Curiosidade: nomes de mulheres em Portugal medieval

5 06 2015

 

 

cidade das mulheres, christne pizan[DETALHE] Iluminura
O livro da cidade das mulheres, por Cristina de Pisano, c. 1410-1414
[também conhecido como O livro das rainhas]
Atribuído ao Mestre da Cidade das Mulheres e ateliê do Duque de Borgonha
Harley 4431, folio 290
Harley Manuscript Collection, Biblioteca Britânica, Londres

 

Feriado leva a arrumação de estantes e a descobertas dentro de casa…  Nesta semana me deparei com uma pequena lista de nomes femininos usados no período medieval em Portugal, neste caso específico, no Alentejo, do século XV. Incrível como a maioria dos nomes está presente até hoje, 600 anos depois. Como sou responsável pela continuação das árvores genealógicas do lado de pai e mãe, acabei achando o nome de duas antepassadas que viveram no final do século XVIII e início do XIX no interior do estado de São Paulo [área de Ribeirão Preto] e Mato Grosso: Brites e Brígida.

Aqui vai a lista em ordem de popularidade:

Beatriz ou Brites, Catarina, Isabel, Inês, Leonor, Maria, Mor, Constança, Guiomar, Margarida, Aldonça, Ana, Brígida, Cecília, Helena, Iria, Policena, Urraca.

Muito bom para quem deseja escrever romances históricos ou para futuras mamães…   Fato é que um desses nomes já está presente na minha família na geração que hoje tem menos de cinco anos: Beatriz.

 

Em: Imagens do mundo medieval, Iria Gonçalves, Lisboa, Livros Horizonte, capítulo: Amostra de antroponímia alentejana do século XV, p. 77

 





Rio de Janeiro, comemorando 450 anos!

29 05 2015

 

Grover Chapman, OSE, Arcos da Lapa 25 x 20 cm , ass. no CID , datado de 1982Arcos da Lapa, 1982

Grover Chapman (EUA/Brasil, 1924-2000)

óleo sobre eucatex,  25 x 20 cm





A chegada… texto de João Felício dos Santos

25 05 2015

 

 

PORTINARI Família real (chegada)2A chegada da Família Real à Bahia, 1952

Cândido Portinari (Brasil, 1903-1962)

Painel, óleo sobre tela, 381 x 580 cm

Banco BBM, Rio de Janeiro

Obra executada para decorar uma das salas da sede do Banco da Bahia, Salvador, Bahia.

 

 

“E foi o desembarque.

Conde da Ponte, o fiel, o velho, o prudente governador, já bem prevenido  — pelos ingleses — da vinda de tantos hóspedes importantes, havia providenciado tudo, da melhor forma que lhes fora possível.

Até bom suprimento de água potável e para a limpeza geral (tão urgente para quem trazia dois meses de carências e desconfortos), já se acumulava em tinas, pipotes e barris pelos quatro cantos da cidade enfeitada em ansiedades.

Do interior da província chegavam, a cada instante, as coisas mais inesperadas como reforço suplementar de manutenção.

Na subida da Montanha, ladeira por onde começara a desfilar o séquito real em emperrados trânsitos, sinos bimbalhando folganças em toda a redondeza, espalhava-se grosso povo em guardadas roupas (militares, frades, escravos, mucamas…) de domingo.

Mendigos.

Buscando evidências de importante separação, nobres da terra, de espadins e chapéus de fivela, desviavam seus cavalos, apeando-se com graça estudada nos requintes pretensiosos, de cima de seus selins ornados pretensiosamente com muita prata de lei. — Era a colônia a querer dar a nota de sociedade esmerada em preciosismos de educação. Nos becos onde sapateiros e outros ambulantes já haviam topado sítios bons para ver o desfile, acoitavam-se vendedores de comida com seus tabuleiros asseados em panos da costa e de rendas.

Nenhum local próximo andava devoluto. A população primava em berrantes presenças.

No adro da Conceição da Praia (sinos refrescando alegrias), estacionavam palanquins e serpentinas profusos em ouros, tetos de esmalte pintados ao gosto do tempo do senhor D. José, e cortinas riscadas de seda-china.

Os estufins e liteirinhas guardadas por dentuços moleques escravos, jogando aius na areia do chão a canela varrido, maganos moleques de tricórnios de plumas, casacas azuis, luvas branquinhas de anil e potassa nos fios de Escócia, ufanamente de pés no chão; os estufins e liteirinhas, nas festas ingênuas da colônia em sorriso, abrigavam a curiosidade espantada de muitos olhos negros, peludos olhões da rica mestiçagem na terra brotada.

Botinas-gracinhas, atacadas até aos tornozelos morenos, sacudiam impaciências do lado de fora, pelas frestas das sanefas ciosamente corridas.

Impaciências também ondulavam nas escondidas ancas armadas das senhorinhas passageiras enquanto escondiam assanhamentos, amuadas pela demora do cortejo.

E afogavam os ligeiros peitinhos cheirando a macela-alfazema, aperreados nos sonsos decotes dos espartilhos marotos da Europa importados. …”

 

 

Em: Carlota Joaquina a rainha devassa, de João Felício dos Santos, Rio de Janeiro, Ed. Civilização Brasileira: 1968, pp:65-66

 





Rio de Janeiro, comemorando 450 anos!

22 05 2015

GASTÃO FORMENTI (1894-1974) - Leblon, óleo s tela, 65 X 55.Leblon, 1948

Gastão Formenti (Brasil, 1894-1974)

óleo sobre tela, 65 x 55 cm





Joinville: Colônia Dona Francisca, texto de James C. Fletcher

17 05 2015

Decio soncini, ensolarado, 2010Ensolarado, 2011

Décio Soncini (Brasil, 1953)

acrílica sobre tela, 80 x 80 cm

Coleção Raul Forbes

www.soncini.com.br

 

 

 

“A colônia Dona Francisca é um novo empreendimento, cuja origem pode ser exposta em poucas palavras. Em 1843 o Príncipe de Joinville casou-se com Dona Francisca, a irmã do Imperador do Brasil. Recebeu, então, como dote, grande extensão de terras cobertas de matas na província de Santa Catarina. Não faz muitos anos, numa das estações de água da Alemanha, o Príncipe encontrou-se com o Senador Schroeder, de Hamburgo, que lhe propôs um plano para valorizar o seu dote — isto é: conceder uma certa porção das terras para uma companhia, que nela fundaria uma colônia. O Príncipe concedeu nove léguas quadradas, reservando uma certa quantidade de acres para si próprio, nas melhores situações. A companhia se constituiu, e concordou em trazer uns mil e seiscentos colonos com um dado prazo de tempo. De março de 1851 a março de 1855, o número estipulado no contrato havia sido atingido. A maioria dos colonos eram alemães-suíços, embora franceses e alemães estivessem representados por considerável minoria. A vila de Joinville contém cerca de sessenta casas; nas regiões adjacentes há cento e vinte, e outras em construção. Deduzidas as mortes há aproximadamente mil e quinhentos habitantes nessa colônia; por outro lado, há um considerável número de franceses, e franceses-suíços, nas colônias adjacentes fundadas pelo Príncipe de Joinville em suas próprias terras. Dois terços da totalidade dos colonos são sem dúvida protestantes, e o outro terço é constituído por católicos.

Qual será o sucesso da colônia, esperemos para ver. (…)”

 

 

Kidder e Fletcher, publicação “O Brasil e os brasileiros“.

 

 

Em: Pinheirais e Marinhas, Paraná e Santa Catarina, coleção Histórias e Paisagens do Brasil, seleção de Ernani Silva Bruno, São Paulo, Cultrix: 1959, pp: 62-3

 

 

NOTA: James C. Fletcher esteve no Brasil entre os anos de 1851 e 1865, prosseguindo os trabalhos de propaganda do Protestantismo empreendidos vários anos antes por seu colega Daniel P. Kidder.





A laranja no Brasil e nos EUA, texto de Afrânio Peixoto

16 05 2015

 

ARMANDO ROMANELLI 1945 - Colheita de Laranja, óleo stela. Med. 40 x 50 cm.Colheita da laranja

Armando Romanelli (Brasil, 1945)

óleo sobre tela, 40 x 50 cm

 

“A laranjeira da Bahia achou o seu meio ideal não só natural, pela excelência de qualidade,senão de expansão humana industrial. Com efeito, se a Índia deu ao mundo a laranja silvestre, a Bahia deu a laranja civilizada, a princípio a laranja de umbigo e, depois estandardizada em Norte América, a laranja “pera” comercial, que os americanos traduzindo “navel” de umbigo, levaram a Washington, donde o nome “Washington-navel”. Essas baianas “laranjas de umbigo” dizem, provieram das sementes importadas da seleta comum, por “mutação”, na Bahia. Teria aparecido na Quinta do Tanque, em Brotas, no horto dos Jesuítas?  Brotas, no Cabula, é, ainda hoje, a terra de eleição das melhores dessas laranjas. Nem Gabriel Soares, nem depois Simão de Vasconcelos se referem às laranjas de umbigo; contudo, no começo do século XVIII, Manuel Botelho de Oliveira já se refere às laranjas “maiores e mais doces”. Luís dos Santos Vilhena (Carta XXª, pag. 754, ed. Brás do Amaral) escreveu, em 1802: “Laranjas são nesta cidade maiores e mais sucosas que em Portugal, e estas de diferentes qualidades, com preferência as chamadas de umbigo”. Mais de dez anos depois, em 1818, von Martius as assinalava também.

Como a laranja industrial viria desta “inovação” baiana? Estêves de Assis diz que, em 1734, o vice-rei Conde de Sabugosa, cumpria ordem do Conselho Ultramarino, mandando se cultivasse a laranja “de lei”, para o que fornecia novas sementes vindas da Metrópole. Mais tarde, em 1748, providenciará o Conde dos Galveias para que o Senado da Câmara nomeasse procurador a orientar os plantadores de “laranjas e limões”. Já teriam aparecido as de umbigo, mais pálidas, maiores, mais doces, o que contrariava o hábito europeu que, ainda hoje, as quer mais vermelhas, menores, mais ácidas, e, então, laranjas “de lei”, isto é, vendáveis na Europa?

São os americanos do norte que vão fazê-las. Em 1873, da Bahia, envia William Sanders a sua amiga Mrs. Elisa C. Tibbets, nos Estados Unidos, duas pequenas mudas de laranjeira, que chegam finalmente a Washington, “navel variety”, e daí, “Washington-navel”. Uma delas é enviada à Califórnia e lá plantada… É a mãe das laranjeiras americanas. (Antes os frades das missões californianas, franciscanos que substituíram, depois da Expulsão, aos padres jesuítas, plantaram laranjeiras nas suas casas religiosas, mas aí ficaram, sem divulgação.)

É da laranja baiana de Mrs. Tibbets que procedem os laranjais da Califórnia, que hoje dão aos Estados Unidos 100 milhões de dólares, metade do orçamento do Brasil…”

 

 

Em: Breviário da Bahia, Afrânio Peixoto, Rio de Janeiro, Editora do MEC: 1980, p.123.





Rio de Janeiro, comemorando 450 anos!

15 05 2015

 

 

H.CAVALLEIRO - óleo s tela colado em cartão, RJ GAVEA, 55 cm x 40 cm.Barra da Tijuca com Pedra da Gávea ao fundo, s.d.

Henrique Cavalleiro (Brasil, 1892-1975)

óleo sobre tela colada em cartão,  55 x 40 cm





70 anos! NUNCA MAIS…

9 05 2015

 

Slide3Soldados brasileiros retornam ao Brasil ao final da Segunda Guerra Mundial.

 

soldados-britanicos-fazem-guarda-perSoldados britânicos fazem a guarda na cidade de Caen, na França destruída na guerra.

 

monumento_dos_pracinhas_-_halley_pacheco_de_oliveira_cc_wikimedia_-_18-11-2013Monumento ao soldado desconhecido, aos mortos na Segunda Guerra Mundial, Rio de Janeiro, Brasil.

 

Ontem comemorou-se no mundo inteiro os 70 anos do término da Segunda Guerra Mundial.  Que ela não se repita.  Que tenhamos aprendido com a enorme perda de vidas, uma lição valiosa.  O Brasil participou da guerra e também perdeu vidas. É certamente um momento para ser lembrado. A vitória é de todos nós que acreditamos na liberdade, na igualdade de direitos de todos a despeito das diferenças de raça, credo e preferências individuais.





Trova sobre Tiradentes

21 04 2015

 

 

Carlos LOUSADA - O Rebelde óleo stela, 60 x 73cm. Assinado, 1961 e titulado no versoO Rebelde, 1961

Carlos Lousada (Brasil, 1905-1984)

óleo sobre tela, 60 x 73 cm

 

 

Tiradentes, tua glória
com teu corpo não morreu
e, em torno de tua história,
nossa história se escreveu.

 

(Arlindo Tadeu Hagen)





Trova sobre Tiradentes

19 04 2015

 

 

OLDACK DE FREITAS- Tiradentes. Óleo sobre tela, 53 x 65 cm. Assinado no canto inferior direito 1960.Tiradentes, 1960

Oldack de Freitas (Brasil, ?-?)

óleo sobre tela, 53 x 65 cm

 

 

No rol dos inconfidentes,
fiel à sua verdade,
deu a vida Tiradentes
por amor à Liberdade!

 

(Carolina Ramos)