José Maria de Almeida (Portugal/Brasil, 1906-1991)
óleo sobre tela, 39 x 46 cm
José Maria de Almeida (Portugal/Brasil, 1906-1991)
óleo sobre tela, 39 x 46 cm
Coelhinho Tibúrcio com cenoura, ilustração Belli Studio.
Leonel Neves
Com quatro patinhas, o rabo curtinho,
Orelhas compridas, peludo – é verdade –
E sempre a mexer o nariz quando come,
Louco por cenouras e alfaces, louquinho,
Há tanto no campo como na cidade.
O nome não digo. Qual é o seu nome?
Em: Bichos de trazer por casa: poemas para crianças, Lisboa, Livros Horizonte: 1981, 3ª ed.
Giorgio de Chirico (Grécia, 1888-1978)
óleo sobre tela, 38 x 51 cm
Toledo Museum of Art, EUA
Homero Massena (Brasil, 1886-1974)
óleo sobre tela
Mauro Mota
Libertos da trouxa tremem
as calças e os paletós.
Doem na pedra pano e carne
sem anotações no rol.
Canto azul da lavadeira
lavado na ventania.
Mistura de corpos gastos,
de sabão, espuma e anil.
O suor da blusa operária
(chora o lenço de Maria)
Transita o amor pela anágua.
geme o lençol de agonia.
O sonho dorme na fronha,
a camisa precordial,
nódoas da fome da criança
na toalha da mesa oval.
Nas águas têxteis do rio,
há sabor de sangue e sal.
Em: Antologia Poética, Mauro Mota, Rio de Janeiro, Editora Leitura: 1968, p. 80.
História de Paulo e Virgínia em Postais
Data: 1888 — Liebig Company, Bélgica
Por vezes me perguntam se escolho primeiro a imagem ou o texto. Não há regra… É uma questão de associações, de imagem puxando imagem. Como neste caso aqui. Há algum tempo selecionei um trecho de Pedro Nava, do primeiro volume de suas memórias, Baú de Ossos. O trecho ficou gravado entre as minhas “seleções” — uma coisa meio século XIX que vez por outra alimento — : um caderno com passagens preferidas de textos. É claro que com Pedro Nava corri sempre o risco de selecionar quase todos os seis volumes de suas memórias, tal a riqueza de sua prosa. Passou o tempo. De repente, procurando na internet por imagens que nada tinham a ver com as que coloquei acima, me encantei com a seleção de postais belgas retratando a história de Paulo e Virgínia. Uma breve pesquisa me levou a procurar o texto selecionado e …Voilà, temos uma postagem por associação. Mas o intervalo entre texto e imagem pode ser longo…
“Ai! de mim, que mais cedo que o amigo também abracei a senda do crime e enveredei pela do furto… Amante das artes plásticas desde cedo, educado no culto do belo pelas pinturas das tias, das primas e pelas composições fotográficas do seu Lemos, amigo de meu Pai — eu não pude me conter. Eram duas coleções de postais pertencentes a minha prima Maria Luísa Paletta. Numa, toda a vida de Paulo e Virgínia — do idílio infantil ao navio desmantelado na procela. Pobre Virgínia, dos cabelos esvoaçantes! Noutra a de Joana d’Arc, desde os tempos de pastora e das vozes, ao das cavalgadas com suas hostes e à morte sobre a fogueira de Ruão. Pobre Joana, dos cabelos em chama! Não resisti. Furtei, escondi e depois de longos êxtases, com medo, joguei tudo fora. ”
Em: Baú de Ossos: memórias, Pedro Nava, Rio de Janeiro, Sabiá: 1972, p. 272.