Luta ao sul, na fronteira com o Paraná, Revolução de 1932

17 07 2008

 

Laire Jorge Giraud.

                Soldados Paulistas embarcam na Estação da Luz em São Paulo.

 

Sábado, 17 de julho de 1932

 

 

Chegam notícia de grandes combates em Ribeira e Itararé.  As tropas paulistas mantêm porem, as suas posições.  Chovem boatos sobre a cidade.

 

 

Transcrição do Diário de Gessner Pompílio Pompêo de Barros (MT 1896 – RJ 1960), Itapetininga, SP,  página 128, em referência à Revolução Constitucionalista de 1932.

 

 

NOTA Peregrina:

 

Meu avô se refere à Ribeira, significando Capela da Ribeira, localizada ao sul do Estado de São Paulo, onde o 2° Grupo de Artilharia de Dorso lutou.





Começam os combates da Revolução de 1932

16 07 2008

 

Cartaz da Revolução Constitucionalista de 1932

Cartaz da Revolução Constitucionalista de 1932

 

 

Sexta, 16 de julho de 1932

 

 

Travam-se combates na fronteira do sul e consta que nas do norte.  Há uma tristeza infinita por se perceber que o Rio Grande faltou ao cumprimento do pacto jurado.

 

 

 

Transcrição do Diário de Gessner Pompílio Pompêo de Barros (MT 1896 – RJ 1960), Itapetininga, SP,  página 127, em referência à Revolução Constitucionalista de 1932.

 

Itapetininga, SP, Corpo Médico embarca para guerra, 1932

Itapetininga, SP, Corpo Médico embarca para guerra, 1932





15 de julho de 1932 — começam as tropas a se formar…

15 07 2008

 

Cartaz Constitucionalista, 1932

Cartaz Constitucionalista, 1932

Quinta-feira, 15 de julho de 1932

 

Formam-se batalhões patrióticos.  São Paulo movimenta-se com entusiasmo preparando-se para uma grande guerra.  Procura guarnecer suas fronteiras com o Paraná, onde consta que o inimigo já avança.  A cidade está cheia de boatos.  Fala-se que o governo federal desembarca tropas do norte em Paranaguá para invadir as fronteiras de Ribeira, Itararé e Ourinhos.  Um esquadrão do Paraná aderiu em Itararé. 

 

 

 

Transcrição do Diário de Gessner Pompílio Pompêo de Barros (MT 1896 – RJ 1960), Itapetininga, SP,  página 127, em referência à Revolução Constitucionalista de 1932.

 

 

Alistados com fuzis.




Hora de guerra, julho 1932: diário

14 07 2008

 

 

 

Quarta-feira, 14 de julho de 1932

 

São Paulo se prepara para uma luta cruenta e no meu parecer demorada.  Chama às armas todos os válidos.

 

Transcrição do Diário de Gessner Pompílio Pompêo de Barros (MT 1896 – RJ 1960), Itapetininga, SP,  página 127, em referência à Revolução Constitucionalista de 1932.

 

O Mundo Ilustrado, ed. comemorativa 1954

 

O povo aguarda a palavra de ordem.  Foto: O Mundo Ilustrado, ed. comemorativa 1954.





E a Revolução de 1932, continua…

13 07 2008

Pilotos dos aviões que iriam bombardear a ditadura.

 Pilotos paulistas se preparam para bombardear a ditadura!

 

Terça feira, 13 de julho de 1932

 

Muita esperança por parte dos paulistas, na cooperação do Rio Grande e de Minas.  Os jornais publicam exortações daqueles dois estados.

 

 

Transcrição do Diário de Gessner Pompílio Pompêo de Barros (MT 1896 – RJ 1960), Itapetininga, SP,  página 127, em referência à Revolução Constitucionalista de 1932.

 

Centenas de mulheres voluntariam para costurar as fardas.Centenas de mulheres se voluntariam para costurar os uniformes.





12 de julho de 1932 — Diário de meu avô

12 07 2008
 Cartaz da Revolução Constitucionalista de 1932

Cartaz da Revolução Constitucionalista de 1932

 

12 de julho de 1932 

 

São Paulo continua a propalar que conta com Minas e Rio Grande.  Creio, porém, que apenas o acompanhará nesta grande arrancada para a Constitucionalização imediata, apenas o sul de Mato Grosso.

 

Transcrição do Diário de Gessner Pompílio Pompêo de Barros (MT 1896 – RJ 1960), Itapetininga, SP,  página 127, em referência à Revolução Constitucionalista de 1932.

 

São Paulo nas ruas em apoio à Revolução

São Paulo nas ruas apoia a Revoluçãp





Notas de um diário de 1932 — Gessner Pompílio Pompêo de Barros

11 07 2008

11 de julho de 1932

 

São Paulo propala pela imprensa, contar com o apoio de Minas e do Rio Grande.  Consta mesmo que havia um pacto recente entre os três estados: os três pegariam em armas se o governo federal removesse o Gal. Andrade Neves do Rio Grande, o Gal. Klinger de Mato Grosso ou se tocasse no novo secretariado paulista.  À vista deste pacto, com seu célebre ofício ao Ministro da Guerra Gal. Espírito Santo, — as iras do Catete, sendo, ato contínuo, aposentado administrativamente de maneira que, a ser verdade o pacto existente, o Gal. Klinger fez papel de garoto que, sabendo que dois outros maiores o defendiam, provocou um terceiro.

 

                                                           ♦♦♦♦♦

 

O movimento deflagrado na capital paulista contaminou em 24 horas todo o estado e encheu de entusiasmo todos os habitantes de São Paulo.

 

Transcrição do Diário de Gessner Pompílio Pompêo de Barros (MT 1896 – RJ 1960), Itapetininga, SP,  páginas 126-127, em referência à Revolução Constitucionalista de 1932.

 

Soldados da Revolução Constitucionalista de 1932, do site da Cl�nica Oftalmol�ca do Hospital das Cl�nicas de São Paulo

Soldados da Revolução Constitucionalista de 1932, do portal da Clínica Oftalmologíca do Hospital das Clínicas de São Paulo





Diário de meu avô, Itapetininga, 10/7/1932

10 07 2008

 

Uma historiadora da arte, como eu, é como diz o nome, primeiro uma historiadora.  Assim, depois que minha mãe faleceu, fui eu quem ficou com o diário de meu avô materno, com algumas entradas interessantes sobre a revolução de 1932.

 

Naquela época,  meu avô morava em Itapetininga, no estado de São Paulo.  Era diretor  dos Correios e Telégrafos da cidade e de acordo com minha mãe, que morou lá até os onze anos de idade, moravam na própria casa dos Correios: um sobrado em que embaixo ficava a agência e a casa deles em cima.  Vovô era um advogado formado pela Universidade do Brasil e em 1932 já trabalhava há alguns anos nos Correios e Telégrafos.  Tanto que suas três filhas, cujas idades se ajuntam no período de 4 anos, de 1925 a 1928, nasceram em cidades e estados diferentes do Brasil.  A primeira, minha mãe, Yonne, nasceu no Rio de Janeiro, sua irmã do meio, Yedda, nasceu em Itararé em São Paulo e a caçula, Neyde, nasceu em Araxá, MG.  E em 1932, meus avós se encontravam em Itapetininga. 

 

Não é surpresa meu avô ter feito um diário.  Era um homem de letras.  Mais tarde, nos anos 50 já estabelecido há anos no Rio de Janeiro, foi colunista semanal de um vespertino carioca.

 

Como sempre tive interesse na história do Brasil, fiquei muito emocionada ao encontrar passagens no seu diário que refletem a revolução de 1932.   No dia 9 de julho, propriamente dito, não há nenhuma anotação.   Mas no dia seguinte:

 

10 de julho 932

 

Rebentou ontem em São Paulo uma revolução com caráter constitucionalista.  Este movimento já hoje se alastrou por todo o Estado de São Paulo… Fala-se que São Paulo pegou em armas para restaurar o império da Lei no país.  Analisando-se este acontecimento sem paixão nem parti pris parece ser pequeno o móvel da revolução, porque já o governo federal havia marcado o prazo para a constituinte. 

 

Meu avô chamava-se Gessner Pompílio Pompêo de Barros (MT – 1896 – RJ 1960)

 

 

Esta é a minha pequena homenagem aqueles que lutaram na Revolução de 32.

10 de julho de 1932, página do diário de Gessner Pomp�lio Pompêo de Barros, Itapetininga, SP

10 de julho de 1932, página do diário de Gessner Pompílio Pompêo de Barros, Itapetininga, SP





Frei Antonio de Santa Maria Jaboatão

7 07 2008

 

Frei franciscano,

Frei franciscano por José Cisneros, Cortesia da Comissão Histórica do condado de Bexar, Texas

Aniversário de morte –  em 7 de julho de 1779, morreu em Salvador,  Frei Antonio de Santa Maria Jaboatão, um dos nossos primeiros historiadores. Brasileiro, nasceu em Santo Amaro do Jaboatão, 1695 – Recife.   Frade franciscano, professou fé,  em 12 de dezembro de 1717, ordenando-se em 1725 no convento de  Santo Antonio do Paraguaçu,  em Salvador na Bahia.  Depois voltou a Pernambuco.    Ocupou vários cargos dentro da ordem franciscana.  Foi um genealogista, historiador, orador, poeta e cronista brasileiro.  Sua principal obra é o Novo Orbe Seráfico Brasílico também chamado de Crônica dos Frades Menores da Província do Brasil (1761).  Deixou outras obras, algumas inéditas.   Entre as publicadas, (sempre em Lisboa) estão:  Discurso histórico, geográfico, genealógico, político e encomiástico, recitado em a nova celebridade, que dedicaram os pardos de Pernambuco ao santo da sua cor o B. Gonçalo Garcia ( 1751);  Sermão de Santo Antonio, em o dia do Corpo de Deus, Lisboa (1751);  Sermão de S. Pedro Martyr, pregado na matriz do Corpo Santo do Recife, Lisboa (1751);  Jaboatão Místico” (coletânea de sermões) (1761); “Catálogo Genealógico das Famílias Brasileiras” (1768).

 

Hoje: Patrono da Cadeira n° 2 da Academia Pernambucana de Letras.

 

 

 

Fonte: Dicionário brasileiro de datas históricas, ed. José Teixeira de Oliveira, ed. Vozes:2002, Petrópolis

 

 

 

Décimas

 

 

 

 

                                                           Por Colbert e Sebastião

                                                           Duas grandes monarquias,

                                                           Em Letras e Regalias

                                                           Famosas no mundo estão:

                                                           Portugal e França, são;

                                                           E sendo lá, como o é,

                                                           Primeiro o douto Colbert,

                                                           Em pontos de bom reger,

                                                           Cá também o deve ser

                                                           Um Sebastião José.

 

 

                                                           Ministros de um Reino tais

                                                           Zelosos e verdadeiros,

                                                           Assim como são primeiros,

                                                           Deviam ser imortais;

                                                           Vindo ser glórias fatais

                                                           Lá o Rei Cristianíssimo,

                                                           Cá o nosso Fidelíssimo

                                                           Por este que o Céu lhe deu,

                                                           Faz que seja por troféu

                                                           Seu governo felicíssimo.

 

 

                                                           Oh que dita singular!

                                                           Para a nossa Academia

                                                           Alto Padrão na Bahia,

                                                           Vejo a Fama levantar!

                                                            Nele se lê sem notar

                                                            Das outras as várias cenas,

                                                           Que a nossa com outras penas,

                                                           Faça eterna a sua glória,

                                                           Viva sempre na memória,

                                                           Pois tem tão grande Mecenas.

 





Suícidio ou assassinato de Cláudio Manoel da Costa?

4 07 2008
Maysa de Castro

Mariana, MG — foto: Maysa de Castro

 

Hoje é aniversário de morte  — 219 anos — de Cláudio Manoel da Costa, (Mariana, MG, 5/6/1729 — Ouro Preto, MG, 4/7/1789),  poeta brasileiro e inconfidente.  Nasceu nos arredores da cidade de Mariana, no Sítio de Vargem do Itacolomi, em Ribeirão do Carmo. Fez os primeiros estudos em Vila Rica; veio depois para o Rio de Janeiro, onde cursou Filosofia no Colégio dos Jesuítas.  Aos 20 anos, foi estudar em Portugal, na Universidade de Coimbra, onde se diplomou em Cânones, em 1753.   Exerceu a advocacia, tornando-se excelente jurista, bastante renomado e abastado fazendeiro, senhor de três fazendas.  Foi juiz medidor de terras da Câmara de Vila Rica.  Exerceu o cargo de procurador da Coroa e desembargador.  Por incumbência da Câmara de Ouro Preto elaborou “carta topográfica de Vila Rica e seu termo” em 1758. Foi secretário do Conde de Bobadela, Gomes Freire de Andrade, ( Alentejo, 1685 — Rio de Janeiro, 1763), militar português e governador de Minas Gerais.  Cláudio Manoel da Costa, também escreveu sob o cognome de Glauceste Satúrnnio, nome árcade, que adotou depois de fundar a Arcádia Ultramarina.  Membro da Conspiração Mineira, que pregava a independência de Minas Gerais do domínio português, acusado pela Devassa, foi preso e interrogado uma só vez pelos juizes de Alçada, no dia 2 de julho de 1789.   Morreu na prisão, na Casa de Contos, em Vila Rica hoje, Ouro Preto.  Se foi assassinado ou se realmente cometeu o suicídio aos 60 anos enforcando-se na cadeia, ainda é um assunto debatido por historiadores até os dias de hoje.   Excelente poeta, Cláudio Manoel da Costa, mantém  a tradição de Luiz Vaz de Camões na poesia, mas serve de conexão entre a poesia Barroca brasileira e o Arcadismo.

 

É o patrono da Cadeira n. 8, na Academia Brasileira de Letras,  por escolha do fundador Alberto de Oliveira.

Morreu solteiro.  Deixou filhos naturais.

TRÊS SONETOS 

 

 

LXXX

 

Quando cheios de gosto, e de alegria

Estes campos diviso florescentes,

Então me vêm as lágrimas ardentes

Com mais ânsia, mais dor, mais agonia.

 

Aquele mesmo objeto, que desvia

Do humano peito as mágoas inclementes,

Esse mesmo em imagens diferentes

Toda a minha tristeza desafia.

 

Se das flores a bela contextura

Esmalta o campo na melhor fragrância,

Para dar uma idéia da ventura;

 

Como, ó Céus, para os ver terei constância,

Se cada flor me lembra a formosura

Da bela causadora de minha ânsia?

 

Cláudio Manuel da Costa

 

 

 

XXXIII

 

Aqui sobre esta pedra, áspera, e dura,

Teu nome hei de estampar, ó Francelisa,

A ver, se o bruto mármore eterniza

A tua, mais que ingrata, formosura.

 

Já cintilam teus olhos: a figura

Avultando já vai; quanto indecisa

Pasmou na efígie a idéia, se divisa

No engraçado relevo da escultura.

 

Teu rosto aqui se mostra; eu não duvido,

Acuses meu delírio, quando trato

De deixar nesta pedra o vulto erguido;

 

É tosca a prata, o ouro é menos grato;

Contemplo o teu rigor: oh que advertido!

Só me dá esta penha o teu retrato!

 

Cláudio Manuel da Costa

VII

 

Onde estou? Este sítio desconheço:

Quem fez tão diferente aquele prado?

Tudo outra natureza tem tomado;

E em contemplá-lo tímido esmoreço.

 

Uma fonte aqui houve; eu não me esqueço

De estar a ela um dia reclinado:

Ali em vale um monte está mudado:

Quanto pode dos anos o progresso!

 

Árvores aqui vi tão florescentes,

Que faziam perpétua a primavera:

Nem troncos vejo agora decadentes.

 

Eu me engano: a região esta não era:

Mas que venho a estranhar, se estão presentes

Meus males, com que tudo degenera!

 

Cláudio Manuel da Costa