Não sou mais analfabeto!
Felizmente já sei ler!
Este meu primeiro livro
Vai-me dar muito prazer!
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(Walter Nieble de Freitas)
Não sou mais analfabeto!
Felizmente já sei ler!
Este meu primeiro livro
Vai-me dar muito prazer!
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(Walter Nieble de Freitas)
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A administração de assuntos culturais da França divulgou uma foto de três ânforas antigas contendo milhares de moedas de bronze, de mais de 1700 anos de idade. A descoberta de milhares de moedas romanas no campo de L’Isle-Jourdain, perto de Toulouse, no sudoeste da França foi considerada por arqueólogos “ um achado importante, na medida em que não é frequente falar de objetos do tipo desse período“, disse Michel Vaginay ,o responsável regional por descobertas arqueológicas.
Essas moedas, desenterradas e guardadas no final da semana, foram forjadas entre os anos 290 e 310 D.C em Londres, Lyon (atual França), Cartago (atual Tunísia) ou Trier (atual Alemanha). Seriam então da à época em que a França e todos esses outros lugares faziam parte do Império Romano. Foram encontrada em duas ânforas de 80cm de altura e um outro jarro de aproximadamente a metade desse tamanho.
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Os tesouros foram descobertos por dois amantes de arqueologia que já haviam descoberto outras peças romanas nesse mesmo local. “Nós sabíamos que havia mais por aqui e então, no meio de uma caminhada nos deparamos com essas peças na superfície mesmo do solo”, disse um deles. Primeiro achamos mais ou menos 250 peças arqueológicas num campo por aqui que havia acabado de ser arado. Isso nos fez pensar que poderíamos encontrar algo mais por aqui”. Os dois juraram permanecer no anonimato.
Quando descobriram o tesouro, os dois contataram as autoridades responsáveis que verificaram o achado. Mas o dono da propriedade pediu que escavações só fossem feitas depois dessa colheita do milho. A maior preocupação, no entanto, foi manter segredo. Com a demora das escavações, nenhuma palavra sobre o achado deveria chegar aos jornais para que ladrões e outros caçadores de tesouros não tivessem a idéia de virem ao sítio arqueológico roubar e destruir o que havia sido encontrado.
Levadas para Toulouse para classificação e estudos de laboratório, essas moedas devem ser examinadas por um período de aproximadamente três a quatro meses. Depois disso devem poder ser vistas pela população de L’Isle-Jourdain. Pelo menos é o que promete o prefeito da cidade. “Esperamos poder expor algumas dessas peças por um longo período. Mas no momento, o que sabemos ao certo é que os habitantes do cidade poderão ver este achado dentro de poucos meses”.
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Fontes: Terra, La Depeche
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Mais uma fábula de Leonardo da Vinci. Quem vem seguindo este blog já sabe que além de grande pintor, arquiteto e cientista, o gênio da Renascença italiana também ficou conhecido por sua arte de conversar, de contar histórias. Também escreveu e anotou fábulas e contos populares, lendas e anedotas, organizando-as em volumes diversos. Algumas dessas lendas foram traduzidas por Bruno Nardini e publicadas no Brasil em 1972. Transcrevo aqui a fábula O jumento e o gelo do volume de Leonardo chamado: Fábulas, Atl. 67 v.b.) Em: Fábulas e lendas, Leonardo da Vinci, São Paulo, Círculo do Livro: 1972, p.34.
A fábula de hoje, tem uma moral conhecida nossa, sabedoria popular, vinda da tradição latina através de Portugal: Quem avisa amigo é.
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Era uma vez um jumento que estava muito cansado e sentiu-se sem forças para ir até o estábulo.
Isso aconteceu no inverno, e fazia muito frio. Todas as ruas estavam cobertas de gelo.
— Vou ficar aqui, disse o jumento, deitando-se no chão.
Um pequeno pardal voou para junto dele e murmurou-lhe ao ouvido:
— Jumento, você não está na rua, mas sim sobre um lago congelado. Seja prudente!
O jumento estava cansado. Não tomou conhecimento do aviso. Bocejou e adormeceu.
O calor de seu corpo começou aos poucos a derreter o gelo, que, finalmente, estalou e partiu-se.
Ao ver-se dentro d’água, o jumento acordou aterrorizado. E enquanto nadava na água gelada, arrependeu-se por não ter ouvido o conselho do pardal amigo.
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Nesse blog temos também:
A Raposa e a pega, de Leonardo da Vinci.
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Miss Auras, o livro vermelho, c. 1890
Sir John Lavery (Irlanda, 1856-1941)
óle sobre tela, 76 x 63 cm
Coleção Particular
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John Lavery nasceu na Irlanda em 1856. Ficou conhecido principalmente por seus retratos. Na década de 1870 estudou pintura em Glascow, na Academia Haldane, e nos anos seguintes foi para Paris onde estudou na Académie Julian. Foi em 1888 que ele foi escolhido para pintar o retrato da Rainha Vitória numa visita que ela fez a Irlanda. Isso foi o suficiente para que ele se tornasse muito popular na sociedade como retratista. Faleceu em 1941, aos 84 anos.
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Longos feriados em geral me levam a grandes projetos. Não gosto de sair em mini-férias nas semanas com feriados. Tudo fica muito cheio, o trânsito horrível, acabo cansada e irritada. Esta semana com o feriado na quarta-feira fiquei sem saber se emendava para do domingo anterior ou para o domingo seguinte. Acabou que não fiz nem uma coisa nem outra. Só tirei “férias” das minhas atividades corriqueiras. E comecei — PERIGO! — a organizar aquelas coisas que a gente sempre tem a intenção de arrumar e não consegue. Fui checando diversos itens que estavam para serem revistos, portanto não se surpreendam se eu voltar a esse assunto nas semanas que seguem, principalmente porque já estou me preparando para continuar – e quem sabe conseguir terminar o que comecei — no dia 15, feriado nacional.
Desde que me mudei – passaram-se 14 meses! – estou para dar ordem a algumas das centenas e centenas de cartões postais que tenho. Antes de me mudar para um local com menos espaço, selecionei todos os postais brasileiros de minha coleção, que haviam sido impressos na primeira metade do século vinte e mandei para leilão. Mas guardei comigo outros tantos, quase todos de obras de arte. Por razões emocionais.
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Na época em que precisei fazer provas orais de reconhecimento de obras de arte e estilos – parte do processo normal da finalização do curso de mestrado em história da arte, a maneira de estudar era através de cartões postais, que eu e meus colegas na universidade, mostrávamos uns aos outros testando os conhecimentos: “ Isto é, Fantin-Latour, Natureza Morta.” “Ingres, Retrato de Mlle Rivière, 1805”; “Sátiro com bacantes, Clodion”; “Venus Consolando o Amor, Boucher”; e assim por diante. As provas orais do mestrado eram divididas em 3 partes: duas delas incluíam conhecimento geral, da Idade da Pedra ao momento presente com o reconhecimento darte projetada na tela. E havia também a defesa da tese de mestrado. Era a prova oral de reconhecimento das obras de arte, esta a que me referi ainda agora, em que os slides eram projetados por 30 segundos, mais ou menos, quando tínhamos que reconhecer e identificar o que estava sendo projetado, que era a parte que mais nos dava medo. Mesmo a segunda fase desse torneio de reconhecimento de obras de arte, aquela em que o aluno tinha que dar uma pequena aula de cinco minutos sobre o que estava na tela, não apavorava tanto, parecia mais fácil, porque dava tempo de pensarmos: cinco minutos para cada projeção, além é claro da possibilidade de uma boa dose de “embromol” [que diga-se de passagem, ao contrário do que muitos pensam, não é uma invenção brasileira]. Mas a parte de identificação era muito traumática, a meu ver, porque tínhamos que fazê-lo na hora, de imediato, “na lata”, qualquer obra da Idade da Pedra ao presente.
As provas orais para o doutoramento também se dividiam em duas partes, duas provas orais: a defesa da tese de doutoramento e a parte que incluía identificação [ao acaso] e até de obras sem autor conhecido para você atribuir e dizer porque atribui. Essas eram em dias separados. Mas sempre me pareceram mais fáceis porque eram obras [pintura, escultura e arquitetura] dentro da sua área de especialização, e é claro, tínhamos a obrigação de saber. Passáramos anos a fio estudando exclusivamente um determinado período da história para isso mesmo, para sermos especialistas.
De modo que os muitos cartões postais de obras de arte que tenho comigo têm um simbolismo grande. Alguns já estão amarelando. Se levar em consideração as fotografias modernas muito mais precisas do que as do passado, devo me desfazer deles. Mesmo assim não tive coragem de jogá-los fora, pelo menos alguns deles. Vou dizer a razão.
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A pergunta que me preocupou nesses dias: devo me desfazer deles ou não? É difícil. E é difícil responder de maneira satisfatória. Mantê-los é de um luxo, que viver no Rio de Janeiro talvez não me permita desfrutar: o espaço para guardá-los é preciosíssimo. Por outro lado, já não olho mais para esses postais. Na maioria das vezes quando penso em algum quadro corro para a internet e o acho. Mantive os postais por acreditar, que tinha obras reproduzidas em postais que eu considerava de artistas muito pouco conhecidos. Eles vinham das minhas viagens [não há historiador da arte que se preze que não viaje, porque não há como ver um quadro a não ser em pessoa] ou de amigos e familiares que visitaram lugares distantes, digamos a Eslovênia, ou a Ucrânia, ou até mesmo lugares mais corriqueiros, mas em datas onde já havia outras edições de postais. Essas pessoas gentilmente traziam imagens das obras de arte encontradas em museus locais. Meu pai chegou ao extremo de num tour da Europa me trazer uma maleta repleta de cartões postais de obras de arte, pesadíssima, que ele, um cardíaco, não deveria ter-se aventurado a carregar, todos postais únicos, não repetidos entre si, só para me ajudar na difícil tarefa de sucesso nas provas orais.
A surpresa é que hoje já encontro muitas, a maioria dessas obras de arte, na rede. E estou grata por isso. Artistas cujos trabalhos pareciam tão fora do meu alcance ou dos olhos de qualquer um de nós, agora estão simplesmente a alguns cliques dos meus olhos. E essa é uma das maiores vantagens da rede. O acesso ao conhecimento, mesmo que esse conhecimento se resuma a uma familiarização visual, está muito próximo. Democraticamente próximo. Exceto que temos que ter o conhecimento prévio do que queremos para poder achar. É preciso saber procurar, e é aí que vem o conhecimento não só dos artistas, mas de línguas também, não só do inglês e do francês. Um historiador da arte precisa pelo menos ler em alemão, não importa a sua área de especialização. Diz o ditado que quem procura acha. Mas quem procura precisa saber daquilo que quer achar…
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No meu campo, nas artes visuais, por causa dessa educação mais abrangente que engloba muito mais do que o mínimo necessário, há países que se destacam com a riqueza das imagens que encontramos na rede. Os Estados Unidos, Inglaterra e Canadá são hors-concours, realmente tenho a impressão de que tudo deles está na rede, ainda que seja só impressão. E muito do que está na rede é para ser usado, para ser divulgado, os museus não fazem pequenos truques para evitar a reprodução na rede de suas obras de arte como encontramos por aqui. Está tudo aberto, aberto ao público, a todos. Devo lembrar que a Rússia não fica atrás. Há portais russos oficiais e de amantes das artes que batem de longe muitos dos portais que encontro por cá, com reproduções em grande resolução, com clareza de informações. Muito bons também são os portais quer oficiais, quer de amantes das artes dos Países Baixos (incluo entre eles a Holanda e a Bélgica). A França tem um maravilhoso leque de imagens das obras em seus museus, mas, típico daquele país, a maioria delas postada pelos próprios museus e consequentemente pelo governo. O público em geral é mais retraído. A Itália é muito pobre nesse âmbito, pouquíssima informação extra-oficial. A impressão que tenho da Itália, pelos portais nas artes visuais é que o italiano ainda está numa outra era da vida na rede. No Brasil a vida na rede está em grande parte nas mãos de adolescentes ou jovens adultos com pouca escolaridade.
O que me fascina nas artes visuais na rede são as pessoas que “dividem” os seus conhecimentos, as suas obsessões com as artes e estas estão justamente nos países em que a instrução é levada a sério. No caso brasileiro, encontro muito pouco da produção nacional de obras de arte ao alcance do público. Temos falta da participação das organizações oficiais, tais como museus de arte, museus históricos. Não temos um cadastro das obras encontradas em cada museu brasileiro – como há ao alcance de todos na rede francesa — e há acima de tudo a falta do “amador” no Brasil, daquela pessoa que é digamos, engenheiro, técnico de fertilização in vitro, técnico na agricultura, o bancário, taxista, pessoas que amam a arte, ou amam alguma coisa, maior do que si mesmos, que se disponham a dividir com o mundo, com outros brasileiros, aquilo de que gostam, aquilo que ocupa sua imaginação. Falta aquela pessoa que queira dividir com o público, ou com outros aficionados o que tem, o que conhece, o que o deslumbra, sem a intenção de lucro. Aqui todo mundo quer dinheiro pela informação. Há um consenso cultural de que informação é coisa preciosa e que se você quiser saber terá de pagar por isso. É uma das muitas conseqüências do viés da inequalidade brasileira. Falam muito do capitalismo americano, mas nos portais americanos, canadenses, ingleses, encontramos o apaixonado, o colecionador, a pessoa que gostaria de dividir com o mundo aquilo de que gosta, aquilo que sabe. É nesses países, as estrelas do capitalismo, que encontramos o maior conhecimento ao menor preço. Vejam os blogs de cidadãos desses países, eles não se limitam a diários da minha aventura amorosa da noite passada. Na rede, no Brasil, o que encontramos nas arte visuais, a maioria deve ser paga, ou precisa de conhecimentos especiais… O acervo dos nossos museus na rede é ridículo, e além disso, quando encontrado depende de fotografia de baixa resolução, são portais em geral mal elaborados. Esse é o reflexo, em grande escala, da falta de instrução, da falta de um conhecimento um pouco acima do mínimo requerido para a sobrevivência do corpo. Dizem que estamos com uma deficiência de quesitos morais, que perdemos a noção dos valores. Mas valores são adquiridos quando passamos do limite da instrução mínima necessária. A vida interior não pode, nem deve, ser domínio único da religião. Há outros caminhos para uma vida interior rica, generosa, excitante e capaz. São esses caminhos os que nos ajudam na criatividade, na liderança, no pulo do gato da ciência. As artes são um deles. As ciências também. O conhecimento é a grande alavanca da criatividade e de valores morais.
Ah, sim, a decisão: vou manter os cartões postais de arte brasileira. A maioria ainda não está na rede.
©Ladyce West, Rio de Janeiro: 2011
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Pato Donald e Margarida como índios americanos, ilustração de Walt Disney.–
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Tanto fala o tagarela
que quando o faz sem cautela,
se não o deixam banguela,
o acertam na canela.
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(Paschoalino Lauro)
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Minha rua antes da chuva, 2007
Luiz Paulo de Morais (Brasil, conteporâneo)
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Olegário Mariano
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Choveu o dia todo… Era chuva de vento.
O dínamo da Vida amiudando os instantes,
Acelerava em continuado movimento,
Os automóveis, as carroças, os viandantes.
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As casas de comércio, portas largas,
Fechadas, sonolentas e pesadas…
Os caminhões deitando cargas
Sobre a chapa polida das calçadas…
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Tudo a rua sentiu embriagada e felina.
De quando em quando, no alto, lá bem no alto,
Um pássaro sonoro esgarçava a neblina
E o rumor do motor vinha morrer no asfalto…
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Depois a rua adormeceu… Veio descendo
A noite… Foram desaparecendo
As vozes todas… Para que retê-las?
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Agora as poças d’água estão sorrindo,
Monótonas, humildes, refletindo
O céu… Tão longe o céu cheio de estrelas!
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–Olegário Mariano Carneiro da Cunha, (PE1889 — RJ 1958). Poeta, político e diplomata brasileiro.
Obras:
Angelus (1911)
Sonetos (1921)
Evangelho da sombra e do silêncio (1913)
Água corrente, com uma carta prefácio de Olavo Bilac (1917)
Últimas cigarras (1920)
Castelos na areia (1922)
Cidade maravilhosa (1923)
Bataclan, crônicas em verso (1927)
Canto da minha terra (1931)
Destino (1931)
Poemas de amor e de saudade (1932)
Teatro (1932)
Antologia de tradutores (1932)
Poesias escolhidas (1932)
O amor na poesia brasileira (1933)
Vida Caixa de brinquedos, crônicas em verso (1933)
O enamorado da vida, com prefácio de Júlio Dantas (1937)
Abolição da escravatura e os homens do norte, conferência (1939)
Em louvor da língua portuguesa (1940)
A vida que já vivi, memórias (1945)
Quando vem baixando o crepúsculo (1945)
Cantigas de encurtar caminho (1949)
Tangará conta histórias, poesia infantil (1953)
Toda uma vida de poesia, 2 vols. (1957)
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Cascão lê Robin Hood, ilustração de Maurício de Sousa.–
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Se queres vencer na vida,
Desenvolver, prosperar,
Procura sempre bons livros:
Quem lê aprende a pensar!
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(Walter Nieble de Freitas)
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Continuando a nossa coletânea da memória visual brasileira, hoje damos uma olhadinha nas ilustrações de André LeBlanc, para as Fábulas de Monteiro Lobato. André LeBlanc tem melhor chance de ser estudado porque fez carreira não só aqui no Brasil, mas nos Estados Unidos também. Nascido no Haiti em 1921, LeBlanc, estudou nos Estados Unidos. Apaixonado pela brasileira Elvira Telles acabou trabalhando tanto aqui no Brasil quanto nos EUA. Lá, foi assistente de Will Eisner no The Spirit, e trabalhou com Sy Berry na revista O Fantasma. Também contribui para as tirinhas diárias dos jornais, das histórias de Flash Gordon, Apartmento 3-G e Rex Morgan. LeBlanc também foi professor na Escola de Artes Visuais de Nova York. Faleceu em 1998. As ilustrações de André LeBlanc para Fábulas de Monteiro Lobato se restringem ao texto.
A capa dessa edição é de autoria do ilustrador e artista plástico Augustus, [Augusto Mendes da Silva] nascido em 1917, em Santos, SP; estudou desenho com Máximo de Azevedo Marques. Responsável por grande parte das capas dos livros de Monteiro Lobato, Avgvstvs [assinado como em Latim] era um artista plástico dedicado principalmente ao retrato, mesmo tendo trabalhado com desenho gráfico para propagand [foi o responsável pelos anúncios do Biotônico Fontoura]. Faleceu em 2008, em Florianópolis, deixando não só mais de 1000 retratos de personalidades, na sua maioria paulistanas, mas os protótipos de Narizinhos, Pedrinhos, Emílias, Dona Bentas e demais personagens de Lobato, que permanecem até hoje nas imaginações de milhares e milhares de brasileiros.
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A cigarra e a formiga— Que quer? — perguntou, examinando a triste mendiga suja de lama e a tossir.
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O reformador do mundo— Eu trocaria as bolas, passando as jaboticabas para a aboboreira, e as abóboras para a jaboticabeira.
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O rato da cidade e o rato do campoNo melhor da festa, porém, ouviu-se um rumor na porta.
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O velho, o menino e a mulinha— Carreguemos o burro às costas. Talvez isso contente o mundo…
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O pastor e o leãoApareceu diante dele um enorme leão, de dentes arreganhados.
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A assembléia de ratos— Acho — disse um deles, que o meio de nos defendermos de Faro-fino é lhe atarmos um guizo no pescoço.
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O galo que logrou a raposaAo ouvir falar em cachorro, Dona Raposa não quis saber de histórias, e tratou de por-se ao fresco.
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Os dois viajantes na MacacolândiaE o viajante neurastênico, arrastado dali por cem munhecas, entrou por ali numa roda de lenha que o deixou moído por uma semana.
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A menina do leiteTreque, treque, treque, lá ia Laurinha para o mercado com uma lata de leite à cabeça.
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O burro na pele do leãoFirmou a vista e logo notou que o tal leão tinha orelhas de asno.
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A raposa sem raboA raposa finalmente conseguiu fugir, embora deixando na ratoeira a sua linda cauda.
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O leão, o lobo e a raposa— Diga lá o que é — ordenou o leão, já calmo.–
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Qualidade e quantidadeDisse asneiras como nunca, tolices de duas arrobas, besteiras de dar com um pau.
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O cão e o lobo— Fique-se lá com a sua gordura de escravo que eu me contento com a minha magreza de lobo livre.
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O corvo e o pavão— Repare como sou belo! Que cauda, hem?
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O macaco e o gato— Amigo Bichano, você, que tem uma pata jeitosa, tire as castanhas do fogo.
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A mosca e a formiguinha— Ora, ora! — exclamou a mosca. Viva eu quente e ria-se a gente.
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Os dois burrinhos— Socorro, amigo! Venha acudir-me que estou descadeirado…
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O cavalo e as mutucasVolta e meia, plaf! uma lambada e era um inseto a menos.
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O ratinho, o gato e o galoO ratinho por um triz que não morreu de susto.
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Os dois pombinhosO pombinho assanhado beijou o companheiro e partiu.
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Os dois ladrõesEnquanto isso um terceiro ladrão surge, monta no burro e foge de galope.
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O lobo e o cordeiro— Que desaforo é esse de turvar a água que venho beber!
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Segredo de mulher— Pois então ouça: meu marido esta noite botou dois ovos…
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A galinha dos ovos de ouroJoão Impaciente descobriu no quintal uma galinha que punha ovos de ouro.
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O leão e o ratinhoAtraído pelos urros, apareceu o ratinho.
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O burro sábio— Grande pedaço d’asno! Roubaste o tempo, a nós e a ti…
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Em: Fábulas, Monteiro Lobato, São Paulo, Editora Brasiliense, s/d [1960s], 20ª edição.
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Fim de baile
Rogelio de Egusquiza Barrena (Espanha 1845-1915)
óleo sobre tela
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Casimiro de Abreu
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Tu, ontem,
na dança
que cansa,
voavas
c’as faces
em rosas
formosas
de vivo,
lascivo
carmim;
na valsa
tão falsa,
corrias,
fugias,
ardente,
contente,
tranqüila,
serena,
sem pena,
de mim!
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Casimiro José Marques de Abreu (Barra de São João, 4 de janeiro de 1839 — Nova Friburgo, 18 de outubro de 1860) poeta brasileiro da segunda geração romântica. Foi a Portugal com seu pai em 1853, onde permaneceu até 1857. Morreu aos 21 anos de idade de tuberculose. Deixou um único livro de poesias publicado em 1859, Primaveras, mas foi o suficiente para se tornar um dos mais populares poetas brasileiros de todos os tempos.
Obras:
Teatro:
Camões e o Jaú , 1856
Poesia:
Primaveras, 1859
Romances:
Carolina, 1856
Camila, romance inacabado, 1856
A virgem loura,
Páginas do coração, prosa poética,1857