René Magritte ( Bélgica, 1898-1967)
óleo sobre tela, 81 x 65 cm
National Gallery of Art, Washignton DC
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O lavrador consciente,
Que sabe reflorestar,
Quando tomba uma floresta,
Planta outra em seu lugar!
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(Walter Nieble de Freitas)
René Magritte ( Bélgica, 1898-1967)
óleo sobre tela, 81 x 65 cm
National Gallery of Art, Washignton DC
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O lavrador consciente,
Que sabe reflorestar,
Quando tomba uma floresta,
Planta outra em seu lugar!
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(Walter Nieble de Freitas)
A princesinha do castelo vermelho, de Vicente Guimarães, Rio de Janeiro, edição do autor:1950, capa e ilustrações de Joselito. 2ª edição
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Para quem, como eu, sempre teve um interesse na literatura e que trabalhou com as artes plásticas é surpreendente a falta de informação que temos quer nas bibliotecas, quer na internet, sobre ilustradores de livros brasileiros para crianças. Dentre eles há o ilustrador que se assina Joselito que, ao que eu saiba, ilustra pelo menos quatro obras de Vicente Guimarães [Vovô Felício]. Trabalhando em meados do século XX este artista gráfico, cujo nome não aparece em nenhum dos dicionários de artes plásticas de que disponho, tem um traço firme, elegante. E um colorido fascinante. Suas composições estão dentro dos parâmetros estéticos de pós-guerra. Joselito seria certamente merecedor de um estudo mais aprofundado, não só pelo seu trabalho mas também pela influência que exerceu sobre algumas gerações de crianças brasileiras que embalaram muitos de seus sonhos nos textos de Vicente Guimarães e nessas imagens. Suas mais famosas ilustrações, no mundo das crianças, talvez sejam as das aventuras de João Bolinha, de Vicente Guimarães. Abaixo seguem as ilustrações de página inteira do livro Princesinha do Castelo Vermelho. Há muitas outras ilustrações nesse livro, em preto e branco, que tenho esperanças de colocar mais tarde no blog. Espero que ao final, vocês concordem comigo sobre a necessidade de conhecermos melhor aqueles que tanto influenciaram gerações de brasileirinhos. Isso é válido também para outros ilustradores que tempo e espaço permitindo iremos conhecendo ao longo dos próximos anos…
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Joselito, Ilustração para A princesinha do castelo vermelho, de Vicente Guimarães, 1950
Capítulo 1
“Mireninha gostava imensamente dos animais e nunca os maltratava. Sua distração predileta consistia em ouvir o canto dos passarinhos no pomar.”
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Joselito, Ilustração para A princesinha do castelo vermelho, de Vicente Guimarães, 1950
Capítulo I
“A menina procurou o passarinho e foi encontrá-lo preso em grossa teia de aranha. Estava cansado de tanto debater com uma das asas. A outra emaranhara-se nos fios.”
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Joselito, Ilustração para A princesinha do castelo vermelho, de Vicente Guimarães, 1950
Capítulo II
“Quem teria rebentado? Ninguém sabia responder. Finalmente, acusaram a arrumadeira de quarto, que se chamava Amélia e era muuito amiga de Mireninha, a quem sempre contava lindas histórias.”
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Joselito, Ilustração para A princesinha do castelo vermelho, de Vicente Guimarães, 1950
Capítulo II
“Na varanda estava o papagaio, triste e mudo. Mireninha pegou a ave e começou a alisá-la:”
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Joselito, Ilustração para A princesinha do castelo vermelho, de Vicente Guimarães, 1950
Capítulo III
“Todo dia a menina voltava à caverna da pedreira para palestrar com seus novos e encantadores amigos e com a linda fada que lhe dera o dom de compreender a linguagem dos bichos.”
–Joselito, Ilustração para A princesinha do castelo vermelho, de Vicente Guimarães, 1950
Capítulo III
“Com a chegada da lua, a menina mais enlevada ficou. Sentou-se nas grossas raízes de uma velha mangueira para descansar um pouco.”
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Joselito, Ilustração para A princesinha do castelo vermelho, de Vicente Guimarães, 1950
Capítulo IV
” Uma tarde, ela estava jogando milho para as pombas, quando, de longe, veio vindo um pombo cinzento, grande, de pescoço grosso e topete. Pousou na cerca de arame e dali voou para o ombro da Princesinha.”
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Joselito, Ilustração para A princesinha do castelo vermelho, de Vicente Guimarães, 1950
Capítulo IV
“Assim que a argola foi retirada, o pombo transformou-se em um belo jovem.”
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Joselito, Ilustração para A princesinha do castelo vermelho, de Vicente Guimarães, 1950
Capítulo V
“Quando esta, no dia seguinte, se acercou do lago, encontrou seus amigos, nadando, alvoroçados, de um lado para o outro.”
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Joselito, Ilustração para A princesinha do castelo vermelho, de Vicente Guimarães, 1950
Capítulo V
“Assim que ela chegou as águas moveram-se com mais força e delas emergiu um peixe grande, muito vermelho,com escamas douradas e linda coroa na cabeça. Era o rei dos peixinhos dourados.”
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Joselito, Ilustração para A princesinha do castelo vermelho, de Vicente Guimarães, 1950
Capítulo VI
“O caçador chamava-se Saulo, porém era mais conhecido pela alcunha de ‘O moço da cara preta’.”
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Joselito, Ilustração para A princesinha do castelo vermelho, de Vicente Guimarães, 1950
Capítulo VI
“Uma vez, eu e Mário, meu colega de escola, passávamos perto da chácara do avarento e vimos, dependurados nos galhos, lindas mangas madurinhas.”
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Joselito, Ilustração para A princesinha do castelo vermelho, de Vicente Guimarães, 1950
Capítulo VII
” As águas do lago começarama subir, surgiram algumas bolhas e, em seguida, apareceu o rei dos peixes.”
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Joselito, Ilustração para A princesinha do castelo vermelho, de Vicente Guimarães, 1950
Capítulo VII
“A fada bateu a varinha de condão, e apareceu uma linda carruagem, puxada por inúmeras parelhas de passarinhos verdes, de peito amarelo e topete vermelho.”
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Joselito, Ilustração para A princesinha do castelo vermelho, de Vicente Guimarães, 1950
Capítulo VIII
“Ainda não havia penetrado no bosque, quando avistou, à beira do caminho,mpequeninas frutas vermelhas, que pareciam saborosas.”
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Joselito, Ilustração para A princesinha do castelo vermelho, de Vicente Guimarães, 1950
Capítulo VIII
“Era uma grande onça malhada, estirada no chão, à sombra da velha gameleira.”
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Joselito, Ilustração para A princesinha do castelo vermelho, de Vicente Guimarães, 1950
Capítulo IX
“Nisto, apareceu-lhe um morcego preto, trazendo no pé uma flor amarela.”
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Joselito, Ilustração para A princesinha do castelo vermelho, de Vicente Guimarães, 1950
Capítulo IX
“A Fada apareceu e perguntou o que a menina desejava.”
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Joselito, Ilustração para A princesinha do castelo vermelho, de Vicente Guimarães, 1950
Capítulo X
“Do lago dos peixinhos dourados, ia a princesinha para o jardim, apreciar as flores.”
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Joselito, Ilustração para A princesinha do castelo vermelho, de Vicente Guimarães, 1950
Capítulo X
“O mais deslumbrante acontecimento do dia do casamento foi a manifestação dos passarinhos.”
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Aqui estão as vinte ilustrações — duas para cada capítulo — feitas por Joselito para esse livro. O texto em azul fui eu mesma que escolhi como significante para as imagens mostradas, mas no livro essas ilustrações coloridas são de página inteira e não têm nenhum texto ligado a elas. Há muitas outras ilustrações em preto e branco, também feitas por ele, com gosto e um bocado de humor. Vou postá-las numa outra ocasião.
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Christina Rossetti
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Navegam botes nos rios,
navios andam no mar,
mas que é mais belo que as nuvens
que se transformam no ar?
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Vejo pontes sobre os rios,
belas esteiras de aço;
mas que ponte mais bonita
você conhece, no espaço?
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Sete cores reunidas
formando bonito véu,
um arco misterioso
que serve de ponte ao céu.
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É uma estrada colorida
que aparece, de repente,
levando, da terra ao céu,
tudo que nossa alma sente!…
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Tradução e adaptação de Helena Pinto Vieira
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Em: O mundo da crianças, poemas e rimas, Rio de Janeiro, Editora Delta: 1975, volume 1, p. 156
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Docemente equilibrada,
ia a lua pelos ares,
qual linda concha embalada
pela corrente dos mares.
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(Gonçalves Dias)
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Que festa pelo caminho!
Que som, que luz, que esplandor!
Gorgeios em cada ninho,
abelhas em cada flor!
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(Paulo Setúbal)
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Paisagem do Campo do Ipiranga, 1893
Antônio Parreiras (Brasil, 1860-1937)
Óleo sobre tela, 100 x 147 cm
Museu do Ipiranga, USP
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7 de setembro
Proclamação da Independência
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Era arroio humilde e pequenino,
A deslizar, tranquilo e mansamente
Sem ideais e sem destino,
Sem ambições no coração de água corrente.
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Boiadeiros, tangendo, nas estradas,
Cansadas reses, em jornadas lentas,
Buscavam-te por vezes. E as boiadas
Bebiam, ávidas, sedentas,
Tuas águas barrentas.
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Ipiranga, outro préstimo não tinhas.
Riacho, ribeiro, córrego, regato…
Jamais se soube de onde vinhas,
A serpentear dentro do agreste mato.
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Jamais se soube aonde ias,
Rolando molemente nos calhaus,
A tua vida sempre igual, todos os dias,
Sem dias bons, sem dias maus.
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No teu sono de rio preguiçoso
Não pensaste, jamais, que, num surto triunfal,
Chegarias a ter neste apogeu glorioso
Os fidalgos brasões de nobrreza fluvial.
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E em radiosa manhã de setembro, eis que, ousado,
A tua timidez de córrego abandonas
E penetras na história audaz, transfigurado
Em possante caudal, desafiando o Amazonas.
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E do teu curso, então, muda-se a trajetória;
E demarcas com ela, heril e sobranceiro,
Nos novos mapas da brasileira história.
A linha divisória
Entre Brasil-colônia e o Brasil brasileiro.
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Ipiranga! Que importa, acaso, a procedência
A origem do teu nome? Ipiranga, em verdade,
No idioma do Brasil traduz Independência,
Na língua nacional quer dizer: Liberdade!
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Rio imenso, o Brasil cortas de sul a norte
E entram pelos sertões teus afluentes, aos mil.
Na voz d’água clamando. Independência ou Morte.
Nas cachoeiras cantando o nome do Brasil.
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Em: Antologia Poética, Bastos Tigre, 2 vols, Rio de Janeiro, Ed. Francisco Alves: 1982.
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Manoel Bastos Tigre nasceu no Recife em 1882. Formou-se em engenheiro pela Escola Politécnica do Rio de Janeiro. Mas dedicou-se às letras. Estreou na imprensa carioca em 1902, no Correio da Manhã, onde manteve uma coluna humorística diária: Pingos e Respingos, até a sua morte em 1957. Foi o primeiro bibliotecário brasileiro por concurso o que lhe valeu o título e Patrono dos Bibliotecários do Brasil.
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Primavera! Que beleza!
A campina toda em flor.
É como se a natureza
despertasse para o amor.
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(Álvaro Teixiera Fº)
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“Muito riso e pouco sizo”,
diz-nos o velho ditado.
Mas eu digo que um sorriso
sempre dá bom resultado…
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(Lucina Long)
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Cantiga da bela infância,
peteca, bola, pião …
Minha inocência pelada
nadando no ribeirão…
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(Clóvis Brunelli)
Animais em beira de rio, s/d
Alexandre Reider ( Brasil, SP, 1973)
Óleo sobre tela
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Julinda Alvim
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Sulcando a plaga serena
à luz da manhã dourada,
numa cantiga magoada,
chora o rio a sua pena.
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E uma bonita morena,
lavadeirinha engraçada,
canta saudosa balada,
descendo a margem amena.
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Chega e depõe a bacia
de roupa. Seu vulto espia
na flor do rio, cismando.
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Volve, escuta os passarinhos.
Depois a nuvem de linhos
mergulha na água, cantado…
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Em: Vamos estudar? – 3ª série primária – edição especial para o estado do Rio de Janeiro, Theobaldo Miranda Santos, Rio de Janeiro, Agir: 1957