Num Postal com dois cachorrinhos…, poema de Carlos Drummond de Andrade

15 12 2015

 

cachorro e gatinho de natal

 

Num postal com dois cachorrinhos e enfeites de Natal — perdão, com um gato e cachorrinho

 

Carlos Drummond de Andrade

 

 

Este gato não é de araque,
é de copo de conhaque,
e o malandro cacholinho
fica olhando de fininho
para ver se a dona chega
e acaba com a bagunça.
Enquanto a dona não vem,
os dois fazem seu Natal
entre bolas, contas, flores,
pois neste mundo, afinal,
os dois bichinhos de truz,
como as damas e os senhores,
são filhinhos de Jesus.





Eu, pintor: Mestre de Frankfurt

1 12 2015

Frankfurt_master-artist_and_wife

Auto-retrato com sua esposa, 1496

Mestre de Frankfurt (c. 1460 – c.1533)

óleo sobre madeira, 38 x 26 cm

Real Museu de Belas Artes da Antuérpia, Bélgica





Raphael Montes sobre diversão e qualidade na literatura

20 11 2015

 

 

Robert daley(EUA)-Diane, 75 x 100, col partDiane

Robert Daley (EUA,contemporâneo)

óleo sobre tela, 75 x 100 cm

www.robertdaley.com

 

 

“Na história da literatura brasileira, em algum momento, criou-se a noção de que diversão e qualidade são elementos obrigatoriamente dissociados: o que diverte não tem qualidade, o que tem qualidade não diverte. Nessa lógica deturpada, onde se situam autores como Machado de Assis, Pedro Nava e Jorge Amado? Teríamos que assumir que “Memórias póstumas de Brás Cubas”, por exemplo, é um livro de qualidade literária que não diverte ou que é um livro divertido, mas sem qualquer profundidade artística. Ambas as ideias são absurdas. Machado unia os dois lados e, assim, fazia boa literatura…”

 

Em: “A Antinarrativa”, Raphael Montes, O Globo, 18/11/2015, 2º caderno, página 6.





Trova das mentiras

19 11 2015

 

mulher de chapéuDesconheço a autoria da ilustração.

 

Do dia a dia na cena

a verdade não prefiras,

que a vida só vale a pena

por suas lindas mentiras.

 

 

(Gilka Machado)

 





Amendoeiras, poesia de J. G. de Araújo Jorge

17 11 2015

 

praça paris, sandra nunesPraça Paris, Rio de Janeiro, 2008

Sandra Nunes (Brasil, contemporânea)

óleo sobre tela,  40 x 90 cm

www.sandranunes.com

 

 

 

Amendoeiras

 

J. G. de Araújo Jorge

 

 

No mês de julho, todo ano, as amendoeiras da minha rua

mudam de roupa.

 

Despojam-se de repente das velhas folhas

enferrujadas

e abrem outras tão verdes como se o criador acabasse de

tocá-las…

 

 

Em: A outra face, J. G. de Araújo Jorge, Rio de Janeiro, Vecchi:1958, 2ª edição, p. 141





Quadrinha da erosão

11 11 2015

 

 

fazenda, trabalho naIlustração anônima.

 

Sempre que as águas da chuva

Levam a terra do chão,

O solo sofre um desgaste

Que chamamos de erosão.

 

 

Em: 1001 Quadrinhas Escolares, Walter Nieble de Freitas, São Paulo, Difusora Cultural:1965





Sei um ninho, poema de Miguel Torga

9 11 2015

 

perecastor-coucou-ill-illustrated by Feodor Stepanovich Rojankovsky, Rojan.Ilustração de um dos livros “Père Castor”, com ilustração provável de Feodor Stepanovich Rojankovsky, conhecido como Rojan.

 

 

Sei um ninho

 

Miguel Torga

 

 

Sei um ninho.

E o ninho tem um ovo.

E o ovo, redondinho,

Tem lá dentro um passarinho Novo.

Mas escusam de me atentar:

Nem o tiro, nem o ensino.

 

Quero ser um bom menino

E guardar

Este segredo comigo.

E ter depois um amigo

Que faça o pino

A voar…





A evolução da casa no Rio de Janeiro … texto de Pedro Nava

3 11 2015

 

CAROLLO, Edy Gomes (1921) Solar, o.s.t. - 73 x 60Solar, s.d.

Edy Gomes Carollo (Brasil, 1921-2000)

óleo sobre tela, 73 x 60 cm

 

 

“A casa era uma dessas belas construções do fim do século passado, com jarrões na cimalha, florões, monograma, cinco janelaços de fachada, com gradis prateados  onde dragões simétricos ficavam frente a frente, ladeando o ornamento central; jardim de gramado liso, duas palmeiras imperiais e a fonte de pedra que escorria seu fio de prata sobre limos e peixes vermelhos; portão com pilastras de granito; o clássico caramanchão de cimento imitando bambu e o colmo de palha e todo trançado de trepadeiras. O prédio de D. Adelaide era de porão habitável (cujo pé-direito era mais alto que os dos apartamentos de hoje) e de andar superior luxuoso, cheio de ornatos esculpidos nos tetos, vidraças biseautées, vastos salões, lustres com pingentes de cristal; um sem-número de quartos; portas almofadadas com maçanetas lapidadas; pias, bidês e latrinas de louça ramalhetada; vastas banheiras de mármore onde a água chegava pelo bico aberto de dois cisnes de pescoço encurvado e feitos de metal amarelo sempre reluzentes do sapólio. Bela casa, na segunda etapa de sua existência. Porque a primeira e inaugural era sempre a residência de grande do Império ou figurão da República. A segunda, pensão familiar. A terceira, casa de cômodos. Depois cabeça-de-porco — substituída pelos arranha-céus de hoje. Lá está o atual, com os apartamentos que encimam a Casa Cabanas e a Papelaria Dery. Mesmo número: 252.”

 

Em: Balão Cativo:memórias/2, Pedro Nava, Rio de Janeiro, José Olympio: 1973, p. 188.





Caixinha mágica, poesia infantil de Roseana Murray

2 11 2015

 

 

presente jose luis merino, presenteIlustração de José Luís Merino.

 

 

Caixinha mágica

Roseana Murray

 

Fabrico uma caixa mágica
para guardar o que não cabe
em nenhum lugar:
a minha sombra
em dias de muito sol,
o amarelo que sobra
do girassol,
um suspiro de beija-flor,
invisíveis lágrimas de amor.

 

Fabrico a caixa com vento,
palavras e desequilíbrio,
e para fechá-la
com tudo o que leva dentro,
basta uma gota de tempo.

 

O que é que você quer
esconder na minha caixa?

 

Em: Fábrica de poesia, Roseana Murray, São Paulo, Scipione: 2008





Imagem de leitura — Reginald Marsh

29 10 2015

 

Reginald Marsh (1898 – 1954) haumptmann-must-dieHauptmann deve morrer, 1935

Reginald Marsh (EUA, 1898-1954)

Têmpera sobre madeira, 70 x 90 cm

Indianapolis Museum of Art