Magos, ao presentearem Jesus, deram uma grande lição à Humanidade. Baltasar, que era preto, e viera da África, ofereceu-lhe a mirra que simbolizava a Mortificação; Gaspar, que tinha os olhos longos e a barba fina como um cavalheiro da Arábia, doou-lhe o incenso, que significava a Oração; e Melchior, que era velho e já possuía uma longa barba cor de neve, deu-lhe o Ouro, traduzindo com este gesto o desprendimento das coisas da Terra.”
Outra referência ao simbolismo das três dádivas encontramos no livro Os Quatro Evangelhos, do eminente pregador Padre Lincoln Ramos. Eis o que nos ensina esse sacerdote:
“Entregaram os Magus a Jesus o que mais precioso haviam trazido de sua pátria sem se impressionarem com a pobreza do lugar e das pessoas. Atribui-se belo simbolismo às três dádivas: pelo ouro homenagearam Jesus como Rei; pelo incenso e pela mirra, reconheceram-no como deus e como homem. O incenso se oferece a Deus nos altares; com a mirra — resina aromática — eram embalsamados os cadáveres e purificadas as mortalhas que os envolviam.”
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Em: A Estrela dos Reis Magos, Malba Tahan, São Paulo, Saraiva: s/d
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Enrico Bianco (Itállia/Brasil, 1918)
óleo sobre cartão colado em madeira, 59 x 95 cm
Coleção Particular
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Theobaldo Miranda Santos
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Chamam-se reisados as festas populares que se realizam na véspera de Reis. Tiveram início na Bahia, passando-se, depois, para outros estados do Brasil, inclusive São Paulo. Essas festividades tradicionais tomaram aspectos diferentes nas diversas regiões do nosso país.
Assim, em certos lugares, os reisados assumem a forma de ternos, isto é, de grupos de pessoas, fantasiadas de pastores, acompanhadas de tocadores de flautas, violões e pandeiros. Depois de visitarem o presépio da igreja local, dirigem-se às casas previamente avisadas, que se conservam inteiramente fechadas. Chegando a essas casas, cantam:
–
Vinde abrir a vossa porta,
Se quereis ouvir cantar;
Acordai, se estais dormindo,
Que nó viemos festejar!
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Os três reis de longes terras
Vieram ver o Messias,
Desejado há tanto tempo
De todas as profecias.
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Abrem-se as portas e janelas. O cortejo entre na casa e começa a adoração do Deus Menino no presépio armado na sala. Cada pessoa prosta-se, reverente, diante do presépio e entoa uma quadrinha.
Em todos os lugares, o reisado tem a forma de rancho da burrinha ou de rancho do boi, também chamado bumba-meu-boi. No rancho da burrinha, um dos membros do cortejo ata à cintura uma armação com cara de burro, simulando estar montado.
No bumba-meu-boi, mais usado entre os sertanejos paulistas, a figura central do cortejo é um boi, grosseiramente imitado, na pele do qual se oculta um rapaz, que executa uma dança característica. Em certas localidades de São Paulo, os reisados se compõem apenas de grupos de músicos e cantores que visitam as casas onde há presépios armados e onde são recebidos com doces e bebidas.
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Em: Terra Bandeirante, 4º ano — pequena antologia sobre a terra, o homem e a cultura do estado de São Paulo, Theobaldo Miranda Santos, Rio de Janeiro, Agir:1954